A corda no pescoço
NÃO É INCOMUM AVISTARMOS EM CAPAS, ILUSTRAÇÕES DE LIVROS, E ATÉ EM FIGURAS NA INTERNET, A CORDA DE NÓ CORREDIÇO USADA EM CANDIDATOS NAS SUAS INICIAÇÕES.
POR QUE A CORDA NO PESCOÇO DO CANDIDATO QUANDO DA INICIAÇÃO À UMA ORDEM INICIÁTICA OU MESMO À MAÇÔNICA?
ENTÃO, SUSCITAM-SE AS PERGUNTAS:
- POR QUE USAR?
- EXISTE, REALMENTE, ESTA TAL “CORDA”?
- SE EXISTE, EM QUE FUNDAMENTAR-SE-IA O SEU USO OU DESUSO?
Começar-se-ia pela indagação do Ir. Kennyo Ismail: “Por que complicar o que é simples?”
Com esta indagação, o nosso Ir. Kennyo Ismail, past-master da ARLS Flor de Lótus n° 38, da Grande Loja Maçónica do Distrito Federal, e membro da Academia Maçónica de Letras do D.F, cadeira n° 33., no artigo “A Corda no Pescoço”, no sítio electrónico (http://www.noesquadro.com.br/2011/04/corda-no-pescoco.html), escreve que “há dois entendimentos respeitáveis sobre a corda no pescoço: A “Ars Quatuor Coronatum”, publicação da conceituada “Quatuor Coronati Lodge n° 2076”, registrou no seu 1° Volume que a Corda no Pescoço é símbolo de controle, obediência e direcção. Já o famoso Albert Pike, foi ainda mais simplista: Não é nada mais do que um dispositivo de controle do corpo do candidato…
Segundo Ir. Kennyo Ismail:
“Corroborando com tais compreensões, pode-se observar que a mesma corda é empregada nos candidatos também quando do ingresso em outros graus, inclusive em graus de diferentes ritos. Mesmo que amarrada de forma e em lugar diferente, sempre é simbolicamente usada para guiar. Apesar deste objectivo primário, nos graus mais “modernos”, a corda acabou ganhando também conotação de elo, união, fraternidade. Se no primeiro grau a corda é posta no pescoço, nada mais é do que sinal de que o candidato ainda não é possuidor da confiança total dos presentes, por isso recebendo um direccionamento menos fraterno e amigável.
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É muito fácil comprovar o significado da corda no pescoço: Basta pegar uma corda com nó corrediço e colocar no pescoço de alguém. Então pergunte à pessoa como ela se sente, quais os pensamentos e sentimentos que vêm à mente. Haverá duas sensações: A pessoa poderá relacionar a situação ao enforcamento ou se sentir como “um animal laçado, como um cachorro na coleira.”.
Entretanto, segundo o ínclito Irmão Jules Boucher, na sua A Simbólica Maçónica, ressalta sobre a herança anglo-saxónica da Corda com Nó Corrediço:
“A preparação do Recipiendário comporta, além do mais, uma Corda, em forma de nó corrediço, passada ao redor do pescoço. Esta corda simboliza tudo o que ainda prende o profano ao mundo de que ele está saindo. (..). Além do mais, o próprio Mestre apresenta-se com o torso inteiramente nu e as duas pernas descobertas. Por outro lado, a Corda é enrolada duas vezes ao redor do braço direito do Companheiro e três vezes ao redor da cintura do Mestre.”.
Em The Dumfries N° 4 MS., C. 1710, tem duas questões de ‘corda’ no seu catecismo:
P: Onde você foi trazido?
R: vergonhosamente por uma corda em volta do meu pescoço. . .
P: que corda no seu pescoço
R: para me enforcar se eu devesse, mas pode confiar
Acredita-se que esta seja a primeira alusão a uma corda, como uma peça de equipamento então usada na preparação do Candidato. Não apareceu novamente nos primeiros documentos rituais até 1760, quando foi descrito pela primeira vez como um ‘cabo de reboque’. O Irmão Harry Carr apresentou na Loja Quatuor Coronati de Londres, um trabalho intitulado “Aspectos Hebraicos do Ritual”, onde ele analisa com profundo conhecimento, o hebraísmo nos rituais maçónicos, e este, um traço deveras marcante.
Factos…, – talvez estes, ou ainda impressões abstraídas…, – talvez também estas, além de depreensões de constrangimentos relatados pelos iniciados (ou por escritores afoitos a novas mudanças), talvez tivessem motivado a abolição desse objecto dos chamados “modernos” rituais maçónicos das Lojas Simbólicas, visto que os chamados “Modernos” modificaram e enxugaram os Catecismos (nomes dados aos questionários dos Rituais à época, no séc. XVIII) e, quanto aos “Antigos”, pertencentes à Loja dos Antigos, fundada oficialmente em 1751, (porém com existência muito anterior e de livre acção, por serem irlandeses e escoceses e conservarem-se tradicionalistas), rivalizaram com os que proclamavam de “modernos”, pertencentes à obediência da Grande Loja de Londres ou “Grande Loja dos Modernos” com relação a diversas mudanças ritualísticas. Somente em 1813 houve a unificação dessas Lojas numa única potência, a Grande Loja Unida da Inglaterra, e arrefeceram-se as disputas havidas.
Segundo o Ir. Irmão Alferio Di Giaimo Neto, nas suas Pílulas Maçónicas, declara que as causas da separação foram enraizadas principalmente na negligência e na débil administração da Primeira Grande Loja naquele tempo e, principalmente, em certas mudanças nos costumes e na Ritualística, as quais foram feitas deliberadamente com o propósito de excluir impostores e oportunistas na Ordem, devido a publicação do livro “A Maçonaria Dissecada” de Samuel Prichard. O valoroso Ir. Alferio ainda cita algumas prováveis mudanças que provavelmente colaborariam na referida separação:
- A descristianização da Franco-maçonaria desde os primórdios, em 1723, quando foi feito o livro das “Constituições” pelo reverendo Anderson.
- Desleixo referente aos dias de São João Batista e São João Evangelista, como festivais especiais Maçónicos.
- A mudança dos modos de reconhecimento no Grau de Aprendiz e no Grau de Companheiro. Esta era, aparentemente, a principal causa ofensiva.
- Abandono de partes esotéricas na Instalação de Mestres.
- Negligências referentes ao Catecismo, ligadas a cada Grau.
Felizmente, em 1813, após anos de preparação e acertos, as duas Grandes Lojas se uniram e deram ao mundo maçónico a Grande Loja Unida da Inglaterra, Potência Mor das Obediências Maçónicas.
Segundo o Ir. Carl Dyer, 2010, em “O Simbolismo na Maçonaria”, p. 154, menciona que o “uso de uma corda no pescoço também tem uma série de explicações. Em alguns antigos rituais, está especificada uma referência bíblica, I Reis, 20: 32:
Então cingiram sacos aos lombos e cordas aos pescoços e, indo ter com o Rei de Israel, disseram-lhe: Diz o teu servo Bene-Hadade: Deixa-me viver, rogo-te. Ao que disse Acabe: Pois ainda vive? É meu irmão.
Daí, segundo óptica judaico-cristã, depreende-se o uso da corda no pescoço como um símbolo de submissão. (A referência a “sacos aos lombos” também é, muitas vezes, citada como justificativa para o uso do avental como um emblema). Todavia, nas cerimónias da Grande Loja dos Antigos, era costume em algumas Lojas usar a Corda de Nó Corrediço nos três Graus, sendo amarrado duas ou três vezes nos outros Graus. A razão dada para esta prática era que a cada sucessivo compromisso, o candidato se amarrava não apenas uma vez, mas duas ou três vezes e o uso da corda desta forma era um símbolo de servidão. Outras explicações indicam que isso possibilitaria que o candidato fosse reconhecido em caso de rompimento e fosse trazido de volta; ou que uma corda sendo usada por alguém num país hostil como símbolo daquilo que aconteceria se ele fosse pego espionando parece algo um tanto quanto grotesco. E aquela como um sinal de submissão, à parte da explicação prática que o Mestre da Loja apresenta no decurso da Cerimónia, parece ser a mais razoável.”
Mas…, a que realmente esta passagem bíblica do Antigo Testamento nos remete e o que ela significaria?
Resumidamente, esta passagem narra e descreve a história de humildade e sabedoria do rei Acabe, rei dos israelenses, numa peleja contra o rei sírio Bene-Hadade, que após perder a batalha e preparar-se um ano depois para subjugar o povo de Israel, é novamente vencido e, humildemente, prostra-se diante do rei Acabe, pedindo pela sua vida. O rei Acabe, misericordiosamente, perdoa-o, considera-o um irmão, posto que está vivo às provações e manifesta-se submissamente, pedindo compaixão. O rei Acabe perdoa-o, faz uma aliança, e libera o rei Bene-Hadade para o seu retorno à Síria.
“É apenas uma coincidência?
“Muitos artigos publicados por autores maçónicos sugerem que a ligação entre a Maçonaria e os Templários revelada nesta escultura é apenas simples coincidência. A figura mostra um homem ajoelhado entre duas colunas. Ele está de olhos vendados e tem uma corda com um laço corrediço ao redor do pescoço. Os seus pés estão em posição estranha, pouco natural, e a mão esquerda segura um exemplar da Bíblia. O final do laço em volta do seu pescoço é controlado por um homem que usa um manto à moda dos templários.” (Extraído de http://www.cavaleirostemplariosmg.org.br/pdfs_docs/congresso_glusa_sucres_elias_mansur.pdf).
“Análise detalhada da peça entalhada em pedra
A escultura de Rosslyn revela algumas características que a identificam como sendo maçónica, conforme demonstra a escultura. O que perturba alguns autores ingleses, ironiza o Dr. Lomas, é que a escultura foi entalhada 570 anos antes, ou seja, 270 anos antes da fundação da Grande Loja Unida da Inglaterra (ou seja, em 1507). Quando esta informação foi divulgada, houve grande desconforto entre os membros da maçonaria inglesa.
Portanto, o uso da Corda no pescoço do candidato nas iniciações maçónicas era praticado pelos “Antigos” maçons, pelo menos desde o séc. XIV e ainda actualmente em algumas Lojas, a exemplo das do REAA da Grande Loja da França e Rito de York (Fonte: http://trabalhosdamaconaria.blogspot.com.br/2012/07/o-ritual-de-aprendiz.html) e depois retirado de alguns catecismos pelos “Modernos” especulativos no princípio do séc. XVIII.
Para confirmar ou rejeitar o ponto de vista dos autores que defendem a hipótese de coincidência, o Dr. Lomas, no trabalho “Ligações entre os Templários e a Maçonaria” do Ir. Elias Mansur Neto, aplicou o Teste da Hipótese Nula:
De acordo com Robert Lomas em 25/08/2000:
(…) Existem 7 pontos de concordância entre a peça entalhada e a cerimónia de admissão ao primeiro grau da Maçonaria de hoje. São eles:
- Um dos homens está com os olhos vendados. Isto não é comum nas estátuas medievais, sendo que a estátua da justiça é o único exemplo conhecido. Não existe outra figura com os olhos vendados em Rosslyn.
- Sobre o homem ajoelhado: Isto é comum nas estatuas/figuras medievais e existem outras figuras ajoelhadas em Rosslyn.
- Sobre o homem que está segurando uma bíblia na sua mão esquerda: Existem alguns entalhes mostrando figuras segurando livros ou pergaminhos nas mãos em Rosslyn.
- Sobre o homem que tem uma corda ao redor do pescoço: existem poucas figuras conhecidas, no período estudado, com uma corda enlaçada ao redor do pescoço. A mais conhecida é uma estátua chamada The Dying Gaul. Existe uma outra em Rosslyn que tem um laço ao redor do pescoço. Trata-se da figura de um homem sendo enforcado, que representa o anjo Shemhazai cujos pecados obrigaram Deus provocar o Dilúvio. Tal figura mostra o anjo Shemhazai com muito medo de olhar Deus face a face, e por isto, mostra a sua cabeça virada para uma direcção contrária de onde se localiza a figura de Deus. Shemhazai está representado com um laço ao redor do pescoço, mas em Rosslyn não existe outra figura assim representada.
- Um dos homens parece ter os seus pés numa posição que é ainda usada pelos candidatos à iniciação na Maçonaria de hoje. Esta é uma posição pouco comum e não existe outra figura em Rosslyn nesta posição.
- A cerimónia está sendo realizada entre duas colunas, exactamente como é feito na Maçonaria de hoje.
- O laço está sendo controlado por um homem claramente vestido à moda dos Templários. Existem muitos outros símbolos e imagens dos Templários entalhados em Rosslyn.
SEGUNDO HENRY CARR, EM “SEIS SÉCULOS DE RITUAL MAÇÔNICO”, DISPONÍVEL EM https://bibliot3ca.wordpress.com/seis-seculos-de-ritual-maconico/, DESCREVE: “Agora temos outro documento escocês, o Manuscrito Dumfries No. 4 datado de cerca de 1710. Ele contém uma massa de material novo, mas eu só posso mencionar alguns dos itens. Uma das suas perguntas é: “Como você foi trazido? Vergonhosamente, com uma corda em volta do pescoço”. Este é o primeiro cabo de reboque; e uma resposta mais tardia diz que a corda “é para me enforcar se eu trair a minha confiança”. Dumfries também menciona que o candidato recebe o ‘Real Segredo’ ajoelhado no “em meu joelho esquerdo”.
Assim, qual é a probabilidade de que todos estes factores estejam juntos por coincidência? Adoptamos a Hipótese Nula.”
Avaliação das probabilidades
1 – A probabilidade de que o homem esteja vendado por acaso é 0,5, pois ele poderia estar vendado ou não. Este é o pior caso de probabilidade, o que dá a Hipótese Nula a melhor chance de sucesso, uma vez que não existe outra figura com os olhos vendados em Rosslyn.
2 – A probabilidade de o homem estar ajoelhado por acaso é 0,5, uma vez que, novamente, ele poderia estar ajoelhado ou não.
3 – A probabilidade de que o homem esteja segurando uma Bíblia por acaso é 0,5, pois ele poderia estar segurando uma Bíblia ou não.
4 – A probabilidade de o homem ter uma corda ao redor do pescoço é 0,5, ainda que exista somente uma figura com os olhos vendados em Rosslyn. Novamente, estou dando à Hipótese Nula a melhor chance de ocorrer por acaso.
5 – A probabilidade que o homem esteja com os pés numa postura maçónica (somente nesta posição o candidato pode ser feito Maçom) é de 0,5, porque ele poderia estar nesta posição ou não. Nenhuma outra figura em Rosslyn mantém os pés nesta.
Estranha posição, (à moda dos maçons), de modo que novamente concedemos à Hipótese Nula, o benefício da dúvida.
6 – A probabilidade de a cerimónia ter ocorrido entre duas colunas é de 0,5, porque a alternativa seria não a realizar entre colunas.
7 – A probabilidade de que um Templário esteja controlando o laço ao redor do pescoço do homem é 0,5; isto é mais uma generosidade com relação à Hipótese Nula, porque o laço poderia estar frouxo ou sendo controlado por uma outra pessoa que não fosse um templário. Na moderna cerimónia maçónica de iniciação, o laço é controlado pelo segundo diácono enquanto o candidato faz o juramento com a mão sobre a Bíblia.
Agora precisamos considerar a possibilidade de que todas estas 7 probabilidades tenham ocorrido ao mesmo tempo. Para achar a probabilidade composta, devemos multiplicar todas as probabilidades mencionadas, umas pelas outras. Ou seja:
(0,5) x (0,5) x (0,5) x (0,5) x (0,5) x (0,5) x (0,5) = 0,0078
Portanto, existem somente 8 chances em 1000 de que os elementos de ligação entre a Maçonaria e os Templários (na pessoa de Sir William St. Clair, arquitecto projectista e construtor da Capela de Rosslyn) tenham sido colocados na peça entalhada, por acaso.
Por causa de tais evidências, recusa-se a Hipótese Nula e reafirma-se a proposição de que Sir William St. Clair foi ligado à Maçonaria em 1440, e que esta ligação envolvia os Templários.”
Apenas trata-se de uma comprovação de probabilidade de que a Corda no pescoço do iniciado existiu e que era usada pelos maçons Operativos e pelos “Antigos” Especulativos pela simbologia da submissão e obediência à Ordem Maçónica e aos seus Sublimes Princípios.
Infere-se que, ao correr dos anos, (e várias foram as justificativas e muitos foram os motivos, como por exemplo, o constrangimento), os assim chamados Maçons “Modernos” Especulativos reformaram e suprimiram, dos seus Rituais, a utilização da Corda de Nó Corrediço nas iniciações). Infere-se, também, a partir das evidências mostradas na Capela de Rosslyn, que apontam para o facto de que os Maçons Operativos usavam a Corda de Nó Corrediço nas suas Iniciações ou Promoções, que os Maçons “Antigos”, baseados na existência e uso antigo da Corda pelos Maçons Operativos, continuaram e defenderam o uso antigo da Corda, que se torna também tradicional o seu uso, da Corda de Nó Corrediço.
Alexandre Fortes, 33º – CIM 285969 – ARLS Cícero Veloso n° 4543 – GOB-PI
Um pouco sobre a Capela de Rosslyn
A Capela Rosslyn
Fica na margem florestada do Esk Valley, a cerca de dez quilómetros ao sul de Edimburgo, na Escócia. O largo desfiladeiro rochoso, embaixo com as suas corredeiras, dá o nome a Rosslyn. A Capela tem sido um lugar de peregrinação há séculos.
A pedra de fundação foi colocada no dia de São Mateus, 21 de Setembro de 1446 por sir William St. Clair, conde de Rosslyn e príncipe de Orkney. A orientação é do Leste para o Oeste. Esta posição foi marcada a partir do nascer do sol dessa data, como era de costume dos pedreiros da época. Outro costume é usar uma figura geométrica para definir a planta baixa. No caso da Capela de Rosslyn, foi usado um triângulo equilátero.
A planta da capela é baseada na cruz templária. Infelizmente a planta original se perdeu, deixando assim especulações se a planta actual é espelho dos planos originais. O motivo da dúvida está nas suas fundações, que são bem maiores que a capela. As dimensões da capela actual estão situadas no que seria apenas o coro das fundações encontradas nas escavações do século XIX. Caso seja verdade, porque abandonaram o plano original? Falta de recursos? Mudança de planos? Outra peculiaridade da capela é o facto do seu layout ser completamente assimétrico. Isto é, completamente fora dos padrões da época.
O exterior da Capela
Por fora ela é uma rústica catedral gótica, construída de acordo com a “sagrada geometria”. A Capela Rosslyn é a única construção medieval regularmente usada pela Igreja Episcopal Escocesa.
O interior da Capela
A Capela Rosslyn é única e famosa mundialmente pela beleza das suas esculturas e pela aura de mistério e magia que a rodeia. Ela sempre foi um ímã para caçadores do Santo Graal, escritores esotéricos, historiadores medievais e adeptos de teorias conspiratórias. Ela não foi construída de acordo com a arquitectura contemporânea, nem em qualquer outro estilo. Agora, os seus mistérios ganharam o mundo com o livro de Dan Brown, “O Código DaVinci”.
Rosslyn está longe de ser uma típica capela cristã. É estranho que poucos símbolos cristãos sejam encontrados no seu interior. Na Idade-Média a actividades dos Sinclairs eram de promover celebrações “pagãs” e proporcionar um acampamento seguro aos ciganos (os ciganos são conhecidos por cultuarem a Santa Sara Kali, e a lenda da Virgem Negra e o Santo Graal). Muitas autoridades acreditam que havia uma Virgem Negra na cripta da Capela Rosslyn. Por dentro é uma sinfonia em pedra esculpida; cada centímetro do interior da capela é coberto com símbolos e construído de acordo ao design da sagrada geometria. A capela possui gravada nas suas paredes uma quantidade impressionante de símbolos egípcios, célticos, judeus, cristãos, templários e maçónicos e outros tantos originários das tradições pagãs. Nas paredes e nos cubos que se destacam do tecto, palavras em grego, latim e hebraico encontram pentagramas, flores, pombas com o ramo de oliva no bico… As esculturas apresentam uma perfeição notória comparadas a quaisquer outras encontradas em toda a Europa.
Os Templários são muito bem representados nas paredes da capela de Rosslyn. Uma figura em alto relevo mostra dois cavaleiros num cavalo, uma alusão ao Selo Templário.
Estão representadas nas suas paredes
- Dois cavaleiros templários numa única montaria;
- José de Arimateia portando o Graal;
- Uma figura muito semelhante à do Santo Sudário;
- Há estudiosos que contaram mais de uma centena de imagens de uma cabeça verde de homem com folhagens saindo da boca – especula-se que possa ser uma representação do misterioso Baphomet, a cabeça adorada pelos templários ou que sejam imagens do deus nórdico Mimir também chamado o “Homem Verde” (Greenman – que representa a fertilidade na Cultura Céltica), às vezes relacionado com o deus babilónico Tammuz. A partir do Leste e movendo à direita, os “Homens Verdes” envelhecem; começando como figuras de criança e progredindo por velhice e finalmente – perto da cripta ao norte da capela – para meros crânios copados; Greenman.
- Figuras de reis, pontífices, cavaleiros…. todos sendo seguidos por uma figura parecendo um esqueleto, talvez representando a morte;
- O deus grego Hermes (uma alusão ao Hermetismo);
- Há também uma coluna chamada a “Coluna do Aprendiz” muito bem esculpida, que mostra a “Árvore da Vida” da cabala. Diz a lenda que o mestre construtor tinha sonhado com aquele pilar, mas quando chegou na capela, viu que o seu aprendiz de pedreiro havia feito o seu trabalho. Com ódio, matou-o com uma martelada na cabeça (muito semelhante à lenda de Hiram Abiff, mestre construtor do Templo do Rei Salomão, cultuado pelos maçons).
- A cruz floreada [Rosa-Cruz];
- O véu de Verónica.
- Esculpidas na parede encontra-se uma escultura enorme do milho e várias folhas de babosa (Aloe-vera), plantas que só havia na América, e não foi cultivada lá até depois de cerca de cem anos. Assim, alguns pesquisadores vêem estas esculturas como evidência que os Cavaleiros Templários tinham viajado às Américas 50 anos antes de Colombo. Todavia, outros estudiosos olham para estas esculturas e não vêem nada mais que lírios estilizados.
Coluna do Aprendiz
A Capela é famosa também por duas das suas colunas: a Coluna do Aprendiz e a Coluna do Mestre, que se levantam lateralmente à Coluna do Artífice e têm escultura distintamente diferente. Os Arquitectos maçónicos acreditam que estas estruturas pudessem significar os pilares de J. e B.. Existe uma lenda em torno da “Coluna do Aprendiz”, segundo os escritos feitos pelo Dr. Forbes, bispo de Caithness em 1774. Diz a lenda que um mestre pedreiro recebeu a tarefa de esculpir uma pilastra, única e maravilhosa, mas as suas habilidades não eram suficientes para tal empreitada. Por isso foi a Roma para aprender a técnica correcta para concluir o seu trabalho. Ao voltar, viu que o seu aprendiz havia esculpido a pilastra com maestria, inspirado por um sonho que teve. O mestre pedreiro, com inveja e ódio, matou o aprendiz com um golpe na cabeça com o seu malhete. O mestre pedreiro teve que pagar pelo seu crime. O aprendiz ficou imortalizado com a sua cabeça esculpida no interior da capela. Ao seu lado esquerdo está a escultura da cabeça da sua mãe. Em nenhum ponto se encontra o pai do aprendiz. Alguns acreditam que o aprendiz era filho de uma viúva (curiosamente “filhos da viúva” é o título que se atribui aos membros da Maçonaria).
Não se sabe se tal narrativa é mito ou retrata um acontecimento real, mas de acordo com algumas fontes, o Bispo St. Andrew esperou durante muito tempo para receber a permissão do Papa para consagrar Rosslyn, devido a um acontecimento violento que havia ocorrido na Capela.
A Coluna do Aprendiz é obviamente uma representação da Árvore da Sabedoria, chamada de “Yggdrasil”, na qual Odin, divindade máxima do panteão nórdico fez o seu sacrifício para obter o segredo da sabedoria da cabeça decepada do deus Mimir. O seu sacrifício foi recompensado com as Runas. A Coluna do Aprendiz possui esculturas dos dragões de Neilfelheim, deitados, alimentando-se das raízes de Yggdrasil.
Coluna do Mestre
O “Pilar de Aprendiz” é realmente uma obra de arte se comparada ao “Pilar do Mestre”. O investigador Trevor Ravenscroft reivindicou em 1962 a descoberta do paradeiro do Santo Graal em Rosslyn. A sua pesquisa de mais de vinte anos a procura do Santo Graal revela que as paredes da Capela de Rosslyn são documentos que registram segredos ainda ocultos para o público em geral, ao mesmo tempo em que afirma existir um objecto encravado no Pilar do Aprendiz. Este objecto fora detectado utilizando detectores de metais e concluiu-se, nestes procedimentos, que realmente haveria um objecto na pilastra do tamanho apropriado para um cálice e exactamente no meio desta. Os responsáveis actuais pela capela recusam-se a permitir que o pilar seja radiografado.
A capela é formada por uma arcada de doze arcos pontudos, onde aparecem gravados o sol, a lua e as estrelas. Muitos arqueo-astrónomos acreditam que as paredes são esculpidas com azimutes que dão coordenadas para locais na Islândia e na Grã-Bretanha.
MAIS SOBRE A CAPELA ROSSLYN: https://www.rosslynchapel.com/
Referências
- “Ars Quatuor Coronatum”. Vol. 1. – Quatuor Coronati Lodge n°2076
- BOUCHER, Jules. A Simbólica Maçónica. Editora Pensamento. São Paulo. 1979.
- CARR, Harry. The Freemasons at Work – 7ª edição revisada. 1992.
- http://biblia.com.br/joao-ferreira-almeida-atualizada/ (Bíblia online)
- http://www.cavaleirostemplariosmg.org.br/pdfs_docs/CONGRESSO_GLUSA_SUCRES_ELIAS_MANSUR.pdf
- http://www.noesquadro.com.br/2011/04/corda-no-pescoco.html
- O Simbolismo na Maçonaria – Carl Dyer. Madras. 2010.
- http://pilulasmaconicas.blogspot.com.br/2010/10/n-84-grande-loja-dos-antigos-na.html
- http://trabalhosdamaconaria.blogspot.com.br/2012/07/o-ritual-de-aprendiz.html
- https://www.rosslynchapel.com/
- The Dumfries N° 4 MS., C. 1710

- Calendários maçónicos e Era Vulgar
- Terminologia – TELHAMENTO
- A Carta de Bolonha (1248) – O mais antigo documento Maçónico
- A câmara de reflexões
- O que é “Ser Livre e de Bons Costumes” na Concepção Maçónica

