
Actividade Maçónica
A pontual e fiel assistência aos trabalhos simbólicos que se realizam na Instituição, constitui a primeira e fundamental actividade maçónica. Não pode, pois, considerar-se maçonicamente desperto ou activo quem limite a sua actividade maçónica ao envio regular da contribuição que a Loja a que pertença haja fixado para os seus membros, evadindo o primeiro e mais essencial dever da sua presença nas conquistas da Oficina da que se fez membro.
Em nenhum lugar, e especialmente na nossa Ordem e na condição de Maçom, como o indica este mesmo nome, pode só receber senão na medida em que dá. Primeiro precisa dar, depois pode só esperar da Lei o prémio ou salário correspondente, a condição de que não se preocupe demasiado do que pode ou deve receber, dado que, de outra maneira, pudera defraudar-se a si mesmo da compensação merecida.
Todo Maçom deve, pois, preocupar-se unicamente do que pode e deve dar, e pelo que se refere ao seu salário ou resultado dos seus esforços, seja pessoalmente ou como obra realizada, deve deixá-lo por inteiro a Lei de Compensação.
O Companheiro deve especialmente ocupar-se em cumprir o seu dever de dar a Instituição o tributo da sua actividade e dos seus talentos individuais, pois nisto especialmente consiste o seu trabalho de ajudar aos Mestres: o Caminho que conduz ao Magistério é precisamente o desenvolvimento da qualidade e capacidade de dar os melhores esforços e a constante colaboração de uma boa vontade, para fazer uma eficiente obra construtora.
Quanto mais se desenvolve na capacidade de dar, tanto mais se acerca o Companheiro à qualidade de Mestre, em que se realiza a plenitude maçónica, exaltando-se no Magistério as capacidades activas e os talentos operativos que no segundo grau simbólico devem de ser reconhecidos e expressados. Pelo contrário, quem na Maçonaria se esforça unicamente em sacar algum benefício, seja de ordem moral, intelectual ou material, cairá para sempre em estado de Aprendiz e, ademais, dificilmente conseguirá efectivamente o que busca, especialmente se trata de vantagens e proveito pessoais. Aqui, como em todos os campos, antes de poder receber algo precisa ter aprendido a dar o melhor possível e o mais desinteressado que se possa.
Se toda a actividade de um Maçom deve realizar-se à Glória do Grande Arquitecto, com maior razão há de ser a nossa actividade dentro da Instituição, na qual devemos estar constantemente animados e inflamados pelos ideais elevados e as sublimes finalidades da Ordem, fazendo-nos dignos públicos, obreiros e militares fiéis na sua pacífica e construtora batalha no Progresso da Liberdade e do Bem da humanidade.
Os trabalhos maçónicos devem ter por fim essencial ascender esta chama de entusiasmo benéfico e construtor, que caracteriza ao verdadeiro Maçom, por meio do conhecimento dos Ideais e finalidades da Instituição. Por isto é necessário que os trabalhos se façam com fidelidade e fervor verdadeiramente religiosos.
Em que a Maçonaria não seja uma religião, quanto menos no sentido ordinário da palavra, não deve por isto praticar-se menos religiosamente. O Maçom deve compenetrar-se do carácter realmente sagrado da Ordem, e a primeira condição para que isto possa realizar-se será uma constante observância religiosa do dever de pontual e assídua assistência as conquistas.
A eficiência da actividade maçónica achar-se-á constantemente diminuída toda vez que os seus membros faltem à pontual assistência, não estando presentes à hora em que se fixou abrir os trabalhos; ademais, todos os membros de uma Oficina deveriam estar presentes desde a abertura até o término dos mesmos, permitindo-se unicamente aos visitantes ingressar a Loja depois que os trabalhos se acham abertos, o mesmo que cobrir o Templo (se o desejam), antes do término ritual.
Em toda actividade colectiva é, pois, necessária, uma disciplina a que todos os que participam da mesma devem submeter-se, senão se quer que sejam estéreis os esforços e pobres os resultados. Esta disciplina é a que representa simbolicamente a régua, segundo a qual deve guiar-se e proceder cada Maçom, e que aqui consiste em que todos estejam presentes precisamente à hora indicada, cumprindo ademais cada qual fielmente com o seu particular dever, tarefa ou missão. Assim os companheiros que compõe uma Loja serão realmente tais na obra comum de fazer sempre mais efectiva e fecunda a actividade da mesma e da Ordem.
Cooperação
Elemento inseparável de toda actividade maçónica é, ademais, o espírito de cooperação, que sobre tudo deve caracterizar a qualidade de Companheiro. Em que faça também uma obra individual que a cada Maçom lhe incube levar a cabo, de acordo com a sua particular compreensão dos ideais e objectivos da Instituição, a Obra da Maçonaria é essencialmente colectiva, e precisamente faz possível e resulta realmente efectivamente por meio da individual e universal cooperação dos seus membros, unidos no seu coração pela fidelidade a esses ideais.
Cooperar é “obrar unicamente”, ou seja – trabalhar em unidade – de espírito, de intentos, de finalidades e de esforços. Isto não significa que deva de fazer uma absoluta uniformidade no ponto de vista e na visão individual das inteligências – ou seja, a unidade planeada e imposta de fora e caracterizada pela unilateralidade e o fanatismo – senão melhor aquela unidade que se realiza por meio da elevação dos pontos de vista individuais e limitados, e por a superação destas limitações.
A cooperação maçónica há de ser, sobre tudo, o resultado natural de tratar de elevar a nossa mira ideal para os planos perfeitos do Grande Arquitecto, cooperando à realização desses planos, segundo sejam individualmente compreendidos, precisamente como o mostra o signo do Companheiro. Melhor que imposta de fora, tem que ser, quanto menos até, que seja possível, espontaneamente aceitada, desejada e reconhecida de dentro, como aquilo que nos põe em harmonia com o Plano e nos depara o privilégio de cooperar para a sua realização.
Os pontos de vista são pois, mais divergentes enquanto sejam imperfeitos e afastados do que é espiritualmente verdadeiro e real; se acercam e se unificam quando este seja o objectivo essencial da busca e do esforço. Buscando o ideal e o real, encontramos a Unidade; buscando a perfeição do nosso próprio ideal encontraremos a unidade com o ideal também dos nossos companheiros e irmãos. Esta é a cooperação iluminada que se faz efectiva por meio da cooperação, e que se realiza por meio da fé, da Esperança e do Amor.
Encontramos um exemplo desta cooperação ideal na simbólica Construção do Templo na que se resumem e unificam todas as aspirações maçónicas. O Plano desta fábrica alegórica não pode ser-nos dado senão pela mesma Inteligência Criadora que planeou todo o universo no seu conjunto, e estabeleceu as leis que regem a existência, actividade e evolução de cada ser, de cada átomo e de cada coisa. Se nos pomos interiormente em harmonia com esta Inteligência (o nosso primeiro dever na iniciação como aprendizes) encontraremos também o nosso lugar neste Plano, e também adquiriremos o conhecimento daquela parte do mesmo Plano que particularmente nos concerne.
Identificando pelo momento a construção desse Templo com a actividade maçónica, sabemos que empenhamos com participar na mesma por meio do trabalho que logramos fazer sobre a nossa própria pedra individual, “desbastando-a e acertando-a a uma forma em relação com o seu destino”. Unicamente quantas pedras individuais hajam sido assim trabalhadas (ratificadas pelo que se refere aos seus ângulos e arestas, alisados com relação às suas faces), podem tomar um lugar estável e cumprir com a sua finalidade construtora no edifício ao que naturalmente pertencem, e com o qual assim se identificam. As pedras que tomam o seu lugar e mutuamente cooperam na estabilidade do edifício: eis aqui o verdadeiro sentido da cooperação maçónica.
Cada obreiro tem assinada uma tarefa particular que consiste, ao início, em “desbastar a pedra bruta, ajustando-a a uma forma em relação com o seu destino”. Se trata aqui de um trabalho individual, feito por cada qual segundo a sua visão particular e por meio dos seus próprios esforços, no que se tem que desenvolver, e manifestar livremente a sua genialidade artística.
Cada qual trabalha a sua pedra segundo o seu próprio Ideal e visão particular, que não é outra coisa que o modelo e as justas medidas que lhe foram assinadas pelo Arquitecto, que ele aceitou livremente por estar conforme com a sua especialidade ou faculdade de visão individual.
Todas as pedras lavradas se transportam assim da Construção, onde há Obreiros expertos e Mestres Construtores que conhecem perfeitamente o Plano do Arquitecto ou a parte do mesmo que particularmente lhes concerne e que se encontra em condição de pôr cada pedra no lugar previamente determinado. Assim o edifício se levanta com a cooperação de todos, e se acham as vezes expressos o Plano Geral do Arquitecto e a habilidade e genialidade individual de cada obreiro, igualmente factores necessários e indispensáveis da sua actual realização.
Obra individual e colectiva
Existe naturalmente uma íntima relação entre a obra individual e a colectiva, dado que a perfeição desta última apoia: primeiro, no maior grau de perfeição e eficiência que se alcance nos esforços individuais; e, segundo, na mais sábia, perfeita e eficiente coordenação de todos os esforços, utilizando da melhor maneira os talentos e as capacidades individuais.
O simbólico trabalho da pedra que a cada qual é atribuído – ou seja, o desempenho da tarefa a cada qual corresponde na obra colectiva, representada pelo Templo onde se eleva a Glória do Princípio da Vida e da mesma Inteligência Construtora -, será tanto melhor enquanto em cada esforço isolado haja uma clara e perfeita visão do conjunto da Obra, e a percepção da sua essencial Unidade. O sentido desta unidade é precisamente aquele que unicamente pode unificar os esforços que a Sabedoria impessoalmente planeia e dirige, e a Força executa, para a Beleza, Harmonia e Satisfação sejam manifestas na própria perfeição do resultado.
A percepção da Unidade da Obra é o que eleva e coordena as visões individuais, em cada uma das quais tem que reflectir-se, num dos seus infinitos aspectos, a própria visão da Inteligência Directora, Ideal ou Plano Divino que preside à obra. Unicamente assim, quando cada obreiro se esforça em “desbastar a sua pedra” de acordo com a sua mais elevada visão ideal e a sua percepção íntima da unidade desse Ideal que dirige e anima a todos os obreiros, será a Sabedoria a que orienta construtivamente a todos os obreiros, manifestando-se Força e Ardor nos trabalhos, a raiz dessa mesma orientação [1]. Eficiência e Harmonia no resultado, no que se encarna objectivamente o Ideal transcendente, que se há realizado e reconhecido subjectivamente.
Em outras palavras, para que haja verdadeira e eficiente cooperação numa obra, deve haver um Ideal, Plano ou Visão que inspire e dirija as mesma; e para que essa obra seja maçónica se necessita, ademais, como primeira condição, que esse mesmo Ideal, Plano ou Visão seja realmente sábio, ou seja expressão dessa Sabedoria que Minerva simboliza nos nossos templos, a que se devem todas as obras grandes, formosas e duradouras em todos os campos da vida e da actividade humana.
A segunda condição é que esse Ideal, Plano ou Visão guie tanto individual como colectivamente aos obreiros, de maneira que, como consequência da orientação que recebem, se transforme em Força operativa no campo da acção e da vida prática (o Ocidente, onde a mesma Força simbolicamente reside) para que cada um trabalhe para a sua realização.
Terceira condição é que a Força trabalhe constantemente em harmonia com a Sabedoria, executando os seus planos, ou seja, que a Orientação recebida acompanhe toda a obra, sendo unicamente em virtude de tal cooperação da Vontade com a Inteligência, da Prática com a Teoria e do Material com o Ideal, que a mesma obra resultará formosa e harmónica no seu conjunto e em cada uma das suas partes ou elementos.
Sabedoria, Força, Beleza: eis aqui os três princípios directivos, a trindade operativa, que respectivamente faz possível, eficiente e satisfatória toda actividade cooperativa, e em geral toda obra humana – os três critérios que permitem a melhor coordenação hierárquica das vontades e das inteligências, dos esforços e das actividades, dos planos e da sua realização. Quando esses três elementos sejam reconhecidos como ideais directivos de todas as sociedades e actividades humanas, destronando-se o domínio, hoje todavia importante, dos critérios e considerações materiais, desapareceram todos os conflitos, se solucionaram felizmente as dificuldades, e a paz, a prosperidade, o progresso e a felicidade reinarão entre os homens.
É necessário começar, por conseguinte, por reconhecer este ideal, e ajustar-nos ao mesmo no íntimo do nosso coração, e nos acercarmos assim ao dia do seu pleno reconhecimento e realização exterior. Sendo este princípio o que governa todo o universo, é inevitável também o seu reconhecimento e triunfo na vida e na actividade dos homens.
Obra social da Maçonaria
Este conceito da cooperação maçónica é o que faz possível a Obra Social da Instituição, cuja exacta natureza e cuja base, que é a perfeita liberdade individual, não pode ser compreendidas pelos profanos, em virtude desta mesma qualidade que os afasta do Templo Simbólico dos seus Mistérios, cuja porta só pode abrir-nos o nosso grau de compreensão.
A raiz da sua natureza eminentemente orientadora, a Obra Social que explica a Maçonaria não pode ser nunca dirigida – segundo se entende no mundo profano -, por nenhum particularmente dos seus membros, seja qual fora o seu grau maçónico e o posto, cargo ou responsabilidade que se lhe haja conferido.
Cada Maçom tem que trabalhar individualmente, de acordo com a sua própria visão ideal e sob a sua exclusiva responsabilidade, oferecendo-lhe a Instituição o campo no que pode afinar, forjar com outros Homens – dado que a todos os unem os laços da amizade e da solidariedade – os ideais e os planos de uma determinada actividade exterior, que deve constituir, de acordo com a sua própria interpretação, a sua parte no Plano do Grande Arquitecto, a pedra particular no Templo que a Maçonaria levanta constantemente, por meio de toda a sua obra, ao progresso da sociedade e da humanidade.
O reconhecimento de um Grande Arquitecto e do seu Plano Perfeito para a Humanidade, e o esforço individual para a compreensão e realização deste Plano, serão, por conseguinte, a base de toda actividade social realizada pela Maçonaria no seu conjunto, e de toda verdadeira Obra ou Acção Maçónica. Não pode ser maçónica nenhuma actividade cuja base se afaste de tais princípios.
Além de ser impessoal, no sentido em que cada obreiro deve esforçar-se em compreender e realizar impessoalmente a porção do plano que lhe foi individualmente atribuído pelo Grande Arquitecto, a Obra Social da Maçonaria deve distinguir-se pelo seu carácter universalmente construtor.
Assim pois, não pode ser maçonicamente nenhuma obra ou actividade demolidora, dissolvente ou destrutora ou que tenda a dividir o conjunto da Sociedade e da Humanidade; e os maçons devem distinguir-se por fazer onde quer, obra construtiva, espargindo constantemente o cimento da Tolerância, da Fraternidade e da Solidariedade entre todas as pedras e fragmentos que concorrem a formar o vasto Edifício Social e Humano – homens individualmente e os seus diferentes agrupamentos.
Sendo construtora, a Obra e Actividade da Maçonaria será sempre pacífica, seja no interior de uma determinada Nação ou Sociedade, seja no que concerne as relações entre raças, povos e nações. Mais que internacional, a Obra Social da Maçonaria há de ser universal, pois não deve limitar-se a que se estreitam mútuos vínculos entre nações, senão que, considerando toda Humanidade como um só organismo, deve esforçar-se em que desapareçam por completo os prejuízos e barreiras ilusórias que as dividem.
Combatendo o erro e o obscurantismo com a Luz da Verdade, e a escravidão dos povos e das massas por meio da iluminação individual, a Obra da nossa Instituição será constantemente libertadora e elevadora, sem ser instigadora ou favorecedora de nenhuma forma de violência, por ser estas contrárias aos seus princípios de Liberdade e Fraternidade e as suas finalidades de pacifismo construtor.
A liberdade deve, pois, conseguir-se libertando aos indivíduos e aos povos dos erros, vícios e ilusões que os escravizam, por meio de um ensinamento, uma prensa e uma educação mais iluminadas, difundidas e eficientes. Por esta razão é especialmente necessário que, como o místico sal da terra ou a benéfica levedura evangélica, a Maçonaria estenda a Orientação Elevadora dos seus Princípios, que tem por fundamento a Verdade e a Virtude no campo da Educação pública e privada.
A sua influência e obra pacífica e construtiva não deve limitar-se, por um mal entendido sentimento do dever ou espírito patriótico, dentro das fronteiras de um país determinado, pois nenhum dever pode estar por cima do dever fundamental de humanidade e nenhum patriotismo verdadeiro em contraste com a Verdade da Unidade Espiritual e Moral da Família Humana. Além de afastar as possibilidades de guerras de qualquer natureza, e favorecer as mais harmónicas e justas relações, os Maçons individualmente, aplicaram todo o seu poder e influência em diminuir os horrores de toda conflagração civil ou internacional.
No campo profissional e político, a Maçonaria deve estender a influência da sua Obra constantemente moralizadora, por meio da orientação dos seus Princípios que são os que devem governar aos povos como aos indivíduos, indicando a cada qual a Senda do Bem, da Rectidão e da Justiça, elevando a compreensão do dever e da responsabilidade individual, como membros privilegiados daquele imenso organismo, constituído pela Humanidade no seu conjunto, para cujo bem estar, progresso e elevação deve esforçar-se em cooperar.
Como devem resolver-se os conflitos
Também no campo industrial, comercial e económico, a Maçonaria fará que se estenda aquelas benéficas ideias inovadoras que realizem uma verdadeira e melhor cooperação entre as diferentes classes e indivíduos interessados com o objectivo de que cada qual se eleve sobre a visão estreita e limitada de um egoísmo ilusório, igualmente contrário ao bem individual e colectivo, fazendo-se reconhecer que cada qual consegue o seu mais real e melhor benefício, quando mais se preocupa com melhor e mais útil para os demais e coopera com todos os seus esforços para lograr o Bem da colectividade em geral e dos seus indivíduos em particular.
Assim como anti-humana e suicida, para a humanidade no seu conjunto, é a luta fratricida entre os povos, assim igualmente anti-social é a chamada “luta social” entre os dois termos complementares melhor que antitéticos – porque são necessários e indispensáveis um para outro -, de capital e trabalho, que melhor deveriam considerar-se, respectivamente, como o poder directivo e a capacidade produtiva. A Lei verdadeira da vida, ainda desde um ponto de vista puramente Biológico, e o factor principal do progresso individual como social, é pois, a Cooperação, em cujo espírito bem entendido não há problema nem conflito que não possa resolver-se construtivamente.
No espírito de cooperação, pode, pois, resolver-se da maneira mais satisfatória para ambos os lados, e mais útil para a sociedade, esse conflito entre capital e trabalho que, em qualquer das suas formas, aparece constantemente como uma ameaça e uma força destruidora do Bem e a Riqueza individual e social: tudo pode e deve compor-se harmónica e serenamente, no espírito da solidariedade maçónica e humana, por meio de uma melhor compreensão e uma maior boa vontade entre as partes em conflito e contra os seus mútuos interesses.
Desta maneira se acharam igualmente resolvidos os problemas da interrupção forçosa, originado por uma pretendida secasses de trabalho, da superprodução e da desocupação dado que na realidade a Sociedade necessita a cooperação de todos os membros que a integram, e o que faz falta é uma melhor compreensão desta necessidade, esforçando-se os que podem em dar trabalho a todos os que o necessitam, cooperando igualmente a seu próprio interesse e ao bem da Sociedade, a qual receberá o duplo benefício da utilidade de muitos dos seus membros forçosamente inactivos, que em vez de ser para os demais uma carga e uma fonte de dificuldades, se farão cooperadores na riqueza, prosperidade e bem estar de todos.
Isto diminuirá, por consequência, a necessidade de Instituições e Obras de Beneficentes e fará mais úteis e eficientes as que existem. Pois em que os maçons particularmente e a Sociedade em geral, tenham o dever de cooperar para a ajuda e o sustento dos que se achem desprovidos do necessário, o cumprimento mais efectivo deste dever não consiste em obras piedosas que, ao oferecer um remédio, sirvam muitas vezes para estender o mal que precisamente desejam combater; senão em processar para actividade construtiva aos indivíduos que necessitem uma ajuda e as mesmas Instituições de Benefícios, cujo principal finalidade deveria ser a de educar para o trabalho e procurá-lo.
Finalmente deve cessar a luta e a oposição entre a Maçonaria e a Religião, que foi lamentável prerrogativa dos países dominados pelo catolicismo, e que tem a sua origem numa fundamental incompreensão. Já que, melhor que ser opostas e antagónicas nas suas finalidades, Maçonaria e Religião estão feitas para compenetrar-se, cooperar e se beneficiar mutuamente, pois a Verdadeira Maçonaria e a Verdadeira Religião formam ambas os dois aspectos inseparáveis de uma mesma coisa, as duas colunas igualmente necessárias do Templo Espiritual da Humanidade.
Que sejam por ambos lados os ataques e as calunias e que, elevando-se e compreendendo-se reciprocamente, se unam fraternalmente na sua finalidade comum, cooperando igualmente no Nome, a Glória e sob os Auspícios de um mesmo Ser e Poder Supremo, em cujo Infinito Amor há lugar para todos quantos elaboram com desinteresses pelos seus Ideais, que são todos indistintamente os seus filhos, e portanto irmãos.
O homem de Fé sincera, seja Maçom ou membro fiel de uma determinada confissão religiosa (e especialmente se reúne em si as duas qualidades), será sempre um fiel e desejável Companheiro para os seus irmãos, praticando a Maçonaria com fervor religioso e realizando na Religião a sua finalidade maçónica ou construtiva.
Conclusão
Nós temo-nos esforçado em dar nestas páginas ao Companheiro Maçom uma ideia, a mais clara possível, do que significam os símbolos, cerimónias e instrumentos que se relacionam com o seu grau, e da Doutrina Iniciática que se deriva da interpretação dos mesmos.
Estamos muito longe de crer que com ele os símbolos disse tudo o que tinham que dizer: muito todavia pode dizer-se e deduzir-se sobre o tema efectivamente inesgotável da interpretação iniciática e filosófica do Simbolismo Maçónico. O nosso objectivo fundamental foi e é, pois, o de fazer pensar e reflectir individualmente, por ser esta a única maneira com a qual pode só acercar-se à verdade.
Noutras palavras, não desejamos que quem nos leia considere a nossa interpretação como definitiva, como algo que deve unicamente estudar-se e aprender, como se faz com os livros de textos nas escolas. O livro do texto da Maçonaria é e será para sempre o seu simbolismo, que cada Maçom deve esforçar-se em estudar e interpretar individualmente. Assim, pois, com a nossa obra, queremos unicamente oferecer um guia aos que queiram indicar-se na sua compreensão, para que, estudando e reflexionando sobre o dito, possa cada qual chegar, pelos seus próprios esforços, mais além do sentido imediato das nossas palavras, e descobrir-se assim aquele Segredo Maçónico que é o tesouro que se guarda como salário dentro do oco misterioso das duas colunas.
Comparando o conteúdo do presente volume com o do nosso precedente “Manual do Aprendiz”, se convencerá o leitor de que a Doutrina Maçonaria é uma progressiva revelação da Verdade e que, em que se encontra já toda potencialmente expressa no primeiro, em cada grau maçónico encontramos uma nova, mais profunda, e mais adiantada etapa, da sua revelação. Isto far-se-á patente também nos próximos “Manuais”, que formam no seu conjunto distintos tomos de uma única Obra, constituindo cada qual a introdução necessária para poder entender e compreender o seguinte.
Na progressiva revelação cada grau e etapa é igualmente importante: nisto consiste a igualdade fundamental entre todos os graus maçónicos, igualdade que deve seguir reinando soberana na Maçonaria, apesar da necessária graduação das etapas de esforço e realização.
O Aprendiz que realiza perfeitamente o seu grau é assim, espiritualmente, o igual do Companheiro, e este o igual do Mestre; já que cada grau há igualmente uma aprendizagem ou estado incipiente, um estado activo e operativo de companheiro, e um estado de perfeição ou magistério.
Assim pois, o Maçom verdadeiramente sábio não será nunca o que se propõe escalar todos os graus no mais curto tempo possível, senão pelo contrário, quem concentre todos os seus esforços para entender e realizar perfeitamente aquele grau ou etapa na qual actualmente se encontra, sendo esta a maneira mais efectiva para alcançar um progresso verdadeiro. A larga permanência num grau será assim, para ele, a oportunidade e o privilégio para melhor realizar as possibilidades daquele grau, que por nenhum motivo hão de conceituar-se inferiores às dos graus superiores.
Melhor que aspirar a um grau superior, deve só fazer–se superior ao seu próprio grau, sendo esta superioridade íntima a base real de toda superioridade efectiva. E isto não se aplica unicamente a Maçonaria, senão também a vida em todos os seus aspectos, da qual aquela é uma fiel e profunda representação simbólica: em qualquer carreira, estado ou condição, será sábio quem, melhor que aspirar a um melhoramento ou promoção exterior, se esforce em alcançar o máximo proveito no estado ou condição actual em que se encontre, até que chegue a superar interiormente o seu próprio estado, e por conseguinte mais capaz de assumir de uma maneira eficiente as maiores responsabilidades que se lhe ofereçam.
A Maçonaria é, pois, uma Ciência e uma Arte que deve constantemente aplicar-se na vida: entendam isto o Companheiro e o Maçom de qualquer grau. Assim levará a nossa Augusta Instituição a sua missão vital para todo o ser humano, e converter-se-á em meio poderoso de Progresso e Elevação Social.
Maxell Egens
Notas
[1] Com relação a este ponto, uma paralelo interessante e sugestivo nos oferece a corrente eléctrica, que é a Força que se faz manifesta num fio, como consequência da Unidade de orientação de todas as suas moléculas.

- O Silêncio do Companheiro
- Maçonaria do século XXI – pensar, sentir e viver (Parte I)
- Cinco motivos para NÃO SER Maçom
- Livre e de Bons Costumes
- O trabalho fora de Loja: Segundo Vigilante

