Conde de Grasse-Tilly: um dos fundadores do REAA e um Maçom extraordinário

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Alexandre François Auguste, Conde de Grasse-Tilly
Alexandre François Auguste, Conde de Grasse-Tilly

Alexandre François Auguste, conde de Grasse, marquês de Tilly, filho do heróico almirante François Joseph Paul, nasceu em Versailles a 14 de Fevereiro de 1765. Com 17 anos de idade, foi iniciado na Maçonaria na Loja S. Lázaro, mais tarde chamada “do Contrato Social”, figurando no seu quadro até 1787. Capitão do regimento de infantaria do rei, desembarca, no final de 1789, na ilha de S. Domingo afim de tomar conta do legado de seu falecido pai, uma importante plantação.

Três anos depois desposa Anne Sophie Delahogue, filha de um notário, mestre Maçom da Loja “A Verdade” a oriente do Cabo Francês.

No ano seguinte, em Julho de 1793, uma revolta de escravos e a pilhagem dos seus bens, levam-no a refugiar-se em Charleston, Carolina do Sul. Aí fez parte dos fundadores da Loja “A Candura” (Julho de 1796), cujo quadro era formado por católicos, integrada dois nos mais tarde na Grande Loja dos Maçom Francos e Aceites da Carolina do Sul. Torna-se venerável, “Grande Comendador do Templo” e “Príncipe Maçon”.

No ano seguinte, em Agosto, demite-se da Loja ”A Candura” e integra a obediência rival, a Grande Loja dos Antigos Maçons de York, fundando em Agosto de 1800, a Loja “A Reunião Francesa”. Esta mudança de obediência está relacionada com a criação do Supremo Conselho de Charleston em 1801, do qual faz parte.

Naturalizado cidadão americano desde 1799, e sem recursos, Grasse-Tilly retoma o serviço no exército francês em S. Domingo, permanecendo nessa ilha, em Cabo Francês, até Novembro de 1803, altura da rendição do Forte Picolet que controlava.

Consta que já em 1802 integrava o Supremo Conselho das Ilhas Francesas da América.

Feito prisioneiro pelos britânicos, é libertado como cidadão americano no início de 1804. Volta a Charleston e regressa a França em Junho desse ano. Eleito venerável da Loja parisiense “S. Napoleão”, consagra em 22 de Setembro de 1804 o Supremo Conselho de França, o primeiro da Europa.

Um mês depois funda a Grande Loja Geral Escocesa, sendo o grão-mestrado ad vitam entregue ao príncipe Louis Bonaparte. A partir de Novembro a nova obediência edita constituições e faz oposição ao Grande Oriente de França.

Em Junho de 1806 deixa o cargo de Soberano Grande Comendador para Cambacérès.

Entre 1804 e 1805, como ajudante de campo do vice-rei de Itália, estabelece em Milão o Supremo Conselho de Itália, sendo seu Soberano Grande Comendador durante 3 anos.

Sob a égide do seu sogro, Jean Baptiste Delahogue, é reconstituído durante o Verão de 1809, o Supremo Conselho de Charleston.

Como ajudante de campo do marechal Kellermann em Espanha, estabelece em Julho de 1811 o Supremo Conselho das Espanhas e das Índias, sendo Soberano Grande Comendador até ao ano seguinte, altura em que é, novamente, preso pelos ingleses.

A queda do império leva à suspensão dos trabalhos do Supremo Conselho de França. Esta situação é aproveitada pelo Grande Oriente de França para se tentar apropriar da totalidade do Escocismo.

Este integra no seu seio a maioria dos membros do adormecido Supremo Conselho e tenta centralizar todos os ritos, chegando a formar um Grande Consistório dos Ritos.

Libertado após o primeiro Tratado de Paris e desiludido, Grasse-Tilly tenta em vão resolver a questão junto do ministro da guerra.

Utilizando o facto de ainda ser Grande Comendador do Supremo Conselho das Ilhas Francesas da América, declara estar esta obediência apta a gerir os altos graus escoceses em França e constitui em Novembro de 1814 um Grande Oriente Escocês para administrar lojas e ateliers superiores.

São criados rapidamente dois supremos conselhos rivais em França. O Supremo Con­selho de “Pompei”, fiel a Grasse-Tilly e o Supremo Conselho de “Prado”.

Em Setembro de 1818 o Supremo Conselho de Pompei suprime os títulos ad vitam, destituindo Grasse-Tilly do seu lugar de Soberano Grande Comendador, sendo substituído pelo Conde de Decazes.

Após peripécias várias dá-se, em 1821, a reconciliação de ambos os Supremos Conselhos, recriando-se o Supremo Conselho de França.

É fundada uma Grande Comendadoria para gerir as lojas azuis, que se tornará em Junho de 1822 na Grande Loja Central. Para presidir a esta obediência, Decazes é substituído por Cyrus de Valência e Grasse-Tilly já não faz parte do Supremo Conselho.

Grasse-Tilly reforma-se civil e maçonicamente, escreve um livro sobre o seu pai e falece a 10 de Junho de 1845 no Hotel des Invalides em Paris. A sua figura deixará uma marca indelével na introdução do Rito Escocês Antigo e Aceite em França e na Europa. A ele a “família escocesa” muito ficará a dever.

A. do Vale

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1 thought on “Conde de Grasse-Tilly: um dos fundadores do REAA e um Maçom extraordinário”

  1. Marcos Ferreira Fernandes

    Grandes Homens fizeram com que a Maçonaria chegasse até nós nos dias de hoje. Sempre serão lembrados por seus esforços e trabalho em prol da Luz Maior!

    Paz Profunda a Todos

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