A positividade das reuniões virtuais

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Sérgio Quirino Guimarães – Grande Primeiro Vigilante – GLMMG

Em se tratando de tempos de pandemia, a negatividade é positiva e a positividade é negativa. Entenda a lógica: O resultado positivo para o Corona Vírus (que é algo negativo) é o indicativo para a acção de tratamento do COVID-19 (que é algo positivo).

Vamos reflectir a partir de que “todo mal, traz um bem escondido”. Parece complicado compreender e acreditar nesta máxima, mas facilita se soubermos discernir PROBLEMA de REALIDADE.

  • Problemas são situações que exigem mudança de comportamento / acção, para que não se instale a negatividade da causa / origem.
  • Realidades são situações que exigem adequações no comportamento / acção para que se instaure a positividade da causa / origem.

Estamos impedidos realizar as Sessões Presenciais. Isto é um problema ou uma realidade?

Se entendo o facto como um problema, posso até desenvolver um quadro depressivo pela ausência do convívio presencial. Se, por outro lado, tenho a consciência do facto como algo necessário, (na categoria de necessidade) compreendendo a realidade e busco nela as devidas adequações.

Na vida, não é o mais forte ou mais sábio que sobrevive. Sobrevive aquele que sabe ou pode se adaptar às mudanças.

Uma dessas novas realidades nos trabalhos maçónicos é a Reunião Virtual. Antes que surjam os “armados contra a profanação”, devo recordar que até há pouco tempo, os Templos eram iluminados por velas, até que veio a “profanação” da luz eléctrica. A harmonia era feita por instrumentos até a “profanação” pelas fitas K7, depois CD, Pen-drives etc.

Seria o norte-americano Willis Carrier o maior de todos os profanadores? Pois, desde quando ele inventou o ar-condicionado em 1902, os Templos Maçónicos já não são tão quentes como eram.

Enfim, situações da realidade vão surgindo e as adequações vão sendo necessariamente feitas.

Talvez, alguns os Irmãos não tenham ainda percebido o quanto é positiva esta realidade.

Está havendo um quórum maior nas reuniões virtuais do que nas reuniões presenciais. Irmãos que estão em outros orientes ou com locomoção restrita estão novamente se encontrando.

Há presença de Irmãos de outras Lojas, de orientes distantes, de outras Potências, autoridades maçónicas, palestrantes ilustres, cujas presenças físicas em Loja, seriam, muitas vezes, impossível.

Necessário nas reuniões é manter objectividade e foco. Os recursos tecnológicos permitem ao VM manter esta boa conduta.

Pode-se dar um “alívio” na Ordem do Dia, para quando as reuniões presenciais retomarem. Estamos aprendendo que, nestas Reuniões Virtuais, podemos e devemos decidir sobre o cardápio da festa, se vamos ou não colocar granito ou mármore no piso, prestações de conta etc. Assim, deixaremos para tratar dentro do Templo os assuntos que exigem cobertura.

Podemos “chegar” antes do horário da reunião e ficar depois, mais um pouco, em fraterno e descontraído ambiente, para as amenidades que estreitam os nossos laços e, tudo isso, em plena segurança de nosso lar.

PORÉM, há alguns aspectos para os quais devemos nos atentar:

Muito cuidado com a escolha dos assuntos a serem tratados. Não existe o “Guarda do Templo Virtual”. Não temos nenhuma garantia do sigilo. Portanto, nenhuma parte, nem mesmo uma frase dos Rituais poderão ser usadas e principalmente, nos absteremos de sinais, palavras e instruções.

Postura adequada. Irmão sem camisa, deitado na rede, com caneco de cerveja, definitivamente, é um absurdo. Se alguém alegar que ele está na casa dele, rebato com a realidade de que a imagem dele está no lar dos demais Irmãos.

A reunião deve durar 60 minutos, no máximo 90. É desnecessário o Irmão pedir a palavra para dizer que está muito feliz por estar vendo o António, o José, o João, o Ricardão. Isso não agrega nada. E o Venerável Mestre, também, não tem, necessariamente, de mandar todo mundo se manifestar.

Vamos nos atentar para a realidade de que, hoje, estamos fazendo um laboratório de uma actividade que, necessariamente, será incorporada aos labores maçónicos. Não é uma profanação e não substituirá os trabalhos em Loja. É mais uma das realidades da vida, mais uma ferramenta para cumprimos nosso papel.

Sérgio Quirino Guimarães – Grande Primeiro Vigilante – GLMMG

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