Yin e Yang – A Terra e o Céu

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Yin e Yang

“Se todos sob o Céu reconhecem o belo como belo,
assim conhecerão o feio.
Se todos sob o Céu reconhecerem o bem como bem,
Assim conhecerão o mal.
Ser e Não-Ser engendram-se mutuamente,
Fácil e difícil completam-se,
Longo e curto delimitam-se,
Alto e baixo regulam-se,
Tom e som harmonizam-se,
Antes e depois sucedem-se.
Por isso o Santo-Home pratica o Não-agir e ensina sem falar.
Os Dez Mil seres agem, e ele não lhes recusa ajuda.
Produz sem apropriar-se, trabalha sem nada esperar em troca.
Realiza obras meritórias sem apegar-se a elas
E justamente por isso suas obras perduram.”

Lao Tsé – Tao Te King – Verso 2

Estes versos do Tao Te King falam das forças que dão origem ao universo. É o principio do Yin e Yang, o positivo e o negativo, formando a dualidade que gera toda a matéria universal. A filosofia taoista é essencialmente dialéctica. É preciso que existam duas forças iguais e contrárias para que exista produção. Não há bem sem mal, nem luz sem trevas, beleza sem feiura, Deus sem Diabo. Fora e dentro se completam, em cima e em baixo constituem uma mesma realidade, côncavo e convexo se harmonizam, céu e terra são uma coisa só. Esta é a dialéctica da produção universal.

Marx chama esta dualidade de Materialismo Histórico, que é o ambiente produzindo o homem e o homem modificando o ambiente. A Cabala chama essas forças de Existência Negativa e Existência Positiva, dizendo que elas são as duas faces de Deus, que no entanto, são uma só, o seu “Vasto Semblante”.

A ciência fala em electricidade e magnetismo como sendo as duas forças geradoras do universo, através das duas leis que o regulam, a relatividade e a gravidade. Enquanto a primeira promove a sua dispersão, gerando a imensidade, a segunda promove a atracção que reúne galáxias, estrelas e planetas formando os sistemas cósmicos e também os átomos que formam os elementos químicos e as células que constituem os organismos.

Desta forma o universo se torna cada vez mais imenso por fora, pela força da dispersão, e cada vez mais ínfimo por dentro, com os seus sistemas cada vez mais complexos e reunidos entre si. Dispersão e atracção, entropia e sinergia. Tudo yin e yang, como diz o Tao Te King.

Não-agir, para o taoísmo, não significa nada fazer. Significa integrar-se, participar das coisas sem querer mudá-las por simples vontade nossa. Isso quer dizer que devemos fazer parte da natureza sem tentar domá-la, sem tentar fazer com que ela tenha o nosso rosto.

Isso significa estar sempre em comunhão com ela. Isso é Não-agir. É pura acção integradora. A Natureza (Os dez mil seres) já tem uma actuação normal e própria. Nós somos parte dela. Quando tentamos tirá-la do seu curso estamos lutando contra ela e não cumprindo a parte que nos cabe na composição do seu corpo.

A natureza é um organismo igual ao nosso.  Quando a ferimos, agimos como células cancerosas que se rebelam contra as leis naturais que regem a vida do organismo e destroem o seu equilíbrio.

O homem sábio (o Homem-Santo) não lhe recusa colaboração. O que ele faz é sempre para acrescentar, nunca para subtrair. E desta forma realiza obras meritórias, porque não faz para ele, mas sim para o todo ao qual pertence. Por isso as suas obras perduram.

Lao Tsé, o inspirado autor do Tao Te King foi um filósofo chinês que viveu há mais de dois mil e quinhentos anos. Ele escreveu o Tao Te King para lembrar aos seus compatriotas chineses que o homem tinha uma grande responsabilidade em relação à saúde do planeta, porque ela era como o nosso próprio corpo. Se ele ficasse doente, nós também ficaríamos. Se ele morresse, nós também morreríamos.

Isto mostra, que desde aqueles longínquos dias os homens já agiam como vermes, roendo o próprio cadáver. Não mudamos muito desde então, mas a esperança morre por último e enquanto ela viver teremos uma chance. Enquanto isso, é bom reler Lao Tsé.

João Anatalino Rodrigues

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