Comunicação do Grão-Mestre Paulo Rola aos Irmãos por ocasião da sua Instalação

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Paulo Rola – Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal / GLRP, instalação
Paulo Rola – Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal / GLRP

Comunicação do Grão-Mestre Paulo Rola aos Irmãos por ocasião do Equinócio de Outono e da sua Instalação

Meus Queridos e Amados Irmãos,

Neste momento solene, em que me encontro junto de vós, quero deixar o meu profundo agradecimento, por poder contar com a vossa presença nesta Assembleia de Grande Loja, em que, por força da vossa vontade, me foi confiada a função de Grão-Mestre!

Estou convicto da responsabilidade que hoje assumi, bem como do compromisso que assumo, em nome da nossa Grande Loja!

É por demais evidente que este é um dia de festa para a Maçonaria Regular.

É, com o sentimento de profundo orgulho, que me vi investido nas funções de Grão-Mestre numa sessão de Grande Loja, à qual acorreram Irmãos de vários pontos do globo.

Sinto a simpatia e a estima que nutrem por mim, mas sei, igualmente, que a vossa presença, nesta sessão, honra sobretudo aquele que, ao longo de seis anos, sabiamente conduziu os destinos da nossa Grande Loja.

Este é o dia em que o Nosso Antigo Muito Respeitável Grão-Mestre Armindo Azevedo, à semelhança dos ilustres Antigos Grão-Mestres que o precederam, e com quem também tive a honra de trabalhar, passa ao seu sucessor a condução de uma Grande Loja, mais forte e mais pujante, do que aquela que lhe foi confiada.

Essa será a minha missão! A missão do Venerável Mestre, ou seja, entregar ao seu sucessor a condução de uma Loja melhor do que aquela que encontrou. Para tal, conto com a inestimável ajuda de todos, em particular, com a SABEDORIA dos Antigos Grão-Mestres, para me guiarem nesta caminhada que hoje, juntos, iniciamos!

De igual forma, conto com a vossa FORÇA, para trabalhar com afinco, na consolidação e engrandecimento da Maçonaria Regular, em Portugal, e no mundo.

Sim, neste mundo cada vez mais beligerante e convulso, nós, os Maçons, enquanto fiéis depositários da Luz universalista, teremos de estar à altura da nossa responsabilidade, devolvendo a Esperança a este mundo que sofre.

Será com a BELEZA das nossas ações, redobrando esforços e trabalhando, em cada um de nós, o devido aperfeiçoamento individual, e legaremos, às gerações vindouras um mundo melhor do que aquele que encontrámos!

Este deverá ser o propósito do Maçon, seja ele Grão-Mestre, Venerável Mestre ou Aprendiz!

Todos nós contamos, e eu conto, com todos, e cada um de Vós!

Nesta minha primeira intervenção em Grande Loja, investido como Grão-Mestre, trago-vos uma mensagem simples, mas carregada de um profundo sentimento.

A União fraternal!

A União Fraternal, ou se quiserem o amor fraternal, tantas vezes materializada na nossa expressão: Meu Querido e amado Irmão, não pode ser apenas uma mera forma de cumprimento.

A nós – Maçons – cumpre-nos o dever de, entre nós, cultivarmos o Amor Fraternal, que é, na definição de James Anderson: “a fundação, a pedra angular, o cimento e a glória desta Antiga Fraternidade”.

Tudo o resto deverá vir por acréscimo; teremos tempo de estudar e progredir nos nossos mistérios, conscientes de que o ato de receber um novo Irmão em Loja é uma responsabilidade e um desafio para quem o recebe. É imperativo de todos, não poupar esforços na ajuda aos nossos Aprendizes, no estudo, na análise e na aplicação destes valores.

Só devem ser admitidos nas nossas Lojas, aqueles que demonstrarem o seu compromisso, em aceitar – de espírito aberto – a União Fraternal. De outro modo, a sua iniciação, no máximo, terá pouca ou nenhuma relevância, pois não trará proveito, nem à Ordem, nem ao Iniciado.

Não quero com isto dizer que devemos refrear o aumento de número de obreiros, Não! Antes pelo contrário, para cumprirmos a nossa missão devemos ser cada vez mais. O que vos alerto é para um redobrado cuidado nas admissões.

E neste ponto, não poderei deixar de exortar as Lojas a recrutar entre os mais jovens, independentemente, da geração, meio social, cultural ou económico, o que importa é o seu compromisso em fazer parte, sem reserva, à nossa Cadeia de União, reforçando-a.

Os valores aqui descritos, que nos dias de hoje, ainda nos ocupam e desafiam a uma reflexão profunda, são um dos pilares do desenvolvimento humano e, como tal, revestem-se de uma importância enorme entre nós.

Na busca incessante pela perfeição, nós, os Maçons, somos convocados a trilhar um caminho em conjunto, através da aprendizagem e da partilha de ideias, bebendo o conhecimento dos Mestres mais sábios, interessados e conscientes.

A União Fraternal é a argamassa que nos une, agrega e nos torna mais fortes, de modo que esta Cadeia de União, que todos nós integramos, jamais se quebre.

Não pode ser uma expressão vã, vertida, vezes sem conta, nas nossas pranchas e ignorada no nosso dia a dia.

Não! A União Fraternal é o que, desde logo, nos distingue das sociedades profanas que vivem embrenhadas no seu individualismo vazio, fútil e pernicioso.

Em termos simbólicos, todos nós assumimos o compromisso de aprimorar, diariamente, um pouco mais a nossa pedra. Mas só com o nosso empenho, esforço e dedicação, usando as ferramentas que a Maçonaria nos oferece, poderemos almejar concluir a realização da obra, com o objetivo de, em conjunto, contruirmos algo transcendente.

Em termos práticos, é o ato do cuidado e da atenção que dispensamos aos nossos Irmãos. Sem dúvida, àqueles que vemos nas sessões de Loja, mas sobretudo àqueles que não vemos de forma tão recorrente, com especial atenção aos que enfrentam dificuldades, estão debilitados e aos idosos.

Sem esquecer as famílias daqueles que já partiram para o Oriente Eterno, ou as famílias de todos aqueles que, independentemente do motivo, estão vulneráveis, sós e sofrem em silêncio…

O cuidado de um telefonema, a perguntar se está tudo bem, a atenção demonstrada ao dizer “sinto a tua falta” ou “estou aqui para o que precisares”, são gestos que podem fazer a diferença na vida de alguém.

Mais do que os nossos juramentos, deverá ser a nossa vontade, o nosso desejo em colocar em prática a União Fraternal nas nossas sessões, bem como no nosso dia a dia, transportando esta centelha, em cada coração.

Prática realizada por várias dezenas de Irmãos, e que nos últimos dias, o fizeram, no desempenho de diversas funções, nomeadamente na proteção civil, nas corporações de bombeiros, nas autarquias locais ou nos meios de emergência médica.

A todos vós por terem dado o melhor de vós, no combate ao flagelo dos incêndios, e a cuidar de quem mais precisa – o meu muito obrigado!

Vocês foram, e são, a prova de que, em União Fraternal, podemos ser os portadores da verdadeira Luz, oferecida a este Mundo repleto de escuridão.

Desengane-se quem acha que a Maçonaria é um anacronismo, vivendo de figuras do passado. Nunca a ação firme, respeitada e vigorosa da Maçonaria foi tão necessária.

Cultivemos os nossos valores e saibamos passá-los à sociedade, porque se o fizermos já não é coisa pouca!

A União é a chave para o nosso sucesso coletivo. Vamos trabalhar juntos, apoiar-nos uns aos outros, e construir um futuro brilhante para a nossa irmandade.

Meus Queridos Irmãos, assim termino esta minha primeira intervenção na qualidade de Grão-Mestre.

Podem e devem contar comigo, porque eu conto convosco, com TODOS!

Paulo Rola
Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal / GLRP

Lisboa, 21 de Setembro de 2024

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