Este princípio maçónico encerra em si mesmo alguns dos principais valores da maçonaria: a fraternidade e igualdade.
São estes valores que cativaram desde cedo os meus sentidos, para quem o sentir assume maior importância em face de não saber ler nem escrever, apenas saber soletrar.
Neste contexto, é imperativo reflectirmos sobre a Cadeia de União.
Trata-se de um acto litúrgico em Loja de enorme beleza, simbolizando a plena Igualdade de Maçons, não havendo distinção alguma por graus, funções ou antiguidades.
Etimologicamente, “cadeia” é sinónimo de prisão; de corrente feita de anéis ou elos.
Em maçonaria, a cadeia de união lembra que os maçons se encontram presos aos seus Irmãos na solidariedade do bem comum e do crescimento espiritual.
“Devo, então, presumir que és Maçon? Os meus irmãos reconhecem- me como tal.”
Nenhum “elo” permanecerá isolado e fora do todo, sendo que a palavra união encontra ainda o seu sentido no Salmo 133, onde se lê:
“Oh! Quão bom e quão suave é que os Irmãos vivam em união”.
Historicamente, é aceite que a primeira descrição da “Cadeia de União” encontra-se no Manuscrito de Edimburgo, datado de 1696.
No mesmo descreve-se o acto ritual da transmissão da “Palavra de Mestre”, a qual era designada por Makaboe (macabeu = martelo).
No entanto, as primeiras referências documentais precisas e oficiais remontam a meados do século XVIII, quando o Grão Mestre do Grande Oriente da França, Duque de Chartes, mais tarde duque de Orléans, criou a Palavra Semestral, e definiu que sua transmissão seria oral, em voz baixa, de orelha em orelha, e por uma Cadeia de União comandada pelo V∴M∴ ao final da sessão, com a participação de todos os irmãos no centro da Loja.
A Palavra Semestral é uma palavra que funciona como uma senha e ao mesmo tempo como inspiração para meditação do seu significado por forma a influenciar cada um dos maçons e, indirectamente, o desenvolvimento intelectual e místico da Loja.
Relativamente à expressão “Cadeia de União”, a mesma está referenciada com a Loja Ferdinand “O Venturoso”, instalada em Viena, em 1778.
Também Mozart, iniciado em 1784, na Loja Beneficência da Áustria, compôs em 1791 o cântico: “Irmãos, Colocai as Mãos na Cadeia de União…”, cântico este que veio a ser adoptado como o hino da Maçonaria na Alemanha.
Morfologicamente, a Cadeia de União é composta por 3 toques simbólicos entre irmãos, através das mentes unidas num pensamento comum, dos pés e das mãos.
Os pés devem ser colocados em esquadria, com os calcanhares unidos e as pontas dos pés tocando a dos que estão a seu lado.
Tal simboliza a Orla Dentada.
Ela exprime a união que deve ser mantida por todos os homens quando o amor fraternal dominar todos os corações. Os seus dentes formados pelos vértices de triângulos representam os múltiplos planetas que gravitam em torno do Sol, ou melhor, os povos reunidos em volta de seus Chefes, os filhos em redor de seus pais, os maçons reunidos em torno da Loja.
As mãos (sem luvas) devem permanecer semicerradas e em forma de garra de modo a que a mão direita aperte a mão esquerda do outro Irmão, não sem antes cruzarem os braços, o direito por cima do esquerdo,
Tal simboliza a corda de 81 nós (ou laços de amor).
Esta representa a união fraterna que deve existir entre os irmãos espalhados pelo Universo, ao mesmo tempo que simboliza também a segurança interna do templo quando se realizam as sessões.
A quebra da Cadeia de União deve ser feita de forma lenta, de Oriente para Ocidente, onde a força de cada um dos elos se manifesta uma vez mais repetindo, após a Oração, “que assim seja!”, pelo movimento ascendente e descendente dos braços, três vezes repetido.
A Cadeia de União é criada ao redor do quadro da Loja e dos três pilares da Sabedoria, da Força e da Beleza. A sua solenidade é ainda exacerbada pela escolha adequada da composição musical e da luminosidade, a qual quase se reduz à luz emanada pelas velas dos três pilares anteriormente mencionados.
Conceptual e espiritualmente, a Cadeia de União assume um papel preponderante para um Maçon.
Pode-se procurar entender a Cadeia de União do ponto de vista mais racional, atendendo à sua mecânica e energia criada.
Neste âmbito, os irmãos unidos em cadeia, representando os elos da mesma, ficam predispostos à permuta e doação de mensagens e pensamentos.
Dada à aproximação dos corpos, seja pelos toques produzidos pelas mãos e pelos pés, seja por outros toques, como as ondas sonoras ou entre diversas células nervosas, tal permite e tem a faculdade de “capturar” a curta ou longa distância, essas “doações”, ou emissões.
A sintonia em que cada elo se encontra permite a constituição de uma Egrégora (provém do grego egrégoroi), a qual designa a força gerada pelo somatório de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou mais pessoas, quando se reúnem com qualquer finalidade, a Egrégora acumula a energia de várias frequências.
Todavia, é a sua dimensão de partilha e de comunhão, M∴ Q∴ I∴, que maior fascínio e importância assumem na minha condição de aprendiz.
A Cadeia de União constitui-se, deste logo, de uma importância central no processo iniciático de um Maçon, pois é através dela que o neófito se compromete a viver em união com os Irmãos e através do juramento, a ajudar e a defender os mesmos em tudo o que puder e for necessário. Também e reciprocamente, através do Venerável, este juramento é reforçado com o compromisso dos irmãos da Loja ao receberem o novo Ir.’. a apoiarem-no na sua vida e na sua honra.
Adicionalmente, a Cadeia de União, que é tanto mais eficaz consoante a solenidade impressa pelos seus elos e pelo V∴ M∴, transmite uma força sem precedentes, um revigorar de alma, sob a protecção do G∴A∴D∴U∴, e só quem participa nela pode, com faculdade, falar do significado da mesma.
É um momento onde nos fazem sentir pertença da comunidade de Maçons, onde o espírito e a mente se reúnem em redor de uma prece ou pensamento comum, e onde a partilha acontece. É um momento de reflexão, de solidariedade e de união.
É um momento em que cada um empresta a sua força ao próximo, em plena fraternidade e igualdade, provocando uma profunda harmonia e paz interior,
É um momento, em suma, de rara força espiritual e de comunhão .
M∴ Q∴ I∴, efectivamente tenho total consciência que não sei ler nem escrever.
Assim, resta-me o privilégio de orientar os meus jovens sentidos para a partilha fraterna com os meus irmãos, e procurar ser melhor, livre e de bons costumes. Em Cadeia de União ou fora dela, a coberto do mundo profano ou mergulhado nele.
P. F.

- A origem da palavra Loja
- O Caixeiro Viajante (uma anedota “maçónica”, que não o é)
- Back to basics: Maçonaria num momento de excepção
- A cadeia de união e a egrégora maçónica: mais que simbologia, uma conexão universal


Excelentes artigos para ser difundidos em loja!
A união e a fraternidade, nos mostra que a força da energia pode muito nos iluminar, obrigado pela mensagem!!
Aprender sempre é o que tenho feito ao longos dessa 21 iniciado e investido, em 2009, ObriGADU pela peças!!!
Viva a Luz Coletiva!!!
Quero agradecer imensamente de poder ler,apreciar e refletir a respeito dos artigos.
Foi de uma importância enorme para o meu crescimento como pessoa.
Não sou mais o mesmo desde que acompanho essas publicações.