George Washington não escreveu as regras, ele viveu-as

As regras manuscritas do “Pai deste país” não estão perdidas no passado

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George Washington (1732 – 1799)

Há alguns anos, recebi uma cópia das “Regras de civilidade e comportamento decente em companhia e na conversa” de George Washington, numa reunião de Loja. O Venerável Mestre da Loja tinha conseguido alguns exemplares para partilhar com os Irmãos, durante a sua visita ao Memorial Nacional Maçónico George Washington, em Alexandria, Virgínia. O que mais me impressionou na visita do Venerável Mestre, foi que ele foi capaz de convencer a sua esposa a fazer uma paragem para educação maçónica durante as férias em família. Só isso já foi uma jogada ousada! Coloquei a minha cópia impressa das Regras no bolso do casaco naquela noite e ouvi a apresentação do Mestre; encontrei as regras mais tarde naquela noite, quando tirei meu fato em casa.

As Regras permaneceram intocadas na minha mesa de cabeceira, por uns bons três meses.

Num dia de Verão, eu procurava algo rápido para ler à beira da piscina e decidi tirar o pó à minha cópia das Regras. Se ainda não os leu, há uma versão digital interactiva AQUI, disponibilizada pela Mount Vernon Ladies’ Association. Como muitos que leram as regras, na primeira passagem, eu achei muitas delas antiquadas e desactualizadas. As regras que tratam das “maneiras”, tais como, tossir em público, como cortar o seu pão, postura e apresentação são um pouco… como dizer isto? Óbvias e extremamente antiquadas. As regras que tratam sobre como cortar correctamente o pão me lembram-me a conversa que tive recentemente com meu filho de 13 anos sobre como segurar uma faca na mesa de jantar.

Estas regras parecerão familiares para qualquer homem que tenha sido criado em uma casa onde as maneiras eram esperadas, e não motivadas do lado de fora. Honestamente, estas regras parecem absolutamente perdidas depois de que se passa um tempo com os jovens de hoje, que têm permissão para olhar para seus telefones a qualquer momento, para evitar o contacto visual e que não podem responder a uma pergunta com mais do que uma resposta de uma palavra. Um adulto corrigia instantaneamente este comportamento se essas crianças tivessem nascido apenas uma geração antes.

As regras sobre “comportamento” estão inseridas entre as regras da civilidade, um ponto que me frustrou. Eu perguntei-me porque é que Washington apresentou as suas regras desta forma? Se eu não fosse Maçom e interessado em história, o meu tempo com o livro teria acabado quando terminei de ler as 110 Regras naquela tarde de Verão. Mas eu tinha perguntas. Felizmente, vivemos na era do Google; depois de algumas pesquisas, compreendi melhor as origens deste livro. Primeiro, estas são as regras de “Washington”. Insira aqui o seu *suspiro*.

O jovem George copiou-as quando tinha cerca de 14 anos no século XVIII, como uma lição para melhorar a sua caligrafia (algo que também morreu lentamente neste século) com o bónus de educar um jovem sobre como se apresentar em público. Estou à espera como um tigre na relava alta pelo “momento de aprendizagem” em que possa ordenar ao meu filho de 13 anos que escreva estas regras. Também podemos discutir a falta de boas maneiras dele naquele tempo … De volta a George. Se Washington não escreveu as regras, quem as escreveu? Jesuítas franceses em 1595.

Uma pequena escavação na história da época mostra que a ideia de que “todos os homens foram criados iguais” foi semeada nos princípios da cortesia: tratar os outros como iguais ou quase iguais ao mesmo criador. Dos seis valores jesuítas, ensinar comportamentos que reflictam pensamento crítico e acções responsáveis são integradas nas 110 regras que orientam o leitor sobre como considerar a raça humana como uma família. E para nossa sorte, elas caíram nas mãos do americano mais famoso de todos os tempos. Washington pode não ter escrito o seu livro, as Regras não eram ideias suas, mas eram princípios sobre os quais ele construiu a fundação de confiança e respeito que cimentou o seu carácter, em tudo o que tocou.

Eu moro no norte do estado de Nova York, onde indicadores históricos apontam para todos os campos de batalha, pousadas, tabernas e edifícios nos quais Washington colocou a mão. Se estiver pronto para o desafio, procure uma cópia das “Regras de civilidade e comportamento decente em companhia e na conversa“. Todos os dias, quando tiver um momento livre, leia UMA regra e tente viver de acordo com ela. Claro, não cuspir no fogo, tirar carrapatos das meias ou cortar o pão com uma faca gordurosa pode ser uma tarefa fácil para o dia. Mas deixe-me saber como será o dia 88, quando você acordar para ler: “Não seja tedioso no Discurso, não faça muitas divagações, nem repita frequentemente a mesma forma de discurso”.

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Michael Arce

Tradução de António Jorge

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