A Grande Loja do Tennessee expulsou um Membro heterossexual por “promover a homossexualidade”

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Tag Thompson, tennessee
Tag Thompson

Um post de 42 palavras no Facebook em Outubro de 2020 resultou na expulsão de Tag Thompson da Maçonaria, cinco meses depois. Thompson – um heterossexual de 41 anos de idade, pai de três filhos – foi acusado de “promover a homossexualidade” sob uma lei maçónica do Tennessee que causou um alvoroço seis anos antes.

Em 15 de Março de 2021, Thompson recebeu uma carta do Grande Secretário com o veredicto: “O réu, irmão Thompson, foi considerado culpado das acusações e recebeu a sentença de expulsão“, dizia a carta. “… O membro não é elegível para reintegração“.

Cada amigo íntimo masculino que eu tinha no mundo naquele momento era Maçom. Quero dizer, é com quem eu saio. Quero dizer, é uma Irmandade, então eu era incrivelmente próximo destas pessoas”, disse Thompson. “E quando se é expulso da Maçonaria, fica-se basicamente fora. Eu perdi todas estas amizades. Cada uma delas. Eu não vi nenhuma destas pessoas, não tenho a certeza; Bem, desde aquele dia“.

Thompson suspeita que os maçons locais tenham sido proibidos de falar sobre a situação ou de falar com ele. Isto também justificaria o silêncio que ele sentiu dos membros da sua Loja, os homens de quem ele era tão próximo até àquele dia.

Acho ridículo que uma fraternidade fundada na liberdade e na igualdade esteja a dizer que estes homens não são permitidos na nossa fraternidade por causa de sua orientação sexual“, disse ele. “E eu apoio a 100% a sua capacidade de participar.”

Thompson considerou apresentar acusações legais contra a fraternidade estadual para ajudar a mudar a regra, mas lutou para encontrar advogados que pudessem assumir o caso ou encontrar legitimidade constitucional para entrar com uma acção.

Tal processo exigiria um defensor com amplo conhecimento da Maçonaria, pelo que essa pessoa provavelmente teria ser um Maçom, disse Thompson, e um Maçom no activo nunca aceitaria um caso como este.

Ele não se juntou à irmandade para ser activista, mas espera que a Grande Loja reconsidere a sua proibição.

A sua história como Maçom

Thompson, filho de missionários, passou a maior parte de sua infância na América Central antes de voltar à área de Chattanooga para estudar. Foi ordenado na Convenção Baptista do Sul e trabalhou como estagiário pastoral na Stuart Heights Baptist Church em 2004.

Fazer trabalho missionário na África do Sul como um jovem adulto mudou a maneira como ele se sentia sobre o lugar da comunidade LGBTQ na fé cristã. Afastou-se dos Baptistas, mais em direcção ao movimento de igrejas domésticas não denominacionais, no qual os paroquianos se reúnem em casas particulares, para adorar . É agora o principal ministro da Tapestry, uma comunidade local sem credo que não defende um conjunto central de crenças.

Em meados da década de 2010, Thompson leu “O Código Da Vinci” e foi atraído pela narrativa relacionada com os maçons. Muito interessado em simbologia, começou a pesquisar.

Na mesma época, um amigo procurou-o para se juntar aos maçons, disse ele. Os dois visitaram uma loja local e Thompson tornou-se Maçom no início de 2015, juntando-se à Loja Chattanooga nº199. O grupo reunia-se semanalmente para refeições ou reuniões na Loja ou para, juntos, fazerem trabalhos de caridade em escolas e bancos de alimentos locais, bem como para os sem-abrigo.

Existem actualmente mais de 300 lojas no Tennessee com cerca de 31.000 membros, de acordo com a página na Internet da Grande Loja do Tennessee

Quase que coincidindo com o momento em que Thompson se tornou Maçom, a Grande Loja do Tennessee foi abalada com controvérsias que se espalharam pela opinião pública.

Em 2015, a Grande Loja do Tennessee suspendeu Dennis Clark e Mark Henderson, dois Maçons de Memphis que se casaram após a decisão da Suprema Corte dos EUA de 2015 que legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Durante uma reunião apenas para membros em Março de 2016, a grande loja votou esmagadoramente para manter a proibição da organização de membros gays, de acordo com o USA Today.

A notícia teve impacto nas lojas maçónicas em todos os Estados Unidos e não só. A notícia foi mal recebida por Grandes Lojas no Maine, Washington D.C., Califórnia e Bélgica. Muitas Grandes Lojas não têm leis que proíbam membros gays, embora a Geórgia tenha proibido a homossexualidade nas suas fileiras em 2015 . Em 2010, a Grande Loja de Kentucky votou contra uma proposta para criar tal regra.

Thompson disse que não estava ciente da proibição quando aderiu. Considerou renunciar após a votação, mas maçons mais progressistas encorajaram-no a ficar, para usar as suas capacidades para mudar a organização desde dentro.

A sua função na Loja foi evoluindo. Com a sua colaboração a Loja construiu um novo Templo perto do Estádio Finley em 2017. Em 2018, assumiu as funções de Venerável Mestre da sua Loja, o cargo mais elevado existente numa Loja.

O post no Facebook

Os direitos LGBTQ+ estavam no centro das atenções em Outubro de 2020, quando os juízes do Supreme Cort, Clarence Thomas e Samuel Alito, numa decisão de não ouvir um caso, criticaram a decisão do tribunal de 2015 de permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Semanas depois, o Senado votou pela confirmação da juíza Amy Coney Barrett no tribunal, consolidando uma super maioria conservadora de 6-3.

Em 27 de outubro de 2020, Thompson postou a mensagem de 42 palavras no Facebook:

Tenho amigos LGBTQ+ que estão preocupados em se poderem casar no futuro. Se for o seu caso, saiba que sou um ministro licenciado e ordenado. Não importa o que aconteça, eu serei o seu oficiante se precisar de mim.”

Esta não foi a primeira vez que Thompson apoiou publicamente a comunidade LGBTQ, e não achava que o post causaria problemas no mundo maçónico.

Treze dias depois, a Loja Chattanooga nº 199 recebeu uma carta de David Bacon, um Maçom de uma loja em Soddy-Daisy. A carta acusava Thompson de não ser ter uma atitude maçónica por “promover a actividade homossexual”, devido ao post. Sugeria também que a Loja realizasse um julgamento.

O código Maçónico citado na carta e supostamente violado, dizia, “promover ou  se envolver em actividades homossexuais. Coabitar imoralmente numa situação sem o benefício do casamento”.

Embora inicialmente a Loja tenha suportado a sua posição, uma semana depois, em 16 de Novembro de 2020, a Loja Chattanooga nº 199 pediu formalmente à Grande Loja do Tennessee para ouvir o caso.

O julgamento de Thompson foi a portas fechadas, como muitos aspectos da Maçonaria. Ele compareceu numa loja de Nayton em 27 de Fevereiro de 2021, diante de um painel de três Membros compostos por outros maçons do Tennessee, de acordo com registros do processo. Semelhante a um julgamento judicial, Thompson tinha um advogado maçónico, e o queixoso também.

Em 15 de Março de 2021, Thompson recebeu uma carta do Grande Secretário com o veredicto: “O réu, irmão Thompson, foi considerado culpado das acusações e recebeu a sentença de expulsão“, dizia a carta. “… O membro não é elegível para reintegração“.

Compilação de informação e Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

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3 thoughts on “A Grande Loja do Tennessee expulsou um Membro heterossexual por “promover a homossexualidade””

  1. Zacarias Lacerda

    Atitute como esta dos Maçons da Grande Loja do Tennessee geram duvidas sobre os fundamentos da Maçonaria; liberdade, igualdade e fraternidade. Se uma opção sexual diferente pode resultar em expulsão de um obreiro das fileiras da instituição, qual o significado das expressões liberdade e igualdade levantados e defendidos mundialmente? Ou seria a Grande Loja do Tennessee liberta do cumprimento dos princípios da harmonia e fraternidade entre seus membros?

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