Começou esta semana em França o julgamento de 8 arguidos acusados de um plano terrorista neonazi para atacar uma Loja Maçónica em 2020-21.
Traduzido do sítio francês Notretemps.com:
O julgamento de oito pessoas suspeitas de terem planeado um ataque violento a uma loja maçónica entre 2020 e 2021, algumas das quais ligadas ao teórico da conspiração Rémy Daillet, começou na terça-feira no Tribunal Penal de Paris.
Sete homens e uma mulher, com idades compreendidas entre os 28 e os 69 anos, estão a ser julgados por associação de malfeitores terroristas. Um deles encontra-se nos Estados Unidos, sendo representado pelo seu advogado, pelo que não comparecerá em tribunal.
Todos estão em liberdade.
São suspeitos de quererem cometer um acto violento contra uma Loja Maçónica. Embora os investigadores tenham descoberto discussões virtuais, reuniões e feito buscas de armas no âmbito do que foi apelidado de “Projecto Alsácia”, nenhum cenário preciso foi estabelecido.
As investigações começaram em Fevereiro de 2021, centrando-se no grupo neonazi Honneur et Nation, cujos membros tinham ligações com Rémy Daillet, uma figura importante nos círculos conspirativos, que tinha sido expatriado para a Malásia durante algum tempo.
No final do inquérito, a Procuradoria Nacional Antiterrorista ilibou-o de qualquer envolvimento, declarando que o seu “papel” no projecto parecia ser “indirecto e residual”.
No entanto, foi indiciado em duas outras partes do caso que ainda estão a ser investigadas: o “Projeto Azur”, apresentado como um plano para “derrubar o governo” no Outono de 2020, e o rapto da pequena Mia em 2021.
O primeiro a ser interrogado é Sébastien Dudognon, antigo dirigente do Front National de la Jeunesse em Corrèze, que fundou a Division Nationaliste Révolutionnaire (DNR), um grupo neo-nazi que mais tarde deu lugar ao grupo Honneur et Nation.
No banco dos réus, o homem de trinta anos, de capuz preto, cabeça rapada e coberta de tatuagens, entre as quais uma enorme inscrição “skinhead”, responde a maior parte do tempo em frases curtas.
– “Delírio”
– “Fui um parvo ao envolver-me nestas coisas“, diz. “Estava a delirar um pouco… hoje não o teria feito de novo, isso é certo“.
Descrevendo-se na altura como um “nacionalista identitário”, “pela defesa da identidade” e do “culto”, diz ter “enveredado por coisas mais radicais” após a “desilusão” das eleições de 2017, negando, no entanto, ter tido qualquer atracção pela violência física.
Apesar de temer uma guerra civil na altura, diz que o projecto era, de facto, inicialmente “de sobrevivência”, envolvendo a aquisição de terras para viver com a sua família e amigos próximos. A ideia era “poder criar um ponto de encontro comunitário entre nós e sermos auto-suficientes em relação ao sistema exterior e podermos defender-nos”.
Quando questionado sobre os pormenores do plano de ataque a uma Loja Maçónica, concebido por um dos co-arguidos, Denis L., tem dificuldade em lembrar-se.
No final, Honneur et Nation foi dissolvida “no Verão de 2020” e o plano ficou sem efeito “no final de 2020”.
– “Quis abandonar a política, estava farto, andávamos em círculos”, diz Sébastien Dudognon, assegurando que se concentra agora no seu “projecto profissional” – tem um CAP de cozinha (diploma estatal de nível 3) e gostaria de abrir um restaurante – e na sua vida privada.
E quais são actualmente as suas convicções políticas? “Vou votar como qualquer outro cidadão, mas é só isso“, responde.
O julgamento termina a 14 de Fevereiro.
Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:- R∴ L∴ Mestre Affonso Domingues, nº 5 (GLLP / GLRP)
- Ex Libris Lodge, nº 3765 (UGLE)
- Lodge of Discoveries, nº 9409 (UGLE)
Fonte

- Declaração do Grão-Mestre da Carolina do Norte sobre o ataque terrorista ao Capitólio dos Estados Unidos
- Exposição dos maçons a ataques terroristas
- O primeiro Maçom
- O que é a Maçonaria
- Outro ataque anti-maçónico: Incêndio criminoso no REAA de El Paso

