Pitágoras e o simbolismo Franco-Maçónico

Partilhe este Artigo:

Pitágoras de Samos (em grego: Πυθαγόρας ὁ Σάμιος, ou apenas Πυθαγόρας; Πυθαγόρης em grego jônico; Samos, c. 570 – Metaponto, c. 495 a.C.)
Pitágoras de Samos (em grego: Πυθαγόρας ὁ Σάμιος, ou apenas Πυθαγόρας; Πυθαγόρης em grego jônico; Samos, c. 570 – Metaponto, c. 495 a.C.)

O pitagorismo foi a doutrina de um conjunto de fraternidades obedecendo a preceitos morais análogos aos dos Sete Sábios. Acreditava-se na mentepsicose e a interdição de comer favas não deixou de levantar controvérsias e admirar o historiador.

O simbolismo da fava revela que ela foi durante longo tempo empregada no culto dos mortos. Para os pitagóricos, comer favas correspondia a absorver o alimento dos mortos e a manter-se no ciclo das reencarnações; dito de outra forma : servir-se da matéria.

A escola Pitagórica estabeleceu um grande número de teoremas que foram ordenados por Euclides no século III. Os seus membros demonstraram a incomensurabilidade da diagonal ao lado do quadrado, descobrindo assim um limite intransponível ao uso dos números racionais enquanto estudavam a estruturas dos números, as suas progressões aritméticas, procurando definir os números perfeitos, isto é, iguais à soma dos seus divisores, como 6, 28, 496 e demonstrando que a soma dos n primeiros números impares é igual a n2.

Por outro lado, deve-se a Philolaos uma teoria astronómica em que a Terra não é o centro do Universo, mas sim gira em torno de um fogo central.

O TUDO É NÚMERO pitagórico é célebre. Pitágoras tornou-se um personagem lendário porque a sua acção é a de um grande reformador, de um iniciado cujo ensino permanece oral, segundo a pura Tradição que se perpetuou depois da sua morte. Mais tarde, o seu discípulo Platão reencontrou Arquitas, sábio e filósofo, entre 430 e 360 a. C. Arquitas terá enviado a Platão um manuscrito do Mestre redigido em signos secretos e sob forma simbólica. É assim que o Timeu de Platão contém toda a cosmografia pitagórica

O interesse pelo simbolismo da Franco-Maçonaria conduz inevitavelmente a Pitágoras. Este nasceu no início do século VI a.C. em Samos, uma das mais florescentes ilhas da Jónia, antigo litoral asiático do mar Egeu. A ilha estava submetida a Polierates, tirano que se dedicava ao deboche e às piores orgias com as cortesãs de Lesbos.

A tradição conta que a pitonisa de Delfos predisse aos futuros pais de Pitágoras que eles engendrariam um filho útil à Humanidade.

Destinado aos altos estudos, Pitágoras seguiu o curso de Hermodamas, depois de Firécides, filósofo influenciado pela tradição egípcia. Foi em seguida o matemático Tales que ensinou a Pitágoras os fundamentos da Geometria.

Sendo próprio do génio a insatisfação permanente, Pitágoras prosseguiu a sua pesquisa procurando interiormente a unidade do Grande Todo, as suas teias visíveis e invisíveis, porque o verdadeiro fundamento da inteligência reside no facto do saber religar as coisas entre elas: reunir o que está disperso. Eis-nos junto ao Âmago do princípio maçónico.

Pitágoras chega ao conceito dos Três Mundos coexistentes: uma simbólica do Triângulo, uma concepção bem ancorada na tradição Celta que se prolongou pelo Cristianismo com a Santíssima Trindade.

Para Pitágoras o segredo do Cosmos reside na síntese dos Três Mundos, os quais, para ele, se resumem em :

  • a Terra = a fatalidade
  • a Humanidade = ?
  • o Céu = a providência

Foi então que ele acreditou ter visto na construção do Templo a tripla natureza do Homem e do Universo, do microcosmos e do macrocosmos, coroado pela Unidade Divina, ela mesma uma tríade.

O que ele reteve sobretudo da arquitectura do Templo foram os símbolos especificamente maçónicos:

  • a base
  • as colunas
  • o frontão triangular

Ele conservou a depuração e a libertação do Homem, desta Terra, pela tripla iniciação; outro princípio Maçónico definido pelos três graus principais: Aprendiz, companheiro, Mestre.

A iniciação de Pitágoras durou vinte e dois anos no Egipto sob o grande sacerdote Souchis [1].

No fim desta longa e perigosa iniciação, Pitágoras alcançou o topo do conhecimento e do sacerdócio egípcio. Depois, foi a deportação para a babilónia onde se acotovelava uma multidão de raças, de culturas, de cultos. Mas no alto do alto sacerdócio babilónico três religiões dominavam: a caldeia, o ocultismo persa, o hebraísmo. Toma então conta do prolongamento caldeu no simbolismo maçónico quando sabe que a Inteligência corresponde ao Compasso e a Sabedoria (rectidão) ao Esquadro (ou à Régua graduada segundo certos rituais): “Dar-te-ei a sabedoria e a inteligência”, disse o Criador a Salomão (I Reis, III, 12) e em (I Reis, VII, 14) lê-se que “Hiram estava cheio de saber e de inteligência”. O eu quer dizer que (por intermédio de Pitágoras?) temos uma certeza tradicional: até ao regresso do cativeiro da Babilónia, o judaísmo obedecia ao sincretismo das três religiões citadas.

Pitágoras dedicou-se ao estudo destas religiões comparadas onde s e misturaram o monoteísmo judeu, o politeísmo grego, o trinitarismo hindu e o dualismo persa: tirou uma síntese unitária e esotérica.

Depois de trinta e quatro anos de ausência, Pitágoras voltou a Samos mas ficou por pouco tempo, porque os Persas ocuparam a ilha: tinham fechado escolas e templos. Pitágoras partiu então para a Grécia, visitou Delfos onde as sacerdotisas de Apolo celebravam o deus do dia e da claridade, aí recrutou adeptos entre os quais Téocla, uma jovem sacerdotisa.

Depois partiu para Crotone, na extremidade do Golfo de Tarento onde sabia que encontraria um acolhimento favorável ás suas reformas.

Ele pode com efeito criar um Instituto que, com a aprovação do Senado, se tornou um centro iniciático e uma academia científica.

A admissão implicava numerosas provas, nas quais se incluíam as da Franco- Maçonaria:

  • gabinete de reflexão;
  • regra absoluta de silêncio durante a aprendizagem;
  • desenvolvimento da faculdade instintiva;
  • tolerância na diferença dos cultos

Entre outros preceitos, respeitavam o seguinte: “O amigo é um outro ele próprio, é preciso honrá-lo como a um deus”.

O Cristo diria mais tarde: “Ama o teu próximo como a ti mesmo.” preceito da Franco- Maçonaria no geral e do Rito Escocês Rectificado, em particular.

Vencer as paixões é o primeiro dever do iniciado : outro ideal de Franco-Maçonaria.

Deve assinalar-se que a formação pitagórica não era ascética, embora o casamento reflectisse uma forma liberalizada, bem como recomendasse aos noviços um tempo de castidade e à outra moderação no acto carnal.

As palavras exoterismo e esoterismo provêm da época pitagórica: à segunda iniciação, o adepto penetrava no corpo interior do Templo enquanto o iniciado no primeiro grau permanecia no exterior (o Mestre Maçon reconheceria aqui o seu próprio percurso).

É a partir do segundo grau de iniciação que a revelação dos mistérios começava na exposição da doutrina oculta, depois os princípios contidos na ciência dos números, até à evolução universal religada aos destinos da alma humana.

Na ciência pitagórica dos números, o algarismo torna-se número, já não é considerado como uma quantidade abstracta, mas como a virtude intrínseca e activa da Unidade que contém tudo, ela mesmo contida no zero metafísico. Na Antiguidade, a ciência dos números era a das forças vivas visíveis e invisíveis, das faculdades divinas em acção nos mundos, no Homem, no microcosmos e no macrocosmos.

Para Pitágoras, os quatro primeiros números contêm os princípios essenciais já que, ao adicioná-los ou ao multiplicá-los se encontram todos os outros números.

O terceiro grau da iniciação é a perfeição.

O número três associa-se, evidentemente ao triângulo equilátero que corresponde ao símbolo fundamental da Franco-Maçonaria, de onde se destacam as Três Luzes da Loja: Sabedoria, Força, Beleza.

Notemos ainda que a dualidade (profana: 2) acrescentada ao ternário (3: iniciático) dá 5, ou seja, metade do TODO contido na década (10), a qual representa para os pitagóricos o número da plenitude.

Não é sem razão que a idade do Aprendiz Maçon foi fixada em 3 anos e a do Companheiro em 5: 5 procede do 3.

Texto recolhido e traduzido da obra de Roger Luc Mary Le Symbolisme dans la Franco-Maçonnerie, Paris, Editions de Vecchi, 1993

Fonte

  • Cadernos de Cultura Maçónica nº 2 organizados pela Loja Astrolábio nº 51, a Oriente de Palmela (GLLP / GLRP), com coordenação de Alberto Trovão do Rosário, Antigo Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal / GLRP.

Notas

[1] A iniciação egípcia foi descrita, em grande parte, nas Novas Vias do Espiritualismo, ed. De Vecchi

Artigos relacionados


Partilhe este Artigo:

1 thought on “Pitágoras e o simbolismo Franco-Maçónico”

  1. AIRTON GUIMARÃES JUSTINO

    Interessante iniciativa de publicação de artigos maçônicos que poderão ser lidos em Loja no espaço “estudos filosóficos” da Ordem do Dia de cada sessão.

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *


Scroll to Top