Uma nota do autor
Irmãos,
Este manual é oferecido gratuitamente à Ordem.
São calorosamente encorajados a distribuí-lo, partilhá-lo, imprimi-lo ou reencaminhá-lo a qualquer Maçom ou potencial Maçom que considerem que possa beneficiar com ele.
Não é necessário pedir autorização. O meu único pedido é que o partilhem na íntegra, para que a mensagem se mantenha clara e coerente.
Que este guia vos seja útil a vós e aos vossos irmãos.
Introdução
O objectivo deste manual é explicar a importância da etiqueta na preservação das tradições da Maçonaria, na promoção da irmandade entre os membros e na defesa dos princípios fundamentais da moralidade, da caridade e do respeito mútuo.
Uma conduta adequada reforça a harmonia da Loja e reflecte-se positivamente na fraternidade como um todo.
A Maçonaria há muito que valoriza um comportamento ordeiro e digno. Os primeiros guias, tais como aqueles influenciados por documentos fundadores como as Constituições de Anderson de 1723, enfatizavam regras de conduta para garantir que as lojas funcionassem com decoro e que os membros se tratassem uns aos outros com cortesia.
Ao longo do tempo, a etiqueta maçónica evoluiu, mantendo-se, no entanto, enraizada nestes princípios. Ela baseia-se na necessidade de respeito num espaço partilhado dedicado ao aperfeiçoamento pessoal e aos laços fraternos.
Este manual aborda a conduta nas reuniões da loja, em eventos sociais e de caridade, e na vida quotidiana como Maçom. Fornece orientações claras para ajudar tanto os membros novos como os experientes a lidar com estas situações com confiança.
Ao seguirem estas normas, os Irmãos contribuem para um ambiente onde o amor fraternal, o socorro e a verdade possam florescer.
Parte I: Preparação para a Loja
Irmãos, ao aproximarmo-nos dos recintos sagrados da Loja, façamos uma pausa para reflectir sobre a gravidade da nossa missão.
A preparação para a Loja não é uma mera formalidade; é um acto de reverência que honra as tradições que nos foram transmitidas ao longo de séculos de trabalho fiel.
Nas palavras dos nossos antigos Preceitos, somos lembrados de nos comportarmos como convém aos maçons, tanto dentro como fora da Loja.
A forma como nos preparamos reflecte directamente o nosso compromisso com os princípios do amor fraternal, da ajuda e da verdade.
É o alicerce sobre o qual se constrói a harmonia da noite, garantindo que cada Irmão possa entrar no templo com a mente livre de distracções e o coração sintonizado com o trabalho que temos pela frente.
Código de Vestuário
O vestuário que escolhemos reflecte a dignidade da nossa Instituição e a igualdade que todos partilhamos dentro das suas paredes. Na maioria das lojas regulares sob jurisdições estabelecidas, a norma aceite exige um fato escuro de corte conservador, uma camisa social branca e uma gravata discreta.
Sapatos pretos, bem engraxados e em bom estado, completam este conjunto. Este tipo de vestuário promove a uniformidade, de modo que a aparência de nenhum Irmão desvie a atenção dos procedimentos solenes.
Quando a Loja exigir o traje maçónico, o avental deve ser usado devidamente atado, a aba ajustada com cuidado e quaisquer insígnias usadas com orgulho discreto, em vez de ostentação.
Evite peças de vestuário informais, de cores vivas ou com padrões excessivos, pois estas prejudicam a solenidade que procuramos manter.
Em algumas lojas, particularmente aquelas em climas mais quentes ou com estatutos modernos, o traje casual pode ser permitido nas reuniões ordinárias, mas confirme sempre com o seu secretário ou dirigentes com antecedência.
O essencial continua a ser a modéstia e o respeito: vestimo-nos não para impressionar os homens, mas para honrar a Ordem e uns aos outros como iguais perante o Grande Arquitecto.
Considere o precedente histórico. Desde os primórdios da Maçonaria Especulativa, tal como registado nas Constituições de Anderson de 1723 e nas Instruções que as precedem, os Irmãos eram obrigados a comparecer com vestuário decente e adequado.
Esta tradição perdura porque nos lembra que a forma exterior sustenta a virtude interior. Um fato bem passado e sapatos engraxados simbolizam autodisciplina e consideração pelos seus companheiros de trabalho.
Se as circunstâncias dificultarem o uso de vestuário formal, comunique-o à sua Loja com antecedência; a caridade estende-se à compreensão de dificuldades genuínas, mas nunca à indiferença.
Apresentação pessoal
A nossa apresentação pessoal deve, da mesma forma, reflectir o respeito por nós próprios e pelos Irmãos com quem nos reunimos.
Dirija-se à Loja com o corpo limpo e a aparência cuidada.
Um barbear recente ou uma barba bem aparada, cabelo penteado e arrumado e unhas limpas e aparadas são sinais de um homem que se valoriza a si próprio e às suas obrigações.
A higiene é fundamental no espaço confinado da sala da Loja; use colónia ou loção pós-barba com moderação, se for o caso, para evitar aromas excessivamente fortes que possam distrair durante momentos solenes.
As jóias devem ser modestas: um simples anel maçónico ou um alfinete de lapela são adequados, mas evite adornos excessivos ou chamativos que possam sugerir vaidade em detrimento da virtude.
Estas normas não são arbitrárias. Elas ecoam os ensinamentos enraizados no nosso ritual, onde aprendemos a alinhar as nossas acções e a manter as nossas paixões dentro dos limites devidos.
Ao cuidarmos da nossa aparência de forma ponderada, demonstramos temperança e fortaleza, preparando tanto o corpo como a mente para receber mais luz.
Um Irmão que se apresente desleixado corre o risco de diminuir a dignidade da ocasião para todos os presentes.
Que cada um de nós se esforce por encarnar o fio de prumo da rectidão, mesmo nos mais pequenos detalhes.
Chegada e Pontualidade
A pontualidade é uma das expressões mais simples, mas também mais profundas, da cortesia maçónica.
O irmão sensato chega bem antes da hora marcada para a abertura, o que lhe permite tempo suficiente para cumprimentar os seus irmãos com o aperto de mão e a palavra adequados, trocar saudações fraternas e organizar os seus pensamentos para o trabalho que tem pela frente.
Entrar apressadamente pela porta quando o malhete está prestes a bater perturba a harmonia e demonstra desrespeito pelo tempo do Venerável Mestre e pelo horário previsto.
Ao entrar na antecâmara ou na área de preparação, assine o registo de presenças sem demora. Este simples acto regista a sua presença e cumpre um dever administrativo que contribui para os registos da Loja.
Se circunstâncias inevitáveis o atrasarem, entre silenciosamente e sem alarde assim que a Loja for aberta. Procure o primeiro momento apropriado para ser reconhecido pelo Venerável Mestre, peça desculpa se necessário e retome o seu lugar com decoro.
Nunca apresente desculpas publicamente, a menos que lhe seja pedido; a humildade nestas questões preserva o afecto fraterno.
Chegar cedo também proporciona oportunidades de orientação. Um novo Irmão beneficia muito ao observar os membros mais experientes a se prepararem, ao fazer perguntas discretamente e ao absorver o ritmo tranquilo da vida da Loja.
Especialmente para os oficiais, a pontualidade é imperativa, uma vez que as suas funções exigem prontidão para abrir e conduzir os trabalhos sem hesitação.
Em muitas jurisdições, o Venerável Mestre abre a Loja precisamente à hora marcada, respeitando o tempo dos Irmãos e dando o exemplo de ordem.
Um Venerável Mestre que começa pontualmente merece a cortesia recíproca da presença atempada. O atraso desperdiça o esforço colectivo: se cinquenta Irmãos esperarem dez minutos, a Loja perde horas de trabalho produtivo.
A pontualidade, portanto, não é mera cortesia; é uma aplicação prática da justiça e do apoio mútuo.
Preparações adicionais da mente e do espírito
Para além da aparência exterior e da chegada atempada, prepare-se interiormente. Reflicta sobre os trabalhos do dia e deixe de lado as preocupações mundanas à medida que se aproxima da porta.
Muitos Irmãos consideram útil fazer uma pausa para meditar em silêncio ou rever antecipadamente uma parte do ritual ou dos Monitores.
Leve consigo a sua própria cópia dos estatutos da Loja ou um pequeno texto maçónico, se isso o ajudar a se concentrar, mas lembre-se de que a verdadeira preparação reside num coração receptivo e aberto à instrução.
Se desempenhar qualquer função, seja como dirigente, administrador ou membro de uma comissão, reveja as suas obrigações com antecedência.
Um Tyler bem preparado garante uma entrada tranquila; um Capelão preparado profere invocações ponderadas; um Secretário preparado mantém actas precisas. Tal previsão sustenta a eficiência da Loja e demonstra fidelidade às vossas obrigações.
Irmãos, estes elementos de preparação (vestuário, aparência, pontualidade e prontidão mental) são os pilares sobre os quais assenta uma reunião bem-sucedida.
Ao lhes prestarmos atenção com diligência, demonstramos reverência pela nossa antiga Instituição, respeito pelo nosso Venerável Mestre e pelos oficiais, e consideração fraternal por cada Irmão presente.
Aproximemo-nos da Loja sempre com dedicação renovada, tendo sempre presente que a nossa conduta fora da porta da Loja nos prepara para trabalhar dignamente no seu interior.
Irmãos, devo agora preparar para vós a Secção 2: Conduta na Sala da Loja.
Parte II: Conduta na Sala da Loja
Irmãos, assim que tivermos atravessado o limiar e a Loja estiver devidamente preparada, a sala da Loja torna-se um local reservado ao trabalho solene, à instrução e à harmonia fraterna.
Aqui, os antigos Landmarks orientam cada uma das nossas acções, e o Venerável Mestre preside como o oficial principal, sob cuja direcção trabalhamos. A conduta dentro destas paredes deve reflectir o mais elevado respeito pela Ordem, pelos oficiais e uns pelos outros.
A sala da Loja não é um salão de reuniões comum; é o templo simbólico onde procuramos construir o nosso edifício espiritual, alinhar as nossas acções e manter as nossas paixões dentro dos limites devidos.
Abordemos, portanto, cada momento com reverência, decoro e consideração fraterna.
Entrada e Saída
Ao entrar numa Loja já em sessão, avance com dignidade e silêncio. Dirija-se primeiro ao Tyler para obter autorização de entrada e, em seguida, prossiga sem pressa nem conversa.
Aproxime-se do Altar pelo lado oeste, pare num ponto a meio caminho entre o Altar e o 1º Vigilante ou conforme o costume local ditar, faça a saudação adequada ao Venerável Mestre com a postura e o sinal próprios do seu grau, e aguarde o seu reconhecimento.
Só então ocupe o seu lugar em silêncio. A saudação é uma renovação do compromisso de fidelidade e respeito pelo cargo de Mestre; execute-a deliberadamente e com a devida forma, nunca de maneira descuidada ou superficial.
Caso precise de se retirar antes do encerramento da Loja, levante-se do seu lugar, peça a autorização do Venerável Mestre e, após receber permissão, dirija-se ao Altar, saúde mais uma vez e retire-se em silêncio.
Em algumas lojas, o costume permite saudar o 1º Vigilante, caso este esteja a guardar a porta durante a ausência do Mestre.
Nunca saia durante uma votação, uma cerimónia de grau ou qualquer parte solene da sessão, a menos que uma necessidade urgente o obrigue e seja concedida autorização.
Evite passar entre o Altar e o Este enquanto a Loja estiver aberta, pois isso perturba a linha de autoridade do Venerável Mestre e demonstra desrespeito pelo espaço sagrado.
Estas observâncias lembram-nos que cada entrada e saída é um acto de renovação. Ao saudar devidamente, afirmamos publicamente as nossas obrigações e honramos a harmonia que jurámos preservar.
Lugares e posicionamento
Ocupe o seu lugar de acordo com o seu grau, posição ou cargo, e mantenha-se atento durante toda a cerimónia. Os oficiais ocupam os seus lugares designados; os Irmãos visitantes devem ser conduzidos aos lugares apropriados pelo Director de Cerimónias ou por um Irmão designado.
Não vagueie pela sala da Loja nem mude de lugar desnecessariamente durante os trabalhos. Mantenha uma boa postura: sente-se direito, evite encurvar-se, cruzar as pernas de forma a mostrar a sola do sapato a outra pessoa (o que algumas tradições consideram desrespeitoso) ou adoptar atitudes de tédio.
Tal comportamento denota indiferença em relação ao trabalho e diminui a dignidade da ocasião para todos os presentes.
Quando houver procissões ou a Loja formar filas, movam-se com passos medidos e em uníssono.
Movimentos desleixados ou apressados dão má imagem da Loja e perturbam a solenidade que nos esforçamos por manter.
Participação nas sessões
O Venerável Mestre preside a toda a discussão. Para intervir, levante a mão discretamente para chamar a sua atenção. Assim que for chamado, levante-se prontamente, faça a saudação adequada, se o costume assim o exigir, baixe a mão e dirija-se primeiro a ele com o devido respeito: “Venerável Mestre, Veneráveis, Veneráveis, Guardiões e Irmãos” (ou inclua “Muito Respeitável” se o Grão-Mestre ou equivalente estiver presente).
Fale de forma clara, concisa e directa ao assunto. Nunca se dirija directamente a outro Irmão nem vire as costas para o Oriente sem autorização expressa.
Os debates devem decorrer através da Presidência; dois Irmãos de pé simultaneamente e de frente um para o outro, ignorando o Mestre, violam a ordem e a cortesia.
Fique de pé ao falar, quer se dirija ao Mestre, a um oficial ou à Loja. Esta prática garante que todos possam ver quem fala e defende o princípio de que cada Maçom serve a Ordem. Mantenha-se em silêncio, a menos que seja chamado a intervir; conversas paralelas, sussurros ou discussões privadas distraem dos assuntos em pauta e profanam o espaço da Loja.
A sala da Loja é um local sagrado, equivalente em reverência a um local de culto. O silêncio durante os rituais, as orações ou os momentos solenes é absoluto.
Obedeça imediatamente ao malhete. Uma única batida chama à ordem; várias batidas exigem atenção. A falta de resposta imediata constitui uma grave descortesia e pode perturbar a harmonia que nos comprometemos a defender.
Utilização de Símbolos e Ferramentas
Manuseie todos os símbolos maçónicos, ferramentas de trabalho e insígnias com profundo respeito. O malhete, na mão do Mestre, representa autoridade; nunca o toque sem permissão.
Aventais, colares, jóias e outros itens devem ser usados correctamente e ajustados apenas antes de entrar. Durante as cerimónias, siga o ritual à risca, sem improvisações nem levidade.
Brincadeiras de mau gosto, travessuras, comentários de mau gosto ou qualquer forma de irreverência não têm lugar aqui; desvalorizam as lições morais que ensinamos e profanam o trabalho.
Dispositivos móveis e distracções
Silencie todos os telemóveis, pagers ou dispositivos electrónicos antes de entrar na sala da Loja.
Não é permitida a fotografia, a gravação ou a utilização dessts dispositivos durante os trabalhos, a menos que expressamente autorizado pelo Venerável Mestre para fins oficiais. Distracções de qualquer tipo (verificar mensagens, navegar na Internet ou leitura casual) demonstram desrespeito para com os Irmãos e a solenidade da ocasião.
Concentrem-se inteiramente no trabalho; a Loja exige a nossa atenção total.
Irmãos, estas regras de conduta não são restrições onerosas, mas sim salvaguardas para a paz, a unidade e a dignidade das nossas assembleias.
Ao observá-las fielmente, exemplificamos as virtudes da temperança, da fortaleza, da prudência e da justiça. Honramos o Venerável Mestre como representante da ordem, respeitamo-nos uns aos outros como iguais na Ordem e preservamos as antigas tradições que nos unem.
Desta forma, a Loja torna-se um verdadeiro templo do amor fraternal, onde cada acção contribui para o bem comum e para a glória do Grande Arquitecto.
Parte III: Comunicação e Interacção
Irmãos, os laços da nossa Fraternidade são forjados e reforçados pela forma como falamos e nos ouvimos uns aos outros.
A comunicação dentro da Loja e entre os membros da Ordem rege-se por princípios de respeito, caridade e discrição. Cada palavra que proferimos, cada gesto que fazemos, deve reflectir as lições morais que recebemos e as obrigações que assumimos solenemente.
Especialmente na sala da Loja, o nosso discurso deve servir a harmonia da assembleia, o avanço do trabalho e a preservação do afecto fraterno.
Comportemo-nos, portanto, com prudência na fala, humildade no debate e fidelidade inabalável em questões de confiança.
Dirigindo-se aos Irmãos
Dirijam-se aos vossos irmãos maçons com os títulos e formas que honram tanto o indivíduo como a Ordem. Dentro da Loja, a forma adequada é “Irmão”, seguido do apelido quando a formalidade o exigir, ou simplesmente “Irmão” quando se fala em geral.
Os oficiais têm direito ao seu devido título: “Venerável Mestre”, “Muito Venerável”, “Venerável Irmão”, “Irmão 1º Vigilante”, “Irmão 2º Vigilante”, “Irmão Secretário” e assim por diante.
Quando o Grão-Mestre ou um ex-Grão-Mestre estiver presente, utilize “Muito Respeitável”, conforme apropriado. Estes títulos não são meras cortesias; reconhecem os cargos ocupados e a autoridade que lhes é conferida para a boa ordem da Loja.
Em conversas privadas ou durante um lanche, pode desenvolver-se uma maior familiaridade ao longo do tempo, mas mesmo assim, evite apelidos ou formas de tratamento excessivamente informais, a menos que um longo relacionamento e o consentimento mútuo o permitam.
Nunca presuma intimidade com um Irmão que tenha conhecido recentemente. O uso de títulos adequados preserva a igualdade, enquanto demonstra respeito pela posição e pelo serviço.
Um jovem Aprendiz Iniciado que se dirija a um Antigo Venerável Mestre como “Irmão Smith”, em vez de “Venerável Irmão Smith”, peca por excesso de informalidade; é preferível inclinar-se para a formalidade até ser convidado a agir de outra forma.
Ao dirigir-se à Loja como um todo, comece com a saudação completa: “Venerável Mestre, Muito Veneráveis, Veneráveis, Vigilantes e todos os Irmãos.”
Esta forma inclusiva lembra-nos que não nos dirigimos a um único homem, mas a todo o corpo da Loja reunido sob o Grande Arquitecto.
Confidencialidade
O dever de discrição está entre as obrigações mais solenes que assumimos. O que acontece dentro da Loja fechada permanece dentro das suas paredes.
Nunca discuta os modos de reconhecimento, os pormenores das nossas cerimónias ou quaisquer procedimentos privados fora da Loja com quem não tenha direito a tomar conhecimento deles.
Isto inclui conversas casuais em casa, no local de trabalho ou em ocasiões sociais. Mesmo entre Irmãos, evite relatar detalhes do ritual ou dos assuntos da Loja em locais onde a conversa possa ser ouvida por profanos.
Os antigos princípios fundamentais exigem que mantenhamos invioláveis os segredos de um Irmão Maçom, excepto quando exigido por lei ou quando a segurança de outra pessoa exija a sua divulgação.
Na prática, isto significa guardar não só as senhas e os apertos de mão, mas também as confidências pessoais partilhadas em confiança, as questões de disciplina da Loja e os procedimentos das votações ou das comissões.
Uma única palavra descuidada pode manchar a reputação de um Irmão ou expor a Ordem a mal-entendidos.
Que o silêncio seja a vossa salvaguarda; em caso de dúvida, não digam nada.
Resolução de Conflitos
As divergências surgirão mesmo entre homens de bem unidos pelos laços mais fortes. Quando isto acontecer, aborde-as com a caridade que a Maçonaria ensina.
Se um Irmão tiver ofendido alguém, seja intencionalmente ou por descuido, fale com ele em particular e num espírito de bondade fraterna. Fale com calma, exponha a sua preocupação de forma clara e ouça com o coração aberto.
Muitos mal-entendidos dissipam-se quando dois Irmãos se encontram cara a cara com respeito mútuo.
Caso a conversa privada não consiga restabelecer a harmonia, leve o assunto ao conhecimento do dirigente competente (normalmente o Venerável Mestre ou um Vigilante), mantendo sempre um espírito de reconciliação em vez de acusação.
Nunca exponha queixas em Loja aberta, a menos que o Venerável Mestre solicite a discussão do assunto, e nunca permita que animosidades pessoais interrompam os trabalhos da Loja.
O malhete do Venerável Mestre mantém a ordem; respeite a sua autoridade e abstenha-se de debates que sirvam apenas o ego, em vez do bem da Ordem.
Em todos os casos, lembre-se das ferramentas de trabalho: use o esquadro para regular as suas acções, o nível para se colocar no mesmo plano que o seu Irmão e o fio de prumo para caminhar com rectidão.
Não nutra malícia; perdoe prontamente; procure a paz sempre que possível. Uma Loja dividida não pode ser um verdadeiro templo do amor fraternal.
Inclusividade
A Maçonaria acolhe homens de todas as nações, línguas e opiniões que cumpram os nossos requisitos de crença num Ser Supremo e de bom carácter moral.
Dentro da Loja, trata cada Irmão com igual respeito, independentemente da idade, profissão, posição social, origem étnica ou tempo de filiação.
O Aprendiz Iniciado mais jovem está ao mesmo nível que o Antigo Venerável Mestre mais antigo quando a Loja está em sessão.
Evite linguagem condescendente para com os novos membros e nunca permita que a antiguidade se torne uma desculpa para a descortesia.
Incentive o Irmão tímido ou recém-promovido a participar, fazendo perguntas ponderadas ou oferecendo orientação gentil.
Ouçam atentamente todas as vozes, pois a sabedoria pode vir de qualquer lado. A diversidade de pensamento e de experiência enriquece as nossas deliberações; a intolerância ou a exclusão enfraquecem a Fraternidade.
Que cada Irmão se sinta bem-vindo, valorizado e ouvido, para que a Loja se torne verdadeiramente um lugar onde homens de boa vontade possam reunir-se em paz e perseguir o bem comum.
Irmãos, estes princípios de comunicação e interacção constituem o cimento vivo que nos une.
Ao falarmos com respeito, ao guardarmos fielmente as confidências, ao resolvermos as diferenças com caridade e ao acolhermos uns aos outros como iguais, cumprimos a promessa da nossa Instituição.
Demonstramos, em palavras e actos, que a Maçonaria não é meramente uma sociedade de homens, mas uma irmandade dedicada ao aperfeiçoamento pessoal e ao socorro da humanidade. Que as nossas línguas sejam guiadas pela sabedoria, os nossos ouvidos abertos à compreensão e os nossos corações sempre inclinados para a paz.
Parte IV: Etiqueta em Eventos Sociais e de Caridade
Irmãos, embora a sala da Loja seja o coração dos nossos trabalhos maçónicos, o espírito da Ordem estende-se muito para além das suas paredes.
Encontros sociais, banquetes festivos, iniciativas de caridade e eventos públicos proporcionam oportunidades para demonstrar os princípios que professamos: amor fraternal na comunhão, ajuda no serviço aos outros e verdade na nossa conduta perante o mundo.
Estas ocasiões permitem-nos fortalecer os laços entre nós, incluir as nossas famílias quando apropriado e apresentar a Maçonaria da melhor forma possível à comunidade.
Abordemo-las, portanto, com a mesma dignidade, cortesia e caridade que regem a nossa conduta na Loja.
Jantares e Beberetes
A mesa festiva, ou ágape, é uma tradição maçónica muito apreciada, um momento de descanso após o trabalho, em que os Irmãos podem relaxar em companhia fraterna.
No entanto, mesmo aqui, o decoro deve prevalecer. Chegue pontualmente para a refeição, cumprimente calorosamente os anfitriões e os outros convidados e ocupe o lugar que lhe foi atribuído ou aquele que lhe for oferecido pelo mestre de cerimónias.
Levante-se para a oração de acção de graças quando for solicitado e permaneça sentado até que o Venerável Mestre ou o oficial que preside se levante para propor o primeiro brinde.
Os bons modos à mesa devem reflectir requinte: utilize os talheres correctamente, mastigue com a boca fechada, fale apenas depois de engolir e evite comportamentos ruidosos ou exuberantes.
As conversas devem ser agradáveis e edificantes; evite temas controversos, tais como política partidária, religião sectária ou queixas pessoais que possam dividir em vez de unir.
A mesa festiva é um local para conversas descontraídas, partilha de histórias de interesse maçónico e manifestações de gratidão pelas bênçãos da irmandade.
Os brindes são uma parte solene e alegre da noite. Ouçam com atenção quando for proposto um brinde, levantem-se todos juntos se for costume fazê-lo e respondam com a aclamação apropriada ou “Assim seja”.
Nunca interrompam um brinde nem comecem a comer até que o presidente da sessão dê o sinal de que a refeição pode prosseguir. Se for servido álcool, pratiquem a moderação; um Irmão que abuse do álcool desonra-se a si próprio e à Ordem.
Muitas lojas oferecem agora alternativas sem álcool, e todos devem sentir-se à vontade para participar de acordo com a sua escolha pessoal, sem comentários nem pressões.
Após a refeição, ajude a limpar as mesas se os comissários precisarem de ajuda, agradeça à equipa da cozinha e aos empregados de mesa e retire-se de forma ordeira. Uma palavra de agradecimento ao anfitrião ou ao presidente da comissão é sempre bem-vinda.
Angariação de fundos e trabalho de caridade
A caridade maçónica é um dos princípios fundamentais da nossa Instituição, e os eventos através dos quais angariamos fundos ou prestamos ajuda constituem uma expressão visível de apoio aos necessitados.
Quer se trate de organizar um pequeno-almoço de panquecas, um torneio de golfe, uma campanha de doação de sangue ou uma cerimónia de entrega de bolsas de estudo, comportem-se como representantes da Maçonaria.
Vistam-se de forma elegante e adequada à ocasião, geralmente com roupa informal de negócios ou com o traje da Loja, se especificado. Cheguem cedo para ajudar na preparação, cumprimentem os participantes com cortesia e desempenhem as tarefas que lhes forem atribuídas com diligência.
Interajam com o público com cordialidade e profissionalismo.
Respondam às perguntas sobre a Maçonaria de forma honesta, mas sucinta, enfatizando os nossos valores de moralidade, caridade e fraternidade, sem entrar em assuntos privados.
Se um potencial membro perguntar sobre a adesão, encaminhe-o para falar com o secretário da Loja ou com um irmão designado, em vez de entrar numa discussão detalhada no local. Nunca solicite fundos de forma agressiva nem pressione os participantes; deixe que a causa fale por si mesma.
Durante o evento, mantenha a boa ordem: sem ruído excessivo, sem humor inapropriado e sem comportamentos que possam prejudicar a imagem da Fraternidade.
Limpe tudo cuidadosamente no final, deixando o local em melhores condições do que o encontrou. Um agradecimento final aos voluntários, doadores e beneficiários reforça o espírito de gratidão que a Maçonaria ensina.
Interacções com os convidados
Muitas lojas realizam eventos que incluem senhoras, famílias, convidados não maçónicos ou membros da comunidade, tais como noites das senhoras, banquetes de tomada de posse ou eventos de caridade abertos ao público. Estas ocasiões exigem um cuidado especial para equilibrar a abertura com a discrição.
Receba os convidados calorosamente e faça com que se sintam à vontade. Apresente-os aos Irmãos e aos dirigentes, explique brevemente os costumes, se necessário (como levantar-se para brindes ou o significado de certos símbolos em exposição), e certifique-se de que estão sentados confortavelmente.
Evite discutir os rituais da Loja, os modos de reconhecimento ou assuntos internos na presença deles. Se surgir alguma pergunta sobre a Maçonaria, responda com verdades gerais:
que somos uma fraternidade dedicada ao aperfeiçoamento moral, às obras de caridade e ao apoio mútuo entre homens de bom carácter.
Em noites dedicadas às senhoras ou eventos sociais mistos, trate todos os participantes com cavalheirismo e respeito. Os elogios devem ser sinceros e apropriados; nunca se envolva em flertes ou comportamentos excessivamente familiares.
A presença de familiares e convidados é um privilégio; comportem-se de forma que partam com uma impressão positiva da Maçonaria como instituição de honra e decência.
Em eventos públicos, tais como desfiles, feiras comunitárias ou cerimónias de inauguração em que a Loja participe como grupo, usem trajes cerimoniais ou vestuário identificativo apenas se autorizados pela Loja ou pela Grande Loja. Marchem ou mantenham-se em formação com precisão e orgulho, e interajam educadamente com os espectadores.
Estes momentos oferecem ao mundo um vislumbre dos nossos valores; que o nosso comportamento seja exemplar.
Irmãos, os eventos sociais e de caridade são extensões da própria Loja. Permitem-nos viver os nossos princípios no mundo em geral, fortalecer os laços fraternos através da alegria e de um propósito comum, e estender a mão para ajudar onde for necessário.
Ao observarmos a cortesia, a moderação e a dignidade nestes contextos, honramos as nossas obrigações, edificamo-nos uns aos outros e damos testemunho fiel do valor da nossa antiga Instituição.
Que cada encontro, seja ele solene ou festivo, reflicta a luz que procuramos cultivar dentro de nós e partilhar com a humanidade .
Parte V: Conduta para além da Loja
Irmãos, o verdadeiro teste de um Maçom reside não só na forma como se comporta dentro da Loja ou à mesa festiva, mas também na sua conduta quotidiana fora desses recintos sagrados.
A Maçonaria não é um manto que vestimos para as reuniões e tiramos à porta; é um sistema de moralidade velado em alegoria e ilustrado por símbolos, destinado a orientar as nossas acções em todas as esferas.
O esquadro, o nível, o fio de prumo e o compasso são ferramentas que levamos no coração muito depois de a Loja ter encerrado.
A nossa conduta fora da Loja deve, portanto, reflectir as virtudes que professamos, para que as nossas vidas se tornem testemunhos vivos dos princípios do amor fraternal, da solidariedade e da verdade.
Aplicação no dia a dia
Aplique as lições da Maçonaria nos assuntos quotidianos do lar, do trabalho e da comunidade. Pratique a temperança em todas as coisas: modere os seus apetites, controle a sua língua e governe as suas paixões com a razão.
Deixe que a fortaleza te sustente nas adversidades, que a prudência oriente as suas escolhas e que a justiça regule as suas relações com os outros. Quando confrontado com a tentação ou a provocação, recorde as ferramentas de trabalho: alinhe as suas acções para que sejam rectas, nivele a sua conduta para que possa encontrar-se com todos os homens no mesmo plano e mantenha as suas paixões dentro dos limites devidos com o compasso.
Em casa, seja um marido fiel, um pai dedicado e um filho atencioso. Estenda a caridade, em primeiro lugar, àqueles que lhe são mais próximos; deixe que a sua família testemunhe o alívio que ofereces aos aflitos.
No local de trabalho, trate com honestidade e justiça tanto o empregador como os empregados e os colegas. Desempenhe as suas tarefas com diligência, não fale mal dos ausentes e dê crédito a quem o merece.
Evite os boatos, a calúnia ou qualquer palavra que possa ferir a reputação de outrem, pois os antigos Preceitos recordam-nos que o bom nome de um Irmão é sagrado.
Na comunidade, viva como um bom cidadão: obedeça às leis do país, apoia as instituições justas e contribua para o bem-estar dos seus vizinhos.
Participe nos deveres cívicos com integridade, vote conscientemente e preste serviço onde puder, sem procurar ganhos pessoais.
Deixem que as vossas acções proclamem que a Maçonaria forma homens melhores, maridos melhores, pais melhores e cidadãos melhores.
Representação pública
Sempre que usar jóias maçónicas, exibir um emblema maçónico no seu veículo ou for reconhecido como Maçom, está a representar a Fraternidade aos olhos do mundo. Comporte-se em conformidade.
Nunca permita que o seu comportamento traga descrédito à Ordem. Evite embriaguez em público, linguagem vulgar, práticas desonestas ou qualquer acto que possa levar os outros a questionar o valor da nossa Instituição.
Um único deslize por parte de um Irmão pode lançar uma sombra sobre muitos.
Ao usar um anel maçónico, um alfinete com esquadro e compasso ou outras insígnias, lembre-se de que estes não são meros ornamentos, mas símbolos de obrigações solenes. Use-os com orgulho discreto, nunca de forma ostensiva.
Se for questionado sobre elas, responda com cortesia e sinceridade, mas de forma sucinta: explique que a Maçonaria é uma organização fraternal dedicada ao aperfeiçoamento moral, à caridade e à fraternidade entre homens de bom carácter que acreditam num Ser Supremo.
Convide a pessoa a fazer mais perguntas se ela parecer sincera, mas não insista no assunto. Encaminhe os candidatos sérios para o secretário da sua Loja ou para um Irmão de confiança, para que recebam a orientação adequada.
Em conversas com não-maçons, fale bem da Ordem, sem exageros nem segredos que suscitem suspeitas.
Saliente as nossas obras de caridade públicas, o nosso apoio à educação e à assistência social, e o nosso compromisso em formar homens melhores.
Nunca revele sinais de reconhecimento privados, detalhes rituais ou procedimentos da Loja. Um Maçom sensato sabe quando falar e quando se calar.
Internet e redes sociais
A era digital apresenta novos desafios e oportunidades de representação. Utilize as redes sociais, o e-mail e os fóruns online com a mesma discrição e decoro que empregaria pessoalmente. Nunca publique fotografias ou descrições do interior da Loja, cerimónias, rituais ou quaisquer procedimentos confidenciais.
Evite partilhar senhas, apertos de mão, sinais ou qualquer parte do nosso trabalho privado, mesmo que seja em tom de brincadeira.
As publicações sobre a Maçonaria devem ser positivas, factuais e inspiradoras. Partilhe notícias sobre eventos de caridade públicos, serviço comunitário ou história maçónica em geral. Utilize hashtags de forma ponderada e identifique as contas das lojas ou as páginas da Grande Loja quando for apropriado.
Evite envolver-se em debates políticos ou religiosos acalorados sob uma identidade maçónica; tais controvérsias podem dividir em vez de unir e podem deturpar a posição neutra da Ordem em questões sectárias.
Se se deparar com desinformação ou críticas à Maçonaria online, responda com calma e com base em factos, caso decida responder.
Corrija as falsidades com provas, mas nunca discuta acaloradamente nem recorra a ataques pessoais. Muitas vezes, o silêncio ou um simples redireccionamento para fontes maçónicas oficiais é a atitude mais sensata.
Lembre-se de que a Internet preserva as palavras para sempre; não escreva nada que não gostaria que fosse preservado para os seus filhos ou netos lerem.
Envolvimento familiar e comunitário
Incentive a sua família a participar em actividades maçónicas adequadas: noites das senhoras, piqueniques em família, ordens juvenis como a DeMolay, as Filhas de Jó ou a Rainbow for Girls, quando disponíveis, e eventos de caridade públicos.
Deixe que os seus entes queridos vejam a alegria da irmandade e a satisfação do serviço. Explique-lhes a Maçonaria em termos gerais, enfatizando os seus ensinamentos morais e objectivos de caridade, para que se possam orgulhar da sua filiação.
Na sua comunidade, seja voluntário em causas alinhadas com os valores maçónicos: apoio a viúvas e órfãos, bolsas de estudo, ajuda em caso de catástrofes ou projectos de melhoria local.
Quando a sua Loja realizar esse tipo de trabalho, participe activamente e convide amigos ou vizinhos não maçons a juntarem-se a vocês, sempre que o evento for aberto ao público.
Estes esforços estendem a mão de ajuda para além do nosso próprio círculo e demonstram que a Maçonaria não existe apenas para si própria, mas para o bem da humanidade.
Irmãos, a conduta fora da Loja é a prova definitiva da nossa sinceridade. O mundo julga a Maçonaria não apenas pelos seus rituais ou símbolos, mas pela vida dos seus membros.
Que a vossa conduta diária seja tal que, quando as pessoas virem as vossas acções, possam dizer: “É assim que um Maçom vive.”
Desta forma, honramos as nossas obrigações, glorificamos o Grande Arquitecto e deixamos a Ordem mais forte para aqueles que nos seguirão.
Parte VI: Considerações Especiais
Irmãos, embora as orientações acima se apliquem a todos os maçons em boa situação, certas circunstâncias exigem reflexão e cuidado adicionais.
Os novos membros, os oficiais e aqueles que lidam com variações entre jurisdições enfrentam, cada um, oportunidades e responsabilidades únicas na defesa da etiqueta maçónica.
Ao ter em conta estas considerações especiais, asseguramos que a Ordem continua a ser acolhedora para os recém-iniciados, exemplar na sua liderança e harmoniosa nas diversas expressões da nossa antiga Instituição.
Para os novos membros
Aprendizes e Companheiros, sejam bem-vindos à Fraternidade. Os primeiros meses e anos de filiação são um período de aprendizagem, observação e crescimento.
Grande parte da etiqueta maçónica é assimilada não apenas através da instrução formal, mas também através do exemplo discreto e da prática paciente. Frequentem a Loja regularmente, cheguem cedo e posicionem-se de forma a poderem observar sem incomodar. Observem como os Irmãos mais experientes entram, saúdam, se sentam, falam e se comportam.
Reparem na precisão dos seus movimentos, no respeito com que se dirigem aos outros e no silêncio que mantêm durante as partes solenes da cerimónia.
Não hesite em fazer perguntas, mas escolha o momento com sabedoria. Após o encerramento da Loja, ou durante o lanche, aproxime-se de um Irmão de confiança — talvez o seu mentor, o Diácono Sénior ou um Antigo Mestre — e peça esclarecimentos em privado.
A maioria dos maçons tem um prazer genuíno em orientar um novo irmão; o seu interesse honra a própria trajectória deles.
Evite fazer perguntas sobre o ritual na Loja aberta ou em companhia mista, pois isso pode colocar os outros numa posição delicada no que diz respeito à discrição.
Observe antes de participar. Quando a Loja se abrir no primeiro grau e for um Aprendiz Iniciado, permaneça sentado, a menos que lhe seja indicado o contrário. À medida que for avançando pelos graus, assumirá gradualmente papéis mais importantes nos procedimentos.
Até lá, oiça com atenção, siga o exemplo daqueles que o rodeiam e abstenha-se de dar opiniões sobre os assuntos da Loja, a menos que seja especificamente convidado a fazê-lo. A humildade nestes primeiros dias cria respeito e confiança entre os seus Irmãos.
Vista-se e cuide da sua aparência conforme descrito na Secção 1 desde o início. Uma aparência cuidada transmite à Loja a certeza de que valoriza os privilégios que lhe são concedidos.
Leve consigo um pequeno bloco de notas, se isso o ajudar a registar perguntas ou lembretes, mas nunca tome notas durante as cerimónias propriamente ditas.
Acima de tudo, aborde cada reunião com um coração receptivo. A luz que procura é transmitida não só através das palavras, mas também através do exemplo vivo dos Irmãos reunidos.
Para os Dirigentes
Os Irmãos que aceitam as funções de um cargo, sejam eles Comissário Júnior, Diácono Sénior, Vigilante ou Venerável Mestre, têm a elevada responsabilidade de dar o exemplo da conduta maçónica.
As vossas acções definem o tom de toda a Loja. O Venerável Mestre, em particular, é o chefe visível da Loja durante o seu mandato; cada batida do seu malhete, cada palavra proferida do Leste e cada decisão que tomar devem exemplificar ordem, justiça e bondade fraternal.
Chegue com bastante antecedência em relação à abertura para rever a ordem de trabalhos, confirmar que os oficiais estão preparados e garantir que a sala da Loja está devidamente organizada.
Durante a reunião, mantenha a compostura mesmo sob pressão. Se ocorrerem erros no ritual ou no procedimento, corrija-os com delicadeza e sem repreensão na Loja aberta. Uma conversa discreta com o Irmão em questão após a reunião preserva a harmonia muito melhor do que uma correcção pública.
Faça cumprir as normas com caridade, mas com firmeza. Se um Irmão chegar atrasado, falar fora de vez ou utilizar o seu emblema de forma inadequada, aborde o assunto com discrição, talvez com um lembrete gentil durante o lanche ou numa conversa privada após o encerramento.
Reserve a repreensão formal para infracções graves ou repetidas e siga sempre os estatutos da Loja e os regulamentos da Grande Loja.
Os dirigentes devem também orientar os membros mais jovens. Incentive a participação, ofereça feedback construtivo e reconheça o esforço. Uma palavra de elogio por um discurso bem proferido ou por uma moção oportuna fortalece a Loja mais do que a crítica alguma vez poderia fazer.
Dê o exemplo em termos de pontualidade, preparação e decoro; os Irmãos seguirão os passos dos seus dirigentes.
Variações culturais
A Maçonaria é praticada em quase todas as nações e sob a égide de muitas Grandes Lojas, cada uma com os seus próprios costumes, tradições e interpretações de etiqueta. O que é padrão numa jurisdição pode diferir noutra.
Por exemplo, algumas Grandes Lojas permitem gravatas coloridas ou vestuário casual de negócios nas reuniões ordinárias, enquanto outras insistem estritamente no fato preto e nas luvas brancas. Certas lojas levantam-se para os brindes, outras permanecem sentadas; algumas dão ênfase a procissões elaboradas, outras preferem a simplicidade.
Ao visitar uma Loja fora da sua jurisdição, informe-se discretamente com antecedência sobre os costumes locais. Pergunte ao seu anfitrião ou ao secretário da Loja qual o traje esperado, se se usa o traje cerimonial durante toda a cerimónia ou se prevalecem saudações ou formas de tratamento específicas.
À chegada, observe atentamente e adapte-se às práticas da Loja que visita. Nunca corrija um Irmão na sua própria Loja nem insista que “é assim que fazemos na nossa loja”.
A cortesia exige que o visitante se adapte ao anfitrião.
Os princípios universais permanecem constantes: respeito pelo Venerável Mestre, reverência pelo Altar, silêncio durante os trabalhos solenes, benevolência na fala e discrição em todas as coisas. Estes transcendem as diferenças jurisdicionais.
Quando surgirem variações, aceite-as como prova da riqueza da Fraternidade, em vez de as considerar pontos de discórdia.
Unidade no essencial, liberdade no não essencial e caridade em todas as coisas: esta máxima antiga guia-nos bem quando as culturas se encontram no seio da Maçonaria.
Irmãos, estas considerações especiais lembram-nos que a etiqueta não é um código rígido, mas uma expressão viva das nossas obrigações, adaptada às necessidades do indivíduo, da Loja e da jurisdição.
Os novos membros amadurecem até à plena participação através da paciência e do exemplo; os oficiais lideram ao encarnar as virtudes que ensinam; e os Irmãos de todas as Grandes Lojas reúnem-se em pé de igualdade quando guiados pelo respeito mútuo.
Ao prestarmos atenção a estas questões, fortalecemos a corrente de união que liga os maçons em todo o mundo.
Conclusão
Irmãos, percorremos juntos os elementos essenciais da etiqueta maçónica:
Desde a preparação cuidadosa antes de entrar na Loja, até à conduta reverente dentro das suas paredes, a comunicação prudente entre nós, o comportamento cortês em encontros sociais e de caridade, a conduta íntegra na vida quotidiana e as considerações especiais que orientam os novos membros, os oficiais e aqueles que se reúnem para além das fronteiras jurisdicionais.
Estas páginas não constituem um código exaustivo de regras rígidas, mas sim um lembrete fiel dos princípios que têm sustentado a nossa antiga e honrosa Instituição ao longo dos séculos.
No cerne de toda a etiqueta maçónica reside uma única verdade unificadora: somos Irmãos ligados por obrigações solenes uns para com os outros, para com a Ordem e para com o Grande Arquitecto do Universo.
Cada saudação prestada, cada palavra proferida com respeito, cada acto de caridade praticado, cada momento de silêncio observado e cada virtude praticada no mundo fora da Loja é uma expressão de amor fraternal, solidariedade e verdade.
Quando nos comportamos com dignidade e caridade, fazemos mais do que preservar a tradição; construímos sobre ela.
Fortalecemos a corrente de união que liga os maçons do passado, do presente e do futuro.
Provamos, com as nossas vidas, que a Maçonaria é uma força viva para o bem no mundo.
O verdadeiro Maçom não se limita a memorizar estas observâncias; ele interioriza-as.
Ele carrega o esquadro nas suas acções, o nível nas suas relações com os homens, o fio de prumo na sua rectidão moral e o compasso nos limites que estabelece para as suas paixões.
Na loja, encontra instrução e companheirismo; fora das suas portas, encontra o campo onde essa instrução é posta à prova e esse companheirismo estendido à humanidade.
Que cada um de nós se esforce diariamente por encarnar estas virtudes, sabendo que a honra da Fraternidade não repousa apenas nas suas jóias ou nos seus templos, mas no carácter dos seus membros.
Ao fechar este manual, pare por um momento para reflectir. Pergunte a si mesmo:
- Abordo a Loja com a reverência que ela merece?
- Falo e ouço de uma forma que promova a harmonia?
- As minhas acções no mundo reflectem a luz que recebi?
- Serei eu um Irmão em quem os outros possam confiar para obter apoio, discrição e bondade?
Se a resposta no teu coração não for perfeita, tem coragem. A Maçonaria é uma ciência progressiva; o aperfeiçoamento é o seu objectivo constante. Volta a estas páginas sempre que for necessário. Procura o conselho de Irmãos mais sábios.
Trabalha pacientemente na pedra em bruto que és tu próprio. Com o tempo, com perseverança e com a ajuda do Grande Arquitecto, a pedra tomará forma e o edifício permanecerá firme.
Que as bênçãos do amor fraterno o acompanhem em todos os seus empreendimentos. Que o socorro flua livremente das suas mãos para aqueles que precisam. Que a verdade guie sempre os seus passos. E que, na sua caminhada diária, se comporte de tal forma que, quando as suas tarefas terrenas terminarem, os seus irmãos possam dizer com sincero afecto:
“Aqui esteve um Maçom verdadeiro e fiel.”
Que assim seja.
Obrigado por ler “Etiqueta Maçónica: Um Guia para a Conduta Adequada em Loja e Além…”
É minha sincera esperança que estas páginas o ajudem a abordar todos os aspectos da vida maçónica com maior confiança, dignidade e afecto fraterno, quer seja um Maçom recém-iniciado ou um dirigente experiente.
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Mais uma vez, obrigado pela vossa leitura. Que as bênçãos do amor fraterno, do socorro e da verdade vos acompanhem sempre, a vós e à vossa Loja.
Que assim seja.
- R∴ L∴ Mestre Affonso Domingues, nº 5 (GLLP / GLRP)
- Ex Libris Lodge, nº 3765 (UGLE)
- Lodge of Discoveries, nº 9409 (UGLE)
Fonte
- Página Masonic Find

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Querido Ir:. Antonio Jorge,
Muito obrigado pelo envio do guia de condutas e dos livros originais do Ir Mackey. Serão extremamente úteis para estudos em nossa biblioteca virtual.
Um abraço fraternal!
Eu é que agradeço, MQI Nivaldo. Forte ABraço