Nos meandros opressivos da política cubana, um novo episódio de repressão perturba os ânimos, colocando em evidência as tensões entre o regime e uma das poucas instituições independentes do país: a Maçonaria. Em 2 de Agosto de 2025, José Ramón Viñas Alonso, líder respeitado dessa comunidade, foi interrogado pela Segurança do Estado, acusado de um suposto delito económico relacionado a transacções financeiras internas.
Por trás deste caso, delineia-se uma estratégia mais ampla que visa silenciar as vozes críticas, e esta história, marcada pela coragem e resiliência, merece que lhe dediquemos atenção com coração e vigilância.
Um líder maçónico sob pressão
José Ramón Viñas Alonso, figura emblemática da Maçonaria cubana, viu-se no centro de uma tempestade orquestrada pelas autoridades. Convocado pela Segurança do Estado, foi submetido a um interrogatório agressivo, sob o pretexto de um suposto tráfico de divisas. A acusação baseia-se numa decisão unânime tomada pelo Patronato maçónico: duas transferências de 100 dólares entre irmãos, realizadas este ano, para cobrir despesas urgentes em pesos cubanos para a manutenção de um asilo. O problema? Essas transacções foram realizadas a uma taxa não oficial de 370 pesos por dólar, longe da taxa estatal fixada em 120 pesos, o que o regime qualifica como crime punível com dois a cinco anos de prisão.
Com notável dignidade, Viñas denunciou essa acusação como um pretexto falacioso.
“Não temos nenhuma preocupação, porque, como cidadãos, nem sequer temos uma multa de estacionamento”,
afirmou com uma pitada de ironia, salientando o absurdo da situação. Ele também revelou que lhe foram impostas medidas restritivas: uma limitação de movimento entre a sua residência e o seu trabalho, bem como uma regulamentação migratória que impede qualquer possibilidade de sair da ilha. Estas sanções, embora severas, não parecem abalar a sua determinação.
Um pretexto económico que esconde uma repressão política
Por trás deste caso financeiro, esconde-se uma intenção mais sombria. Viñas, consciente dos desafios, deu a entender que as verdadeiras motivações do regime vão muito além da questão monetária. “Sabemos o que se trama com tudo isto”, escreveu ele, dirigindo-se aos seus irmãos com uma fé inabalável na sua inocência. Esta perseguição insere-se numa campanha mais ampla contra a Maçonaria cubana, vista como uma das últimas estruturas autónomas capazes de desafiar a hegemonia do poder em vigor.
A Maçonaria, com os seus ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, tem sido frequentemente um refúgio para os espíritos críticos em Cuba. O regime, sensível a qualquer forma de oposição, parece usar estas acusações económicas como uma alavanca para desacreditar e controlar os seus líderes. A escolha de Viñas, conhecido pelo seu empenho e integridade, torna-o um alvo simbólico, um sinal enviado a todos aqueles que ousam pensar de forma diferente.
Uma resistência silenciosa, mas firme
Apesar das pressões, José Ramón Viñas Alonso encarna uma resistência silenciosa, mas firme. As suas palavras, marcadas pela serenidade e pelo desafio, ressoam como um apelo à solidariedade maçónica.
“Será o que tiver de ser, mas deixo um registo da nossa inocência perante os meus irmãos”,
afirmou, transformando esta provação num acto de testemunho. Esta atitude reflecte o espírito iniciático que anima a Maçonaria: perante a adversidade, a elevação da alma prevalece sobre a submissão.
As medidas impostas – restrição de movimentos e controlo migratório – visam isolar Viñas, mas podem, paradoxalmente, reforçar a coesão da sua comunidade. Os irmãos e irmãs cubanos, habituados a navegar num clima de vigilância, podem transformar esta injustiça num motor de mobilização, lembrando que a luz do conhecimento e da fraternidade não se apaga sob pressão.
Um olhar para o futuro
Este caso levanta questões perturbadoras sobre o futuro da Maçonaria em Cuba. Se o regime continuar com a sua estratégia de repressão sob pretextos económicos, outros líderes poderão ser alvo, enfraquecendo uma instituição já sob pressão. No entanto, a história ensina-nos que as ideias, como as defendidas por Viñas, resistem às tempestades. A solidariedade internacional das obediências maçónicas poderá desempenhar um papel fundamental, oferecendo apoio moral e, talvez, diplomático.
Enquanto o amanhecer surge sobre uma ilha marcada por silêncios impostos, o interrogatório de José Ramón Viñas Alonso torna-se um símbolo. Símbolo de uma luta pela liberdade de expressão, de uma fraternidade ameaçada, mas viva, e de uma esperança de que, mesmo na escuridão, a luz iniciática continue a brilhar.
Pierre d’Allergida
Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:- R∴ L∴ Mestre Affonso Domingues, nº 5 (GLLP / GLRP)
- Ex Libris Lodge, nº 3765 (UGLE)
- Lodge of Discoveries, nº 9409 (UGLE)
Fonte
Fonte original

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