O contemplar do verdadeiro iniciado

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olho, contemplar

Porque é que você está aqui na terra?”, perguntaram ao antigo filósofo grego Anaxágoras. A sua resposta: “Para contemplar”. Mas o que é a CONTEMPLAÇÃO? Esta estranha expressão mística encontra eco nos ensinamentos dos mais renomados sábios e filósofos Orientais.

O homem é um ser que procura. Toda a sua história o confirma. Também a vida de cada um de nós o testemunha. Muitos são os campos em que o homem procura, torna a procurar e por fim encontra; às vezes, depois de ter encontrado, começa de novo a procurar. Em todos estes campos em que o homem se revela como ser que procura, um há, o mais profundo de todos o que penetra mais intimamente na humanidade mesma do ser humano. E é o mais unido ao sentido de toda a vida humana. Por que eu caio mesmo quando tenho tanta boa vontade?

Esta é uma pergunta que intriga todos os irmãos e as pessoas que genuinamente se importam com as suas vidas espirituais.

Se examinarmos os nossos corações, poderemos reconhecer verdadeiramente que, muitas vezes, desejamos fazer a coisa certa. Queremos controlar o nosso temperamento. Resistir às tentações da carne. Vencer a nossa preguiça e complacência a fim de servir aos outros. A isto chamamos no nosso Telhamento : “SUBMETER A MINHA VONTADE E VENCER AS MINHAS PAIXÕES”.

Entretanto, se examinarmos as nossas acções, frequentemente nos rebaixamos ao menor denominador comum e caímos em falhas na nossa pretensão diante da menor tentação. Espiritualmente, é como se déssemos um passo para frente e três ou quatro para trás.

Comprometemos a nossa coragem e força de vontade, decidimos nunca mais falhar. E então caímos de bruços num breve momento depois. Isto pode levar ao desânimo, até mesmo ao desespero. Pois os homens que se denominam justos e perfeitos, odeiam e temem poucas coisas quanto o fracasso.

Por que caímos tantas vezes nas amarras dos vícios, das vaidades pessoais e dos erros maiores ou menores na nossa existência, quando queremos tanto ser livres e verdadeiramente de bons costumes?

A resposta é simples: Falta de Humildade.

Não há pecado maior que o orgulho. Não há pecado mais contrário ao amor fulgurante que é Deus. É o pecado mais odioso à natureza Divina. O orgulho corrompe e destrói tudo com o que entra em contacto. É o primeiro pecado e o último. E é subtil. Traiçoeiro, até. Pode corromper facilmente os nossos trabalhos mais virtuosos, corroendo-os de dentro para fora. E, dessa forma, Deus, o Grande Arquitecto do Universo, permite que caiamos. Vendo-nos crescer em autoconfiança, ele oculta a sua graça e permite-nos enfrentar a realidade com as nossas próprias forças. As quais, é óbvio, são iguais a zero.

Esta foi a verdade o tempo todo, mas nós nos recusávamos a vê-la, a CONTEMPLÁ-LA. Acreditamos estar fazendo coisas boas por nós mesmos quando, na verdade, era Deus quem estava fazendo tudo. A queda é, muitas vezes, o único jeito de nos ensinar a lição, de ratificar a aprendizagem que escolhemos o caminho errado.

Assim, reflictamos meus amados irmãos: Contemplar é ver o que está latente e intocável no contemplado. É ver nele o que percebemos e sentirmos que também está em nós,

É aceitar como o visto está envolto e não deixar que o invólucro obscureça a minha visão. O que contemplo vai além do que apenas meus olhos seriam capazes de enxergar. Portanto, não por acaso, e justamente por esse motivo, a palavra contemplação – do latim contemplatio, que significa acção de olhar atentamente, reflexão, meditação. Pitágoras, por exemplo, não afastava a dimensão contemplativa do pensamento científico.

Somente o Conhecimento é eterno. Ele não tem início nem fim. Não existe nada fora ele. A aparente diversidade do mundo é resultante da limitação dos sentidos. Quanto esta limitação desaparece, apenas o Conhecimento, e somente ele, resplandece .

Para o filósofo, o silêncio é um estado inerente da contemplação. Quando contemplamos, o silêncio apossa-se do nosso interior. A nossa mente cala-se. Escuta. A alma, então, atinge a tranquilidade e nada busca por estar plenificada, e a contemplação, nesse estado, repousa no interior, por confiar possuir é quando os cinco sentidos e a mente estão parados, e a própria razão descansa em silêncio, começa o caminho supremo da aprendizagem contemplativa diante da imensidão do Cosmo. Na nossa Iniciação passamos, antes de tudo, pela prova da caverna… Da terra… Já imaginaram porque antes de adentrarmos aos páramos da celestial obtenção da verdadeira luz, termos começado pela CAVERNA que prende em nós todos os vícios, todas as opressões, todos os sentimentos baixos e nos mais recônditos extremos da nossa imperfeita construção interior?

Platão utiliza-se da metáfora do Mito da Caverna para mostrar à humanidade como os limites do horizonte podem ser mais curtos do que se imagina, e de como as pessoas podem ficar prisioneiras do conhecimento pelo medo de entrar em contacto com as novidades.

Platão constrói o Mito da Caverna ao descrever um lugar onde os habitantes que ali se encontram estão na cegueira dos sentimentos espúrios. Propõe que os que se iniciam, busquem a saída do mundo dos sentidos, das impressões, para chegar ao mundo das ideias por meio do conhecimento contemplativo. Somos presos pelas correntes do preconceito, da ignorância, das superstições, das opiniões sem fundamento. A saída da caverna dá-se por meio da educação da doutrinação dos nossos pensamentos, da sublimação que somos seres imperfeitos e que a nossa construção interior se faz paulatina e sequencialmente no dia a dia. E que a cada dia sejamos melhores que o dia anterior. Por isso é um processo gradual. Neste processo encontramos dificuldades que são as resistências àquilo que é novo, que é diferente, mas conseguiremos vencer por meio da crítica, para não aceitarmos passivamente as coisas. Por fim, a morte é representada pelo paradigma da perpétua renovação de um novo ser que surge do velho que morre para o vício, a destemperança, a ganância, os erros do poder consolidado, pela passividade e o conformismo contra a criatividade e a inovação. Neste sentido, o morto é o próprio iniciado, que será renascido para uma nova vida.

Contemplemos de coração a verdadeira Humildade pois não há maior virtude que a humildade. É a raiz de todas as virtudes; o tronco da árvore da vida.

E é assim. Humildade é um tipo de morte – mas uma morte que não é um fim, senão um início. Somente quando descemos até o túmulo da derrota total é que podemos ressuscitar para uma nova vida interior.

Quando nós falhamos e caímos, estamos na dolorosa, porém vivificante, escola da humildade. Pois a porta do Templo interior é muito estreita, e somente os humildes conseguem adentrá-la e compartilhar das suas maravilhas . Afinal, a beleza que enobrece a alma do verdadeiro iniciado, não vive nos disfarces, não se alimenta de mentira, é sublime e digna do ser renascido. Ao receber a verdadeira luz, protejo-me de toda fraqueza.

Encontro na Sabedoria a resposta aos meus questionamentos, reconheço na sua beleza a sublimidade da nova vida que está na alvorada da minha nova caminhada e sinto que a minha força e vigor estão restauradas, pois aprendi a contemplar o meu verdadeiro ser. Um novo ser.

A fidelidade torna a sua alma pura, a lealdade torna a sua alma nobre.

Cecília Meireles define de maneira ímpar tudo isto assim:

“Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo”.

Dario Angelo Baggieri

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3 thoughts on “O contemplar do verdadeiro iniciado”

  1. Elcio da Silva Pinheiro

    A leitura nos trás revelações importantes. Por isso nos motiva à estudar e melhorar o conhecimento. Portanto as escritas lembrarm de coisas já conhecidas. A novidade está referente aos procedimentos e rituais concernente aos iniciantes, que por sua vez está bem explicado.

  2. Elcio da Silva Pinheiro

    A leitura nos trás revelações importantes. Por isso a importância de estudar e melhorar o conhecimento. Portanto as escritas lembrarm de coisas já conhecidas. A novidade está referente aos procedimentos e rituais concernente aos iniciantes, que por sua vez está bem explicado.

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