Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
“Navegar é preciso; viver não é preciso.”
Assim…, tenho cá uma frase, com a vénia de beligerante Pompeu, gloriosa:
“Cinzelar é preciso; acomodar-se, morrer, não é preciso.”
O que é preciso é recto
O que não é preciso é incerto…
Quero para mim o espírito desta minha frase, transformada, fraternalmente compreendida,
A forma a casar com o que eu tento ser, não olvidando-me do memento mori, vivida:
Acomodar-se, desdita vã imprecisa, a morte não é necessário! Ainda que malograda tida.
O Cinzelar é preciso. No aquilatar-se tido.
O desbastar é preciso. Bem lograda vida, nova vida renascida.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la humildemente grande, ainda que para isso incansavelmente tente, sangre
Meu corpo e a minha alma, a cinzelar-me ao vento… cante…
Só quero torná-la, de toda a humanidade; sem vã vanidade
O cinzelar que é preciso; o polir lustroso preciso, trate;
O esquadrejar perfeito que é preciso, com fraternal quilate
Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho meu maço
Na essência anímica do meu espírito acto;
Ao propósito infindo de uma esfera tacto, polida que é perfeita e traço
Além do meu ser inacabável imperfectibilidade
O que seria mais perfeito, imperfeita natureza, fatalidade?
Do imperfeito ser ao engrandecer da antiga, Sublime Arte aceita
Para a evolução pleita d’alma alvenel, canteiro de alvenaria eleita
É a forma pedreira que em mim invade, tomou o mistério o véu espreita
A Arte de Cantaria
Ao Seu Resplandecer Fanal cria
Do Grande Arquitecto do Universo – Divina Geometria…
“Cinzelar é preciso; acomodar-se, morrer, não é preciso.”
“Cinzelar é preciso!”
Alexandre Fortes, 33º – CIM 285969 – ARLS Cícero Veloso n° 4543 – GOB-PI

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