Simbolismo dos Números na Maçonaria – O número Dez

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número 10 (dez)

O DEZ é o número sagrado do Universal Secreto e esotérico em relação à Unidade quanto ao Zero. Os números pitagóricos tinham no “1” e no “0” o primeiro e o último algarismo.

Ele é o número do Mestre Secreto e não atinamos porque o Ritual do Mestre Maçom, da Maçonaria Operativa (simbólica), faz, nas suas Instruções, estas incursões pelo campo da Maçonaria Filosófica!

De qualquer modo, em lá estando – no Ritual -, procuraremos, dentro das nossas possibilidades, fazer o comentário sobre este número secreto e sagrado, a fim de que não fique incompleto o nosso estudo.

No princípio deste trabalho fizemos referências ao Zero e ao Um. Podemos, agora, complementar aquelas considerações, eis que o leitor já possui maiores conhecimentos sobre os números, segundo o que tem sido por nós comentado.

O número DEZ representa todas as manifestações que se encontram no Infinito e isto porque, como vimos, o Zero simboliza o Infinito e o Um, que dele se origina, é a manifestação deste mesmo Infinito.

O número Um simboliza o Poder Positivo, masculino enquanto que o Zero, o Poder Passivo, feminino. É no Zero que está o simbolismo do Caos e do Tempo (Cronos). Ele representa a Divindade Passiva, ou o estado latente da Energia. Esta Energia latente só se manifesta com o aparecimento do número Um. O estado de latência do Zero, no entanto, quando activado, permite-lhe actuar junto às demais cifras multiplicando-lhes o valor.

A genesis de toda a criação representa-se pelo Zero, que é o Círculo que representa o Absoluto e pelo UM, que é a manifestação deste mesmo Absoluto. Todas as manifestações que se produzem no nosso sistema solar passam-se entre o Céu e a Terra, as duas polaridades antagónicas.

A Teosofia ensina que o corpo físico do homem está envolvido pelo seu “corpo astral”, uma aura que o envolve e que se apresta, aos videntes, com a forma de um ovóide. O homem é representado pelo número Um encerrado dentro da aura ovóide (círculo). Este conjunto é o simbolismo do número DEZ.

O círculo – a serpente que morde a própria cauda, simbolizando a eternidade do movimento – é a representação da força criadora, passiva, no estado latente, aguardando o aparecimento do ponto gerador da linha (UM) que é o portador do germe da vida, para manifestar a sua potencialidade.

O número UM no centro do círculo (o Caos Infinito) ilumina o Caos e espanca as trevas que nele existem. O aparecimento deste Ponto do qual sairá a Linha (UM), no centro do Círculo (Zero), dando origem ao despertar da potencialidade latente para o trabalho da Criação do Universo, é o “Fiat lux” que simboliza o princípio de toda a Criação!

A Bíblia, descrevendo a criação do mundo, destaca o Inicio de toda a obra de Deus pelo aparecimento desta luz. É dela que parte todo o movimento no sentido da construção do Universo: “Primo dia fexit lucem”.

Antes do “Princípio” já existia o Zero (0). No “Princípio”, surgiu o Um (l). A representação simbólica deste facto, é-nos dada pela colocação do Um à direita do Zero (0), assim: “01”. É a manifestação do Absoluto, accionando a força latente no Círculo, através do raio (Um) que é a projecção do Ponto central de onde brota a Energia e este raio desce para criar todas as formas materiais e mentais simbolizadas nos diversos números, até o Nove, depois do qual, tendo o raio completado a sua trajectória descendente (Involução), retoma (Evolução) ao Circulo e, agora, se coloca à sua direita “10” (“à direita do Pai” segundo a expressão bíblica) simbolizando que a obra foi acabada.

No que tange particularmente à criação do homem, o simbolismo revela-nos que o ponto central do circulo dá origem à Mónada, que é a parte imortal do homem, que se involui, no fenómeno da encarnação, para formar o ser humano, inicialmente imperfeito, constituído de matéria carnal densa que envolve a centelha Divina. Através do processo da Evolução ele vai-se aprimorando, corrigindo os seus erros, amoldando os seus defeitos, burilando o seu carácter, exercitando a sua inteligência, elevando o seu espírito até atingir a pureza que o levará de novo para junto do Criador, de onde partira.

O simbolismo do círculo (Zero) e o seu raio (UM) é extenso, pois eles constituem a chave de todos os mistérios. Sob o aspecto Divino o círculo é o Imanifestado e a linha o Manifestado. Sob o aspecto humano, a linha dentro do círculo (Aara), é o homem colocado no centro de toda a matéria constituída pelos veículos inferiores. Vemos, então, que estas duas figuras geométricas representam, ao mesma tempo, Deus e o Homem!

O trabalho da Involução e da Evolução é representada pelos DEZ Sephirot (números cabalísticos) que são os seguintes:

  1. KETHER – a coroa, emblema da Unidade, princípio originado da manifestação do Absoluto que trabalha sobre a matéria informe e cria todo o Universo. Representa o Pai, criador da vida presente em todas as coisas. A sua acção, no homem, localiza-se num Átomo Central, situado entre os hemisférios cerebrais;
  2. CHOCOMAH – é a Sabedoria desenvolvida pela inteligência. Representa a Mãe, passiva, mas orientadora e organizadora. A sua localização é no hemisfério cerebral esquerdo influindo também sobre o fígado;
  3. BINAH – é a Inteligência sob a influência da Sabedoria, traduzindo-se na Consciência. Representa o Filho e localiza-se no hemisfério cerebral direito e influi no coração;
  4. CHESED – é um aspecto, da Sabedoria que traduz bondade e misericórdia representando, a graça do Espírito Santo. Actua sobre o lado esquerdo do corpo, sendo a mão esquerda o seu principal instrumento de acção;
  5. GEBURAH – Princípio da força e do vigor de que carece a Sabedoria para exercer a sua bondade e misericórdia. A mão direita é o seu instrumento de trabalho, eis que ele age sobre o lado direito do corpo;
  6. TIPHERETH – é a Beleza dos sentimentos originários do coração; o equilíbrio das formas; o Ideal que inspira o Amor que liga o Criador à criatura e estas entre si;
  7. NETSTH – é a manifestação da Inteligência e da Justiça na sua mais alta expressão. Inteligência e Justiça são, no homem, a afirmação de que ele encontrou o caminho da Evolução pelo qual caminha, apoiando-se no pé esquerdo onde estão os reflexos deste alento do Íntimo;
  8. HOD – é a expressão dos contrários. A vitória de lado direito sobre o esquerdo, do activo sobre o passivo da vida sobre a morte. O triunfo do Espírito sobre a Matéria;
  9. YESOD – actua na base do corpo e caracteriza a base de toda manifestação, crença e verdade;
  10. MALAKUT – o Reino. A obra completou-se no ciclo do septenário e da década perfeitos. O Absoluto contempla, do Seu Reino, a sua obra imaculada, pura e sem defeitos. O homem queda-se satisfeito pelo dever cumprido pela iminência da sua ascensão aos páramos infinitos! Malakut age sobre os órgãos genitais que manifestam, no homem, a Força Criadora!

A interpretação correcta destes Sephirot leva ao conhecimento de todo o movimento cósmico da Criação, principalmente no que se refere ao Homem, a obra-prima de Deus. O desenvolvimento do período involutivo e, principalmente o processo da Evolução ficam registados nas várias acções que exercem os números sobre a vida humana. A Ciência dos Números (Numerologia) é complexa, mas é nela que se encontraram as explicações para os vários fenómenos que se passam no Universo e para as diferentes fases que atravessa o homem no seu constante progresso em direcção ao infinito.

Um outro aspecto a ser analisado sobre a importância do número DEZ ressalta, na Bíblia, pela manifestação do Criador quando, no Monte Sinai, oferece a Moisés as tábuas do Decálogo!

O Senhor Deus, na Sua omnipotência, exprime a Sua lei em DEZ Mandamentos ou artigos que resumem todo um código de Moral, insuperável! Nele estão incluídos os preceitos concernentes aos deveres do homem para com Deus e para com o seu semelhante.

A Maçonaria, fraternidade áurea, exige, dos seus membros, uma conduta ilibada, exemplar e perfeitamente correcta. O Maçom perfeito enquadra-se, exactamente, nos preceitos do Decálogo. Vamos examinar este Código de Moral para que o Maçom possa compreendê-lo em toda a sua grandiosidade:

PRIMEIRO – “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egipto, da casa da servidão”.

Há, na proclamação acima, uma afirmação peremptória a respeito da autoridade de Deus. Este Mandamento não só exorta a crença na existência de Deus, mas, ainda, afirma uma autoridade sobre a qual irão repousar todos os outros Mandamentos. A soberania de Deus sobre o seu povo sanciona a exigência da obediência exigida.

O Maçom não tergiversa quanto à crença na existência e no domínio do Ente Superior a quem ele chama de Grande Arquitecto do Universo. Aceita, com humildade, as suas determinações e reverencia-O com o mais profundo respeito.

SEGUNDO – “Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o Senhor teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem; e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”.

O mandamento é claro quanto à condição ímpar de Deus e não admite a concomitância do seu culto e outros cultos idólatras porque a unidade de Deus exige devoção total. O Grande Arquitecto do Universo é a autoridade suprema a quem os Maçons rendem as homenagens do seu culto. A Maçonaria não admite a existência de duas Entidades Supremas. Consulta, ao candidato, durante o cerimonial da Iniciação, se ele crê num Principio Criador. Não lhe admite pluralidade nesta crença.

O Capítulo IV versículo 24, do Evangelho de São João, diz: “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade”. Como Espírito ele não pode ser adorado sob uma forma qualquer. Imagens e pinturas desviam a mente da espiritualidade e, em pouco tempo, transformam-se em objecto de veneração. Deus é Espírito e só como Espírito deve ser adorado.

Nas Lojas Maçónicas encontra-se o Estandarte do Padroeiro que, geralmente é ornamentado por uma pintura do retrato de São João. Isto não quebra o preceito Divino, porque não se trata, ali, de uma figuração directa de Deus, mas, antes, é uma homenagem a uma figura exemplar que deve ser seguida nos seus actos e nos exemplos que nos legou como homem justo e perfeito que ele foi, amante da verdade, correcto no proceder e firme na sua devoção. Desta maneira se explica a presença daquele Santo no interior dos Templos Maçónicos. A estampa é, antes, uma invocação, mas nunca um motivo de culto ou de adoração!

Ademais, o Mandamento que ora se comenta não encerra uma proibição de se fazerem esculturas ou pinturas nos Templos dedicados ao culto. O próprio Deus recomendou a feitura de esculturas e outros adornos como a da Serpente de Bronze (Num. XXI, 8), a construção dos Querubins (Ex. XXV, 18 a 22). A proibição é específica, quanto ao propósito de se fazerem imagens ou pinturas que tivessem à finalidade representar ou sugerir o Senhor Deus.

A parte final deste Mandamento exige certa cautela ao examiná-la afim de que ela não nos deixe a impressão de ser injusto o Mandamento. A afirmação “eu sou um Deus zeloso” significa que Ele é o único que tem o direito de ser amado pelo seu povo. Assim, a idolatria não podia ter lugar entre o povo de Deus. Também a afirmativa de que Ele visita a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta gerações, não pode ser tomada ao pé da letra. Em Deuteronómio, Capítulo XXIV, versículo 16, lemos: “Os pais não morrerão em lugar dos filhos, nem os filhos em lugar dos pais; cada qual será morto pelo seu pecado”.

A leitura deste capítulo e versículo dá-nos a certeza de que Deus não pune os filhos por causa das ofensas dos pais. Se, contudo, os filhos continuarem a ofender a Deus, como O ofendem os pais, sofrerão por isto a mesma punição. Isto é ressaltado na frase: “daqueles que me aborrecem”. Só os que aborrecem a Deus serão castigados.

TERCEIRO – “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão”.

A proibição contida no Mandamento refere-se ao juramento falso, ou seja, chamar o nome de Deus para testemunha de actos ou palavras falsos, mentirosos ou frívolos. O Mandamento, porém, não exclui o uso do nome de Deus em juramentos justos, verdadeiros e solenes.

Ao Maçom é exigida, quando do seu ingresso na Ordem, a prestação de um “juramento solene”. Este é dos que não estão incluídos na proibição do Terceiro Mandamento, pois ele é um compromisso sério, verdadeiro e real. Todas as sociedades, todas as religiões, todos os postos de responsabilidade, exigem a prestação de um juramento. Este juramento, a par de constituir uma garantia para os componentes da sociedade de que o seu novo membro será fiel aos compromissos assumidos, funciona, ainda, como uma “assinatura” moral dada sobre aqueles compromissos. Infelizmente a humanidade ainda não atingiu aquele estágio de adiantamento moral pretendido pelo Senhor Jesus, de ser “o sim, sim”! Enquanto isto não acontece, há que se exigir dos homens, um “solene juramento” para se permitir o seu ingresso na ordem maçónica.

QUARTO – “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Não farás nenhum trabalho. Nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro porque em seis dias fez o Senhor os Céus e Terra, o mar e tudo o que neles há, o no sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou”.

Sábado (do hebreu Shabbath, do verbo sabath, significando “cessar” ou “descansar”) era para ser um dia de descanso, evitando-se todo o trabalho excepto aquele que o tornava imprescindível. É interessante verificar-se a cautela encerrada no Mandamento que se preocupa em especificar todos os que não deviam trabalhar, incluindo nesta especificação até os animais. No Deuteronómio, na repetição dos Mandamentos, os animais são citados individualmente segundo a sua raça! Isto distinguia a Lei de Deus das leis dos homens, pois que, enquanto estas eram falhas e cheias de privilégios, aquela se preocupava e nivelava os direitos de todos, inclusive o dos irracionais. A santificação daquele dia, em que se deveria adorar ao Criador, deu-lhe a denominação de “sábado do Senhor”.

A guarda do dia de sábado teve como motivo o próprio exemplo do Criador, durante o trabalho da criação. A importância desta santificação depreende-se pela sua inclusão no Decálogo.

A Maçonaria celebra a glória do Grande Arquitecto do Universo e louva-se no exemplo do Seu trabalho. Por isto é recomendado ao Maçom uma vida laboriosa, honrada e perfeita. A Maçonaria, que se emprega a fundo no combate ao vício, é das primeiras a reconhecer os malefícios da ociosidade e da preguiça e procura evitá-los conscientizando os seus adeptos de que “a ociosidade é a mãe de todos os vícios”. Mas, por outro lado, ela reconhece o trabalho de maneira inteligente e, por isto, recomenda que ele não deve ser contínuo. Deve ser interrompido, algumas vezes, para o refazimento das energias corporais. Recomenda então, a observância do preceito do descanso semanal e, mais, os seus Rituais falam mesmo em “horas de recreação” durante as suas sessões. É a obediência à determinação de Deus. É uma afirmação do seu carácter eminentemente deísta que pretende ser negado pelos seus gratuitos detractores:

QUINTO – “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor Deus te dá”.

Quando se lê o número 3 do Livro dos Provérbios e, ainda, a Epístola aos Efésios, no Capítulo VI, versículos 1 a 4, vemos a exortação aos filhos à obediência aos pais. Esta Obediência não se limita ao acatamento das suas ordens, mas o Mandamento exige “honrarias” para os pais e estas incluem, além da obediência, o cuidado pelas suas necessidades e, mais, exige a relegação das suas faltas. Não há que se ver na promessa de prolongamento dos dias de vida uma garantia de que a vida individual dos filhos seja prolongada ou diminuída em virtude da observância ou inobservância do preceito. Ela deve ser entendida como um conselho para que, na família, seja preservada a ordem e a prosperidade daí advinda trará para todos dilatados dias de felicidade.

O Ritual Maçónico recomenda e as “Sindicâncias” exigem a condição de “bom filho, bom pai, bom irmão e bom esposo” como condição para o ingresso na Ordem Maçónica. Assim, está a Maçonaria integrada na obediência do Quinto Mandamento.

SEXTO – “Não matarás”.

O Mandamento é uma salvaguarda que impõe o respeito pela vida humana. A vida é o mais precioso de todos os bens que o Senhor nos legou e, por isto mesmo, a ninguém é permitido tirá-la. Ela pertence a Deus. O Mandamento é taxativo e conciso. Não permite subterfúgios. O rigor do preceito poderia trazer Injustiça eis que há casos de homicídios acidentais e justificáveis que não poderiam, sem injustiça, ser enquadrados na sanção do homicídio voluntário. Para isto o próprio Senhor Deus providenciou os reparos necessários. Lemos no Capítulo XXI, versículo 13, deste Livro do Êxodo, que estamos examinando: “Porém, se não lhe armou ciladas, mas Deus lhe permitiu que caísse nas suas mãos, então designarei um lugar para onde ele fugirá”, e em Números, Capítulo XXXV, versículo 23: “ou não o vendo deixar cair sobre ele alguma pedra que possa causar-lhe a morte e ele morrer, não sendo ele seu inimigo, nem o tendo procurado para o mal” etc., são casos típicos de homicídios desculpáveis ou involuntários cuja sanção não é a mesma do preceito geral.

Ao Maçom não é nem cabível passar-lhe pela cabeça a ideia de tirar a vida a quem quer que seja! Ele é, antes de tudo um cultor da vida, um defensor da vida, um respeitador da vida! Mas, há que se considerar ainda, que, matar não implica apenas em suprimir a vida do corpo material. O homicídio pode ser feito no campo da Moral e, aí, os resultados são idênticos ou piores do que os do homicídio material! Mata-se com a mentira, com a calúnia, com a desmoralização, com o descrédito, com o vitupério, com a infâmia, com a vergonha e com a desonra! O Maçom tem de precatar-se contra estes atentados à moral que aniquilam a vida e se comparam ao homicídio material. Qualquer deles é contrário à Caridade e a Fraternidade de que se orgulha o Maçom!

SÉTIMO – “Não adulterarás”.

É um preceito garantidor da estabilidade da família e, com ela, da sociedade. Ele é válido tanto para o homem, quanto para a mulher, e isto porque a ordem é geral. Posteriormente, a imperfeição dos homens fez leis proteccionistas que descarregaram na mulher a maior parte de responsabilidade, em casos de adultério, deixando para o homem quase nenhuma ou mesmo nenhuma sanção!

A Maçonaria é um dos esteios da família. Ela procura mesmo consolidar e santificar o matrimónio com o cerimonial de “Reconhecimento Conjugal” onde os nubentes, perante uma assembleia de Maçons, assumem os compromissos de amor, lealdade e fidelidade recíprocos. Desta forma, fica proscrito o adultério na Filosofia Maçónica.

Tal como o homicídio, o adultério também pode atingir ao campo da Moral. As insinuações, as trocas de expressões, as falsificações do pensamento, são formas de adultério que podem causar extremo mal. O falso testemunho é uma adulteração da verdade que pode acarretar sérias consequências para o homem!

O Maçom não pode praticar estes actos indignos, pois eles, como acontece nas formas de homicídio material ou moral, atentam contra a Fraternidade e contra a Caridade.

OITAVO – “Não furtarás”.

É um Mandamento que reconhece e garante a propriedade privada.

Ele não se refere, apenas, à subtracção do bem material. Atinge aos actos de apropriação aleivosas em que se aproveita do desconhecimento ou da ignorância do próximo.

O Maçom, defensor integérrimo do Direito e da Justiça é o menos indicado para se locupletar à custa da Inocência alheia! É acto contrário à honradez e à probidade, que nenhum Maçom tem o direito de praticar sem violar flagrantemente o direito do seu próximo!

NONO– “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”.

É um preceito que procura salvaguardar o bom nome do próximo, evitando que ele seja objecto de difamação ou de falsas declarações. Dissemos que o falso testemunho é uma adulteração da verdade, por isto mesmo, ao Maçom, é defeso, pelos compromissos que ele tem com a Verdade, proferir falso testemunho contra os seus semelhantes. Seria isto trair os compromissos por ele assumidos com a Caridade.

DÉCIMO – “Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo”.

A cobiça é o fermento dos interesseiros. Este mandamento relaciona-se com os quatro últimos, porque qualquer deles implica, de certa forma, na cobiça.

O Maçom deve ser um desprendido por princípio. Os seus sentimentos de humildade ensinar-lhe-ão a acostumar-se com aquilo que Deus lhe deu e a satisfazer-se com as suas posses. Importar-se com a situação privilegiada do seu semelhante é torturar-se em vão. Há que trabalhar diligentemente para se igualar às posses e às posições de outrem. Nunca, porém, lhe cobiçar os haveres ou as posições pois isto, a par de ser atentatório contra a Caridade é vexatório para os sentimentos de Humildade!

Terminam aqui os comentários para o estudo do número DEZ. Como se viu, ele implica em considerações de ordem filosófica que demandam atenção, estudo, compreensão e meditação.

A escolha do Todo Poderoso para classificar em DEZ os Seus Mandamentos, quando com a Sua omnisciência Ele poderia tê-lo feito com qualquer número ressalta a importância deste número.

Outras considerações poderiam ter sido feitas a respeito deste número, mas elas iriam incursionar no campo do Mestre Secreto, que é o guardião deste número. Assim, resolvemos fazer digressões outras sem entrarem maiores detalhes que o leitor poderá ter conhecimento quando atingir àquele Grau.

Aliás, como já dissemos é curioso como o Ritual do Mestre Maçom oferece Instruções sobre os números..

Boanerges B. Castro

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