Meus Queridos Irmãos,
É com verdadeira alegria que vos saúdo a todos para mais esta celebração do Solstício de Verão ocorrido a 21 de Junho, mas que por oportunidade de calendário apenas hoje festejamos nesta Grande Assembleia.
Assim sendo, e com a iluminação solar em crescendo, é com jubilo que nos encontramos aqui, na bonita e aprazível capital da Madeira. Esta escolha para nos reunirmos no Funchal, para além de justificada e sensata, era há muito desejada. E assim se vê agora concretizada a vontade manifestada por muitos Irmãos. A GLLP / GLRP está, pois, de parabéns por esta sua organização.
Como habitualmente, servem estas nossas Grandes Assembleias para uma reflexão alargada sobre o que nos rodeia, bem como sobre o que nos integra. Considerando o papel da Maçonaria Regular no mundo profano, para o qual é cada vez mais solicitada como entidade actuante e com um impacto positivo na sociedade portuguesa. E nunca esquecendo o pensamento e o escrutínio sobre o trabalho de cada maçon, dentro e fora de nós mesmos.
Reflectimos, assim, sobre o mundo, o país, a Maçonaria, o Maçon. Aproveitando a oportunidade para estarmos aqui, todos nós, procurando iluminar – através da partilha das nossas sabedorias e vivências – este caminho comum que percorremos, e a que chamamos vida.
E o que de novo e de bom podemos dizer agora, acerca do nosso mundo, neste período tão conturbado em que temos vivido?
De novo, muito pouco, porquanto quase todas as preocupações, senão todas, as que temos elencado ao longo destes terríveis anos, se mantêm de pé, apesar dos esforços que países, entidades, organizações e figuras renomadas, fizeram e ainda procuram fazer, em prol da paz, das boas relações entre países, do desenvolvimento económico, do respeito pela legalidade e do direito internacional e da defesa intransigente da pessoa humana.
Não tenhamos receio em o dizer: estamos a viver no mundo uma escura e longa noite de efectivo mal, onde coabitam as guerras militares, as guerras económicas, as guerras electrónicas e as guerras híbridas.
Paralelamente, existem milhões de refugiados – de guerra, de pobreza, de calamidades naturais e da crise climática, criando famintos e desalojados.
Por isso, é necessário ser corajoso e lucido, para identificar as causas, os prevaricadores e fautores desses males. Identificar, apontando o dedo de imediato, sem desvios ou hesitações.
Queria, contudo, dizer-vos que se de novo pouco há, de bom, apesar de pouco, sempre vai havendo, porque a réstia de esperança nunca abandona o ser humano. Ter esperança é alcançar o mundo, uma vez que sem ela a derrota é antecipada.
Ter esperança é, de alguma forma, não abdicar de atingir objectivos maiores. E isso é fundamental, porquanto esperar obriga a imaginar, a traçar planos, a agir em antecipação. Tal como o arquitecto idealiza a obra para depois a construir, também a esperança nos propõe a antevisão do que pretendemos e o Maçon nunca perde a esperança, pois sem ela nada lhe é possível atingir.
No entanto, a esperança sem fé também de nada vale. E é por isso que nos socorremos do GADU acreditando sempre na sua protecção e auxílio. Essa fé é comprovada todos os dias pela acção de muitas entidades e cidadãos que não abdicam de entregar o seu esforço, energia e recursos em prol de um planeta e uma sociedade melhores, indo ao encontro de quem mais precisa e estando ao lado de quem é vítima da guerra, da doença e da pobreza, entre outros flagelos.
Com ênfase, podemos afirmar sem qualquer dúvida que a nossa Grande Loja é uma dessas entidades. A Maçonaria Regular tem assumido posturas e atingido objectivos que fazem engrandecer a Maçonaria universal e, ao mesmo tempo, aumentar a nossa credibilidade. É certo que continuam a existir, e sempre existirão, detractores que continuam a tentar inflamar a opinião pública insistindo em velhas mentiras e falsas acusações. Mas, a esses detractores, a nossa Grande Loja contrapõe o crescimento sustentado que prosseguimos, alargando de forma continuada a adesão de bons irmãos, homens que após escrutínio sabemos estarem sinceramente empenhados em trabalharem a pedra bruta e irem subindo a escada de Jacob, símbolo do caminho para a perfeição e cujo primeiro degrau é o início da ascensão de cada um, no sentido do aperfeiçoamento e da elevação espiritual e moral.
A Maçonaria Regular celebrou no passado dia 29 de Junho o seu 32° aniversario, numa altura de redefinição e de credibilização, pautadas por uma maior abertura à sociedade civil, sem com isso abdicar das suas características como Ordem Iniciática e da sua tradição Espiritual e Filosófica.
E por isso, devemos homenagear todos aqueles que contribuíram para a regularidade em Portugal, que estiveram na sua génese e que nunca esmoreceram e nos acompanham até hoje. Embora os combates nunca terminem em absoluto, bem sabemos que foi pelo labor dos nossos predecessores que fomos saindo das trevas, e que trilhamos este nosso caminho da regularidade, em busca da luz.
A GLLP / GLRP tem hoje 146 Lojas no activo que albergam mais de 3.500 obreiros, fruto da dinâmica das nossas Lojas e do seu profícuo trabalho maçónico. Que orgulho, meus queridos irmãos!
A nossa Grande Loja, representante única da Maçonaria Regular em Portugal, deve, pois, prosseguir o seu crescimento sustentado, tentando garantir a adesão de bons irmãos para uma melhor intervenção no mundo profano, e por isso é mister manter um escrutínio saudável, rigoroso e verdadeiro neste crescimento.
E dessas Lojas, após cada sessão, saem cada vez melhores pessoas de regresso ao mundo profano, tão necessitado da nossa intervenção. Porquanto bem vemos como muitas estruturas e organizações fundamentais, tutelares dos Estados em todo o mundo, se fragilizam e acabam por não poder agir em conformidade, prejudicando as soluções adequadas. Cada vez mais, o mundo precisa da Maçonaria e dos maçons. E, nesse sentido, é com grande satisfação que se comprova estarmos a responder de forma crescente a esse mesmo desafio.
A GLLP / GLRP está bem e recomenda-se. Cresceu, está robusta, vive em harmonia, respira tranquilidade e, o mais importante, é ouvida e respeitada onde nem sempre foi assim. Isto é: somos credíveis e os fóruns decisores e influenciadores ouvem-nos. Inclusive, buscam apurar o que nós pensamos acerca dos mais variados e candentes assuntos que impendem sobre o país.
Tal como cá, no estrangeiro somos vistos pelos nossos pares internacionais com os mesmos predicados acima citados. E mais ainda: Elegem-nos e em nós votam para a assunção de cargos e de lideranças prestigiantes. Em suma; conhecem-nos bem, apoiam-nos e procuram igualmente o nosso apoio.
Mais uma vez, destaco também neste âmbito o avanço dado e o trabalho que prossegue em torno da Confederação Maçónica de Língua Portuguesa (CMLP), à qual já chamara “a CPLP da Maçonaria Regular” e que reúne Portugal, Moçambique e Brasil, e que brevemente irá juntar Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.
Este reconhecimento internacional da Grande Loja só foi alcançado e tem sido possível devido a um esforço porfiado e a uma motivação constante no sentido de agirmos nos parâmetros dos nossos “Landmarks”, fazendo uso da sabedoria ancestral maçónica e de um comportamento claro sobre os eternos valores que nos sustentam.
Aqui chegados, urge manter este caminho, sem pressas ou precipitações, pois um dia basta, uma acção apenas chega, para estragar tudo e colocar em causa tantas conquistas alcançadas.
E digo isto porque se vivemos em harmonia, em paz e em fraternidade assumidas, não podemos agir sem sensatez e sem cuidado. É que esta tranquilidade pode desabar se, a destempo, nos pusermos a pretender abreviar os períodos em que as ocorrências regulamentares devem suceder. Tal abreviação será sempre prejudicial porque transportará inevitavelmente desunião e provocará afectações pessoais que levam a divisões desnecessárias entre os Irmãos.
Bem sei que tudo deve acontecer no tempo certo e bom será que assim seja. E também sei que tudo terá de se passar dentro das regras preconizadas e em desfecho de pelejas cordiais e a bem da nossa Augusta Ordem e da Maçonaria Universal. Somos apenas um, estamos unidos e assim continuaremos.
Todavia, neste pressuposto, urge que todos sigam os passos correctos e harmoniosos para que de qualquer disputa, no tempo certo e adequado, surja um resultado em irmandade que se traduza em reforço da unidade e do nosso engrandecimento.
Precisamos agora de ser o que sempre formos e mostrar ao mundo profano a diferença que representamos. Para isso é essencial trabalharmos de acordo com os nossos princípios e valores e constituirmos sempre uma entidade aprazível e à qual vale a pena pertencer.
São estes mesmos princípios que transmitimos para o exterior, quer através de artigos de opinião regulares que demonstram os nossos efectivos valores, quer da continuidade da nossa revista ‘Grande Loja’ disponível a todos os leitores e que, de forma aprazível, oferece conteúdos e informação abrangentes a quem – mesmo não sendo Maçon – tem curiosidade sobre o universo que rodeia a nossa Augusta Ordem.
Somos uma Fraternidade, independentemente de outras definições e atributos. Mas, para nos sentirmos Irmãos, urge associarmo-nos em Templos que resplandeçam a luz divina que recebemos, fazendo a partir do presente sentido especulativo que nos anima, obra, trabalhando como obreiros reflectores que vão clareando as trevas que abundam no nosso planeta.
É fundamental que continuemos, assim, a demonstrar aquilo que dizemos com aquilo que fazemos. As nossas palavras em defesa do Bem, da Luz e da Harmonia devem estar sempre a par das nossas acções. Como maçons, valorizamos e conhecemos o poder das palavras. Somos o que dizemos tanto como somos o que fazemos. Em prol de nós mesmos e dos outros, saibamos fazer Maçonaria dentro e fora das Lojas, porque é certamente essa a vontade do GADU.
Compete aos maçons contribuir persistentemente para o progresso da humanidade. E essa missão apenas pode ser cumprida criando paz, harmonia e entendimento. Sempre apoiados em valores humanistas defendendo a democracia, o Estado de Direito, as liberdades cívicas e os Direitos Humanos.
Como reiteradamente tenho referido o futuro não depende de uma pessoa só. Depende de todos, do nosso empenho pessoal, da nossa procura de conhecimento individual, e do exemplo que todos os maçons têm o dever de transportar para o dia a dia, para melhoria da sociedade em que vivemos.
Temos de assumir a ética, a verdade, a tolerância e a solidariedade como as nossas principais bandeiras.
As dimensões iniciáticas e fraternas da nossa Ordem ajudam-nos a encontrar um sentido para a vida.
Um abraço fraterno a cada um de vós e que esse mesmo GADU vos acompanhe e às vossas famílias, nos trabalhos e nas vossas vidas.
Funchal, 1 de Julho de 6023
Armindo Azevedo
Grão-Mestre da Grande loja Legal de Portugal / GLRP

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Olá boa noite Estimado Grão-Mestre Armindo Azevedo.
Saudações Fraternais.
Pode meio deste venho Parabenizar pelo vosso excelente Artigo.
Tendo observado as vossas preciosas palavras que sempre duvida alguma traduz sabedoria e a elevação espiritual.
Que o Grande Arquiteto do Universo continue a vos iluminar em vossa Missão de instruir no Caminho do Justo e Perfeito.
TFA.’.
Raquel Tushiyyah.