Irmão Joseph-Ignace Guillotin

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Irmão Joseph-Ignace Guillotin
Irmão Joseph-Ignace Guillotin

Joseph Ignace Guillotin (nascido em 28 de Maio de  1738 em Saintese; morto em 26 de Março de 1814 em Paris foi um médico e político francês. Ele é conhecido por ter feito com que  a guilhotina  fosse adoptada sob a Revolução Francesa como modo de execuções único de pena capital.

Ele era é o nono de treze filhos de Joseph-Alexandre Guillotin, advogado de Gironde  casado com Catherine Agathe Martin. Ele residia em Villiers-sur-Orge. Estudou teologia por sete anos no colégio jesuíta de Bordeaux, onde conseguiu o seu bacharelado. Jesuíta, foi o primeiro professor do Colégio Irlandês em Bordeaux.  Em 1763, ele escolheu os estudos de medicina em Reims (onde os estudos eram menos caros), e depois em 1768 em Paris por três anos, graças a bolsas de estudo. Tornou-se um aluno da Faculdade de Medicina de Paris, onde obteve um doutoramento de Regente em 1770 e ensinou anatomia, fisiologia e patologia nesta mesma Faculdade (de 1778 a 1783). Ao mesmo tempo, mantinha um consultório [1] e realizava experiências científicas sobre o vinagre ou as características da raiva. Em 14 Julho de 1787 casou-se com Elise Saugrain [2].

Ele foi médico do Conde de Provença.

O político

Mesmo antes da Revolução Francesa, Guillotin era famoso por ter publicado vários livros políticos e ter proposto algumas reformas. No seu livro Petição de seis corpos (ou Petição de cidadãos domiciliados em Paris) elaborada em 8 de Dezembro de 1788, ele reclamava o voto por cabeça (e não por ordem) aos Estados gerais e que o número de deputados do terceiro estado (o povo) fosse pelo menos igual ao de deputados das outras duas ordens (nobreza e clero). Esta proposta valeu-lhe, primeiro, a desaprovação do Rei (várias pessoas já tinham enviado este tipo de pedido ao soberano, mas numa correspondência pessoal e não lhe pedindo publicamente por meio de proclamas) e ele foi a julgamento. O Parlamento de Paris condenou-o em 20 de Dezembro de 1788 quanto à forma e não ao conteúdo, conforme observou o conselheiro Lefebvre: “Este julgamento diz respeito à forma dos seus escritos e ao seu modo de divulgação. Quanto ao mérito, o Parlamento, de quem sou aqui o intérprete, nada encontrou a reprovar.” A divulgação da petição é então impedida. Em 27 de Dezembro de 1788, a pedido de Necker, ela é aceita pelo Conselho de Estado do rei. Eleito deputado pelo Terceiro Estado da cidade e dos subúrbios de Paris para os Estados Gerais de 1789, foi ele quem propôs a reunião na sala do Jeu de Paume, quando os deputados encontraram a sua sala fechada em 19 de Junho.

O Maçom

Iniciado em 1772, na loja Perfeita União de Angoulême, ele tornou-se em 1776, o Venerável da Loja Concórdia Fraternal, no Oriente de Paris, e em 1778, um membro da loja Nove Irmãs (juntamente com os pintores Jean-Baptiste Greuze ou Claude Joseph Vernet, Voltaire, o Duque de Orleans e o Duque de Chartres) [3]. Ao longo da sua vida, ele frequentou estas lojas cheias de racionalidade e liberdade, e desempenhou um papel fundamental na formação do Grande Oriente de França.

Guillotin e guilhotina

Com o apoio de Mirabeau, deputado e secretário da Assembleia Nacional Constituinte, Guillotin propôs em 9 de Outubro de 1789 um projecto de reforma da legislação penal, cujo artigo primeiro afirmava que “crimes de mesma espécie serão punidos com os mesmos tipos de penas, independentemente da posição e status do culpado.” Ele pediu na reunião de 1º de Dezembro de 1789 que “a decapitação fosse a única punição adoptada e que se buscasse uma máquina que pudesse substituir a mão do carrasco.” O uso de um dispositivo mecânico para a execução da pena de morte parecia-lhe uma garantia de igualdade, que ele acreditava devesse abrir a porta para um futuro onde a pena de morte fosse finalmente abolida. De facto, até então a execução da pena capital variava de acordo com a posição e o status social do condenado: os nobres eram decapitados com sabre, os plebeus com um machado, o regicídio e criminosos de Estado eram destroçados, os hereges queimados, os ladrões morriam na roda ou enforcados, e os falsificadores de dinheiro eram cozidos vivos num caldeirão.

A proposta de Guillotin visava igualmente eliminar o sofrimento desnecessário. De facto, os pobres que não podiam pagar uma execução de qualidade, eram decapitados com uma arma sem corte, o que resultava numa execução longa e dolorosa.

A sua ideia foi adoptada em 1791 pela Lei de 6 de Outubro e, apesar dos seus protestos, atribuiu-se o seu nome a esta máquina, que no entanto já existia desde o século XVI. Depois de vários testes em ovelhas e três cadáveres no Hospital de Bicêtre em 15 de Abril de 1792, a primeira pessoa guilhotinada na França foi um ladrão, chamado Nicolas Jacques Pelletier, em 25 de Abril de 1792.

O aparelho foi aperfeiçoado em 1792 por seu confrade Antoine Louis, secretário perpétuo da Academia de Cirurgia (daí o seu nome Louison), e viu rapidamente selado com o nome guilhotina contra a vontade do Dr. Guillotin que manifestou o seu arrependimento até à sua morte em 1814, chamando a sua famosa máquina “a tarefa involuntária da [sua] vida”.

Guillotin esperava criar uma execução mais humana e menos dolorosa. Mas, durante o Terror, ela recebeu muitos apelidos (tais como a navalha nacionalmoinho do silêncio, a viúva, e então a gravata de Capeto após o seu uso em Louis XVI) contribuiu significativamente para a multiplicação da pena capital.

Preso durante o Terror, Guillotin foi colocado em liberdade após a morte de Robespierre. Ele passou o resto da sua vida longe da vida política e dedicou-se mais à medicina,  propagando a prática da vacinação contra a varíola e sob o Consulado, ele foi encarregado de instalar o primeiro programa coerente de saúde pública na França à escala nacional.

Foi nomeado médico Chefe do hospital Saint-Vaast de Arras. Guillotin também foi o fundador da Sociedade dos primeiros médicos de Paris, precursora da actual Academia Nacional de Medicina.

A crença de que o próprio Guillotin morreu guilhotinado não tem qualquer fundamento histórico. No entanto, trata-se de uma ideia generalizada, provavelmente baseada na ironia do destino que teria sido se o iniciador do uso da máquina tivesse, ele mesmo, sido incluído no número incontável de vítimas de quem a máquina facilitou a execução durante o Terror.

“Há homens infelizes. Colombo não pode ligar o seu nome à sua descoberta; Guillotin não conseguiu separar o seu da sua invenção. ”

Victor Hugo

Tradução feita por José Filardo

[1] Ele compartilha com o seu colega Jean-Paul Marat a clientela das casas de irmãos do rei, o Conde de Provença, futuro Luís XVIII e o Conde d’Artois.

[2] O infeliz Guillotin, filantropo incompreendido. – Entrevista com Jacques Battin, autor de Médicos e pacientes célebres – Ed. Glyphe, 2009.

[3] a e  b Guillotin, irmão do povo, L’Express, 3 de Fevereiro de 2009

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