Ligações entre o rei James I da Grã-Bretanha e a Maçonaria

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James I (VI)
James I (VI)

O Rei James I da Grã-Bretanha era muito estimado pelos maçons operativos do seu país.

James era culto e muito estudioso. Era muito interessado na Bíblia, em teologia e filosofia. Em 1611, publicou a sua primeira edição da Bíblia traduzida para o idioma inglês. Na sua corte, eram exibidos espectáculos de máscaras dirigidos pelos seus mestres de cerimónias Ínigo Jones e Ben Jonson.

James também era conhecido pelo apelido de Salomão Britânico. Mas, por que Salomão Britânico? Acontece que havia rumores sobre a ascendência de James. Embora provavelmente não fosse verdade, foi dito que Maria Stuart, mãe de James, tinha um caso de amor com o seu conselheiro próximo, David Riccio, e que James era o resultado dessa ligação ilegítima. Por este motivo, dizia-se nos círculos políticos que tanto o Salomão da Grã-Bretanha, como o Salomão bíblico eram filhos de um homem chamado David.

Acredita-se que a amizade com os maçons foi viabilizada por William Schaw, Mestre de Obras do Rei, quando James era Rei da Escócia. Schaw, que publicou 2 Estatutos que continham normas de comportamento e organização das Lojas, administrava directamente os maçons na época. Estas ligações foram tão profundas que era voz corrente naquele tempo que o Rei James era um iniciado. Embora não haja provas documentais de que James tenha sido um iniciado, existem acontecimentos dessa época que precisam ser estudados, porque tais situações parecem mostrar proximidade entre James e os pedreiros livres do seu reino.

Uma das primeiras fontes que precisamos analisar são “As Constituições de Anderson”. O autor C. Bruce Hunter, diz no seu Livro Masques of Solomon, página 99, que “James era tido pelos maçons operativos ingleses como um dos seus, conforme consta no Livro das Constituições.” Diz Hunter, “Afinal, as Constituições foram escritas por James Anderson, nascido, criado e educado – e provavelmente tornou-se um Maçom – na Escócia. Anderson devia estar familiarizado com as conexões de James, através de Schaw, com os pedreiros escoceses, e certamente estava familiarizado com a história de que James poderia ter sido realmente um membro da loja.”

No começo do século XVII, havia desânimo e pouco trabalho entre os pedreiros operativos. A época das construções das grandes catedrais já tinha passado. Seria necessário fazer alguma coisa para animar os pedreiros operativos e, com isso, reviver as suas lojas.

Schaw iniciou um sistema de admissão de membros honorários visando a diversificar e transformar as lojas numa espécie de clube social.

Na época, Londres era uma cidade medieval típica: ruas estreitas e casas de madeira. Esta era uma situação favorável para que um incêndio de grandes proporções pudesse ocorrer. O Rei James percebia isso e, para mudar essa situação, começou uma campanha emitindo Proclamações Reais. Tais proclamações foram no sentido de se eliminar a construção de residências com madeira, substituindo-as por tijolo e pedra, ou seja, alvenaria.

Esta era uma situação que favoreceria muito aos pedreiros operativos que estavam desempregados na época. C. Bruce Hunter diz no seu Livro Masques of Salomon, Appendix V, 1° parágrafo, que “o seu interesse neste assunto abrangeu quase todo o seu reinado, conforme indicado por uma série de proclamações que ele emitiu entre Setembro de 1603 e Julho de 1624.”

Conforme Hunter, no seu livro anteriormente mencionado, Appendix V, 2° parágrafo, em 1° de Março de 1605, entretanto, “o rei fez uma proposta positiva. Citando o uso excessivo de madeira, que era necessária para outros usos, ele pediu uma série de medidas de conservação, incluindo o uso de tijolo e pedra para novas construções em Londres e arredores.” Isso mostra que James estava preocupado com algum incêndio que poderia vir a acontecer devido a essa situação insegura em que se encontrava Londres. Os pedreiros operativos eram gratos a ele, pois tais proclamações representavam uma esperança de novos empregos.

De facto, o incêndio veio a acontecer em 1666, bem depois da sua morte, que foi em 1625. Foi uma tragédia terrível que chegou a destruir 80% de Londres.

Foi então que o neto de James, o Rei Charles II, emitiu uma Proclamação exigindo que todas as casas, prédios e igrejas fossem reconstruídos usando-se tijolo e pedra. Este processo deu à Maçonaria operativa a sua grande e última oportunidade; a revitalização das lojas operativas na Grã-Bretanha. Havia muito trabalho a fazer, inclusive a reconstrução de catedrais góticas da Idade Média, o que exigiria mão de obra especializada.

Segundo Hunter,

“Isto realmente levou mais tempo do que o esperado. Embora todas as casas devessem estar concluídas em menos de quatro anos, algumas ainda não estavam concluídas quando 1672 chegou ao fim. Algumas igrejas demoraram mais. Havia 87 igrejas na cidade quando o incêndio ocorreu, e uma decisão foi tomada para reconstruir apenas 51. Mas demorou muito tempo para decidir quais igrejas mereciam ser reconstruídas e para arrecadar dinheiro e fazer o trabalho. E a Catedral de São Paulo, a maior igreja de todas e a mais condizente com o trabalho que os antigos pedreiros medievais tinham realizado, teve o seu término em 1710.”

O rei James I da Grã-Bretanha e VI da Escócia sempre esteve na retaguarda trabalhando para construir um futuro para Ordem Maçónica na Grã-Bretanha, seja pagando os seus salários, seja orientando-os através de Schaw, seu Mestre de Obras. Por ocasião do grande incêndio de Londres, o apoio aos maçons deu-se através do seu neto o Rei Charles II, o qual exigiu que Londres fosse reconstruída não mais em madeira, mas em tijolos e pedras.

A tarefa de reconstruir Londres terminou em 1710, com o término da reconstrução da Catedral de São Paulo. Esta foi uma época de explosão de criatividade, quando começaram as articulações para a criação da Grande Loja da Inglaterra, culminando em 1717 com o nascimento da Maçonaria especulativa.

Elias Mansur Neto

Referências

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