Estoicismo: equilíbrio, justiça e sabedoria

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Estoicismo

O Estoicismo, uma escola de filosofia fundada por Zenão de Citio na Grécia Antiga, por volta do século III aC, quando assimilado e devidamente posto em prática, remete-nos para uma vida de equilíbrio, serenidade e propósito. Ele ensina-nos a focar no que está ao nosso controle – as nossas atitudes, pensamentos e escolhas, aceitando com coragem e sabedoria o que é inevitável. Ao valorizar a virtude como o bem maior e cultivar a razão, o Estoicismo guia-nos para uma existência pautada pela excelência moral, pela liberdade interior e por uma profunda harmonia com a ordem do universo.

É, essencialmente, um caminho para a verdadeira felicidade, independente das circunstâncias externas.

O Estoicismo e a filosofia maçónica compartilham fundamentos essenciais que orientam o homem na busca pela sabedoria, pelo autodomínio e pela rectidão moral. Ambos reconhecem que a verdadeira liberdade e felicidade não dependem das circunstâncias externas, mas da maneira como o indivíduo conduz a sua própria vida, cultivando virtudes e buscando a harmonia com a ordem universal.

Na Maçonaria, o iniciado é um buscador da Luz, que representa o conhecimento, a verdade e a compreensão mais profunda da existência. Este caminho é trilhado por meio da razão, do estudo e da reflexão, de forma semelhante ao ideal estóico de focar no que está sob o nosso controle: as nossas atitudes, pensamentos e escolhas. O maçom, assim como o estóico, aprende a aceitar com serenidade o que não pode mudar e a transformar a si mesmo por meio da prática da virtude.

A busca pela Verdade na Maçonaria está intrinsecamente ligada ao uso da razão e ao aprimoramento contínuo do ser. O estóico encontra essa mesma verdade ao viver conforme a natureza e a razão, compreendendo que a virtude é o maior bem. Assim, ambos os caminhos rejeitam a escravidão das paixões desordenadas e dos desejos efémeros, promovendo uma existência pautada na excelência moral e no compromisso com valores elevados.

Tanto a Filosofia Estóica quanto a Maçonaria ensinam que a vida tem um propósito maior do que a mera satisfação pessoal. O homem deve se tornar um pilar de equilíbrio, justiça e sabedoria, contribuindo para o bem-estar da humanidade e encontrando, na rectidão do seu carácter, a verdadeira felicidade.

A ideia de que o homem deve se tornar um pilar de equilíbrio, justiça e sabedoria reflecte um ideal elevado tanto para o estóico quanto para o Maçom. Este conceito remete à necessidade de um desenvolvimento integral do ser, no qual ele se torna não apenas um indivíduo virtuoso, mas também um exemplo e um sustentáculo para aqueles ao seu redor.

Equilíbrio: A harmonia interior e exterior

O equilíbrio, em sentido estóico e maçónico, envolve a capacidade de manter a serenidade diante dos desafios da vida. O estóico pratica o controle das emoções, evitando ser escravizado por paixões desordenadas, como a ira, a avareza ou o medo. Da mesma forma, o Maçom busca a temperança, que lhe permite agir com prudência e moderação, ajustando as suas acções à razão e ao bem comum. Este equilíbrio interno reflecte-se na forma como o homem interage com o mundo, tornando-se uma presença pacificadora e sábia na sua comunidade.

Justiça: A virtude que ordena o mundo

A justiça é um princípio fundamental tanto para o Estoicismo quanto para a Maçonaria. No pensamento estóico, a justiça é uma das quatro virtudes cardeais e significa tratar os outros com equidade, reconhecendo que todos fazem parte de uma ordem universal maior. Na Maçonaria, a justiça também ocupa um lugar central, pois ao Maçom é ensinado a agir com rectidão, honradez e imparcialidade. Tornar-se um pilar de justiça significa compreender que o verdadeiro poder não reside na força ou na dominação, mas na capacidade de agir com ética, rectidão e respeito pelos direitos dos outros.

Sabedoria: A Luz que guia

A sabedoria é a virtude que une todas as demais. Para o estóico, a sabedoria vem do conhecimento de si mesmo, do entendimento da ordem natural e da prática da virtude. Na Maçonaria, a busca pela Luz simboliza essa mesma sabedoria, que não se limita ao conhecimento intelectual, mas se traduz em acções e comportamentos dignos. O verdadeiro sábio não apenas compreende os princípios que regem a vida, mas aplica-os no seu quotidiano, tornando-se um farol para aqueles que seguem em busca da Verdade.

Fazer feliz a humanidade

Quando o homem se torna um pilar de equilíbrio, justiça e sabedoria, não apenas transforma a si mesmo, mas também impacta a sua família, a sua comunidade e, em última instância, a humanidade. Ele se torna um exemplo de conduta recta, um conselheiro nos momentos difíceis e um defensor daquilo que é justo e verdadeiro. Este papel transcende qualquer posição social ou título; é uma missão de vida que ele abraça com consciência e responsabilidade.

Desta forma, tanto o Estoicismo quanto a Maçonaria ensinam que a excelência moral não é um fim em si mesma, mas um meio para cumprir um propósito maior. Ser um pilar de equilíbrio, justiça e sabedoria significa tornar-se um instrumento da ordem e da harmonia no mundo, agindo com serenidade, rectidão e discernimento. É, em última instância, assumir o dever de iluminar o caminho para aqueles que ainda andam pelas sombras da ignorância e do vício.

Giovanni Angius, MI – 33º REAA – ARLS Orvalho do Hérmon nº 21 – Grande Loja Maçónica do Estado do Espírito Santo – Brasil

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1 thought on “Estoicismo: equilíbrio, justiça e sabedoria”

  1. MM Gilbert Ronald Lopes Florêncio (GOE/MT)

    Minhas saudações ao Irmão, autor dessa Peça de Arquitetura.
    Pretendo apenas fazer uma ponderação e uma questão correlata.

    Ponderação: O Estoicismo é uma escola de pensamento que tem seus alicerces na doutrina Panteísta, que, grosso modo, é um naturalismo não transcendente, onde não há a figura de um Criador e, muito menos, a de um Criador com quem nós, criaturas, possamos manter uma relação pessoal. O Panteísmo é pior do que o Deísmo, pois, neste ainda há um Criador, o que, repito, não há no Panteísmo, que é a base do Estoicismo.
    Desse modo, por exemplo, as chamadas 3 virtudes teologais, que se encontram postas na Escada de Jacó, no Painel Alegórico do grau de Aprendiz do REAA, quais sejam: Fé (cruz), a Esperança (âncora) e a Caridade (cálice), não fazem o menor sentido, já que não há um Criador a quem dedicar a fé, tampouco há espaço para uma esperança que se ancore nesta fé.
    Não havendo transcendência no Panteísmo, não se há falar em uma vida num “Oriente Eterno”.
    Enfim, o Panteísmo é, a meu ver, incompatível com a crença na existência do GADU e na vida após a morte, destoando totalmente, inclusive, dos landmarks adotados pelas Potências Regulares.

    Indagação: Nesse cenário, em que o Estoicismo somente prega o que prega em função do alicerce panteísta em que se assenta, gostaria de saber do Irmão como, numa visão sistêmica, consegue compatibilizar o Estoicismo com os princípios maçônicos.

    Reitero, não se trata de pinçar fragmentos de pensamentos e frases soltas sem relacioná-los às bases panteístas que lhes dão sustentação. A pergunta é no cenário de um sistema (panteísta) que se está pretendendo compatibilizar com os sistema axiológico maçônico.

    Desde já, grato ao Irmão pela atenção!
    TFA!

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