A Loja Luzitania nº 184, da Grand Lodge of England (1811)

luzitania

No mesmo ano de 1811 em que Hipólito José da Costa – fundador do periódico O Correio Braziliense ou Armazém Literário (1808-1822) – publicava em Londres a sua Narrativa da Perseguição ou A Narrative of the Persecution, nas versões portuguesa e inglesa, onde contava a sua experiência de vida como perseguido pelo Tribunal do Santo Ofício em Lisboa, fundava em Londres a Loja Maçónica Luzitania nº 184, da Grand Lodge of London, dos “modernos” maçons, tendo ocupado o cargo de venerável em 1810-11.

A Loja era composta por maçons portugueses emigrados ou fugidos para esta cidade, na sequência das invasões francesas em Portugal. Passaria a ter a designação de Lusitanian Lodge nº 223, – numeração dada na United Grand Lodge of England após o Union Act de 1813 -, a qual reunia na primeira 2ª feira na Freemasons’ Tavern, na Great Queen Street.

Hipólito redigiu e publicou os “Regulamentos da Lodge Luzitania nº 184, ao G:. Or:. de Londres”, os quais foram “escritos num livro de pergaminho”.

Estes regulamentos foram escritos ao Oriente de Londres em 1.6.1812 – Ano da Luz de 5816 -, estando assinados pelo Venerável “Hippolyto Joze da Costa”. Foram publicados por L. Thompson, Impressor, 108, York Street, Commercial Road, em Londres.

Em todas as sessões ordinárias da Loja, o Secretário procedia à leitura destes Regulamentos, provavelmente no início de cada sessão .

Por ser uma loja de Portugueses no estrangeiro, provavelmente a primeira deste tipo, interessa ver como funcionava.

Eram seus membros conhecidos além de Hipólito que exerceu as funções de Venerável em 1810-1811, e com muita probabilidade em 1812, data destes Regulamentos:

  • Vicente Nolasco Pereira da Cunha, médico, exilado, sendo que este último terá deixado a loja quando se juntou ao Dr. Abrantes e Castro como elemento da redacção de O Investigador Portuguêz em Inglaterra (1811-1818),
  • eventualmente Domingos José Martins, comerciante, Brasileiro, que regressou à sua terra em 1813, e que seria fuzilado em 1817, na sequência da revolta do Pernambuco.
  • João Bernardo da Rocha Loureiro, jornalista, exilado, sendo que este nome parece pouco credível.

O Dr. Bernardo José de Abrantes e Castro foi convidado por Hipólito a entrar na Loja Luzitania por volta de 1812, mas recusou  apesar de ter sido iniciado Maçom em Coimbra por volta de 1793 ou 94 na loja Fortaleza de Coimbra, tendo passado para o quadro da loja Virtude II, em Lisboa.

Ignoro quantas vezes a loja Luzitania de Londres reuniu, sendo que a partir de 1814, não existe qualquer notícia do seu funcionamento. Provavelmente os diferendos políticos entre os emigrantes portugueses reflectiam-se no comportamento Maçónico, donde não serem capazes de encontrar pontos em comum que justificassem a Loja Maçónica.

Autor desconhecido

Tradução de António Jorge

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