Comunicação do Grão-Mestre da GLLP/GLRP – Equinócio de Outono – 2022

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Armindo Azevedo - Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal / GLRP
Armindo Azevedo – Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal / GLRP

Meus Queridos Irmãos,

Começo por cumprimentar os Muito Respeitáveis e Respeitáveis Irmãos representantes de todas as Potências Maçónicas, que hoje nos visitam e honram com a sua participação. É para nós um grande orgulho a vossa presença.

Uma palavra muito especial ainda para todos aqueles que estiveram connosco na primeira reunião da Confederação Maçónica de Língua Portuguesa. Um importante fórum que tem por fim a prossecução do interesse maçónico, contribuindo para o fortalecimento e consolidação do ideal universalista da maçonaria regular lusófona.

Hoje, a nossa Grande Loja é uma Potência Maçónica respeitada em todo o Mundo pela sua coerência e pela afirmação dos princípios e valores da Regularidade Maçónica, que fazem de nós em Portugal, a maior potência maçónica e a única regular.

A este propósito, quero citar o Muito Respeitável Antigo Grão Mestre Fernando Teixeira, na alocução proferida em Julho de 1996, por ocasião do 5° aniversário da GLRP:

Nas Relações Internacionais há apenas que manter a coerência das nossas atitudes, a solidariedade para quem a mereça, independentemente de qualquer invocação sofisticada ou abusiva dos princípios maçónicos, e finalmente ter o cuidado de aparecer, conviver, estabelecer e concretizar projectos de colaboração com outras potências, como é próprio de verdadeiros Irmãos. Internamente, porém, a Regularidade exige de nós um esforço suplementar de atenção. A Regularidade é um valor incompatível com qualquer espécie de transigências. Por vezes há Irmãos nossos, menos versados nesta problemática, mas cheios de boas intenções, que podem encontrar maus aliados para tentativas de colaboração e uniões etc., quaisquer delas potencialmente capazes de fazerem desabar em segundos um edifício inteiro de regularidade…”.

Compete assim, a cada um e a todos nós, tudo fazermos para que num futuro próximo, cada Irmão possa exprimir satisfação e orgulho na sua pertença a uma instituição secular que nasceu, cresceu e prossegue o seu caminho com uma tripla orientação: defender a Liberdade, propagar a Fraternidade e praticar o Bem.

Recentemente a Humanidade ganhou um novo e espectacular olhar sobre o universo, quando o telescópio espacial James Webb se abriu para o infinito sideral, mostrando-nos o espaço profundo até quase aos primórdios do Big Bang.

Infelizmente, a par de cada deslumbramento com a aventura sensacional da ciência, que nos transporta para avanços surpreendentes do progresso da humanidade, um dos desígnios fundamentais da maçonaria universal, surgem também nuvens negras do lado mais obscuro da pessoa humana, sobretudo quando, dando azo à eclosão de guerras criminosas, essas pessoas provocam danos incomensuráveis que se repercutem por todo o mundo.

Não bastando os anos difíceis da pandemia, que abalou e abala ainda o mundo inteiro, surgiu o desarranjo global dos circuitos de abastecimento mundial, provocando a falta ou atrasos de mantimentos, equipamento e serviços essenciais a toda a humanidade. E inesperadamente, ocorreu a uma guerra na Europa, provocando um caos internacional, sobretudo na área alimentar e da energia, criando incertezas e dúvidas sobre o que se esperar no futuro quanto à normalização da vida mundial.

É verdade que uma guerra é sempre horrenda e sanguinária. Mas esta é também absurda, injustificada e muito bárbara, porquanto encerrou um período prolongado de paz na Europa.

Para fazer face a esse terror, porque é disso mesmo que se trata, temos, como maçons, o Humanismo como uma poderosa arma que assenta no engrandecimento do ser humano e da condição humana. Um Humanismo que não pode nunca ser dissociado da generosidade e da preocupação em valorizar os atributos e realizações humanas.

Um dos pressupostos da existência da maçonaria é precisamente essa escolha de colocar a melhoria do ser humano no seu centro e, sendo o homem composto de corpo e espírito, cultivarmos, trabalharmos e burilarmos a tal pedra da razão de que tanto falamos, para que o nosso Templo se vá aprimorando.

O combate contra as trevas tem de ser global e constante. É um facto. E quem reúne as melhores condições para o travar somos nós, maçons, homens livres e de bons costumes, tolerantes e fraternos, solidários e transportadores dessa luz que alimentamos diariamente com as nossas acções.

Pensemos, cada um de nós, na última vez que entrelaçámos as mãos numa cadeia de união, e recordemos essa energia que circulou, unindo-nos num mesmo propósito. Quão forte ela é! trazendo consigo mais claridade para o nosso caminho, abrindo espaço para a concórdia, a harmonia e a paz.

Estou bem consciente de que o Templo, que erguemos, à medida que se nos afigura ir-se aproximando da sua conclusão, parece aumentar a sua complexidade e com ela a distância à obra acabada. Mas não podemos desistir, iludindo-nos com essa aparência. Ela é falsa.

Olhem em vossa volta. Irmãos de múltiplos países, oriundos de tão diversos continentes, provenientes de tão diferentes origens, experiências e profissões, aqui estamos unidos por um mesmo propósito: A exaltação da vida e a elevação da pessoa humana, ao serviço do Grande Arquitecto do Universo; É um propósito movido por uma força imensa capaz de vencer o desânimo e o desespero, reconquistando a esperança e até mesmo, porque não dizê-lo? a Alegria.

Mas, para evoluirmos é preciso porfiar, prosseguir e com isso manter acesa essa esperança em um mundo melhor. É isso que se pede a um maçon. Estamos, pois, preparados para persistir e empenhadamente avançar, garantindo as premissas de sempre da liberdade, da democracia, do Estado de Direito, e claro, da independência e da inviolabilidade das fronteiras dos países, sob alçada da Carta das Nações Unidas.

E tudo o que for contrário a estas disposições, só merecerá dos maçons a sua oposição e condenação imediatas.

Tenho também obrigatoriamente de regressar a um tema que nos é querido, e para o qual tenho solicitado o vosso empenho.

Foi aliás, no Equinócio de 2020 que chamei pela primeira vez a vossa atenção para o grande desafio dos próximos anos: as alterações climáticas. E aproveito agora a presença dos nossos irmãos e convidados internacionais para reforçar e actualizar essa mensagem.

Muitos e profundos problemas assolam o nosso planeta. Mas ele só continuará a existir se soubermos preservar todos os seres vivos que nele coexistem, e que compõem o mosaico da biodiversidade equilíbrio do meio ambiente.

É um desafio cuja dimensão nos deve impelir a unirmo-nos contra o que desregula a natureza e prejudica a sobrevivência humana e todo o ecossistema planetário, na sua incontável biodiversidade.

É preciso tudo fazer para exigir aos governantes das nações que se responsabilizarem pelo presente e o futuro da casa comum em que habitamos, pois nada nos falta tecnologicamente para produzir e manter um saudável e sustentável mundo, que garanta uma sobrevivência feliz aos vindouros. Essa é a nossa obrigação.

É preciso manter o discernimento nestes tempos difíceis, mesmo – e sobretudo – quando muito pouco parece estar ao nosso alcance para resolver.

Em conclusão, este é o nosso papel; usar tudo que estiver ao nosso dispor e, se possível, inventar o que não está disponível, porquanto o coração humano e a sua bondade, assentes no amparo do GADU, sempre se iluminam como o carvão que se faz brasa.

O nosso trabalho é estarmos prontos para partir para onde é necessário, e esse destino será sempre onde o nosso irmão nos levar, seja ele quem for, por precisar de nós.

A nossa razão de ser é podermos agir contra todas as barbáries, minimizando-as ou fazendo-as cessar, condenando-as, criticando-as, atalhando-as e denunciando-as. É urgente não nos calarmos perante tudo aquilo que afectar qualquer dos valores onde assentam os Landmarks da nossa Augusta Ordem.

Anotem bem, como alguém ilustre já disse: “se os bons nada fizerem, os maus avançam e fazem proliferar a maldade”. E isso não podemos permitir.

Este mandato, como referi no seu início, tem inscrito num dos seus pilares a palavra “Credibilidade”. É dessa credibilidade que resultará uma maior confiança na actividade da nossa Augusta Ordem. Seja por parte dos responsáveis políticos, seja dos cidadãos em geral.

Quero agradecer a todos pelo trabalho realizado, pelo vosso empenho, pela vossa energia, dedicação, paciência e mesmo resiliência de tantos, que seria impossível e descabido, mencionar-vos um a um. Somos uma egrégora composta por milhares, dedicados a um caminho comum.

Só nós somos representantes da regularidade maçónica em Portugal. Só nós temos a responsabilidade, mas, também, a possibilidade de mostrarmos o que isso significa.

Ser maçom é, de cabeça erguida, dizer quem somos, de onde viemos e para onde vamos. As nossas provas diárias de solidariedade, fraternidade e o nosso trabalho em prol de mais Luz, de Paz e de uma mais sustentável consciência ambiental e planetária, falarão por nós cada vez mais.

Que a luz forte do GADU a todos ilumine e ajude.

Armindo Azevedo, Grão Mestre
Lisboa, 17 de Setembro de 6022

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