O grau de Companheiro é um grau essencialmente operativo enquanto se refere a Religião do Trabalho, de uma maneira mais especial que os outros graus, indicando a necessidade daquele para todo o ser humano, como condição indispensável e meio do seu progresso.
O Aprendiz tem que aprender com o fim de efectuar um trabalho útil, efectivo e construtivo. Só quando sabe trabalhar pode esperar que se lhe admita no segundo grau e se lhe reconheça como Obreiro do Progresso e da Liberdade e portanto companheiro de todos os que, como ele, trabalham pela Glória do Grande Arquitecto, ou seja em harmonia com os seus planos (os que se esforçam reconhecer intimamente) para levar a cabo a Grande Obra de Construção Individual e Social que constitui o objecto da nossa Ordem.
Os Maçons não são, pois, filósofos que se perdem em absurdas investigações, e em estéreis utopias: para o verdadeiro Maçom, todo estudo deve ter um fim efectivamente prático e construtivo, todo Ideal um valor vital e operativo que deve realizar-se com a sua aplicação. Este esforço de aplicar e realizar o Ideal na vida prática é a característica e o objecto fundamental do grau de Companheiro, como mostra o seu próprio signo de reconhecimento.
Nunca se converterá o Companheiro em Mestre, no verdadeiro sentido da palavra, até que não se haja feito digno deste trabalho, como resultado da sua actividade e dos seus estudos, fazendo adquirido a experiência e as capacidades que só podem conduzi-lo para adiante e fazer dele algo mais que um companheiro: o primeiro entre os seus semelhantes, que sabe instruí-los e dirigi-los pela sua compreensão mais profunda e elevada.
A religião do trabalho
O Maçom deve considerar o trabalho de uma maneira completamente diferente de como o considera o homem vulgar: para este o trabalho é uma necessidade e quase uma escravidão, um jugo que pesa sobre ele pela força das circunstâncias, ao que se deve sujeitar para viver. Enquanto o homem ordinário trabalha para viver escravo das suas necessidades e dos seus desejos, o Maçom deve viver para trabalhar, que dizer, para fazer uma obra ou um labor, expressando o Ideal que faz dele um artista diferenciando-o do artífice.
O espírito com o qual o homem ordinário considera o trabalho se acha pois, expresso na maldição bíblica: “Do suor dp seu rosto comerás o pão”. Esta maldição, personificada simbolicamente na Bíblia, quando se interpreta com o esquadro da Razão e o compasso da Compreensão representa simplesmente a voz ou expressão impessoal da lei sob cujo efeito ou causalidade se coloca o homem por si mesmo, escolhendo trabalhar como escravo da Ilusão exterior para satisfazer os seus instintos, necessidades, desejos e paixões, a raiz da sua desobediência a voz da Realidade, a única que lhe pode indicar a senda da Liberdade.
Longe de ser uma maldição, o trabalho é para o Maçom o primeiro e fundamental objeito da existência terrena, fonte de todos os Bens e de todas as Bem-dizeres. O avental branco que se usa, como distintivo da sua qualidade, representa o novo espirito com o qual se deve dedicar ao seu próprio trabalho ou actividade, na qualidade de Obreiro da Inteligência Universal, com a que tem o privilégio e a honra de cooperar, interpretando e realizando seus planos na medida da sua compreensão e habilidade.
Estes planos são as ideias ou Ideais Construtores que se manifestam na sua Inteligência para se realizar na sua vida, e, segundo adquire a capacidade de os expressar, liberta-se automaticamente de toda escravidão exterior, por ser a verdadeira Liberdade, obediência ao que de mais elevado há na nossa alma e no nosso ser. O homem é, pois, escravo, segundo obedece aos seus impulsos inferiores e a ilusão exterior; e se faz livre em proporção com a sua capacidade de se elevar sobre os primeiros por meio da Virtude, e sobre a segunda por meio da Verdade.
A cor branca do avental é um símbolo da pureza das intenções com os quais se predispõem a Obra, já não com o único fim de satisfazer o seu egoísmo ou as suas necessidades, ou seja mirando a utilidade pessoal que pode sacar da sua actividade, senão principalmente com o objeito de buscar a glória ou expressão da mesma Inteligência construtora, ou Grande Arquitecto do Universo na sua própria actividade, qualquer que seja. Este intento superior, expresso pelo branco, é o que caracteriza ao Maçom e o diferencia do profano.
A qualidade de Maçom não se adquire, pois, por meio de um reconhecimento exterior, pagando determinados direitos e sofrendo determinadas cerimonias, ou pertencendo fielmente a determinado Corpo ou Obediência. Este é só o símbolo do Maçom. Enquanto a qualidade verdadeira há de ser individualmente realizada com o seus próprios esforços por cada Maçom, aplicando as qualidades exteriormente recebidas ou reconhecidas. Por consequência, o homem que obra maçonicamente, conformando-se com a sua vida e actividade aos mesmos Princípios e Ideais que a Maçonaria ensina simbolicamente aos seus adeptos, é muito mais digno do apelativo de Maçom, em que nunca foi exteriormente iniciado ou recebido na nossa Instituição, que aquele que limita dita dignidade ao nome e a uma observância puramente formais.
“Nobreza Obrigada”. Cumpra, pois, o seu dever, todo Maçom que quer ser digno deste nome e cuide de exaltá-lo e enobrecê-lo constantemente na sua actividade e na sua vida.
A nossa arte: sacerdotal e real
Conheça o Maçom o carácter sacerdotal e real da sua Arte, aquela Ars Régia, da qual os mesmos reis se podem vangloriar de ser adeptos, por quanto constitui talvez o maior lustre e o melhor distintivo da verdadeira realeza. Saiba o Maçom que esta qualidade, bem entendida e realizada, o faz “igual aos reis ” um verdadeiro Melquizedeque ou Rei de Justiça, “sacerdote do Altíssimo”, o seja Iniciado e Ministro do Poder Supremo (1).
(1) Veja as referencias a este Bíblico personagem, no Génesis XV, 17-20, Salmo CX, 4 e Hebreus V,VI,VII.
Em que na época actual o triunfo dos ideais democráticos haja relegado a condição de rei a um puro formalismo exterior, ou simples relíquia do passado, a qualidade real que se encerra em tal nome, uma vez seja individualmente realizada, será sempre o privilégio mais apreciável e a característica de toda Individualidade Superior.
Rei é pois, quem rege, ou seja o contrário de escravo. Reger é dominar, “exercer autoridade e domínio”, autoridade e domínio que hão de ser rectos, justos e perfeitos, ou seja o domínio do superior sobre o inferior. As palavras regra e rectitude tem mesma etimologia que rei: reinar é pois obrar rectamente, ou seja conforme a uma regra superior. O atributo zedeck “justiça, rectitude” agregado ao hebraico melek “rei” para formar o nome de Melquezideck, significa “o Rei por excelência” enquanto tal qualidade o caracteriza como tal.
É interessante também notar que se agrega o título de Rei de Salem, quer dizer: “Rei de Integridade, Paz e Perfeição”, qualidades estas que encarna o verdadeiro Adepto da Arte Real, sacerdote ou ministro da Suprema Realidade.
Cada um de nós, cada Maçom e cada homem, pode ser, por própria eleição, rei ou escravo no seu próprio domínio individual, segundo conforme a sua conduta a Regra da Rectitude, convertendo-se em sacerdote do mais elevado Ideal que intimamente se revela e que tem o poder de levar na sua vida o reino da justiça, da paz e da perfeição.
A este mesmo reino individual se refere Jesus quando nos disse, no seu Sermão da Montanha (Mateus VI, 24-33):
“Ninguém pode servir a dois senhores; Com efeito, ou odiará a um e amará o outro, ou se apegará ao primeiro e desprezará o segundo. Não podeis servir a Deus (a Realidade) e a Mammon (a Ilusão, o dinheiro).
“Portanto os digo: Não os oprimais por vossa vida, pelo que haveis de comer nem por vosso corpo, que haveis de vestir: não é a vida mais que o alimento, e o corpo que o vestido? …
“Porque os gentios (profanos ou pagãos no sentido de escravos da ilusão) buscam todas estas coisas; que vosso Pai celeste (o Princípio de vida em nós) sabe que todas estas coisas tem necessidade.
“Mas busca primeiro o Reino de Deus e a sua Justiça (ou rectitude), e todas estas coisas ser-lhe-ão agregadas”.
Esta há-de ser, pois, a atitude do Verdadeiro Maçom ou Obreiro do Grande Arquitecto, buscando primeiro (em seu esforço para executar planos) a sua Glória ou expressão, e por onde, seu Reino: o reino da Real na sua consciência individual, o reino da Rectidão e da Justiça na sua vida. Assim se converterá ele também num verdadeiro Melquezideck, “Rei de Salem, Sacerdote do Altíssimo”.
“Viver para trabalhar”
Viver para trabalhar é aqui o ideal característico e distintivo do Maçom. Fazer da sua vida o meio e a oportunidade para a realização de um Ideal superior, para uma obra ou actividade construtiva em benefício dos seus semelhantes.
Buscar primeiro o trabalho ou obra por si mesmo, como oportunidade para expressar, exercer e desenvolver os seus talentos numa actividade útil para os demais, e enquanto ao salário esperá-lo como “as coisas acrescidas” ao Reino da Rectidão e do Principio Ideal na sua consciência e nos seus pensamentos, palavras e acções, com o firme reconhecimento de que “Nele esta a força” e que, por onde, “O estabelecera” tudo o que há de ser estabelecido para a Perfeição tanto interior como exterior do seu Reino ou Templo.
Construtor e Sacerdote de um Templo Ideal, Rei ou reitor responsável de um Reino de Justiça e Rectidão, o Companheiro Maçom nunca deve esquecer este glorioso privilégio, que o converte em artista da inteligência Universal, e em Obreiro da Liberdade e do Progresso, cooperando com o mesmo Grande Arquitecto, para a expressão dos planos que constituem a Grande Obra Universal da Criação.
Criar não tem, pois, o sentido de produzir ex–nihilo que o deram etimologicamente os teólogos para justificar as suas teorias, senão que significa fundamentalmente, “fazer, manifestar ou expressar” (da raiz indo-europeu KR, de onde vem o sânscrito karoti “fazer” e Karma “acção”) desde o interior a do exterior, desde o reino da Realidade Invisível ao da Aparência Visível.
Nesta Obra ou actividade criadora manifestada em todo o Universo, o Iniciado nos Mistérios da Construção é a vez interprete e cooperador, segundo se deixa guiar pelo seu Ideal Construtivo que a Inteligência Universal expressa directamente nele e que constitui a sua parte e responsabilidade no Grande Plano da Manifestação, que obra constantemente em todos os reinos da vida material e moral, individual e social.
Todo indivíduo, assim como toda a sociedade e o Universo no seu conjunto, é um Templo levantado a Glória ou expressão de tal Inteligência; e é privilégio do Maçom ser cooperador consciente e voluntário de tal Inteligência, em vez de se deixar guiar pelas ilusões exteriores que o fariam escravo das considerações materiais, pronunciando sobre si mesmo a bíblica maldição que conduz aos homens a ‘trabalhar para viver”.
Viver para trabalhar, é fazer do trabalho uma religião, um privilégio e uma gloriosa oportunidade: eis aqui, pois, o Magno Ideal que a Maçonaria revela aos seus adeptos, como um dos principais (e, talvez o mais importante) dos seus místicos segredos. Reconhecer no Trabalho a fonte de todos os bens e o remédio para todos os males; um Manancial de paz, alegria e felicidade, objeito em lugar de ser meio necessário para a vida e um dever que pesa sobre o homem vulgar como maldição, exaltando-se e enobrecendo-o e na qualidade de cooperação consciente, inteligente e voluntário com o mesmo Grande Arquitecto do Universo. Eis aqui o mérito maior e a mais sublime entre as finalidades da nossa Augusta Instituição. O descanso, seja o descanso depois do trabalho diário, como também o descanso desejado de uma vida ociosa, resultado de certo número de anos de actividade, cessa de ser para o Maçom uma finalidade e se converte na consequência do seu trabalho e o meio de reparar as suas forças e se preparar para um novo dia de mais iluminação, fecunda e elevada actividade, segundo o exemplo do mesmo Grande Arquitecto.
Os cinco sentidos
A especial importância que tem os cinco sentidos no grau de Companheiro não se deve unicamente ao facto de que se referem ao número cinco. Efectivamente, se o considerarmos, na união com as faculdades activas, como instrumentos de trabalho e meios pelos quais se realiza a vida consciente e voluntária do homem veremos por que razão se estudam especialmente neste grau.
São, pois os sentidos, as janelas pelas quais o Templo do nosso ser e da nossa vida individual abre-se no mundo exterior e relaciona-se com o mesmo. Destas janelas o Obreiro do Progresso e da Liberdade deve aprender a fazer uso inteligente e construtor para que, em vez de ser como o são para o homem vulgar, as cadeias que o atam ao poder da Ilusão, se convertam em úteis instrumentos de actividade e, por meio do discernimento, em meio de constante progresso moral e espiritual.
O nosso Templo, no qual se abrem, é uma maravilha de construção elevada pela nossa vida individual e pelo impulso evolutivo da natureza, a Glória do Principio Divino que mora em nós, que nos guia e ilumina, para que manifestemos aquela perfeição na que fomos criados, como princípios espirituais “a sua imagem e semelhança”.
Os nossos sentidos são instrumentos desta mesma construção, a que as impressões constantemente recebidas contribuem diariamente. Ainda mais, a arquitectura do nosso organismo físico, e também da nossa mente, deve considerar-se, no processo evolutivo no que se originou, começando pelas formas mais rudimentares da vida, como o resultado, ou a acumulação e concentração, de todas as impressões recebidas do exterior, assim como das relações ou impulsos que procedem do nosso interior.
Por conseguinte, é de importância vital para o companheiro aprender o uso mais recto e judicioso de cada um destes instrumentos exteriores da construção orgânica, em união com os instrumentos interiores que se acham no oco da simbólica coluna da que temos falado precedentemente.
A visão
Pela sua importância construtora, devemos considerar a vista com preferência aos demais sentidos, estando estes mais ou menos subordinados as impressões daquela. Por consequência, quem se acha privado do dom de ver a luz do dia, nunca poderá ser um verdadeiro Maçom ou construtor iluminado na Grande Obra da vida individual e social.
Assim como a Maçonaria Simbólica se acha intimamente relacionada com a faculdade de ver a Luz interior do Real, e dirigir segundo esta percepção as suas construções ou actividade mentais, assim também a obra de construção orgânica da vida em todas as suas formas, se acha intimamente relacionada com esta faculdade de perceber a luz exterior, em que esta percepção pode ser, num principio, obscuro e subconsciente, como parece ser nos vegetais.
Entre os animais, assim como no homem, o particular desenvolvimento do órgão da vista, é um índice da sua maneira de ser e, respectivamente, dos seus particulares instintos e do seu desenvolvimento mental e espiritual. A mesma cor de Íris denota a particular tonalidade da visão interior e, como é sabido, esta cor tem uma íntima relação com a do cabelo e a do pele. Segundo se modifica a visão interior das coisas, também se modifica em correspondência da vista física e, por reflexo natural, também se modificam os hábitos e as qualidades especificas da construção orgânica. Uma luz especial nos dá, sobre o sentido da vista, as palavras evangélicas: “Lâmpada do corpo é o olho; assim que, se teu olho for sincero, todo teu corpo será luminoso; mais se ter olho for mau, todo o seu corpo será tenebroso. Assim que, se a luz que há em ti são trevas, quantas serão as mesmas trevas?” (Mateus VI, 22-23).
Efectivamente, podemos dizer que as nossas capacidades, tanto físicas como mentais, a nossa mesma vida e a constituição do nosso organismo se constroem e desenvolvem no mesmo sentido e segundo o carácter particular da nossa visão. Este não quer dizer que o somos dependa exclusivamente do que vemos exteriormente ou do que nos rodeia; a pesar de que o que vemos exteriormente esta muito longe de não ter importância, o valor construtivo e soberano da visão essencialmente firme na nossa particular maneira de ver as coisas, a que depende do que somos.
Há, pois, entre o que vemos e o que somos, uma constante acção e reacção: o que vemos, influenciando a nossa mente e a nossa imaginação, determina em grande parte o que somos, o que pensamos e sentimos de nós mesmos; modifica igualmente a nossa visão, tanto interior como exterior. Por esta razão, duas pessoas distintas enfrentadas com a as mesmas coisas, condições e circunstâncias, as verem e consideraram de uma maneira completamente diferente e esta visão e consideração interior fará que tais sejam para elas efectivamente.
Se a visão de uma pessoa é enferma, que dizer, fixa ou concentrada na enfermidade, o seu corpo estará igualmente enfermo, e a sua vida exterior reflectirá igualmente, todo outro defeito da sua visão interna. Em compensação, a vista sã fará sãos igualmente o corpo e as condições da vida exterior. Não é pois, exagerado, dizer que a nossa visão é a nossa lâmpada e que segundo a sua luz, o nosso corpo e a nossa vida estarão igualmente ou na luz, ou nas trevas.
Atitude positiva e negativa
Respeito a relações e recíprocas influencia entre a visão exterior e a interior, prevalecerá esta ou aquela segundo seja positiva ou negativa a atitude do individuo. As pessoas negativas ou passivas, são as que se acham influenciadas mais fortemente pelo ambiente e as circunstâncias e por consequência chegam facilmente vitimas das condições, pessoas e coisas que as rodeiam: uma enfermidade contagiosa, e igualmente um vício ou outro contágio moral ou material, se transmitira mais facilmente entre esta classe de pessoas.
A atitude positiva da individualidade, em troca, faz a um sempre menos receptivo e influenciável desde o exterior e conduz, pelo contrário, a um domínio sempre mais completo e efectivo sobre o ambiente e as circunstâncias.
O carácter da atitude interior do individuo pode conhecer-se facilmente. Enquanto as pessoas negativas dão uma importância soberana as circunstâncias, e lançam a culpa as pessoas, coisas e condições que as rodeiam, lamentando-se constantemente o não ser do seu agrado, a personalidade na qual prevalece uma atitude positiva fará exactamente o contrário: nunca se lamentará ou lançara a culpa a nada de quanto o aconteça, senão melhor escusará a todos e a tudo, e em vez de ver as coisas como aparecem, se esforçará em ver e buscar constantemente nas mesmas a realização do seu mais alto Ideal.
Deste exemplo pode inferir-se claramente se a personalidade é negativa, naturalmente escrava das circunstâncias exteriores, e por onde do que se chama fatalidade ou destino, ou bem livre, segundo prevalece e domina a visão interior sobre o exterior.
Noutras palavras, a personalidade negativa obrará e regulará constantemente a sua maneira de ser, as suas considerações, palavras e acções, segundo as circunstâncias; enquanto a personalidade positiva obrará segundo os seus princípios, convicções e crenças em qualquer condição ou circunstância.
O desenvolvimento positivo da Individualidade, que liberta ao homem das deficiências, erros e debilidades da personalidade é, pois, um dos fins principais da iniciação rectamente entendida. Pode dizer-se que o grau iniciático efectivo de cada qual é o grau de liberdade individual conseguido pelo eu em relação com os seus impulsos inferiores e as influencias exteriores. Nisto consiste aquela verdadeira virtus ou Força Interior (em sânscrito virya) que faz ao Iniciado soberanamente livre de todo vício interior e de todo vínculo exterior e, por onde, verdadeiramente Rei do seu próprio domínio individual.
Esforçando-se no domínio da visão, ou seja, exercitando-se em ver toda coisa, pessoa ou circunstância o seu mais elevado ideal espiritual (note a derivação das palavras ideia e ideal, através do grego, da mesma raiz vid que significa em latim “ver “e em sânscrito “saber”), sem deixar nunca influenciar ou corromper pela sua visão externa a visão interior, o Companheiro progredira por esta Senda e, corrigindo constantemente os seus erros de perspectiva, ocasionados pelas mesmas influencias exteriores, se converterá num verdadeiro vidente, sinónimo de Iniciado no sentido mais pleno e profundo da palavra.
Maxell Egens
(continua)

- Porque sou Maçom?
- A Exaltação ao Trabalho no Grau de Companheiro
- Compreendendo o uso do Avental
- A Ética na Maçonaria
- Doutrina do grau de Aprendiz e de Companheiro

