Maçonaria e o Século XXI

século xxi

Quando o Ser∴ Gr∴ M∴ e Pod∴ I∴ BERLIM, Grão Mestre Geral das Sereníssimas Grandes Lojas, me fez a pergunta – convite sobre a possibilidade desta palestra, senti-me honrado, feliz e orgulhoso, respondendo de pronto, afirmativamente. Havia sobradas razões para isto : O convite partia da mais alta autoridade estadual maçónica da Mui Resp∴ GRANDE LOJA DE SANTA CATARINA, potência a que não pertenço, revelando-se estar fazendo sucesso a minha pregação em prol da MAÇONARIA UNIVERSAL, ainda dividida, de certa forma, por fronteiras imaginárias, erguidas. As mais das vezes, por vaidades, ambição de poder e glória e a pretensão de exclusivo domínio da verdade, vícios sempre hostilizados pelou nossos princípios et pour cause…

Realmente, ainda há esta discriminação entre as várias potências maçónicas brasileiras por certa recalcitrância de obreiros, incapazes de compreender, de assimilar e de praticar a grandeza dos seus ensinamentos, consequente e conscienciosamente. Tanto assim que, na ratificação do convite, data e tema, já abordamos os possíveis percalços em face destas atitudes. Fui claro: Da minha parte, da parte da Filiação da minha Loja Mãe e da Obediência, isto não existia.

Porém, agradava-me o enfoque sobre o qual me reportaria em preliminar.

Ao agradecer a oportunidade de – mais uma vez – estar entre tão Ccar∴ II∴, ensejando a oportunidade e a possibilidade de questionarmos os destinos da nossa Sub∴ Ord∴ para o Terceiro Milénio, o SÉCULO XXI, procuro dar o exemplo pessoal, como determinam os nossos rituais de iniciação, de oportunidade à reflexão a estes II∴, equivocados construtores e mantedores destas fronteiras imaginárias entre potências, as quais – se existentes – devem, a um só tempo, ser abertas e desaparecer em nome da maior e melhor convivências, todos os ritos, em favor da realização dos originais, principais, imutáveis, generosos, justos e perfeitos ideais humanísticos da ETERNA E UNIVERSAL MAÇONARIA.

Ao confirmar o convite e a data, este fraterno amigo de meio século de idealismo, o I∴ LINÉSIO LAUS, questionou-me sobre o tema.

A MAÇONARIA E O SÉCULO XXI, respondi-lhe. A sua preocupação revelou-se sob a forma de outra pergunta: “NÃO É MUITO VAGO, NÃO? Não, retruquei-lhe. Vago foi o Século XX em estatísticas de realizações maçónicas.

Em que se pese esta triste constante, no correr do nosso século buscarei demonstrar, o tema em que qualquer congresso, conferência, simpósio, convenção, encontro, reunião e sessão da Aug∴ Ord∴ Sempre girará sobre o mesmo desiderato:

“COMO TRANSFORMAR A FILOSOFIA MAÇÓNICA EM REALIDADE MAÇÓNICA?

Esta – parece-me – é a preocupação basilar de todos os Maçons que por tal se queiram reconhecidos, daqueles que se abeberaram na sua sabedoria de séculos de experiência e pesquisa e a querem como aplicação prática no cotidiano de nossas vidas. Pois a constatação permanente é a de que, onde não há o exercício habitual da Filosofia Maçónica se torna anacrónica, atrofiada, inútil e fastidiosa.

Toda a História da Maçonaria Universal desde a Operativa à Especulativa, é uma comprovação deste corolário. Quando os construtores de catedrais, abadias, mosteiros, palácios e castelos sentiram que o seu trabalho vinha sendo explorado, quase a nível de escravidão pela nobreza religiosa e/ou profana, reagiram, organizando-se em corporações, guildas, hansas, clubes, raiz dos nossos sindicatos modernos e da Sub∴, partiram para o segredo dos seus conhecimentos técnico – profissionais, só alcançáveis pela INICIAÇÃO, estabelecendo uma força de oposição. Tanto o segredo, quanto os males, a serem compreendidos e combatidos, estão nos nossos princípios: Privilégio fora do trabalho e a exploração deste.

Não fosse esta reacção, inteligente, pacífica e imediata, perfeitamente compreensível pela necessidade da própria sobrevivência e de progresso económico, político e jurídico, os três generosos e originais fundamentos da Maçonaria – LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE – se teriam perdido ao longo dos séculos em que se esta surda batalha, cuja vitória só não foi maior, porque a própria evolução histórica lhe corroeu os efeitos operativos ao passo em que, para felicidade nossa, os tornava especulativos, com resultados concretos nos séculos XVIII e XIX.

Desde a ARQUITECTURA ROMÂNTICA, acentuando-se na GÓTICA das grandes catedrais, abadias, mosteiros, palácios e castelos até a RENASCENÇA, a ARTE DOS PEDREIROS LIVRES, a ARTE REAL, seus legítimos construtores, foi um segredo transmitido aos iniciados e que só não se pode considerar perdido ao longo destes mil e quinhentos anos, porque, pela sua transformação de operativo em especulativo, nos alcançou e agraciou com símbolo filosófico de aperfeiçoamento pessoal e social.

Desde quando a Maçonaria Operativa começou a sentir a sua decadência pela força dos novos tempos, naturais na evolução histórica, buscou a adaptar-se, como recurso à sobrevivência, aceitando em suas organizações aqueles que, mesmo não sendo pedreiros, eram, todavia, livres e de bons costumes, permitindo-lhes estabelecer conceitos e regras de viver, elevadas, fundamentando-se na longa sabedoria comprovada das construções, cuja perfeição lhes assegurou a vitória sobre os séculos, de que são exemplos Notre Dame, Reims, Colónia, Jerónimos, S. Miguel e S. Severino.

Foi esta, sempre repetida e realizada lição, tão esquecida na prática, especialmente deste nosso Século XX, que deu à Maçonaria Universal o direito a ufanar se de tão activa, quanto decisiva, participação em generosos movimentos em favor da construção perene e irreversível dos DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO; dos POVOS, das NAÇÕES e dos ESTADOS contra toda e qualquer forma de inquisição económica, política e jurídica, estribada no mais justo e perfeito dos triângulos: A LIBERDADE, A IGUALDADE e a FRATERNIDADE.

A Independência das Américas; este monumento jurídico bicentenário, a Constituição dos Estados Unidos, súmula de princípios maçónicos e só possível à hegemonia da Ordem nas 13 Colónias; a Carta dos Direitos do Homem e do Cidadão da curiosa e polémica Revolução Francesa, cujos dois séculos de aniversário foram tão bem explorados turística e economicamente – para dizer o mínimo – ; a Abolição da Escravatura Negra e seu nefando comércio; a Secularização do Estado; a unificação de Nações e Povos de Republicas, tudo teve, directa ou indirectamente, o apoio da nossa Instituição, nem sempre, como se apregoa, na condição de autora; porém, de simpatizante e, até, de inocente útil.

Foram dois séculos, capazes de orgulhar a Ordem por esta participação e – em alguns casos – pela efectiva liderança de seus membros, expondo como argumento de convicção e adesão a necessidade irrecusável de todos os homens serem livres, iguais e fraternais.

Foram dois séculos de extraordinária riqueza maçónica, exemplares, sobretudo, para quem se debruça sobre a sua história, encontrando a cada episódio estes três símbolos de perenidade operativa/especulativa pela sua eternidade; o Esquadro pela sua rectidão e o Compasso pela sua justiça. Daí a escolha do nosso tema : A MAÇONARIA E O SÉCULO XXI.

Se foram plenos de actividades e conquistas maçónicas os séculos XVIII e XIX, o século XX, lastimavelmente, ficou vago, vazio. Salvo em se considerando episódios, pessoais, ainda que influenciados pelas nossas doutrinas.

Onde estivemos quando da Primeira Grande Guerra? Da Revolução Bolchevique de 17? Da Revolução de 30 e do Estado Novo ? Da Guerra Civil Espanhola, fruto da ascensão do nazifascismo e de Hitler com todos os seus horrores subsequentes ? Da Segunda Guerra? Do Lançamento das bombas atómicas, do início da Guerra Fria, do Levantamento do Muro de Berlim e a Divisão da Alemanha ? Da corrida armamentista e da ameaça do Holocausto Nuclear? Das crueldades da Guerra da Coreia e da Guerra do Vietnam? Da discriminação racial nos Estados Unidos e do Apartheid na África do Sul? ; das Ditaduras e da miséria do Terceiro Mundo? Da corrupção sem fim actual?

Do sangrento, interminável e cruel conflito árabe – israelense ? Da poluição e demais agressões ao Meio-Ambiente ? Do Narcotráfico e da Violência, urbana e rural ? Do Controle da Natalidade? Da Discussão, elaboração e Promulgação das Cartas Constitucionais Modernas e das suas regulamentações ? Das Eleições Democráticas nos países recém egressos das ditaduras ?

Ao menos do Brasil, a Maçonaria parece ter-se esgotado em 1891, por ocasião da Assembleia Constituinte, que nos deu a primeira constituição republicana, arremedo da dos Estados Unidos, em capciosa tradução do nosso I∴ Rui Barbosa, que preferiu a publicidade da imprensa, dos tribunais e do parlamento à discrição das Lojas e do jurista PEDRO LESSA, que, por prémio, também, ganhou o cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal.

Permito-me vos diga, Caros Irmãos, ter um curioso método de análise histórica. Só lhe encontrei par, recentemente, em arqueólogo suíço, o qual – como eu – abandonou a ortodoxia, os compêndios e os instrumentos, para ficar na mera enriquecedora observação da natureza humana e animal. Ele e eu chegamos às mesmas conclusões sobre qualquer actividade do HOMEM – económica, política e/ou jurídica: a NATUREZA HUMANA evoluiu nestes duzentos milhões de anos a ponto de Homem se considerar o animal mais inteligente da Criação. A máxima vaidade!

Sempre inicio as minhas análises históricas, partindo dos acontecimentos mais próximos, mais presentes, aqueles com quem convivi, para chegar à conclusão sobre os móveis daqueles do passado. Tenho, até, a propósito, tese a ser editada em livro com o sugestivo, excitante, e pretensioso título “ENSAIO DEFINITIVO SOBRE O COMPORTAMENTO POLÍTICO HUMANO”, onde se encontram reflexões sobre um curto, mais extraordinário, momento da Humanidade: A semana que vai do Domingo de Ramos à Ressurreição.

Se um dia, Caros e Ppod∴ Irmãos, me derdes oportunidade, vos falarei a respeito.

Adoptando tal método, que importa na comparação dos dias actuais com os passados em situações iguais ou assemelhadas – concluí, por ex., que as mesmas manobras dos constituintes de 24 e de 91, estes liderados por Rui e Lessa, aqueles sob o aguilhão de Pedro I e Bonifácio, nossos Irmãos, foram réplicas dos nossos constituintes de 88, se não em todos, ao menos em episódios como no do ” cinco anos para Sarney”.

Onde esteve a Maçonaria Brasileira na elaboração desta carta ? De que forma contribuiu para que ela gerasse mais felicidade para o Povo Brasileiro ?

E não éramos tão poucos, os Mmaç∴ Cconst∴ Quase a metade !

E, igualmente, não se diga, a pretexto de ressalvar a omissão, ser defeso à Maçonaria imiscuir-se em questões políticas ou religiosas.

Política partidária, sim; religiosidade sectária, sim.

Não, entretanto, em fundamentos e objectivos de política e religião. Em nossos graus filosóficos há mesmo a doutrina sobre a nossa obrigação – até – de colaborar na elaboração de cartas constitucionais e combater a superstição. E cada estágio dos graus filosóficos impõem uma responsabilidade sobre Lojas e Capítulos com vistas ao Mundo Profano .

Esfarrapa-se a desculpa.

Porque os nossos rituais não tem palavras inúteis. São a síntese mais perfeita – sem jactância – da sabedoria humana, onde se encontram proposições como a da possível harmonia entre a liberdade de consciência, respaldada na tolerância, e a defesa de postulados políticos ou religiosos.

Em respeito a proposital e conveniente confusão entre essência de formas ideológicas e substância de filosofia religiosa, ficamos mudos e omissos quando tivemos o ensejo de parar e impor nossos generosos princípios, através a centena de Irmãos Constituintes, na Carta da Primavera, não só a modernizando, mas a fazendo contemporânea do futuro. E continuamos mudos e omissos à regulamentação dos seus dispositivos; à elaboração das constituições estaduais e das municipais, permitindo as inconstitucionalidades, os corporativismo, os privilégios, em detrimento da ampliação dos direitos da maioria da Nação.

Estamos nos tornando cúmplices dos defeitos, dos erros, dos privilégios e, consequentemente, das injustiças, infiéis à máxima de que devemos levantar templos à cavar masmorras aos vícios.

E, igual e lastimavelmente, vamos ficar mudos e omissos relativamente à eleição presidencial, primeira após 29 anos, optando, também, a pretexto de orientar, mas não impor, não assumir qualquer compromisso, não lutar por qualquer programa, como se vivêssemos um mundo à parte dentro do Brasil.

Todas as vezes que um Maçom pode realizar um acto de justiça, de benemerência e não realiza, comete perjúrio. Desmente o seu juramento.

Depois de 29 anos de ditadura e inquisição, abertas ou disfarçadas, omitimo-nos e emudecemos ante a inversão do processo eleitoral, cujo caminho óbvio seria a adopção de um programa por um partido a ser executado pelo candidato eleito, admitindo que um candidato invente partido e faça do combate à corrupção – que seria mero caso de polícia – plataforma eleitoral. Melhor, eleitoreira.

Assistimos – vamos assistir – coniventes. Talvez – mesmo – aplaudindo empolgados pela técnica da comunicação social, a mais esta pantomima, enquanto o País afunda na sua pior crise; O Povo tortura-se na ausência de perspectiva.

Para sermos exactos, segundos a sabedoria popular: Vamos ficar no muro !

A Maçonaria nunca foi, nem jamais será uma entidade revolucionária na inteligência dos políticos, dos filósofos e dos sociólogos. Mas temos, uma ou outra forma, influenciado com os nossos princípios a vida dos povos no sentido de uma salutar evolução.

Aliás, esta a nossa função no exercício permanente de liderança secreta da sociedade.

Foi isto que nos deu o prestígio – de que nos jactamos tanto – nos séculos XVIII e XIX.

A nossa presença sempre se fez sentir.

Entretanto, por uma visão mal formada do que sejam os nossos princípios e os nossos objectivos; por uma tradição mal assimilada e envolta em lendas; por uma tolerância mal entendida; por uma liberdade de consciência destorcida, estamos ficando de braços cruzados a ver – ou a nem ver – a História caminhar, sem nos darmos conta de que é obrigação nossa sermos agentes dos seus actos e fatos.

Dois são, invariavelmente, os móveis da actividade humana: o sexo e a política.

Traduzem-se por Poder, Glória e Satisfação.

São frutos de um único sentimento emocional: O Desejo.

Não há nada de vicioso, de pecaminoso nisto, dependendo dos propósitos.

Connosco, Maçonaria, não é diferente.

A súmula da nossa INICIAÇÃO é a satisfação pessoal ou colectiva destes desejos. E ela começa, exactamente, pela vivência rica em L∴ pela leitura e estudo dos nossos rituais. Mas, nem por isso, adoptarei a cómoda de que gastamos demais tempo precioso ouvindo e batendo malhastes em sessões. Somos nós que fazemos boas ou más; alegres ou tristes; animadas ou fastidiosas; ricas ou pobres.

Só nas sessões é que nos exercitamos para os grandes objectivos da Ord∴.

Mas, também, me posiciono contra a simples e contínua pura leitura e observância dos rituais sem estabelecer metas objectivas, práticas que decorrem sempre de uma liderança a nível nacional ou por utopia, internacional.

A disciplina, a ordem unida nas sessões, é que nos arma para os grandes e generosos combates, fora, no mundo profano.

Esp∴: a sua Solidariedade.

Nada nos falta para ingressarmos no século XXI e recuperarmos, dentro e fora das Oficinas, o sentido das nossas vidas.

Temos os sustentáculos de uma filosofia, cujos princípios se aplicam em todos os tempos, como a mais justa a perfeita das acções humanas, como a mais completa das actividades de um HUMANISMO MILITANTE.

Temos, em contrapartida, uma gama de problemas sociais a nos desafiar.

Mas já não estamos mais tão sós.

A par das nossas leis e impulsionados por elas, os homens promulgam outras, assegurando se o direito à vida e à felicidade, esculpidas na Carta das Nações Unidas com os seus decretos a respeito do Homem, da Mulher, da Criação, do Idoso, dos Animais, dos Vegetais, enfim de todos os seres vivos, passíveis, de sofrimentos.

A Paz, a Harmonia e a Concórdia, como argamassas de uma existência feliz, podem ser realidade.

Esta a META da Maçonaria do século XXI: de se reciclar, de retomar o caminho, o rumo, o trilho das realizações práticas em torno de mar o caminho, o rumo, o trilho das realizações práticas em torno de lideranças dinâmicas e objectivos permanentes e magnânimos, espoliando-se de comodismos e mesquinharia, para a efectiva realização do Homem.

A par destas leis, temos ao nosso dispor e ao nosso alcance, já não mais, somente, o Maço e o Cinzel, A Trolha e o Prumo, O Esquadro e o Compasso. Há toda uma moderna tecnologia, que devemos incorporar ao nosso simbolismo, à medida do seu aproveitamento, que nos adeqúe e adapte aos impactos do Terceiro Milénio, evitando a nossa transformação em mais um clube de serviços, um círculo de elogios mútuos, uma curiosa sociedade anacrónica e secreta.

O Homem tem sido a nossa meta, o nosso fim.

E, pela sua felicidade, devemos envidar todos os esforços, compreendendo que esta preocupação nos Une, Nos Fortalece e Nos Realiza Maçonicamente.

Para lograrmos tal aspiração, imperativo se torna que a Maçonaria Não se abstenha, não se alheie, não se distancie, nem se oponha à discussão e engajamento à Política Pura.

O Século XXI será o da Comunicação, da Informação e da Segurança do Direito. As grandes questões deste só terão resposta satisfatórias nas soluções políticas inteligentes e probas, as quais, não obstante todo o fundo económico, serão norteadoras da Justiça.

A abstenção, o alheamento, a alienação, a distância, a oposição à Política Pura, como meio de realização dos pleitos do Humanismo Militante, de que nós deveremos e devemos ser os líderes secretos, reflecte, espelha certa vivência maçónica em L∴, onde a terna e consoladora amizade fraternal, caracterizada pela Solidariedade Irrestrita, tem sido desleixada, tornando – se desleixada, tornando-se muito formal, artificial, pela rama. Há pouco ou raro empenho para que tal obrigação seja entre o Obreiro∴ e o seu Irmão, a sua cunhada, os seus Sobrinhos. As Lojas Vivem a Fraternidade nos curtos espaços semanais das sessões, não possibilitando, nem obrigando o seus membros a assumirem este dever. Mais grave se verifica a situação de L∴ para L∴ e de Or∴ para Or∴; de Pot∴ para Potência.

E o desaguadouro consequente é – se não uma falsa – uma frágil relação fraterna, incapaz de suportar, com ou sem sacrifício, a solidariedade buscada em um momento dado.

Sem a urgente, imediata, modificação deste proceder muito comum, com a adopção de uma sistemática de frequência e estudo disciplinado em L∴, a prática desinteressada desta suprema virtude – a da SOLIDARIEDADE – NÃO NOS UNIREMOS, NÃO NOS FORTALECEREMOS, NEM NOS REALIZAREMOS MAÇONICAMENTE.

Nem no Universo da Sub∴ Ord∴, nem no Mundo Profano.

Seremos ineptos para ajudar a conduzir a sociedade deste Século XXI à nossa porta, no qual poderíamos e deveríamos reeditar o compromisso com generosas transformações com as dos séculos XVIII e XIX.

Cabe-nos decidir – agora – se assumimos ou não esta empreitada : A da construção de um NOVO TEMPLO SOCIAL, onde se encontre uma Sociedade mais justa e perfeita no Ano 2000, para uma COMUNHÃO HUMANÍSTICA; se vivermos uma Maçonaria Digna do Século XXI.

Somos os únicos – proclamamos sem presunção – dotados de SABEDORIA, FORÇA E BELEZA suficientes para cumprir com exacção este TRABALHO magnífico em favor de toda a HUMANIDADE.

Carlos Adauto Vieira, 33∴ – OR∴ Balneário Camburiu

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2 thoughts on “Maçonaria e o Século XXI

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    Um sentimento muito bem materializado,de quem está atento à mudança.
    É a materialização destes sentimentos, que serve de despertar para as mentes mais acomodadas.
    Fez-me lembrar um pequeno romance aqui de Portugal com o titulo “Quem mexeu no meu Queixo”, Pois,qualquer dia corremos o risco de não saber-mos quem somos, nem o que juramos fazer!.
    Obrigado meu A:.I:. por este despertar.
    Bem hajas…….. Bem Hajam:.

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    De fato uma bela explanação sobre seu ponto de vista Ir.’. , muito condizente e contemporânea dado os “Efeitos da Pandemia” e que torna esta uma discussão bastante atual, por assim dizer, ” A Maçonaria e o Século XXI” acrescentaria ainda ao Hall dos assuntos em Loja, “A Maçonaria e o Novo Normal” à que se pensar em novos métodos, ritualísticas, encontros e assim por diante, seguindo a premissa de que “Tudo muda o tempo todo” devemos estar preparados para poder preparar a geração futura para tais mudanças, sem de fato perder a verdadeira essência e os Predicados da Sub.’. Or.’.
    T.’.F.’.A.’. a todos os IIr.’.
    Ir.’. Evandro Moura – Or.’. Blumenau-SC- Brasil

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