O Grande Oriente do Brasil elegeu o “Dia do Fico”, como o início das comemorações dos seus 200 anos de fundação, devido à sua importância na proclamação da Independência do Brasil, que seria declarada meses depois. Importa ressaltar que a fundação do Grande Oriente do Brasil, em 17 de Junho de 1822, é anterior à Independência proclamada por D. Pedro I em Setembro de 1822. No Brasil só existem três instituições com a longevidade de 200 anos: Banco do Brasil, Casa da Moeda e Grande Oriente do Brasil.
Mas o que é o “Dia do Fico”?
O Dia do Fico, 9 de Janeiro de 1822, é a data protagonizada pelo regente do Brasil, o Príncipe D. Pedro, que decide contrariar às ordens das Cortes Portuguesas e permanecer no Brasil.
O evento recebeu este nome porque, na ocasião, D. Pedro proferiu a frase que se tornaria célebre:
“Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto. Digam ao povo que fico”
Esta decisão é considerada um importante passo para o processo de independência do Brasil, que aconteceu em 7 de Setembro de 1822.
Porque é que D. Pedro decidiu ficar no Brasil?
Com o fim da Guerra Peninsular em 1814, os tribunais europeus exigiram que a rainha D. Maria I e o príncipe regente D. João regressassem a Portugal, já que consideravam impróprio que representantes de uma antiga monarquia europeia residissem numa colónia. Em 1815, para justificar a sua permanência no Brasil, onde a Corte Real tinha prosperado nos últimos seis anos, foi criado o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves com a elevação do Estado do Brasil à condição de Reino, estabelecendo, assim, um Estado monárquico transatlântico e pluricontinental.
O desejo da permanência do Príncipe-Regente Dom Pedro no Brasil inicia-se com o risco de que Portugal retirasse do Brasil os direitos adquiridos com a elevação do Brasil a Reino Unido. Se isto acontecesse, o Brasil voltaria novamente à condição de colónia e perderia o direito de comercializar com as demais nações.
Assim, surge a ideia entre aqueles que compunham a elite rural e política brasileira, de formar um “Reino do Brasil” independente de Portugal.
O rei D. João VI receava que este território do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves pudesse passar pelo mesmo processo das colónias espanholas. Desta maneira, antes de voltar para Portugal devido à Revolução Liberal do Porto, deixou o seu filho e herdeiro no Brasil.
Em Dezembro de 1821, D. Pedro recebeu ordens para voltar a Portugal afim de terminar a sua preparação académica. A notícia caiu com uma bomba entre os brasileiros, sobretudo, a elite agrária brasileira, já que esta queria conservar as liberdades comerciais que tinham adquirido após a vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil, em 1808.
Isto animou a aristocracia rural a pedir a D. Pedro no Brasil que permanecesse no Brasil, o que levou a uma recolha de assinaturas no Rio de Janeiro, Minas Gerais e em São Paulo, pedindo-lhe que não voltasse para Portugal. Foram recolhidas mais de oito mil assinaturas, que foram apresentadas pelo presidente do Senado, José Clemente Pereira, a D. Pedro, levando a que este decidisse permanecer no Brasil.
Em 9 de Janeiro de 1822, D. Pedro, contrariando as ordens das Cortes Portuguesas para que deixasse imediatamente o Brasil e voltasse a Portugal, comunicou a sua decisão à multidão que assistia. A partir da varanda do Paço Real (que se viria a tornar o Paço Imperial após a independência), D. Pedro anunciou:
“Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto. Digam ao povo que fico”
Este episódio passou à história como o “Dia do Fico”.
Oito meses depois, apoiado pelas elites agrárias e pela população livre, D. Pedro declarou a Independência do Brasil.
Portugal ainda chegou a enviar tropas para o Brasil, capitaneadas pelo tenente-general Jorge Avilez, com a intenção de reaver o poder sobre o Brasil. No entanto, o Príncipe-Regente D. Pedro ordenou a retirada das tropas; o militar e os seus comandados foram expulsos do Brasil.
Os acontecimentos políticos nos bastidores da monarquia contaram com a participação decisiva de Maçons, sobretudo do senador José Clemente Pereira. No momento em que D. Pedro I vai à varanda do Paço Imperial declarar que resistiria à pressão da Coroa Portuguesa e que manter-se-ia no Brasil, vários actores da política, da sociedade, das artes, da cultura, e muitos maçons, integravam o movimento de resistência.
O Grito do Ipiranga
No dia 2 de Setembro de 1822 foi decidida a separação definitiva entre Brasil e Portugal, assinando-se então a Declaração de Independência.
Em 7 de Setembro, D. Pedro recebeu uma carta de José Bonifácio e de Leopoldina, sua esposa, no qual era informado de que as Cortes tinham anulado todos os actos do gabinete de Bonifácio e removido o restante de poder que ele ainda tinha. D. Pedro voltou-se para os seus companheiros, incluindo a sua Guarda de Honra e disse: “Amigos, as Cortes Portuguesas querem escravizar-nos e perseguir-nos. A partir de hoje as nossas relações estão quebradas. Nenhum vínculo nos unirá mais“. Arrancou a braçadeira azul e branca que simbolizava Portugal e disse: “Tirem as vossas braçadeiras, soldados. Viva a independência, a liberdade e a separação do Brasil“. Depois desembainhou a sua espada afirmando “Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro fazer a independência do Brasil“; e erguendo-se de pé nos estribos disse: “Brasileiros a nossa divisa de hoje em diante será INDEPENDÊNCIA OU MORTE!“. Estava proclamada oficialmente a Independência do Brasil.
Este momento ficou conhecido como o Grito do Ipiranga.
O contributo da Maçonaria
A fundação do Grande Oriente do Brasil ocorreu a 17 de Junho de 1822, envolvendo as Lojas Comércio e Artes na Idade do Ouro, União e Tranquilidade e Esperança de Niterói, tendo como primeiro Grão-Mestre, José Bonifácio Andrada e Silva, político conservador, intitulado Patrono da Independência do Brasil.
A 13 de Maio de 1822, o senado da Câmara, correspondendo a uma proposta da Maçonaria concedeu o Título de Protector e Defensor Perpétuo do Brasil, ao Príncipe Regente D. Pedro. Em 13 de Junho de 1822, foi proposto e aceite o nome do candidato Príncipe D. Pedro para adesão à Maçonaria. Em 17 de Junho de 1822, a Loja Comércio e Artes na Idade do Ouro, desdobra-se em mais duas Lojas, “Esperança de Niterói” e “União e Tranquilidade”, iniciando-se o processo de constituição do Grande Oriente do Brasil, onde só se admitia para iniciação e filiação nas suas Lojas, quem se comprometesse com o ideal da Independência do Brasil.
Em 2 de Agosto de 1822, é iniciado o príncipe regente, D. Pedro, adoptando o nome simbólico de GUATIMOZIM, (último Imperador Asteca morto em 1522), passando o príncipe a fazer parte do Quadro da Loja “Comércio e Artes na Idade do Ouro”. Em 5 de Agosto de 1822, por proposta de Joaquim Gonçalves Lêdo, que presidia aos trabalhos, foi aprovada e feita a exaltação do mesmo ao Grau de Mestre.
Em 20 de Agosto de 1822, Joaquim Gonçalves Ledo, por indisponibilidade do Grão-Mestre José Bonifácio de Andrada e Silva, proferiu um forte discurso, defendendo a independência do Brasil. Na mesma sessão, foi fixada a data de 12 de Outubro, aniversário do Príncipe Regente, para a solenidade da Proclamação da Independência.
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O Dia do Fico será comemorado com diversos eventos dos quais se destaca o tributo da Maçonaria, com a actuação de uma Banda Sinfónica do Instituto Brasileiro de Música e Educação, hasteamento de bandeiras, entre outros eventos.
Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:- R∴ L∴ Mestre Affonso Domingues, nº 5 (GLLP / GLRP)
- Ex-Libris Lodge, nº 3765 (UGLE)
- Lodge of Discoveries, nº 9409 (UGLE)

- A História Secreta da Independência do Brasil
- Maçonaria e a Independência do Brasil
- D. PEDRO IV – Príncipe Regente – Imperador – Rei Maçom
- Acta da Iniciação de D. Pedro I
- A certidão de nascimento da Maçonaria

