As colunas zodiacais

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colunas zodiacais

As colunas zodiacais num templo maçónico do Rito Escocês Antigo e Aceite são doze. Servem como símbolos de demarcação do caminho do homem Maçom em desenvolvimento. Localizam-se todas no ocidente e são sinais do crescimento do aspecto material, moral e ético do iniciado, que durante a sua jornada transcende na sua religação com a divindade. São seis em cada lado, normalmente engastadas nas paredes e sempre na mesma ordem. Constituem mais da metade de toda a decoração da loja. As suas representações gráficas apresentam misturas dos quatro elementos místicos estudados por Aristóteles da Grécia antiga e sete astros.

Na história humana existem diversos povos que desenvolveram técnicas astrológicas, entre os mais conhecidos estão: caldeus, chineses, egípcios, árabes, gregos e astecas. Todas resultantes da necessidade de prever o resultado da influência da interacção de forças gravitacionais, de atracção e repulsão dos corpos celestes e que modificam o meio-ambiente da fina camada da biosfera com uns seis mil metros de espessura.

Segundo visão recente, esta camada é um imenso ser vivo global, onde cada ser vivo é parte integrante do todo, distribuída em redes de relações interdependentes, de complexidade crescente e denominada Gaia. Como não existia tecnologia no passado para definir como os fenómenos gravitacionais eram sentidos por Gaia, pois ao homem limitado daquela época era impossível determinar como actuavam fisicamente aquelas linhas de força invisíveis, então ele desenvolveu especulações de como e o que poderiam ser e impôs-lhes conotação mística e mágica.

Processos empíricos culminaram por desenvolver técnicas de previsão que geraram imenso cabedal de cultura mística. A técnica permitia prever fenómenos físicos que influíam na vida, como o regime das cheias de um rio ou a posição de um astro no céu num determinado dia do ano. Isto determinou destaque e importância da astrologia nos governos políticos. Naquela época, política e religião formavam um conjunto indissolúvel, o rei normalmente também era sacerdote, mágico e até divindade. Sem as previsões da leitura da posição dos astros era temerário governar. Na maioria das vezes o diferencial entre vida e morte, saciedade e fome.

Os detentores do conhecimento da influência dos astros na biosfera eram considerados mágicos e cercavam a sua tecnologia do maior sigilo, só revelado a iniciados, aos treinados nas técnicas do conjunto de doutrinas simultaneamente: místicas, astrológicas, alquímicas, mágicas e filosóficas, atribuídas pelos seus autores da antiguidade greco-latina à inspiração do Deus Hermes Trismegisto, origem da designação Hermetismo e relacionado ao Deus egípcio Thot. Este conjunto de técnicas influenciou teólogos, alquimistas e filósofos na Idade Média. E como parecia mágico o que aqueles iniciados faziam, qualquer coisa que falassem era sempre cercada da maior importância, até veneração.

Um dos ramos desta cultura mística, mediante observação de reis e pessoas, procurou determinar uma relação entre o dia do nascimento da pessoa e o seu carácter. O processo empírico com que foi desenvolvido o sistema partiu do que se conhecia do homem em sentido moral, ético, beleza, força, determinação, para conectá-lo a posição dos astros. Uma espécie de engenharia reversa, que parte do resultado para lhe determinar a fonte ou origem. Assim se originaram os diversos métodos astrológicos, cujo objectivo era decifrar a influência dos astros no curso dos acontecimentos terrestres e na vida das pessoas, nas suas características psicológicas e no seu destino, explicar o mundo e predizer o futuro de povos ou indivíduos. O mais famoso de todos, segundo especialistas, foi o sistema dos astecas. Com isto se influenciou o povo a ver nas previsões dos astrólogos a delineação de rumos para as suas vidas, à semelhança do que se dava aos fenómenos naturais influenciáveis pelas linhas de força da gravitação universal.

Os rituais maçónicos usam os signos, sinais do zodíaco, em sentido simbólico, não falam em horóscopo, ou em diagrama das posições relativas dos planetas e dos signos zodiacais num momento específico, como o do nascimento de uma pessoa, ou com a intenção de inferir o carácter e os traços de personalidade e prever os acontecimentos da vida de alguém, ou um mapa astral, ou mapa astrológico. O homem livre não carece disto quando estuda e evolui.

As bases para a localização das constelações usadas na astrologia são tão antigas que hoje necessitam de correcção astronómica. A razão de apresentar as colunas dentro de um templo maçónico, naquelas posições e respectivos aspectos herméticos tem objectivo diferente da adivinhação do futuro usado no passado. Augusto Comte, que fundou a escola filosófica do Positivismo e criou um conceito de ciência social denominada Sociologia, nas suas postulações e assertivas, aniquilou definitivamente a astrologia; e dizem que com isto se deu advento ao Materialismo e descrença generalizada no poder místico da Astrologia que até então era considerada uma ciência.

Na filosofia maçónica as colunas zodiacais são apenas símbolos para estudo, destituídas da atribuição de aspectos da predição do comportamento do homem. É fácil deduzir que a sua existência no Rito Escocês Antigo e Aceite tem finalidade educacional, parte de uma metodologia pedagógica específica à semelhança de outros símbolos e ferramentas.

Para o iniciado colocado no plano do templo, independente da posição que ele ocupe no ocidente, na coluna do norte ou do sul, ele faz parte do centro da loja. Está cercado pelas colunas zodiacais em qualquer posição que ocupe naqueles quadrantes. Observando o conjunto homem e colunas apenas sobre o plano definido pelo piso, estas colunas estão dispostas fisicamente, como resultado do projecto arquitectónico, em alinhamento com as paredes do templo. Mas em verdade estão dispostas sobre um circulo imaginário cujo raio é de tal amplitude quanto a imaginação do observador pode alcançar. O círculo é dividido em doze partes iguais e para cada fragmento de arco assim definido deu-se o nome usado pelos astrólogos no vaticínio do destino do homem. Não é uma circunferência de raio infinito, porque este é apenas um conceito matemático abstracto, pois a abrangência desta observação é limitada às constelações visíveis da Terra, mesmo que com apoio de instrumentos. O raio é finito, limitado, assim como o mundo material, mas nada impede do observador especular para além deste limite, para algo bem mais amplo, sempre de abrangência limitada. É por isto que todas as colunas zodiacais ficam no ocidente, onde o Universo é limitado e restrito ao mundo material e visível.

A jornada do iniciado revela a existência de outros valores e segredos só desvelados aos que persistem nos estudos do rito. Assim são as estórias, as ficções, lendas usadas para transmitir elementos éticos e morais ao homem Maçom, as colunas presentes nos templos são utilizadas como símbolos para transmitir e construir aquela lenda funde-se com a lenda, elas são lendas também. Este uso é nobre e aprovado, imprime-lhes valor prático e sevem para a edificação de homens completos e aprovados pelo Grande Arquitecto do Universo.

Em Maçonaria o observador é sempre conduzido a olhar uma composição de símbolos no seu centro, onde está a informação para a qual se deseja chamar a atenção. É o caso do delta, que possui ao centro um olho ou a letra iod; a estrela flamígera tem ao centro a letra G; esquadro e compasso têm ao centro o livro da lei. No centro da loja tem o homem, o obreiro, que do seu ponto de observação observa o Universo conhecido. Nesta observação desloca-se pelo cosmos segundo o caminho demarcado pelas colunas zodiacais. Pode começar a sua peregrinação em qualquer posição desta circunferência ao redor do ponto central, local onde existe menor agitação, e depois vai-se afastando cada vez mais nas suas pesquisas da verdade. É um caminho que não tem inicio nem fim, dando a conotação de que a especulação é ilimitada e nunca se deve rotular uma verdade como absoluta e final. Sem as colunas como referência, demarcando o caminho a seguir para adentrar ao Universo do iniciado, esta jornada seria no mínimo temerária. Cada coluna representa uma constelação conhecida que serve para determinar direcções para a cognição no estabelecimento da verdade. A ordem em que estão colocadas dá a direcção a ser seguida por aquele que busca a verdade alicerçada na filosofia maçónica. Nada têm de mágico porque o conjunto é apenas suporte para especular detalhes pormenorizados da jornada entre a materialidade e a espiritualidade, do esquadro ao compasso, da religação individual com a divindade de cada um.

Depois de perambular pelo Universo conhecido, maravilhando-se com a obra do Incriado, até onde a vista alcança, até onde a imaginação o carrega, o homem passa a olhar para si mesmo e caminha ainda mais para o centro, buscando a paz e a tranquilidade de um local sem agitação. E bem no centro de si mesmo, ao centro do próprio homem, contempla outra maravilha, outro Universo, uma miniatura daquele cosmos conhecido e representado pelas colunas zodiacais. Este é o verdadeiro centro do Universo da óptica do iniciado. É quando ele desvela o seu mundo interior, a suprema verdade do triunfo humano, a espiritualidade do Maçom, ou aquilo que ele considera a representação da mesma. O conjunto aponta o cosmos, de onde é réplica uma realidade física e transcendental interna de cada iniciado, o seu macrocosmo, o seu Universo interior, onde ele encontra os vestígios do Grande Arquitecto do Universo e torna-se homem livre e útil ao propósito divino.

Charles Evaldo Boller

Bibliografia:

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  • BOUCHER, Jules, A Simbólica Maçónica, Segundo as Regras da Simbólica Esotérica e Tradicional, título original: La Symbolique Maçonnique, tradução: Frederico Ozanam Pessoa de Barros, ISBN 85-315-0625-5, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 400 páginas, São Paulo, 1979;
  • CAMINO, Rizzardo da, Dicionário Maçónico, ISBN 85-7374-251-8, primeira edição, Madras Editora Ltda., 414 páginas, São Paulo, 2001;
  • FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de, Dicionário de Maçonaria, Seus Mistérios, seus Ritos, sua Filosofia, sua História, quarta edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 550 páginas, São Paulo, 1989;
  • GHEERBRANT, Alain; CHEVALIER, Jean, Dicionário de Símbolos, Mitos, Sonhos, Costumes, Gestos, Formas, Figuras, Cores, Números, título original: Dictionaire des Symboles, tradução: Vera da Costa e Silva, ISBN 85-03-00257-4, 20ª edição, José Olympio Editora, 996 páginas, Rio de Janeiro, 1982;
  • MASI, Domenico de, Criatividade e Grupos Criativos, título original: La Fantasia e lá Concretezza, tradução: Gaetano Lettieri, ISBN 85-7542-092-5, primeira edição, Editora Sextante, 796 páginas, Rio de Janeiro, 2003.

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