Usando um isco errado

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isco

O homem intelectual requer um bom isco; os idiotas fascinam-se facilmente. Mas todo o mundo está drogado com o seu próprio frenesi, e o desfile marcha a toda hora, com música, estandarte e distintivo”.

Ralph Waldo Emerson

Recentemente, tive conhecimento de uma iniciação numa loja da minha jurisdição onde o candidato estava a usar uma pulseira electrónica (como um monitor electrónico de tornozelo). Parece irónico que tenhamos alguém usando uma pulseira electrónica participando nos graus da nossa ciência moral progressiva. Tanto para ser despojado de todos os metais! Este é o triste estado da nossa Fraternidade, onde estamos tão desesperados por membros que aparentemente estamos dispostos a aceitar qualquer homem, desde que tenha pulsação. Isto é o que acontece quando o portão do Ocidente é deixado bem aberto. Mas, para ser justo com esta loja, não há nada na Constituição e Estatutos da minha jurisdição que proíba alguém com uma contravenção ou crime anterior de se juntar, e já agora, não há nada que proíba um homem que está actualmente a cumprir uma sentença por cometer um crime, de ingressar na Fraternidade. Ironicamente, se se cometer um crime enquanto se é um Maçom, enfrenta-se a possibilidade de suspensão e/ou expulsão.

Tenho a certeza de que neste momento, posso ter alguém a ler este artigo dizendo-me que são as qualificações internas e não as externas do homem que temos que olhar. Eu concordo com isto. No entanto, eu perguntar-lhes-ia, como é que se pode saber que um homem mudou se ele nem cumpriu a sua sentença por um crime que cometeu? É apenas uma forma errada de ver as coisas. Embora possa ser muito bom para a Loja, é realmente bom para a Maçonaria? Na minha Loja, imediatamente antes da votação, somos lembrados pelo Venerável Mestre de votar para bem da Maçonaria. Costumo pensar naquela citação que o Sr. Spock tem em “Wrath of Khan” quando ouço isto: “A lógica dita que as necessidades de muitos superam as necessidades de poucos“.

Também escrevi anteriormente onde lutei com a ideia de votar num homem nos seus 30 anos que, aos 17, cometeu um erro e fez um acordo judicial que o manteria fora da prisão, mas que fez dele um criminoso. Embora eu admita livremente a minha hipocrisia, no caso do meu exemplo, eu descobri um homem que ainda era legalmente uma criança que cometeu um erro e tomou uma decisão madura de alegar um crime para evitar a prisão, para que pudesse sustentar a sua família. Ele cumpriu as suas obrigações para com a sociedade e procurou a Maçonaria para continuar a sua jornada de auto-aperfeiçoamento. Ele voltou mês após mês para nos conhecer e nos permitir conhecê-lo antes de solicitar a sua entrada.

Como podemos confiar num homem para cumprir as suas obrigações para com a sua Fraternidade e os seus Irmãos quando ele nem cumpriu a sua obrigação para com a sociedade? Tenho a certeza de que pode haver uma razão perfeitamente boa para esta Loja votar neste homem usando uma pulseira electrónica de tornozelo para receber os graus da Maçonaria. Sim, isto foi sarcasmo. Talvez eu esteja sendo de elite, e admito que não conheço a história desse indivíduo. Dito isto, mantenho o meu ponto de vista de que o indivíduo termine a sua obrigação para com a sociedade antes de solicitar a uma Loja os graus da Maçonaria. Perdemos todo o bom senso?

Naquela mesma noite, também fui informado de que poderia haver um julgamento maçónico numa outra lLoja por causa deles admitirem um homem, que agora é um Companheiro, e que claramente tem alguma doença mental. O Companheiro aparentemente difamou os seus irmãos da Loja e acusou-os de enviar vozes para o seu cérebro, entre outras coisas. Acho difícil acreditar que a nossa Grande Loja permita o julgamento, já que o Maçom não é um Mestre Maçom, e existem regulamentos específicos sobre os membros da Loja que se opõem ao avanço de um candidato através dos graus. Tudo isto dito, o que é evidente para mim é que a Loja não vetou adequadamente o candidato e, ao fazê-lo, falhou em guardar o Portão do Ocidente.

Como não conheço nenhum detalhe acerca do processo de recrutamento desta Loja, posso apenas especular que o que aconteceu é o que acontece repetidamente em muitas Lojas Maçónicas. Um homem aparece numa Loja antes de uma reunião formal, pergunta sobre a Maçonaria e entrega uma petição. Em vez de conhecer o indivíduo exigindo que volte meses consecutivos, os membros da Loja assinam a petição, para que possam lê-la naquela mesma noite e designar um comité de investigação. Em vez de realmente conhecer o candidato, o comité de investigação pergunta se ele acredita num poder superior, e é isto. Entregam uma recomendação favorável ao Venerável Mestre e a Loja vota o candidato na próxima reunião.

Não sou pescador, mas sei que certos peixes preferem certos tipos de isco e só vão atrás desse isco, enquanto os peixes mais comuns atacam qualquer coisa lançada à água com um anzol. A Maçonaria moderna chegou a um ponto em que, em vez iscar o nosso anzol para pescar um salmão, nos contentamos com arenque, robalo ou outro peixe qualquer. Muitas Lojas acham que, se conseguirem pescar arenque, robalo ou qualquer outro peixe , desde que em quantidade suficiente, não importa se pescam salmão ou não. Não importa se temos qualidade quando temos quantidade.

O que aconteceu com o ser selectivo? Parte da pesca, pelo menos na minha experiência, é jogar de volta os peixes menores na esperança de obter um maior, ou pelo menos permitir que o peixe menor cresça num maior. No entanto, nós iscamos os nossos anzóis realizando cafés da manhã com panquecas, jantares de espaguete e qualquer outra coisa que possamos pensar para atrair homens à porta, entregar-lhes uma petição assinada e esperar que funcionem. Não deveríamos estar a usar o isco para pescar Salmão? Não queremos trazer homens de qualidade das nossas comunidades em vez de nos contentarmos com o homem comum? Em caso afirmativo, embora eu saiba que muitas jurisdições não permitem convites para petição, por que não os estamos a usar para atingir e convidar homens que sabemos que seriam bons para as nossas Lojas?

Também sei que muitas Grandes Lojas estão agora a gastar recursos significativos em publicidade usando anúncios relacionados em aplicações de streaming e redes sociais. Goste-se ou não, as gerações mais jovens usam aplicações como o Tik Tok e o Facebook é para idosos. Se quisermos chegar até aos futuros Maçons nestas gerações, precisamos de nos adaptar para usar a tecnologia a nosso favor e, mais importante, controlar a narrativa. Sem ofensa para os meus irmãos Maçónicos que usam e produzem conteúdos no Tik Tok, mas quando procuro por Maçonaria no Tik Tok, vejo um monte de informações anti-maçónicas e muito poucos irmãos que realmente espalham luz. Eu vejo Grandes Lojas e órgãos anexos que deveriam ter canais oficiais Tik Tok e não têm, e estão a perder a oportunidade de espalhar a sua mensagem. Muitas empresas que fornecem anúncios direccionados podem usar algoritmos para enviar o anúncio directamente para um usuário do sexo masculino numa faixa etária específica, que pode usar termos de pesquisa como: “Maçom”, “Templários”, “Tesouro Nacional”, “Dan Brown”… creio que entenderam o que quero dizer. O meu ponto é que podemos atrair o anzol para atingir estes homens que estão a mostrar interesse em assuntos maçónicos ou tópicos , de forma imediata.

Sim, ainda caberá à Loja local fazer uma investigação adequada e a verificação dos seus candidatos. São eles que terão que julgar se o homem é adequado para a sua Loja. Então, talvez ainda estejamos condenados a repetir os mesmos erros e a contentar-nos com o arenque em vez do salmão. Mas precisamos parar de confiar em atributos antigos como “2BE1ASK1” (N.T.: “Para ser um, pergunte a um”), ideias antigas como café da manhã com panquecas e seguir com os tempos. É hora de a Maçonaria parar de ser reactiva, e hora de ser proactiva. O que ensinamos nas nossas Lojas é necessário agora mais do que nunca. Acho que não há problema em querermos anunciar isto, e anunciá-lo proactivamente. Honestamente, não será assim tão difícil. Pegue num dos muitos vídeos da campanha Not Just a Man, e está pronto para começar. Deus sabe que desperdiçamos dinheiro em esforços mais frívolos, então o que temos realmente a perder?

Darin A. Lahners

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

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3 thoughts on “Usando um isco errado”

  1. Edison Carlos Ortiga

    Como um profano pode ter esperança em ser aceto na Ordem? Porque ele “É LIVRE E DE BONS COSTUMES”. Esta afirmação não é hipocrisia, mas deve ser levada na mais alta concepção. No mais, falha do padrinho, falha nas sindicâncias e falha no julgamento da loja.

  2. José Fava

    Um outro breve comentário.
    Aprendi há muitos anos que para lá do conhecimento pessoal e da opinião sempre influenciável dos IIr.: especialmente do “Padrinho” a Comissão deve inquirir o candidato “à volta dele”. Como é na Família, na Sociedade, no Trabalho, sem se deixar influenciar pelo próprio candidato. Vamos admitir que um profano quer, por motivos menos claros, ingressar a Ordem. Trata-se de alguém com grande facilidade de enganar e se for diretamente questionado, só dará as respostas melhores e causará até uma grande impressão quando for lido o resultado da inquirição. É iniciado eventualmente chega a MM.:, depois é aquilo que já temos assistido, abandono e pior que isso conhecimentos e maledicência da Ordem e da Loja. Foi uma raposa na capoeira!

  3. José Fava

    O Ir.: Darin, levantou aqui vários problemas sobre a seleção de novos membros e a Justiça.
    Há uma grande variedade de casos, vejamos:
    O candidato foi julgado e condenado, cumpriu a sua pena. Está ou não quite com a sociedade? É um criminoso ou um homem livre?
    A Justiça cometeu um erro e o candidato teve que pagar o erro da Justiça, esperando que a justiça seja feita?
    O país em que vive o candidato não é um país democrático e tratou-se de “um crime político” contra a situação.
    Tratou-se de um delito de opinião?
    Tratou-se de um delito religioso num país fundamentalista?

    Estes são só alguns dos casos possíveis, no entanto pessoalmente sou de opinião que, se sobre o candidato impende uma suspeita de crime civil, se deve suspender a admissão até ao esclarecimento da situação.

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