Para entender a razão – os sentidos são essenciais: um aparte introdutório …
Ao longo da humanidade – em milénios, principalmente, com os romanos – observamos na história e os seus princípios éticos, morais e políticos; provas interpessoais (práticas ocultas) eram levadas a cabo como acções desagradáveis, infames e destemidas nas sociedades secretas – que permaneciam na ‘escuridão’.
Tais práticas também tidas como repugnantes espalhavam-se na Idade Média como boatos, falácias, invenções entre os cidadãos que se apoiavam, em parte, nas crenças cristãs do Catolicismo Romano, se escandalizavam e, ao mesmo tempo, ficavam inibidos pelos conhecimentos-de-verdade vindos de Roma.
Outrossim, mesmo que os comportamentos fossem inaceitáveis – as conversões ao cristianismo continuavam e, quanto maior fosse as ‘falas que aterrorizavam’, mais inculcações entre pagãos e cristãos se faziam jus nas admissões de novos-cristãos à causa romana.
Disto isto, a história traz-nos inúmeros exemplos que justificaram e justificam até hoje a importância do segredo – mesmo que transfigurado e não revelado entre os seus pares – pois as informações são trocas de moedas: essas sujeitas aos exageros, as calúnias, as desinformações como parte do processo para que se perpetue uma determinada causa. Ou seja: o Secretismo (com a submissão dos autos da fé ao ocultar identidades e práticas ao sincretismo); o Canibalismo (este era visto como uma representação alegórica entre a estratificação entre o corpo e o espírito do homem medieval); as Orgias e incestos (retomados pela essência e a virtude do ‘Amor’ era uma visão dissimulada da realidade que habitava e reflectia na ideia cristã como um passaporte incontestável dessa alusão romana; e os Instrumentos de tortura (práticas que demonstravam uma visão de uma sociedade secreta que era ameaçadora – pois “qualquer coisa que seja boa não deve ser mantida em segredo e qualquer coisa mantida em segredo não pode ser boa” [1] – assim denominavam àqueles desprovidos das informações selectas da humanidade – descrita pelos guardadores dos segredos.
Da crença: uma ‘nova ordem de peregrinos’ …
Via de regra, a história traz-nos inúmeras abordagens sobre a Maçonaria e as suas relações com a cristandade romana. Os Templários (constituídos da ramificação maçónica), pela sua vez, após a sua perseguição pela Igreja Católica Romana, é obrigada a se refugiar em inúmeros confins da Europa para se reestabelecer com outra vertente filosófica – Os Maçons. Sendo assim, é válido considerar de forma contundente a ligação dos Templários e agora, Maçons, com a fé e os seus valores éticos, políticos e morais que passam a se tornar predominantes na vida social da ‘nova ordem’.
A relação com a cristandade foi um dos pontos de maior importância para a Maçonaria, pois a obediência apontada na fé em Jesus Cristo foi elevada cada vez mais o interesse e o crescimento da instituição que, pela essência, motivação e da sabedoria cristã e os seus ‘segredos’, protegerão os seus fiéis glorificados pela história e da sua caridade.
Nesta abordagem, os maçons passam a dedicar as suas vidas cada vez mais nos valores de bondade, caridade, propósitos e ensinamentos – estes como suportes espirituais pela dedicação constante das peregrinações de Jesus Cristo na terra e a sua obrigação espiritual como Filho de Deus.
Após a idade média esta ‘nova ordem’ de peregrinos hospitalários [2] conseguem se organizar político e socialmente – aos poucos estruturando junto às entidades cristãs e não cristãs ajudas humanitárias com espírito de caridade e fé aos seus semelhantes. Logo, à medida em que a organização continuava a crescer sues números de ‘voluntários’, mas passou a chamar atenção – o que fez a ‘Ordem’ recuar e se estabelecer directamente ‘nas sombras’ como virtude das acções que passariam a ser cada vez importantes: não apenas pelas caridades e fé, mas também pela influência no crescimento das sociedades neles inseridas.
Dos mistérios: um aparte …
Desde os primórdios da filosofia universal como Pitágoras, Platão, Plutarco entre outros – os mistérios que permeiam e remontam a humana, podemos perceber inúmeras aprendizagens dou outro como forma de interagir, bem como se inserir na cultura alheia a partir dos sublimes e nobres ensinamentos por meio da fé e dos segredos estabelecidos pelos ‘anciões’ – grifo meu.
Para tanto, a linguagem incutida nos mistérios alheios, simbolizam e, ao mesmo tempo, se caracteriza pela liturgia particular e secular – essa que torna possível os ‘graus’ de uma sociedade em ‘evolução’: […] “O homem precisa de ritos; e as liturgias permitem-no penetrar no espaço sagrado, que é o lugar onde o homem depara com algo maior que ele, encontrando, ao mesmo tempo, a ordem universal e as razões para viver.” […] segundo Costa (2015, p. 24).
A partir desta perspectiva abordada acima, Aristóteles dizia que: “A semelhança do homem com o animal é o estar sujeito à mesma natureza animal. A diferença consiste em o animal estar sujeito à história, enquanto o homem possui a capacidade de ser sujeito da história. O grande problema dessa diferença é que um enorme número de pessoas não percebe a diferenciação” [3].
Neste sentido, o simbolismo e o misticismo abordados pelos contextos maçónicos por meio dos tempos (Templários, Rosa-Cruz, entre outros), empreendem de maneira cuidadosa: seja em aspectos religiosos ou míticos – cuidar dos ‘grandes segredos’ da antiguidade como o bem saber original que se perpetua ao longo das eras.
Estes grandes mistérios são recuperados não apenas pela historicidade oral, bem como dos vestígios deixados (estudados, transcritos e decifrados) pelas indicações informais e formais; essas abordadas em papiros, inscrições, pinturas e monumento, vistos e revistos como “palavras perdidas” para (COSTA, 2015, p. 27), pois elas reconstroem e dão vida e significados ao alcance do homem por meio dos acontecimentos da história.
Naturalmente, por estes vieses, todo e qualquer mistério perpassam com efeitos e sentidos que são ‘autenticados pelo homem’ por meio dos ensinamentos, tradições, influências, doutrinas, utensílios e simbolismos – reconfigurados, porém sem perdem a essência histórica, hermenêutica e doutrinária do homem em contacto com os desígnios secretos da humanidade: assim se constituiu a Ordem Maçónica Universal – uma ordem que busca nos factos e os seus mistérios, segredos que podem transformar os sujeitos socialmente ao incuti-los nos valores das tradições simbólicas e de que maneira poderão entender as Alegorias e Lendas que fazem parte da sua história.
Da constituição do Rito: preâmbulos da Mestria Superior …
Quando instituímos um determinado ‘grau maçónico’ é importante considerar os seus constituintes como suportes para entender a sua liturgia simbólica. Nesse sentido, a Mestria Superior do Grau 4 se preestabelece de maneira tradicional e contundente, ou seja: pode ser apresentado em variados aspectos nominais além de ser conhecido no Rito Brasileiro como “Mestria Superior – Mestre da Discrição (Grau 4 de Iniciação)” [4].
Desta nominação, também temos noutros aportes: “Eleito Secreto, Past Master, Cavaleiro da Fénix, Santo dos Santos, Mestre Escocês, Mestre Companheiro de Santo André, Adepto do Oriente e Mestre Secreto” – de acordo ao Ritual do Grau 4 (2015, p. 5).
De certo, é importante deixar claro que, estas especificidades fazem parte de cada Rito, pois as particularidades são constituídas pelo ímpeto familiar maçónico com segredos e consciência profunda e moral da simbologia humana.
Logo, tenhamos a concepção que, se o homem cresce ante os seus pares com dignidade, honra e sabedoria – esse por meio das suas virtudes interiores são libertos para instituir a sua causa-maior: a bondade. Essa que é regida dos segredos e mistérios que compete somente ao homem de bom coração e virtude fraternal possuir riscos e obstáculos sociais ao compartilhar com os seus pares a sistemática “discrição” que leva na sua alcunha ao ‘subir mais um degrau’ na busca pela ‘perfeição entre os homens’.
Dos Segredos: os sentidos das ‘Palavras e os seus sinais’ …
É importante salientar que revelar as instruções e ensinamentos maçónicos que são ministrados em inúmeras Lojas aqui no Brasil e mundo a fora depende dos seus pormenores litúrgicos que condizem directamente “aos sinais, aclamação, palavras, toques, bateria, marcha, circulação e muitos outros contidos no próprio Ritual”, segundo Fachin (2015, p. 155).
Via de regra, tais ensinamentos fazem parte de um sistema de comunicação restrito e, ao mesmo tempo, particular para o reconhecimento entre os maçons. Logo, pode-se constatar que os seus códigos podem circular socialmente, porém com certo grau inteligível para a preservação entre os pares e a Ordem. Isto posto, essas intenções seculares guardam uma linha de pensamento secreto para o ‘bem e a ordem social’.
Segundo Fachin (2015, p. 158), ainda no que tange a palavra:
Para João, o verbo (a Palavra) estava em Deus; preexistente à criação; ele veio ao mundo, enviado pelo Pai, para desempenhar uma missão: transmitir uma mensagem de Amor.
.
O Antigo Testamento conhecia o tema Palavra de Deus e o da sabedoria, que existia antes do mundo, em Deus; pelo qual tudo foi criado. (grifos do autor)
Nesta citação, podemos entender que as virtudes fazem parte do homem como um ser sociável, mas a sabedoria e a Palavra Sagrada são e está em Deus, pois é o constituinte divino.
Para tanto, a Maçonaria utiliza desses pormenores sagrados e fundamentos históricos, de acontecimentos míticos e institucionalizados – como falado já anteriormente: Litúrgicos.
Desta perspectiva, observamos que os cuidados e a preservação de uma ‘Sociedade Secreta’ necessitam de segurança constantemente – pois no mundo em que a curiosidade faz parte do quotidiano; verdades e segredos precisam ser mantidos e resguardados em sete chaves (dito popular). (grifos meus)
Estas simbologias são representações na nossa arquitectura contemporânea como uma espécie de reiteração da ‘força, virtude, crença’ em constante harmonia histórico-escolástico através dos tempos.
Sérgio Nunes de Jesus, M... M... – I.R.B.: 10.599 – OBREIRO: 309551 – A... R... L... S... Universitária Pitágoras Nº 3313
Notas
[1] In: Reynolds, 2008, p. 15.
[2] In: Reynolds, 2008, p. 50.
[3] In: Costa, 2015, p. 24.
[4] In: Constituição do Rito, 2019, p. 13.
Referências
- ALENCAR, Renato de. Enciclopédia histórica do mundo maçónico. Tomo II. Rio de Janeiro: Editora Maçónica, 1980.
- BÍBLIA. II Crónicas. In: BÍBLIA. A Bíblia Sagrada: Antigo e o Novo Testamento. 64. Impressão. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa bíblica Brasileira, 1987.
- CONSTITUIÇÃO DO RITO. Regulamento do rito no Brasil – Estatuto do Supremo Conclave do Brasil. Rio de Janeiro: Cultura & Lazer, 2019.
- COSTA, Wagner Veneziani. Maçonaria: escola de mistérios – a antiga tradição e seus símbolos. 2. ed. São Paulo: Madras, 2015.
- FACHIN, Luiz. Virtude e verdade: graus simbólicos. Tomo I. Porto Alegre: AGE, 2015.
- REYNOLDS, John Lawrence. Na sombra: breve história das sociedades secretas. Tradução de Raquel Vaz Pinto. Lisboa: Quidnovi, 2008.
- SIMÕES, Carlos. O Rito Brasileiro (uma visão da Maçonaria social ou 4º. Período histórico da Maçonaria). São Paulo: Editora A Gazeta Maçónica, 1999.
- SUPREMO CONCLAVE DO BRASIL. Ritual do grau 4 – Mestre da Discrição. Rio de Janeiro: Cultura & Lazer, 2015.
- TEXTO AVULSO. S/d; S/e.

- A “des-simbolização” da sociedade em tempo de Trevas e do Sol Invicto
- A “Hipótese Deus”
- A “Palavra” na Maçonaria
- O Poder da Palavra
- Deveres (landmarks) em Maçonaria: é pegar ou largar

