Interpretações sobre Tolerância no quotidiano feitas pelo autor
A palavra Tolerância significa a qualidade de ser tolerante, o acto ou efeito de tolerar, a tendência a admitir modos de pensar, de agir e de sentir que diferem dos de um indivíduo ou grupos determinados, políticos ou religiosos.
Não de trata da indiferença em relação a coisas pouco importantes e nem de uma celebração das diferenças, já que aí está envolvida a decisão de evitar coerção e não uma simples resignação diante do intolerável ou desagradável.
Tolerar acções de outras pessoas pode ser compatível com tentativas de mudar as formas de pensamento alheias utilizando argumentos racionais ou apelos emocionais.
A Tolerância não é uma tradição de todos os momentos e de todas as religiões, há momentos de particular intolerância, como exemplo, o Século XVII, na Europa, na Guerra dos Trinta Anos, (1618-1648), travadas divergências religiosas, ensanguentou a Alemanha. Como também na ultra calvinista Salem, no Novo Mundo, ou na ultracatólica Roma, no velho mundo, pessoas foram assassinadas por não concordarem com determinados princípios religiosos. Em pleno conflito religioso, em 1689, o inglês John Locke, escreveu um artigo intitulado Carta sobre a Tolerância (Letter Concerning Toleration).
Depois de um século de sangrentas lutas políticas e religiosas, conflitos entre a igreja Anglicana Oficial e dissidentes religiosos e tentativas de retomada do trono inglês por monarcas católicos, Locke argumentou que, por tudo que se conhece da história e da natureza humana, só a tolerância permitiria a paz civil e social.
“Não é a diversidade de opiniões (o que não pode ser evitado), mas a recusa de tolerância para com os que tem opinião diversa, o que se poderia admitir que deu origem à maioria das disputas e guerras que se tem manifestado no mundo”.
Trata-se de reconhecer a diferença como elemento-chave da paz e do progresso humanos. Evidentemente que esta posição traz os seus problemas.
As diferenças que encontramos na nossa sociedade pluralista são tão profundas e grandes e estão relacionadas a assuntos básicos e essenciais sobre o que é uma vida com sentido e qualidade que não é possível imaginar consenso sobre vários temas, incluindo as questões de ética e moral, por exemplo.
Toda manifestação de espírito é respeitável. Por via de regra, entende-se como manifestação de espírito a ideia mestra que consegue aceitação na pluralidade ou multidão de consciências.
Ninguém é dono da verdade, mas um fundo de verdade subsiste em qualquer afirmação ou negação.
De circunstâncias, de condições materiais e locais, de estruturas, surgem ideias, símbolos, crenças, moral e superestruturas.
As inundações do Nilo exerceram tanta influência nas lendas de Osíris, Ísis e Hórus, como a tradicional adoração do Sol.
Isso é verdade, mas se os maçons se agarrassem exclusivamente a esse conceito, seriam materialistas e, por conseguinte, intolerantes. Negariam o fundo de verdade que existe no conceito de matéria instrumento.
Se admitissem, por exemplo, que a mente resulta somente do cérebro, e que os loucos são incapazes somente porque tem o cérebro doente, desmentiriam o génio ou o espírito de uma Guiomar Novais [1], só porque a alma desta artista nada poderia demonstrar num plano completamente quebrado.
Eis modestos exemplos pelos quais se estende a razão de existir a tolerância, entre os maçons.
Não se entendam por tolerância maçónica os afrouxo licencioso dos deveres ou a passividade exagerada na prática do perdão.
Por tolerância deve entender-se, antes de tudo, que o comportamento do Maçom deve ser de respeito a todas as manifestações de consciência e que, em Loja, o obreiro da Paz deve conservar-se equidistante de qualquer credo, tal como o círculo entre as paralelas e a circunferência com relação ao centro, tal como o Sol que não transpõe os trópicos.
A Maçonaria é um meio de nos recolhermos e confrontarmos as nossas ideias num apaziguamento do espírito que permite irmos até o melhor de nós mesmos. Por isso, a Maçonaria precisa de homens de real valor intelectual e moral.
Cada Maçom é chamado a construir por si mesmo o edifício das suas próprias convicções, pois desde a sua iniciação, a intenção é que tenha sido à prática da Arte de Pensar.
José Carreiro – ARLS B. O. Acampamento dos Aprendizes – Or. Mogi das Cruzes – S.P.
Notas
[1] Guimar Novaes, foi uma pianista brasileira que se destacou internacionalmente pela interpretação de compositores românticos, e foi também a importante divulgadora da obra de Heitor Villa-Lobos, interpretou obras de compositores como Chopin, Schumann, Beethoven, Lizt, Mozart, Villa Lobos, Camargo Guarnieri, Francisco Magnone, entre outros.
Bibliografia
- Locke, John, Carta Acerca da Tolerância. In: Colecção “Os Pensadores”, São Paulo, Abril Cultural, 1973, p. 27.

- Tubalcaim e o seu significado para a Maçonaria
- Painel do Grau de Aprendiz no Rito Moderno
- As inspiradoras colunas Boaz e Jachin
- Iniciação e vida maçónica
- O sentido simbólico das luvas brancas


Observemos o mundo e percebamos para onde ele está se dirigindo, com relação ao conceito de “certo” ou “errado”, objetos da Moralidade.
A Verdade vem sendo destruída e tudo é Relativo.
O relativismo moral é a ausência de definições sobre valores objetivos e universais, é a negação de que existe uma verdade para todos. O certo e o errado tornam-se conceitos vagos que variam de pessoa para pessoa, de acordo com sua cultura e criação. Tudo se torna uma questão de ponto de vista e circunstância.
Ninguém está errado. A verdade depende do que cada um considera verdadeiro. O critério se torna subjetivo.
O que é verdade para um, pode não ser verdade para o outro. As pessoas fazem o que sentem que é certo. Assim, o relativismo moral não exige o mesmo padrão de comportamento das pessoas, mesmo que estejam em situações semelhantes.
Lembremos de uma frase, erroneamente imposta ao escritor Dostoiévski: “A tolerância chegará a tal ponto que as pessoas inteligentes serão
impedidas de fazer qualquer reflexão para não ofender os imbecis.”
É nesse mundo que vivemos. E esse é, provavelmente, um sintoma do declínio moral e ético da humanidade…
(Yamaoth)