Maçonaria – passado, presente e futuro

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g cinzento, maçonaria

Ser advogado em causa própria, é no mínimo estranho, daí que pense que sendo Maçom, falar de Maçonaria, embora de forma sucinta e deixando apenas opiniões que podem conduzir à reflexão, é no mínimo pretensioso.

Não resta dúvida que o Homem desde sempre, sentiu inquietações de ordem transcendente e procurou comunicar com o Divino, através do cumprimento exigente de normas morais e éticas.

Este sentimento, este desejo, esta necessidade, surge como primeiro indício na história de Mestre Hiram, reflectida na construção do Templo de Salomão (4.000 anos antes de Cristo) que é a base real e completa das Rituais Maçónicos, com expressão total no R∴ E∴ A∴ A∴. Numa época em que dominava a sacralização do Mundo, das suas formas e dos seus objectos, cada ofício, além das suas técnicas, possuía Ritos próprios «o seu desempenho, o que fazia de cada artífice um artista e Iniciado. Cada ofício tinha a sua Iniciação própria, quer dizer, algo que permitia a cada pessoa receber uma influência espiritual que fizesse do ofício não só um prolongamento obrigatório da mão, mas também uma projecção do ser, no sentido duma realização espiritual. Assim, o ofício necessário à sobrevivência material era também necessário à transcendência do ser.

A Iniciação nas suas formas, nos meios, nos seus objectivos, embora una no seu espírito, apresentava-se múltipla nas diferentes aplicações das técnicas peculiares a cada oficio, pela Sabedoria que presidia à elaboração lógica e cuidada da Obra, pela Força que possibilitava a sua realização efectiva pela Beleza que proporcionava o Amor a onda Obreiro, isto é, dava-lhe o Conhecimento que ajudava o artífice a despojar-se do homem velho, para se transformar num novo Homem, criador de objectos e forjador de um Mundo Novo, finalmente Harmonioso.

O ofício de construtor surge entre os primeiros ofícios do Mundo, quer os materiais empregados fossem a madeira tosca, as pedras brutas grosseiramente arrumadas ou as pedras trabalhadas de uma maneira mais ou menos requintada. As pedras trabalhadas nas pedreiras ao ritmo dos Maçons, integravam-se no edifício final no seu exacto lugar. Assim, foram-se construindo pelo Mundo fora, igrejas, monumentos, mansões opulentas, casas humildes e sobretudo magníficas catedrais.

Vagando pelos caminhos, visitando vilas e aldeias, os Companheiros, homens livres e de bons costumes, sábios conhecedores do material, exercitados no seu uso adequado, formavam pequenos grupos itinerantes.

A Maçonaria Operativa tinha nascido.

Por meio da Maçonaria e dos seus membros iniciados – os Maçons – a Europa Ocidental católica cobria-se com o manto branco das Catedrais, templos de um Deus único. A Maçonaria colocou-se deliberadamente sob o signo da Cruz, porque horizontalmente representa o Manifestado, isto é, a Vida e a Morte, o alfa e o ómega que os Maçons gravaram na pedra sob a forma de certos símbolos e verticalmente, participa da exaltação espiritual.

Porém, poderemos considerar que a Idade Média seja o período móis fecundo do percurso do Homem, apresentando alterações comportamentais e sociais, de alto significado que de certo modo ainda condicionam, o nosso imaginário colectivo.

O Ideal de Cavalaria surge como compromisso de lealdade absoluta a crenças e obrigações que orientam a Vida em oposição declarada e assumida à corrupção da época, em especial no que respeita à felonia.

Por curiosidade, aqui fica o que dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea refere como felonia (1. Revolta de vassalo contra o seu senhor – 2. Acção desleal ou pérfido cometida traiçoeiramente = DESLEALDADE, TRAIÇÃO – 3. Acto violento ou cruel = CRUELDADE, MALDADE.)

Os Cavaleiros tinham fama de comportamento brutalizado e pouco exemplar. Porém alguns deles conseguiram ultrapassar esta postura profana de poder e paixões e com grande coragem e determinação contra a mentalidade instalada, procuraram humanizar o comportamento, despindo-se de interesses materiais ou outros e com obrigação auto-imposta de merecimento moral e protecção dos fracos e desvalidos.

A Maçonaria Regular tal como a Cavalaria Medieval tem espírito reformista e preocupações éticas e morais. Procura suavizar costumes e dinamizar o Mundo, pela melhoria interior do Homem que na perspectiva Maçónica deverá ser simples, bom, humilde e fraterno.

Se é difícil, conhecer, por falta de documentação., um pouco da Maçonaria Operativa, a dificuldade é ainda maior com referência ao período que vai do fim da Idade Média a 1717, data da fusão de quatro Lojas Inglesas e, por isso mesmo, da Constituição da Grande Loja de Londres, mais tarde denominada Grande Loja de Inglaterra.

O que é facto é que com o evoluir dos tempos a Maçonaria Operativa, onde os seus membros operavam materialmente e eram trabalhadores especializados, com desejos de aperfeiçoamento espiritual, se transformou em Maçonaria Especulativa que chegou até aos nossos dias, dada a entrada para a Ordem de homens de pensamento. Os pensadores e alquimistas da época, combatidos pelos espíritos menos esclarecidos, perseguidos, buscavam refúgio entre os Pedreiros-Livres, capazes de protegê-los pelos privilégios que tinham, nomeadamente, franquias isenções diversas, tribunais especiais, etc.

E nos nossos dias. Como está vivendo a nossa Augusta Ordem, tão cheia de elementos que fazem rapidamente o seu trajecto Iniciático de Aprendiz a Mestre? Poderemos considerar que pior do que seria desejável.

O que se observa é que o nossa Ordem existe para servir apenas fins sociais e filantrópicos o que sem dúvida é necessário, mas deixa para segundo plano o seu propósito do estudo dos Grandes Mistérios que deve ser estimulado.

Um dos grandes problemas da nossa Ordem, tem a ver essencialmente com o tipo de alguns, felizmente poucos obreiros, que vão entrando e permanecem na Maçonaria Regular Portuguesa. Penso que não é necessário procurar profanos capazes de integrar a Ordem, nós encontrá-los-emos. Por fim a escolha deve ser feita com uma rede de malha extremamente fina, para que se evitem os variadíssimos casos de que fomos tendo conhecimento ao longo do tempo. Não devemos permitir a felonia, recorrendo ao que atrás se diz quanto ao seu significado, particularmente nos nºs 2 e 3 DESLEALDADE, TRAIÇÃO CRUELDADE E MALDADE Não podemos permitir que a Mentira, a Intriga, a Maledicência, e muitos outros predicados da vida profana invadam a nossa Ordem. Todos os anos na Agricultura é necessário podar as árvores para que elas possam crescer mais sãs e dar melhores frutos. Esta imensa Árvore Universal que é a Maçonaria Regular necessita, também, de uma poda que a torne mais sadia e permita o seu crescimento homogéneo e harmonioso.

E porque o simples acto de Observação, altera o que está a ser observado, devemos em termos de futuro observar e seleccionar bem quem entra para a Ordem, devemos, eventualmente, aproveitar um pouco mais da Filosofia Maçónica Operativa, tendo em atenção que as Obras de hoje, não são as Catedrais e situam-se a outros níveis, sendo exigível menos esoterismo e mais acção, uma postura mais atenta e actuação atempada no que à nossa visibilidade e posicionamento perante a Sociedade é altamente necessário, definindo-se uma política de presença, quando Julgado benéfico, junto da Comunicação Social.

Voltar ao tempo da idade Média, no que à postura activa da Maçonaria diz respeito, transformando todo o Iniciado, Companheiro e Mestre num foco irradiante de Luz. Defender intransigentemente os principais valores da Maçonaria Regular Universal – Igualdade, Liberdade, Fraternidade, Justiça, Solidariedade, Honradez, Patriotismo, Amor ao próximo, etc. etc.

Por tudo o que afirmo, concluo que a Maçonaria Regular Universal é imorredoira.

D. Santos

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1 thought on “Maçonaria – passado, presente e futuro”

  1. Ana beatriz Domingues

    Interesante estou pressisamdo de aprender coisa estou em uma vida de começo acho que vai ser bom pra min

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