Uma iniciativa importante para o futuro da Maçonaria
Num mundo em que a Maçonaria continua a ser um espaço de reflexão, intercâmbio e fraternidade, a Grande Loja de França (GLdF) acaba de lançar uma pedra angular para responder aos desafios contemporâneos: a criação do Observatório do Anti-maçonismo. Liderada por Thierry Zaveroni, Grão-Mestre de 2022 a 2025, e sob a presidência esclarecida do Muito Respeitável Grão-Mestre Honoris Causa Henri Hauterville, esta iniciativa insere-se na tradição de inovação e abertura da obediência, ao mesmo tempo que enfrenta com lucidez o ressurgimento de discursos hostis à Maçonaria.
Uma resposta a um desafio contemporâneo
O anti-maçonismo não é um vestígio do passado. Há vários anos, tem vindo a registar um recrudescimento alarmante, amplificado pelas redes sociais, pelos discursos conspiratórios e por certos movimentos políticos ou religiosos extremistas. De ataques online a ameaças físicas, passando por comentários discriminatórios, a Maçonaria tornou-se um alvo designado para aqueles que rejeitam os valores da liberdade de consciência, do secularismo aberto e do humanismo. Como sublinha o Manifesto Fundador do Observatório
«aqueles que nos acusam, insultam, caluniam ou ameaçam, não atacam apenas a nós. Atacam a liberdade de consciência, o espírito dos Iluministas, a tolerância recíproca».
Face a este aumento da desconfiança, a Grande Loja de França optou por não responder com silêncio ou medo, mas com uma acção colectiva e esclarecida. A ideia deste Observatório, que surgiu em 2014, encontrou um eco decisivo sob o impulso da GLdF, com a aprovação entusiástica do seu Conselho Federal em Junho de 2025.
Uma missão multidimensional
O Observatório pretende ser uma ferramenta de vigilância, análise, formação e defesa, com objectivos precisos:
- Vigilância e documentação: Recensear rigorosamente os actos, discursos e conteúdos antimaçónicos em todos os suportes (meios de comunicação social, redes sociais, publicações religiosas, fóruns políticos). O Observatório estabelecerá um barómetro anual e um mapeamento dos incidentes, criando simultaneamente uma biblioteca digital de arquivos indexados.
- Análise e investigação: Estudar as raízes históricas, sociológicas e ideológicas do anti-maçonismo, em colaboração com um comité científico interdisciplinar composto por historiadores, sociólogos, juristas e filósofos. Serão produzidos relatórios anuais e estudos comparativos com outras formas de discriminação (anti-semitismo, racismo, etc.).
- Formação e sensibilização: Desenvolver módulos pedagógicos para as Lojas, as Obediências, mas também para as instituições republicanas, os professores e os jornalistas. Colóquios, exposições itinerantes e campanhas de comunicação completarão este esforço de transmissão.
- Apoio e defesa: Oferecer apoio concreto aos Irmãos, Irmãs e Lojas vítimas de hostilidade, trabalhando simultaneamente para o reconhecimento jurídico do anti-maçonismo como forma de discriminação filosófica. O Observatório facilitará também o diálogo com as autoridades públicas e as associações de defesa dos direitos humanos.
Uma abordagem interobediencial e cidadã
Um dos aspectos mais inovadores desta iniciativa é o seu carácter inter-obediencial. O Observatório não é uma emanação de uma única Obediência, mas uma estrutura fraterna, aberta a todas as sensibilidades maçónicas francesas. Cada Obediência é convidada a designar um representante para o comité de prefiguração e a contribuir para a reflexão colectiva. Esta abordagem reflecte o espírito de concórdia e pluralidade que anima a Maçonaria, ao mesmo tempo que reforça a coesão face a um desafio comum.
Para além do âmbito maçónico, o Observatório insere-se numa abordagem cidadã. Ao desejar associar-se a instituições como a DILCRAH (Delegação Interministerial para a Luta contra o Racismo, o Anti-semitismo e o Ódio Anti-LGBT), a CNCDH (Comissão Nacional Consultiva dos Direitos Humanos) e ministérios (Interior, Justiça, Educação Nacional), ele ambiciona fazer com que o anti-maçonismo seja reconhecido como um facto social e histórico que merece uma resposta republicana. Parcerias com associações como a LICRA, o MRAP ou o SOS Racisme, bem como com redes universitárias e jornalísticas, irão enriquecer esta dinâmica.
Uma extensão iniciática
O Observatório não é uma simples ferramenta administrativa ou profana. Ele encarna uma extensão operativa da abordagem maçónica, como destaca o Projecto de criação. Por trás da análise racional está a vigilância do Mestre, a Espada Flamejante que defende o Templo invisível contra os ataques do obscurantismo. Ao responder ao anti-maçonismo, a GLdF reafirma os valores fundamentais da iniciação: a busca da verdade, a defesa da fraternidade e a resistência à ignorância.
Esta iniciativa inscreve-se também na tradição maçónica de abertura e rede, herdada do século XVIII. Na época, os certificados de reconhecimento e os guias das Lojas facilitavam o intercâmbio entre os Irmãos em toda a Europa. Hoje, o Observatório dá continuidade a esse espírito, criando um espaço de análise e prospectiva, conectando as Lojas, as Obediências e a sociedade profana.
Uma visão para o futuro
A criação do Observatório marca uma etapa decisiva na história da GLdF. Ela testemunha a sua capacidade de se adaptar aos desafios do século XXI, mantendo-se fiel às suas raízes iniciáticas. Ao dotar a Maçonaria de uma ferramenta de vigilância e diálogo, a GLdF reforça a sua influência, não só dentro da Ordem, mas também no espaço público. Ao valorizar os seus valores – fraternidade, liberdade de consciência, respeito mútuo – junto do grande público, contribui para desmistificar a Maçonaria e contrariar os estereótipos veiculados pelos seus detractores.
O lançamento oficial está previsto para o Outono de 2025, por ocasião de uma reunião preparatória que reunirá Obediências, investigadores, eleitos e actores da sociedade civil. Várias Obediências já manifestaram a sua vontade de colaborar com este Observatório.
- Sede da Grande Loja de França, Rua Puteaux Paris XVIIe
Ao criar o Observatório do Anti-maçonismo, a Grande Loja da França dá um passo de lucidez e responsabilidade. Esta iniciativa, na encruzilhada entre o compromisso iniciático e a acção cidadã, abre novas perspectivas para a Maçonaria. Ela encarna uma resposta fraterna e esclarecida ao ódio, ao mesmo tempo que reafirma o papel da Ordem como guardiã dos valores republicanos e humanistas. Como proclama o Manifesto Fundador, “é hora de passar da palavra à acção, do silêncio à memória, da indignação à construção”. A GLdF mostra o caminho e convida toda a Maçonaria a juntar-se a ela nesta luta pela Luz.
Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:- R∴ L∴ Mestre Affonso Domingues, nº 5 (GLLP / GLRP)
- Ex-Libris Lodge, nº 3765 (UGLE)
- Lodge of Discoveries, nº 9409 (UGLE)
Fonte

- Emmanuel Macron na Grande Loja de França (GLdF) no dia 5.5.2025
- Porque os Maçons chamam Deus de Grande Arquitecto do Universo
- Obrigado por ser um Maçom
- A questão da tecnologia para a Maçonaria
- Discurso de Emmanuel Macron na Grande Loja de França (GLdF)

