“Se nos tornarmos uma ONG, seremos irrelevantes dentro de cem anos“
“As Grandes Lojas estão lamentavelmente a transformar-se em grandes organizações. Os Grão-Mestres em Directores Executivos. Parecemos organizações não governamentais. Se continuarmos neste caminho, daqui a cem anos seremos irrelevantes”. Este é a forma contundente como o Grão-Mestre da Grande Loja de Espanha, o Muito Respeitável Irmão Óscar de Alfonso, esteve na entrevista concedida à Maçonaria Global sobre o futuro da Maçonaria no Século XXI. “Após quase doze anos como Grão-Mestre e nas minhas funções actuais como Secretário Executivo da Conferência Mundial das Grandes Lojas Regulares, defendo um retorno às origens”, devemos recordar-nos que “somos a instituição iniciática mais antiga do mundo” e “aprofundar o nosso carácter iniciático”.
De acordo com o seu diagnóstico, a Maçonaria fez seu o imaginário com o qual somos percebidos de fora e “nos deleitamos com a nossa própria beleza: o dourado de aventais e grandes templos, as lendas da nossa influência, dos heróis, da Revolução Francesa, da Constituição dos Estados Unidos ”que enche as nossas portas de candidatos. Mas, estamos realmente interessados neste tipo de pessoas que buscam influência? Não seria melhor para o futuro ter menos membros, mas com uma força espiritual autêntica? Maçonaria é iniciação, iniciação é transformação e transformação é dor. A iniciação deve ser para alguns. A Ordem Maçónica deve ser um centro, uma amêndoa que guarda essa essência. Enquanto a Maçonaria permanecer atraente para os maçons decorativos, estaremos perdidos”.
Ao ouvi-lo, a frase de que a soberania maçónica reside nas Lojas faz mais sentido do que nunca: são elas que sondam e iniciam cada candidato. “Esta mudança não pode vir da Conferência Mundial ou de uma Grande Loja. Isso é um arranjo. Não é possível fazer esta mudança de cima, como se fosse o Iluminismo. Deve ocorrer na base da pirâmide. Vai custar muito mais, mas vai mais fundo. São as Lojas que devem liderar esta mudança”, explicou. “O futuro da Maçonaria não passa por Grandes Lojas de 50.000 membros que diferem pouco de outras instituições, mas por uma operação de acordeão” [1] onde as Lojas apenas iniciam aqueles que “realmente buscam experimentar a iniciação como uma força transformadora de si mesmos”. Num mundo cada vez mais digitalizado e global, este retorno às origens “não implica que devemos desperdiçar as ferramentas do Século XXI, como as redes sociais” para levantar o véu, mas “o cerne do segredo desvendado deve ser para alguns. E isto não tem holofotes, não tem luzes, não tem palcos, não tem teatros … Isto é muito intimista. Procuremos aquela intimidade de outrora”.
A entrevista completa de Óscar de Alfonso
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Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:- R∴ L∴ Mestre Affonso Domingues, nº 5 (GLLP / GLRP)
- Ex-Libris Lodge, nº 3765 (UGLE)
- Lodge of Discoveries, nº 9409 (UGLE)
Fonte
- Boletim da Equipa de Comunicação da Grande Loja de Espanha
Notas
[1] Nota do Tradutor: Operação Acordeão – Quando uma empresa sofre prejuízos na sua demonstração de resultado e o seu património líquido é reduzido abaixo do mínimo legalmente exigido, a empresa entra numa situação de dissolução compulsória. Para não dissolver a empresa e poder sanear as contas, uma opção da empresa é efectuar a chamada ‘operação acordeão”.
É uma operação societária especial, que consiste na redução e aumento simultâneo de capital, com o objectivo de sanear financeiramente uma empresa. Implica que a empresa reduza o seu capital social para compensar o seu endividamento e sanear o seu balanço e efectue imediatamente um aumento de capital para atrair novos recursos e prosseguir a sua actividade.
Ambos os processos devem ser realizados simultaneamente, o stock de capital é reduzido a zero e o capital aumenta imediatamente. Nos casos em que o novo capital é igual ou maior que o anterior, essa diferença joga a favor dos credores, portanto, eles não se devem opor à operação.

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Excelente, Parabéns.’.
Perfeitas colocações sobre a nossa ordem,mudanças tem que acontecer,a essência da maçonaria tem que voltar a sua origem.
Realmente, muitas vezes parece que o brilho dos holofotes atrai membros para a Ordem como mariposas. Muitos ingressam na Ordem com o intuito de usufruir possíveis benesses ao invés do crescimento espiritual como criatura do GADU. E o mais estarrecedor é que são indicados por nós mesmos.
Belas e polidas palavras.