Ser Maçom sem sê-lo

gloves hg65r4

É possível ser Maçom sem sê-lo? A pergunta é comum. Para o Maçom é motivo de séria reflexão em si mesmo. Como responderia o homem treinado nas coisas da Arte Real? Poderia formular o seguinte raciocínio? – Já viu em algum lugar uma estátua representando uma pessoa vigorosa portando um malho e um cinzel a esculpir-se de dentro de uma pedra? Esta é a representação simbólica da auto-educação da Maçonaria. Não é fácil explicar o funcionamento do processo. Também não constitui segredo. Em resumo a educação maçónica pode apenas ser vivida; é resultado de salutar convivência. Para dar uma ideia superficial do que ocorre na Maçonaria é interessante imaginar o homem na sua origem e de como ele provavelmente construiu a sua convivência social.

Na era do homem da caverna, quando o sol se colocava no horizonte, acendiam-se fogueiras para aquecer, assar alimentos e iluminar o ambiente. Ao redor destas fogueiras reunia-se a tribo. Trocavam ideias do quotidiano, da caça, da colheita, dos perigos, e passavam conhecimentos novos de uns para os outros. Nestas reuniões, pelo debate, por conversas, em resultado de actos judicativos, e outras comunicações verbais, cada um desejava sobressair-se do outro com vistas a estabelecer a sua vontade, e principalmente, de obter a aprovação dos demais membros do clã, de se identificar. Esta necessidade de aprovação do grupo fazia com que o indivíduo se adaptasse ao grupo e aceitasse códigos de acção e conduta que o identificassem. Trocavam segredos, confidências de novas técnicas de caça e truques para os mais diversos fins. Quem traísse tais segredos e os divulgasse a outros de fora do grupo, no mínimo seria expulso do clã, quando não o matavam. Isto foi usado por tanto tempo que acabou gravado indelevelmente nos genes do homem, e assim, passa de geração para geração.

O indivíduo, ao forçar uma modificação em si mesmo, às vezes até contra as suas próprias inclinações, praticava o que se faz numa loja maçónica; auto-educava-se; é o que significa a alegoria do escultor de si mesmo. O que ocorre dentro da loja é esta força do grupo sobre o indivíduo. Há quem o designe uma força mística. Mágico mesmo é quando se observam pessoas a se modificarem gradativamente para o bem, e isto sem que elas o percebam. O grupo reunido é uma força poderosa para modificar pessoas. – Somos seres sociais por excelência! Sociais porque o grupo exerce uma força incrível sobre cada um dos seus membros. Isto é verificável nos grupos de jovens: usar “piercings“, cortar cabelo de forma bizarra, tatuagem, e outros sinais de identificação externa, são apenas algumas das modificações forçadas pelos seus iguais. Transfira-se isto para características internas de valores e princípios, espiritualidade, emoções e tem-se o que ocorre dentro de uma loja maçónica. É por isso que não se consegue aprender Maçonaria a partir de livros; estes possuem apenas conhecimento, informação; e isto não é educação. Para tal é necessária a convivência.

A escola que só transmite conhecimento sem o aporte de princípios, valores e virtudes, não educa, e às vezes sequer transmite conhecimentos. Transmitir conhecimento não é educação. Informação serve quase que exclusivamente para prover o sustento. E como existe apenas a auto-educação, cada um só muda quando decide e age para estabelecer uma mudança. E quando esta alteração no seu eu (self) tem o apoio do ego (livre arbítrio) tem-se a auto-educação pura e proactiva. É sempre orientada para o bem porque a auto-educação exige sempre sacrifício, sair da zona de conforto e partir para a acção contra a tendência natural de aderir a vícios, exige força de vontade hercúlea. Sozinho é difícil, mas não impossível. Em grupo a tarefa é facilitada exactamente pela pressão advinda da reunião de diversas pessoas, da energia do pensamento emitido pela colectividade; é genético. O estímulo vem sempre dos irmãos maçons; membros do mesmo grupo social influenciam os seus iguais; é um provocando o outro para o bem. E como se tratam quais irmãos, demonstram profundo amor entre si, o perfeito vínculo de união, é certo que onde se reúnem, manifesta-se aquilo que conhecem pelo conceito de Grande Arquitecto do Universo; espírito que permite reunir numa mesma sala pessoas das mais variadas linhas de pensamentos e religiões para discutirem assuntos da sociedade sem que se matem. É uma grande ideia; a maior herança que a Maçonaria recebeu do Iluminismo Francês.

É possível ser Maçom mesmo sem portar avental, o símbolo do trabalho em si mesmo, da auto-educação. O Maçom sabe que colocar um avental exige um tácito juramento, formal e sagrado, com trágicas e sérias implicações para consigo mesmo se falhar. O simples facto de ser iniciado na Maçonaria, de portar avental não gera um homem perfeito. Cada loja é a união de homens imperfeitos, livres e de boa vontade, com uma vontade imensa de buscar a perfeição, de se ver aprovado pelos iguais. A virtuosidade aflora quando se entende o benefício da associação e de como empunhar as ferramentas certas na auto-educação. O dia-a-dia do Maçom é tomado pelo salutar trabalho em si mesmo; trabalha a pedra. Enquanto uma mão empunha o malho e golpeia com força, a outra mão, conduzida pela razão, empunha firme e delicadamente o cabo do cinzel. A ponta afiada do cinzel elimina gradativamente nódoas e excessos da pedra imperfeita, revelando do interior da rocha disforme o homem aperfeiçoado, exemplar obra de arte do Grande Arquitecto do Universo. Esta é a representação do pedreiro esculpindo-se da rocha, é a representação da sua auto-educação pelo uso da razão equilibrada pela emoção e espiritualidade.

Então é possível tornar-se Maçom sem se ser? Se faltarem os camaradas de caminhada é difícil, mas possível. Existem muitos homens que nunca viram o piso de um templo maçónico, são maçons sem avental cujo comportamento probo e valioso para a sociedade os faz agirem quais obreiros da pedra, faz deles membros da ordem maçónica sem formalizar a sua adesão pela iniciação. Quando identificados, a Maçonaria os convida a fazerem parte da Instituição para reforçarem as colunas dos seus templos, de somar força com outros homens de igual disposição mental e espírito servidor da humanidade. É o motivo da entrada na Ordem Maçónica ocorrer sempre em resultado de um convite e não de vontade explicita do pretendente. É este acúmulo de líderes sociais num só lugar a razão de com frequência de se ouvir que a meta de todo o Maçom deveria ser o de acabar com a Maçonaria; fechar os seus templos. Utopia? Mas, e se todos os homens se tornarem perfeitos, qual será então a utilidade da Ordem Maçónica?

Charles Evaldo Boller

Artigos relacionados

3 thoughts on “Ser Maçom sem sê-lo

  • Avatar

    Perfeito .

    Reply
  • Avatar

    o artigo é muito bom mesmo esclarece bem os pontos mais eu posso garantir Sr.Charles á maçonaria nunca vai deixar de existir pois só existiu um homem perfeito JESUS CRISTO carne hoje está em ESPÍRITO do contrario todos nós sempre teremos uma coisa ou outra á ser consertado é um trabalho que não para pois mesmo DEUS PAI nos ajudando sempre cometemos um pequeno erro ou engano e precisamos consertar então fiquem todos descansados pois se á maçonaria acabar adeus homens de valor neste mundo onde tudo que querem é prejudicar pessoas em benefício próprio e fazer valer sua vontade mesmo que pra isso precisem passar por cima de pessoas inocentes indefesas só para seu bel prazer e querer provar que o são quando na verdade não são bons mais sim maldosos inescrupulosos é o que dizem de alguns pastores lobos vestidos de ovelhas não se revelam mais existe um DEUS tão grande que os revela e os abates á paz para todos amém.

    Reply
  • Avatar

    Excelente trabalho, sobre MMaç.: não IInic.:, mas cabe o contraponto de IInic.: não MMaç.:

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *