Uma estratégia para o fortalecimento das Colunas Maçónicas

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Nós maçons, como construtores sociais, na busca incessante do autoconhecimento para a edificação do nosso templo interior, devemos não só lapidar as nossas asperezas de modo a aprimorar a prática das nossas virtudes maçónicas, bem como apoiar e participar constantemente do fortalecimento das colunas das nossas Oficinas. E para tal, faz-se necessário que pensemos na aplicação de algumas estratégias que de alguma forma, possam contribuir para o nosso engrandecimento, dos nossos trabalhos e da Oficina como um todo.

Sendo assim, no que propõe este estudo, precisamos responder a três perguntas:

  • Qual o objectivo a alcançar?
  • O que fazer?
  • E como fazer para alcançar tal proposta?

Muito bem! Apresento-vos portanto uma dentre outras várias estratégias que existem para realizarmos tal tarefa. Porém, entendo ser esta apresentada neste estudo apoiada em três pilares que serão mostrados de uma forma macro, como ideia que deva ser desenvolvida por cada Oficina e seus respectivos Obreiros, de forma a se ter liberdade e flexibilidade na construção de um planeamento adequado e adaptado à realidade de cada uma destas.

A resposta à primeira pergunta vos remete à razão da prancha apresentada. Qual o objectivo a alcançar? Vos digo que é, o alcance do enriquecimento dos nossos trabalhos, maior união entre os Obreiros, aumento da egrégora e fortalecimento das Colunas da Oficina. Em acto seguinte, as outras duas questões podem ser respondidas com o plano de aplicabilidade de uma estratégia simples e objectiva, mas que requer os seus desdobramentos e adaptação como dito anteriormente.

O que fazer ? 

Apresento-vos os três pilares da estratégia:

  1. Construção e manutenção de uma egrégora positiva.
  2. Fortalecimento da união fraterna.
  3. Transversalidade e Aplicabilidade da Aprendizagem.

Construção e manutenção de uma egrégora positiva.

Segundo Paula Bortoletto,

a egrégora é formada a partir dos pensamentos e sentimentos de um grupo de pessoas. A somatória dessa emanação de consciência forma uma atmosfera de influência. O que irá determinar principalmente o poder dessa egrégora é o número de pessoas e a intensidade do sentimento”.
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“Desta forma, a egrégora formada pode ser negativa ou positiva. Isso depende das pessoas que estão criando/ sustentando a egrégora. É a média das vibrações. Uma egrégora positiva protege, atrai boas energias, promove o crescimento, é curativa e te induz para uma vida plena de felicidade e realizações. Uma egrégora negativa fortalece o mal, te induz a comportamento autodestrutivo, fará com que tenha pensamentos e sentimentos negativos, causando diversos infortúnios”.

A partir deste e de outros conceitos de autores que pregam sobre o tema, podemos entender a importância da egrégora nos nossos encontros, estudos, reuniões e ágapes,  no qual uma egrégora pode ser formada e também dissipada facilmente. O que vai depender de como as pessoas ali reunidas viabilizem a manutenção desta chama acesa e contínua.

Fortalecimento da união fraterna

Inicio este tópico, com uma contribuição de São Tomás de Aquino, onde ele sintetiza dizendo que “o bem consiste na ordem, é preciso que as relações entre as pessoas se ordenem harmoniosamente num convívio comum, tanto entre acções quanto em palavras, ou seja, é necessário que cada um se comporte com relação aos outros de maneira conveniente, e essa virtude chama-se amizade ou afabilidade.”

Na sua obra “Suma Teológica”, São Tomás de Aquino indica que “a amizade permanece no plano das relações sociais, designando antes a atitude geral de amabilidade ou afabilidade; é cortesia plena de atenção, tornando mais fácil, senão mais alegre, o viver junto”. Nenhuma sociedade, por natureza, se mantém plenamente sem harmonia e contentamento entre os que nela vivem; nos mais variados lugares ou aspectos de uma comunidade, é normal que se dirija para uma conformidade.

Desta forma, corroborando com os preceitos de São Tomás de Aquino, dentre outros aqui não apresentados, penso que a amizade é algo tão sublime e importante que contribui de facto para a construção da harmonia social, permitindo que a relação entre pessoas seja agradável, alegre, facilitando portanto o convívio social. Poderíamos até afirmar que fazer amigos é uma virtude e mantê-los principalmente. Do contrário, o vício que devemos aprisionar, é a ausência desta virtude, uma vez que traduz um efeito totalmente oposto que de certa forma irá dificultar a vida social.

Não seria pretensioso da minha parte querer buscar entre nós maçons, uma amizade similar à de Michel de Montaigne e seu amigo Étienne de La Boétie (1563), onde eles adoptaram como símbolo da sólida amizade, o título de Irmãos. E esta perfeita amizade entre ambos foi caracterizada pelo amor ao próximo, harmonia e até mesmo concórdia entre eles. Eles realmente conseguiram transformar a amizade numa união fraterna, onde a comunhão de ideias, o gosto, a igualdade entre irmãos e a concórdia exemplar chancelou de facto o amigo como irmão.

Não pretendo aqui estender-me nos conceitos, tipos e valores da amizade ou da fraternidade, o que certamente necessitaria de um estudo a parte, dada a complexidade e vastidão do tema. Mas cabe ressaltar a relevância e compreensão da relação existente entre a amizade e a fraternidade. Como elas se complementam e de certa forma contribuem com a egrégora nas nossas relações e encontros fraternos. É notório todos os  proveitos oriundos de uma amizade verdadeira; abre portas, cria laços, protege e beneficia a todos.

Transversalidade e aplicabilidade da aprendizagem

O que é isto?  Muito bem! Os Aprendizes, Companheiros e Mestres devem estar imbuídos numa aprendizagem contínua da Arte Real. E para tal, a nossa Ordem Maçónica prima por regulamentos e conceitos que precisam ser conhecidos, aprendidos e aplicados para a construção e aprimoramento do ser humano e do contexto social.

Aos novos integrantes na Ordem, esta formatação da cultura maçónica além de necessária, cria responsabilidade, cumplicidade e porque não dizer expectativas quanto ao futuro caminhar junto aos Irmãos.  Junta-se a isto o facto de que crenças, atitudes, ideias e valores profanos estarão em fase de transformação, que na verdade se darão ao longo de toda a caminhada, pois nunca nos esqueçamos da máxima maçónica, “somos eternos aprendizes”.

Compactuo com diversos autores que versam sobre a importância da Aplicabilidade da aprendizagem. Freire (1997) comenta “para compreender a teoria é preciso experienciá-la. A realização de experimentos, em Ciências, representa uma excelente ferramenta para que o aluno faça a experimentação do conteúdo e possa estabelecer a dinâmica e indissociável relação entre teoria e prática”.

E a transversalidade vem a ser o caminho percorrido da aprendizagem a todos os processos e atribuições da Oficina, de forma a que seja reconhecida e validada a respectiva aplicabilidade, onde esta deve ser debatida e se necessário for, transformada e adaptada ao aprimoramento pessoal e da própria Oficina.

Contudo julgo o processo de Conexão, algo de extrema importância nesta linha de raciocínio: Aprendizagem – Transversalidade – Aplicabilidade. Porque é o momento precioso de participação efectiva dos Obreiros na melhoria dos processos internos da Oficina, unindo esforços para compreender a viabilidade de transformação de estudos realizados em algo de mais valia para o desenvolvimento e crescimento da Oficina. Facto este que também receberá influencias de uma egrégora positiva e de uma fraternidade imperativa.

Portanto, a integração dos factores supracitados vem demonstrar a peculiaridade da estratégia que por ora vos apresento. E como complementação deste objecto, finalizo com algumas sugestões em conformidade com a terceira questão, como fazer para alcançar tais propostas?

Com relação à construção e manutenção de uma egrégora positiva, é importante compreender que a egrégora colectiva é composta por egrégoras individuais presentes na respectiva colectividade, seja em encontros, reuniões, ágapes ou quaisquer outros eventos. A sua vibração de consciência, irá atrair no plano espiritual consciências da mesma faixa vibratória. Desta forma, façamos a nossa parte ao contribuir com a construção e manutenção da egrégora. E cabe a nós também a respectiva transformação da mesma quando esta estiver negativa, de forma a alterar assuntos não construtivos, ignorar provocações, praticar a tolerância, eliminar aspectos negativos, promover assuntos e debates positivos e enriquecedores, neutralizar comportamentos intempestivos, valorizar posições construtivas. Em suma, precisamos construir e manter ambientes impregnados de sabedoria, alegria, fraternidade, felicidade e crescimento.

Como fortalecimento da união fraterna, podemos incrementar uma maior socialização entre os Irmãos, promovendo de forma profana, almoços, passeios programados, participação conjunta em eventos e outros encontros onde haja possibilidade de estender os laços fraternos com as famílias. Os laços fraternos podem ser feitos de forma parcial, mas sempre no sentido de acrescentar ou fortalecer a fraternidade construída e existente no seio da Ordem. De forma maçónica, podemos considerar que as reuniões, estudos, ágapes, eventos e a participação conjunta em projectos sócio-culturais devem fortalecer bastante os laços fraternos. Para isso, todos nós devemos estar vigilantes quanto ao nível de fraternidade na Oficina, de forma a providenciar em tempo hábil mudanças que provoquem melhoria neste aspecto.

E finalmente em complemento ao último ponto sugestionado, a reflexão que faço é que a aprendizagem de Aprendizes e Companheiros, além de estar voltado para a construção do Templo interior e para a construção social, possa ser aproveitado também de forma transversal, integrada e aplicável ao crescimento e fortalecimento das colunas da Oficina. É a nobre fase de Conexão.

Quero dizer com isto, é que podemos diagnosticar pontos de inflexão nos processos da Oficina, vulgos “gargalos” que podem ser tratados a partir de estudos maçónicos direccionados a tais melhorias. Desta forma todos aprendemos, haverá uma presente transversalidade da aprendizagem, integrado a todos, sem excepção e preponderantemente associado ao tratamento e reformatação de pontos vulneráveis ou até mesmo construção de novos alicerces que venham trazer crescimento e fortalecimento da Oficina.

Importante ressaltar, que os valores e a cultura de cada Oficina podem ser percebidos através da forma pela qual esta integração é gerida (egrégora, fraternidade e aprendizagem), embora outros factores não apresentados nesta avaliação, também possam comprometer o perfil maçónico de cada Oficina.

Márcio Miranda

Bibliografia

  • CAMINO, Rizzardo da, Breviário Maçónico, ISBN 978-85-370-0292-6, 6a edição, Madras Editora Ltda., São Paulo, 2014.
  • Pesquisas Maçónicas. https://paulabortoletto.com.br/o-que-e-egregora/.
  • Pesquisas Maçónicas. .https://administradores.com.br/artigos/alguns-fatores-que-podem-determinar-uma-amizade.
  • Pesquisas Maçónicas. https://formacao.cancaonova.com/relacionamento/amizade/amizade-segundo-santo-tomas-aquino/
  • SILVA, Nelson Maria Brechó da. A amizade em Montaigne. 2010. 137 f. Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Filosofia e Ciências de Marília, 2010.
  • Pesquisas Maçónicas.https://qulture.rocks/blog/dicas-para-a-integrao-de-novos-colaboradores-maximizando-a-produtividade/
  • Pesquisas Maçónicas. http://www.ucs.br/etc/conferencias/index.php/anpedsul/9anpedsul/paper/viewFile/2782/286.

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