João Inácio Francisco de Paula de Noronha – 2º Conde de Paraty

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João Inácio Francisco de Paula de Noronha - 2º Conde de Paraty (1820-1884)
João Inácio Francisco de Paula de Noronha – 2º Conde de Paraty (1820-1884)

O título nobiliárquico foi criado por Carta Régia datada de 4 de Dezembro de 1813, assinada pelo príncipe-regente D. João, o futuro D. João VI de  Portugal, então governando em nome de sua mãe, a rainha D. Maria I de Portugal.

João Inácio Francisco de Paula de Noronha (Rio de Janeiro, 31.07.1820 – Lisboa, Palácio Paraty, 22.04.1884), 2.º Conde de Paraty, foi um aristocrata e grande proprietário fundiário, que exerceu as funções de governador civil do Distrito de Lisboa e de Par do Reino.

Biografia

Grande proprietário em Portugal e no Brasil, foi Oficial Mor da Casa Real e adido honorário de legação, exerceu as funções de alferes do Batalhão de Voluntários do Comércio.

Tendo o seu pai falecido no ano de 1849 (14.7.1849), deixou o Rio de Janeiro onde residia e partiu para Portugal em Julho do mesmo ano; a 7 de Fevereiro de 1850 tomou posse do seu lugar na Câmara dos Pares. Como par do reino não teve grande actividade parlamentar, limitando-se a fazer parte da Comissão de Petições e a integrar algumas comissões especiais formadas para analisar pedidos de sucessão no pariato. A 18 de Dezembro de 1850 foi feito Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Era também Grãn-Cruz da Ordem de Isabel a Católica.[2]

Quando no ano de 1857 Lisboa foi atingida por uma grande epidemia de febre amarela, destacou-se na organização da ajuda aos doentes, presidindo a uma comissão de socorros e participando pessoalmente, apesar do risco de contágio, nas operações de apoio. Pela sua acção na luta contra esta epidemia, foi agraciado pela Câmara de Lisboa (diploma de 2 de Julho de 1859) com a “medalha (chamada medalha da febre amarela) cunhada para comemorar os feitos de valor e caridade prestados naquela infausta crise… Junto a esta carta remeto o respectivo diploma e medalha a fim de que V. Exa. a possa usar como símbolo da sua dedicação pela causa da humanidade“. Por razões desconhecidas, provavelmente por modéstia, esta condecoração foi renunciada e devolvida por D. João Inácio.

Por carta do rei D. Luís I de Portugal, dada no Paço da Ajuda aos 27 de Novembro de 1862, foi nomeado Cavaleiro da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. Diz essa carta régia: “Querendo Eu remunerar condignamente os relevantes serviços que diversas corporações e indivíduos prestaram por ocasião da epidemia de febre amarela, que assolou a capital no ano de mil oitocentos cinquenta e sete, e aos assinalados actos de caridade e devoção cívica que praticaram em tão calamitosa crise, Dando um público testemunho do grande apreço em que os Tenho: Hei por bem Fazer mercê ao Conde de Paraty, membro que era da Comissão de Socorros da freguesia de Santa Isabel, de o Nomear (…)”.

Foi nomeado Governador Civil do Distrito de Lisboa a 16 de Fevereiro de 1860, cargo que exerceu até 1 de Setembro daquele ano.

Faleceu no Palácio Paraty, na freguesia de Santa Isabel em Lisboa a 22 de Abril de 1884, sendo sucedido na Câmara dos Pares do Reino pelo seu filho, D. Miguel Aleixo António do Carmo de Noronha, 3.º Conde de Paraty.

Família

Nasceu no Rio de Janeiro, para onde seus pais se tinham refugiado em consequência das Invasões Francesas, filho primogénito de D. Miguel Rafael António do Carmo de Noronha Abranches Castelo Branco, 1.º Conde de Paraty, filho do 6.º Conde de Valadares, e de sua mulher D. Francisca Quintina de Menezes da Silveira e Castro, Dama da Rainha D. Maria I, filha do 1.º Marquês de Valada e 1.º Conde de Caparica, D. Francisco de Menezes da Silveira e Castro e de D. Ana Teresa d’Almeida, e viúva de D. Manuel José de Sousa Coutinho, 1.º Conde do Barreiro.

Quando se baptizou este filho do Conde de Paraty, El-Rei D. João VI fê-lo Conde depois de oito dias de nascido, sendo o Rei padrinho, e a Princesa D. Maria Thereza madrinha, honra que os soberanos portugueses só tinham dado ao Duque de Cadaval.

Casou em 6 de Março de 1842 com Francisca da Cruz Lacé Pedrosa. Desta união nasceram os seguintes filhos:

  • Miguel Aleixo António do Carmo de Noronha, 3º conde de Paraty, que nasceu a 17.01.1850, e casou com D. Isabel Maria de Sousa Mourão e Vasconcelos.
  • António Caetano do Carmo de Noronha, que nasceu a 07.08.1854, e casou com D. Maria Domingas de Figueiredo Cabral da Câmara.
  • João Zeferino António do Carmo de Noronha, que nasceu em 26.08.1854, e casou em primeiras núpcias com D. Eugénia de Menezes e em segundas núpcias com D. Ana Mafalda de Menezes.
  • José Tibúrcio António do Carmo de Noronha, que nasceu a 11.08.1855, e casou com Elvira Clara Tomazini.
  • Francisco Honorato do Carmo de Noronha, que nasceu a 22.12.1861.

Percurso Maçónico

Não é conhecida a data exacta da sua Iniciação maçónica na Loja Tolerância (terá ocorrido entre 1852 e 1856), uma prestigiada oficina do Grande Oriente de Portugal, uma das várias obediências nascidas das profundas divisões do Grande Oriente Lusitano que, encabeçada por Marcelino de Azevedo e Melo e José Moura Coutinho, defendia o regresso da Maçonaria portuguesa ao âmbito restrito dos seus valores e filosofia, e o abandono da querela política acesa pelo Cabralismo. É, no entanto, bem conhecido o seu nome simbólico: Nun’Alvares Pereira. É, pela mão do Conde de Paraty que a Loja Tolerância regressa ao seio do Grande Oriente Lusitano e será esta a principal fonte da regeneração da Maçonaria portuguesa.

Sem qualquer hesitação nem oposição interna, o Conde de Paraty foi eleito Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano em 1859 (o 17.º (ou 1.º e único depois da sua reunificação)), lugar que ocupou até 1869. Durante esse período, Paraty conseguiu o impensável: reunir todas as principais obediências da Federação Maçónica Portuguesa, liderada por Elias Garcia, no Grande Oriente da sua origem, abolir os excessos político-partidários das suas Lojas e reaproximar os trabalhos maçónicos do seu referencial deísta, iniciático, simbólico e filosófico, bem patente com a aprovação da nova Constituição, em Janeiro de 1868. A 17 de Agosto de 1869, o Conde de Paraty consegue a reintegração do Grande Oriente Português, a última das facções maçónicas que se encontrava “de fora”. Nessa data, o Conde de Paraty e José Mendes Leal assinam o Acto Adicional, dando assim origem ao Grande Oriente Lusitano Unido (GOLU, de que será seu Grão-Mestre até 1881.

O 2º Conde de Paraty foi também o 12.º Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho afecto ao Grande Oriente Lusitano.

Para além da reunificação da Maçonaria portuguesa, o Conde de Paraty conseguiu igualmente unir e trazer para o GOLU os vários Supremos Conselhos do Rito Escocês Antigo e Aceite que se haviam multiplicado com as querelas e cisões internas. Torna-se assim, por inerência e de acordo com a Constituição do GOLU, no seu Soberano Grande Comendador, durante todo o seu grão-mestrado. Este processo conduz também ao estreitamento de relações com a Grande Loja da Irlanda, através da sua Grande Loja Provincial estabelecida em Portugal. O sucesso do trabalho do Conde de Paraty é coroado com o reconhecimento do Supremo Conselho do GOLU pelo Supremo Conselho da Jurisdição Norte dos Estados Unidos da América, com a deslocação a Lisboa do seu representante para as relações exteriores, Albert G. Goodall, em Outubro de 1870. Com tudo isto, o GOLU assinaria, nos anos de presidência de João Inácio Francisco de Paula de Noronha, o maior número de protocolos de reconhecimento com potências internacionais da sua história.

Homenagem

No momento da sua morte, O Boletim do Grande Oriente do Brasil – Jornal Official da Maçonaria Brazileira, publicava no seu número 6 – 13º ano – de Junho de 1884, o seguinte texto:

O CONDE DE PARATY 33∴

GR∴ MEST∴ HON∴ DO GR∴ OR∴ DO BRAZIL

Permitta-nos a illustre redacção do Nível que nós igualmente venhamos depôr uma coroa, ainda que singela, sobre o ataúde do grande vulto macón o nosso Pod e Il Ir 33 Conde de Paraty.

A Maçon∴ do Brazil sempre lhe prestou subida conside­ração tanto que conferio-lhe o alto gr∴ de Sob∴ Gr∴ Insp∴ Ger∴ 33∴ e a dignidade de seu Gr∴ M∴ Honor∴

Ao constar a triste e infausta noticia de seu fallecimento, por ordem do nosso Sob∴ Gr∴ M∴ Gr∴ Com∴ suspenderão-se todos os trabalhos das LLoj∴ e tornou-se o luto devido.

Vão-se rareando as fileiras dos Maçons preclaros : hontem, o Visconde do Rio Branco, e hoje, o Conde de Paraty.

Maçons como estes morrem para o mundo, porém vivem no coração de seus Irmãos, que sempre se recordarão do rasto lumi­noso que elles deixarão passando pelo mundo, porque em sua passagem só visarão fazer o bem — Transit benefaciendo.

Ao terminar permitta-nos o Nivel que d’elle transcrevamos o seguinte discurso fúnebre, pronunciado pelo Respeitável Irmão Orador da Augusta Loja “Tolerancia 1ª Regeneradora” por occasião do seu funeral maçonico, no qual evidentemente demonstra o quanto o nosso Poderoso Irmão Conde de Paraty esmerava-se pelo engrandecimento da Ordem e a considerava :

D. João Ignacio Francisco de Paula de Noronha, 2° conde de Paraty, nasceu em 31 de julho de 1820.

Nascido n’essa época de reformas liberaes, perfilou e defendeu como suas, as idéas sob cuja influencia nasceu.

Vindo ao mundo, quando os verdadeiros patriotas refor­mavam a constituição do paiz, elle tornou-se tão liberal como essa reforma sua irmã gemea.

Com intelligencia clara e independencia de caracter, soube distinguir o bom do máo, por isso despresou as falsas doutrinas, abraçando as idéas da fraternidade.

Em 1859, o nobre duque da Terceira, que era então o presi­dente do conselho de ministros, reconhecendo a fina tactica administrativa do conde de Paraty, que contava 39 annos de edade, fez com que este fosse chamado a occupar o importantissimo lugar de governador civil da cidade de Lisboa, que desempenhou com intelligencia, actividade e honradez, pres­tando relevantes serviços ao districto que administrava.

Como vêdes, meus irmãos, o homem que regeu os trabalhos da maçonaria portugueza, estava suficientemente reconhecido e respeitado na sua auctorisada intelligencia.

Foi por isso que em 1856, quando o Grande Oriente Lusitano, se desgarrou da direcção puramente politica do conde de Thomar, o conde de Paraty empunhou o malhete do Grão Mestrado, pouco tempo depois da sua iniciação.

Homens como aquelle nosso chorado irmão, ha poucos e por consequência bem avisados andaram os maçons de então, elevando-o á mais alia dignidade na maçonaria, elegendo-o seu grão mestre.

Não se orgulhou o conde de Paraty, com essa distincção, nem tão pouco repousou sob a gloriosa investidura de chefe da familia maçónica portugueza!… Comprehendedor dos seus deveres e direitos, reconheceu a necessidade de dar o exemplo, e, tornou-se activissimo e extremamente dedicado pela nossa causa.

A maçonaria portugueza, deve-lhe muito, senão quasi tudo o que vale!!!

Logo que empunhou o malhete, desenvolveu Lojas, animou os seus trabalhos, fez-se rodear dos homens mais importantes na escala social e com o prejuiso da sua própria bolsa e muito trabalho, sanava as dificuldades do corpo collectivo e suavisava as desventuras dos seus irmãos.

A sua influencia valiosa estava sempre á disposição de qual­quer maçon que lh’a solicitava e era sempre com agrado ver­dadeiramente fraternal que elle trabalhava em auxilio de todas as justas pretenções dos seus irmãos.

Ha factos na vida d’esse illustre maçon que cada um por si, seria um tilulo ao nosso respeito e veneração, se nós não es­tivéssemos pela nossa consciencia e conhecimentos do seu cara­cter, de ha muito acostumados a consideral-o e a respeital-o, como o primeiro entre os primeiros dos legitimes e bons maçons.

Quando em 1857 a população da cidade de Lisboa gemia afflicta sob o peso da horrorosa e devastadora epidemia que no campo da sua vertiginosa carreira deixou na viuvez e orphandade, tantos milhares de pessoas, mostrou mais uma vez o benemerito conde de Paraty a sua abnegação em prol dos seus similhantes.

Como presidente da commissãò de soccorros na freguezia de Santa Izabel, elle, com o risco de sua própria vida e com a cari­dade verdadeiramente maçónica, ia pessoalmente levar o con­forto onde o desanimo e prostração se encontravam. Despido de todas as vaidades humanas, entrava no albergue do indi­gente e ahi prodigalisava todos os recursos que a sua fortuna, posição e boa vontade podiam dispor. É que aquelle coração não sabia distinguir classes sociaes, senão para auxiliar as mais necessitadas.

O mundo profano distinguiu-o com as medalhas da Torre Es­pada, e a de Lisboa Agradecida, sendo esta creada pela camara municipal em prova de reconhecimento para com tão benemeritos cidadãos.

No Brazil onde esteve, prestou importantíssimos serviços aos portuguezes, sendo a sua casa alli um verdadeiro hotel para a maioria da nossa marinha e batalhão naval. Por isso mais tarde os maçons que trabalhavam sob os auspícios do Grande Oriente do Brazil, o elegeram seu Grão Mestre Honorário e lhe votaram o grau 33 que lhe foi communicado em Lisboa pelo poderoso Irmão Bernardo Pinto de Carvalho.

Não descurando da causa que elle representava, conseguiu, por intermédio dos seus amigos pessoaes o commendador Car­valho e Castro, cujo retrato se acha collocado na sala do con­selho da Ordem e Charles Duffon Pauillac, membro importante do Grande Oriente de França, que esta potência maçónica re­conhecesse o Grande Oriente Lusitano. Em seguida estabe­leceu tratados e fez-nos reconhecer com todos e por todos os orientes estrangeiros.

Infatigavel no empenho que tinha pelo esplendor da maço­naria portugueza, provocou e trabalhou insistentemente para a união de toda a familia maçónica portugueza, o que conse­guiu a despeito de muitas contrariedades em 1869, formando então o Grande Oriente Lusitano Unido Supremo Conselho da Maçonaria Portugueza, composto da federação maçónica, Orien­te de Portugal, Loja Provincial do Grande Oriente de Dublin e da Respeitável Loja Regeneração Irlandeza, realisado pelo acto addiccional de 17 de agosto e acta lavrada em 19 de outubro do mesmo anno de 1869.

Investido que foi no grau 33 que o Grande Oriente do Brazil lhe votou, formou em seguida o supremo conselho que fez sanccionar pelas altas potências daquelle rito.

No mundo profano foi elevado ás dignidades do Pariato – Grã Cruz d’Tsabel a Catholica, commendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Villa Viçosa, além d’aquellas a que já me referi.

Vendo-se doente e sem forças para continuar na gerencia effectiva dos negocios maçonicos, renunciou aos cargos de grão mestre e soberano grande commendador, por prancha enviada á Grande Loja em 9 de setembro de 1881 que n’essa mesma ses­são deliberou se lhe passasse o diploma de seu grão mestre honorario como prova de consideração pelos seus serviços.

Ahi tendes o homem honrado, o cidadão prestante e o maçon perfeito, que o positivismo da morte nos veio arrebatar no dia 22 de abril do corrente anno.

Em singelas e despretenciosas phrases en vos apresentei á vossa veneração, a sagrada memoria do nosso caro irmão o conde de Paráty, 33 grão mestre honorario da maçonaria portugueza, soberano grande commendador honorario dos sobe­ranos grandes inspectores geraes do grau 33 e membro effectivo da respeitável loja Tolerancia 1ª Regeneradora que, vem respeitosamente hoje depor a sua corôa de saudades sobre o ataúde do seu obreiro.

∞  ∞  ∞

Este preito d’homenagem que a respeitável Loja Tolerancia 1ª hoje presta á memoria d’este seu distincto irmão, é um simples e mesquinho pagamento da divida de gratidão que de ha muito tem contrahido para com aquelle prestimoso obreiro.

Era preciso mostrar que esse maçon ; que durante a vida não poderam demover dos seus principios maçonicos deixou em cada um de nós, um irmão leal que o vingará das afrontas fei­tas á sua memoria.

Reparae meus irmãos que, quando o corpo inanimado d’aquelle nosso chorado irmão, já não podia oppôr-se, nem pro­testar ; os jesuitas se apoderaram d’elle, e o apresentaram a face da multidão como um renegado ! Reparae que na presença do corpo ainda quente do nosso chorado grão-mestre, elles preten­deram humilhal-o, humilhando a nossa instituição!

Quizeram fazer-nos acreditar que o nosso chorado obreiro tinha abjurado das suas convicções maçónicas e para isso pre­pararam o espectáculo pouco digno para quem o pratica e que foi presenciado por todos quantos assistiram ao seu enterro.

Apezar da malicia jesuítica com que tudo foi preparado, apezar dos seus combinados planos, a nossa união prevaleceu na crença cm que todos estavamos e estamos, da sinceridade com que aquelle chorado irmão era dedicado á nossa augusta Ordem.

Se nada mais houvesse que justificasse essa crença, bastava ver esta assembléa ! Acham-se aqui reunidos os membros mais importantes da familia maçónica... E porque? Será o deslum­bramento de uma festa que os chama ? Não. Será o regosijo que os incite ? Também não. É simplesmente o desejo que todos os verdadeiros maçons teem de se associarem a esta solemnidade, prestando assim o respeito e veneração, pela memoria d’aquelle distincto e illustre irmão e mostrarem pelo seu concurso, o despreso a que votaram a insidia com que o jesuitismo quiz semear a desconfiança entre nós! Não ha, a meu ver, resposta mais eloquente a essa insidia, que a respeitabilidade d’esta assembléa, perante o catafalco do seu grão mestre.

E nós todos que aqui estamos reunidos, glorificando-o na eternidade onde jaz, protestemos em seu nome contra a fórma insólita e capciosamente inventada pela seita negra afim de com a sua baba peçonhenta innocular o virus da sua perversi­dade na memoria respeitável do conde de Paraty, do grão mes­tre honorario dos orientes de Brazil e Portugal!

É chegado o momento de levantarmos a luva que da som­bra nos foi arremessada pela mão do jesuíta reenviando-lh’a com a dignidade própria da Maçonaria.

Aqui, na escola, na familia, no comicio, na imprensa e no parlamento, levantemos a nossa voz contra a intolerancia d’esses falsos apostólos, que prégando doutrinas sem crença, só têm em mira o fazerem politica reaccionaria, a bem dos seus inte­resses e em prejuízo da humanidade.

Unidos como um só homem, seremos uma força poderosa, para pormos em pratica os nossos fins, que são incontestavel­mente o meio pratico da felicidade dos povos… e conseguin­do-o teremos completado a obra em que o nosso chorado e pode­roso Irmão conde de Paraty, empregou a melhor parte da sua vida.”

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António Jorge

Fontes

  • Paraty, 2º Conde de | Politipedia
  • Wikipedia.org
  • Boletim do Grande Oriente do Brasil – Jornal Official da Maçonaria Brazileira, número 6 – 13º ano – Junho de 1884
  • Uma História da Maçonaria em Portugal 1727-1986 – António Ventura
  • Historia da Maçonaria em Portugal – A. H. de Oliveira Marques

 

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One thought on “João Inácio Francisco de Paula de Noronha – 2º Conde de Paraty

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    Brilhante homenagem!

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