Pergunta
Em 1974, quando iniciei recebi o ritual de nº 9405, contendo no mesmo, o Timbre Oficial do Grande Oriente do Brasil. Ali, o tamanho das hastes do esquadro são iguais que, na minha modesta opinião, é o correcto. No Ritual de Aprendiz, edição de 2009, na sua página 18, diz o seguinte: “com o vértice voltado para o Ocidente e o seu lado menor voltado para o lado norte, o Esquadro será disposto sobre o Compasso“. Num dos livros do Consultório Maçónico, de autoria do Irmão José Castellani, ele afirma categoricamente que o Esquadro usado com uma das Três Grandes Emblemáticas da Maçonaria é de hastes iguais que, quando cruzado com o compasso, lembra a estrela de seis pontas. Afirma que de hastes desiguais é o símbolo do Venerável Mestre. Gostaria de saber a sua opinião.
Opinião
Na tradição maçónica existem realmente dois tipos de Esquadro que se diferenciam apenas nos tamanhos dos seus ramos, já que um Esquadro pode ser tomado de maneira figurada como um sinónimo do ângulo recto (90 graus).
Esta diferença está naquele que é indicado como instrumento de trabalho operativo, cujos ramos se diferenciam porque um deles é o cabo, ou o mais curto, enquanto que o outro, mais longo, geralmente possui graduação de medida.
Já o Esquadro que compõe a tríade das Três Grandes Luzes Emblemáticas (costume francês), ou as Luzes Maiores da Loja (sistema inglês) não é operativo, portanto não possui cabo e os seus ramos são iguais.
Como o Venerável Mestre é tomado como o dirigente maior da Oficina que trabalha actualmente de maneira especulativa, a sua insígnia está ligada directamente ao Ofício do Canteiro. Já o outro Esquadro faz parte de uma grande alegoria emblemática directamente relacionada aos conceitos morais e éticos.
Infelizmente, esta subtil diferença tem-se apresentado de maneira oculta aos olhos da grande maioria dos Maçons, facto que tem gerado não raras vezes uma imensa discussão: o lado maior é para este ou aquele lado? Contenda completamente inútil.
No Brasil, principalmente é bem provável que ritualistas copiaram formatos artísticos relacionados aos dois instrumentos e de maneira aleatória o conduziram na composição das Luzes Maiores.
Estes equívocos deram margem, por exemplo, a colocação de um instrumento, o Esquadro sobre o Compasso, com o cabo para à esquerda, facto que denota uma maneira incorrecta de se empunhar instrumento de ofício que em Maçonaria, salvo a Espada Flamejante, devem ser seguros pela mão direita.
A questão resolver-se-ia de maneira completamente abreviada se esse Esquadro não possuísse cabo e nem ramos desiguais.
Ainda para completar a “salada”, o Esquadro que deveria possuir cabo e ramos desiguais (insígnia do Venerável), não raras vezes se apresenta nos rituais com ramos iguais. Então, durma-se com um barulho destes.
Quanto à estrela de seis pontas tenho que discordar do meu saudoso Irmão José Castellani, quando se trata de Rito Escocês Antigo e Aceite, pois esse rito que é de origem francesa, não possui no seu simbolismo qualquer relação com a estrela hexagonal, e sim a pentagonal, muito embora ainda ouvíssemos Irmãos querendo associar, por exemplo, a circulação do Tronco, ou a Bolsa de Propostas com uma estrela de seis pontas.
Se bem entendida a “arte” fica difícil essa associação, salvo se a tal estrela se apresentar completamente disforme.
Quero aqui deixar bem claro que não estou me insurgindo contra um ritual aprovado e em vigor. Cabe aqui apenas apontar as contradições, pois o ritual em vigência dever ser cumprido e executado na forma como está impresso.
É bem verdade que esperamos que um dia essas anomalias sejam completamente extirpadas, apesar de que muitos Irmãos inadvertidamente ficam comparando rituais antigos e ainda, usados nas devidas Obediências, como se essa demonstração possuísse um cunho verdadeiro.
Ledo engano. Pela diversidade de rituais em solo brasileiro, esquecem estes de verificar a tradição e a mensagem doutrinária.
Assim, para estes, os escritos equivocados são tomados como uma espécie de documentação primária esteja ela certa ou não.
Pedro Juk, M. M. – Secretário Geral de Orientação Ritualística do Grande Oriente do Brasil
Fonte
- JB News – Informativo nº 488 Florianópolis (SC) 29 de Dezembro de 2011.

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