A Maçonaria Regular Universal é imorredoura e não “bigbrotheriana”

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Maçonaria Regular Universal é imorredoura e não “bigbrotheriana”

“Os 300 anos desde então decorridos mostraram que a evolução em que se inseriu a Maçonaria especulativa, a sua ideologia que cultivou, divulgou e defende, correspondeu à necessidade de evolução das sociedades. Da sociedade estratificada feudal ou pós-feudal então existente, evoluiu-se para novas formas de governo (Monarquias constitucionais e Repúblicas, substituindo o Absolutismo; a universalização dos princípios da separação de poderes, e do exercício da soberania em representação do Povo, entendido como o conjunto, englobando todos os cidadãos insertos numa dada unidade política), para novas e ainda em evolução formas de produção e distribuição económicas (Liberalismo, Capitalismo, Estado-Providência, Desregulamentação, Globalização, etc..), para novas e cada vez mais avançadas e complexas formas de aquisição e divulgação do Saber, em todos os campos da Ciência.” [1].

Maçonaria Regular Universal é imorredoura e não “bigbrotheriana”

Torna-se crucial reflectirmos sobre o futuro da Maçonaria, sobretudo face a uma época de profundas transformações de tecnologias, modismos, comportamentos e protocolos frente a uma pandemia ora surgida (Covid-19), e com isso, novos hábitos modernos de sociedade reinventados, inclusive de restrição ou proibição de aglomerações, reuniões e contactos físicos mais próximos entre as pessoas. Há de se reflectir, também, sobre alguns pontos específicos não menos importantes, como a anacronicidade de liturgias não objectivas ou compatíveis com a realidade actual; o “choque” de gerações”; objectivos; acções; e a relação da própria Maçonaria com os diversos segmentos públicos e privados na nossa sociedade.

É preciso, preliminarmente, dicotomizar e salientar sobre os dois pontos, o da evidência e o de provas, antes de discorrer especulativamente sobre o futuro da Maçonaria. Há inúmeras evidências práticas destas espécies de “incompatibilizações” ou falta de “sincronia” da Maçonaria com o ritmo hodierno da nossa sociedade, todavia, carece-se, a bem da verdade e do rigor científico, das comprovações instrumentais numéricas e estatísticas aplicadas nas suas especificidades de amostragem de pesquisa, desde a GLUI – Grande Loja Unida da Inglaterra, até uma célula maçónica, ou seja, uma Loja maçónica. Consideremos, pois, como ponto de referência e amostragem, cá a vivência teórica das inúmeras leituras maçónicas e a vivência prática deste articulista em somente 1 década de dedicados e ininterruptos trabalhos, na sua história como Maçom, por duas potências maçónicas regulares, ambas com Jurisdição no Estado do Piauí: Grande Loja de Estado do Piauí – GL-PI e o Grande Oriente do Brasil – GOB – GOB-PI, em Lojas do Oriente de Teresina – Piauí.

Principiando indutivamente: Conhece-te realmente? “Conhece-te a ti mesmo?” Será que nos conhecemos, sabemos realmente o que queremos, quais os objectivos, quais as acções, quais os valores a serem seguidos, perseguidos, conquistados e mantidos? “Conhece-te a ti mesmo?”. Com esta máxima inscrita no século IV a.C., no pórtico de entrada do templo do deus Apolo, na cidade de Delfos, na Grécia, e também atribuída ao grande filósofo ateniense Sócrates (c. 469-399 a. C.), (com os métodos socráticos de refutação e maiêutica), iremos encetar a nossa tentativa de futurar a Maçonaria… Como já dizia Sócrates: “A verdade já está no próprio homem, mas ele não pode atingi-la, porque não só está envolto em falsas ideias, em preconceitos, como está desprovido de métodos adequados[2].

Segundo o Ir. Mauro Leray, Membro da Loja Ostlicht nº. 65, jurisdicionada à Grande Loja Maçónica do Estado do Maranhão, em artigo intitulado O Futuro da Maçonaria… Será?, faz um levantamento de algumas variáveis como causadoras do declínio ou dificuldades por que a Maçonaria passa, como, exemplificativamente: a necessidade de pertencimento do ser humano e, por conseguinte, do Maçom; os seus valores morais e objectivos (o que realmente ele deseja para si e para a sua sociedade); e a sua relação com a sociedade pública e privada; e as novas tecnologias.

Começaria eu, talvez, pela principal causa e consequência, simultaneamente, dos grandes problemas actualmente vivenciados pela Maçonaria: o próprio homem; a crise intrínseca dos seus valores, do seu conhecimento cultural, pois, imaginemos uma sociedade composta por homens bem-resolvidos e centrados nos seus valores e em compatibilidade ou harmonia com os valores e princípios maçónicos… seria, por indução filosófica, uma sociedade em “perfeita” acção e sem grandes problemas ou nenhum conflito de ideais e práticas com a sua Loja e com a sua Maçonaria.

Mas, vejamos algumas questões:

A avaliação do seu próprio “EU” – Conhece-te a ti mesmo?

Será que num mundo, a título meramente de exemplo, uma sociedade “bigbrotheriana”, questionar-nos-íamos, individualmente: Quem sou eu? Que valores estou a valorizar ou cultivar no meu ser? Quem somos nós todos nessa sociedade “aparentemente consumista e superficial”, em que os “jogos” de traição, complôs pusilânimes, desvios de conduta ética e de princípios morais são banalizados, e que quanto mais vis, mais apreciados? Este talvez seja o fulcro ou o princípio do raciocínio ético para a análise mais profunda das nossas crises ou realidades das nossas escalas de valores enquanto sociedade moderna, e, portanto, do nosso arcabouço de formação individual de valores. Como valorizar e esperar melhor futuro da Maçonaria se alimento e cultivo, de modo permanente e contínuo, outros valores diametralmente opostos aos sublimes valores morais da Maçonaria?

Neste sentido e hipótese, não é a Maçonaria que estaria em crise, mas os nossos próprios valores éticos que estariam em “xeque” por falta da devida e correcta conscientização ética. E para pensar um futuro para a Maçonaria, interpretaríamos ou chegaríamos a um resultado com perspectivas nada promissoras para a Maçonaria pós mundo “bigbrotheriano”.

Sentimento de Pertencimento

A que mundo pertenço? A quais grupos familiares e sociais outros, eu tenho ou assumo o sentimento de pertencimento? Cultivo-os? Conservo-os? Amplio-os conveniente e criteriosamente? Sou feliz, filosoficamente analisando? Pertenço a uma Sociedade de Homens Livres e de Bons Costumes? Ou não detenho ou sinto a prazerosa sensação de PERTENCIMENTO? Sentimento de pertencimento a uma Maçonaria Histórica? Sinto-me real e efectivamente pertencido?

Natural e consequentemente, quando não se tem o valor e o sentimento de pertencimento, nada mais e todo o restante fará qualquer sentido filosófico e humano, posto que o não pertencimento é factor auto excludente ou dissociado do real. E o sentimento de pertencimento nasce da conscientização e valorização permanentes do nosso mundo vivido. E qual seria o nosso mundo vivido e experienciado? O sentimento de pertencimento mantém-se, autopreserva-se e fortalece-se a partir da real consciência dos valores éticos aos quais pertencemos, nos quais fomos educados, vivenciados e motivados a valorizá-los, reproduzi-los continuamente e a repassá-los, por prazer e consciência ética, familiar e cidadã. Qual seria, portanto o sentimento de pertencimento, actualmente, dos nossos cidadãos? Parece-nos uma crise social de um mundo líquido muito mais ampla, que “respinga” e leva “problemas” ou eventuais dificuldades para o futuro da própria Maçonaria, visto que a Maçonaria selecciona homens (bons) na sociedade e, portanto, é feita de homens, homens que aprimorar-se-ão.

A questão de Género “ou géneros” na Maçonaria Histórica

Embora haja uma questão complexa psicológica de orientação sexual e de difusas classificações de género no mundo hodierno, como por exemplo, de homoafetivos, gays, lésbicas, bissexuais e transgéneros de diversos tipos, do ponto de vista tradicional, biológico e legalmente, (até agora), e onde se tem conhecimento no planeta Terra, na sua biosfera há dois géneros para os mamíferos: o masculino e o feminino. Não é visto, por este articulista, nenhum problema na Maçonaria Histórica (Tradicional) e para ela própria, com relação à não iniciação de mulheres, ser o “grande problema da Maçonaria”, visto que é natural da sua origem e determinação (Landmarks), que a Maçonaria Histórica seja (e sempre seja) masculina. Assim como é sereno e pacífico, a título meramente de exemplo em paralelo, padres da ICAR serem do sexo masculino, ou por outro turno, não haver “freiros”, e nunca ter havido nenhum “arrepio” com relação a essa manutenção histórica dessas ordens na Igreja Católica Apostólica Romana ou na sociedade católica. O que há, de forma muito natural, são “Maçonarias mistas” e “Maçonarias femininas”, fruto de “descobrimentos”, produtos de perjúrio por maçons tradicionais perjuros ou, por outro raciocínio, uma descoberta ou desenvolvimento fruto de carácter fantasticamente extraordinário e excepcional, advindo de qualquer outra forma estranha ao conhecimento dos homens da Maçonaria Histórica, advindos, talvez, de algo “paranormal” de adivinhação perfeita e fidedigna (…).

Logo, não há qualquer problema no futuro para uma Maçonaria Histórica (Tradicional), a não inserção de género e numérica de mulheres, a não ser o de ser “corrompida”, ou seja, alterada e quebrados os seus Landmarks doutrinários, apenas e unicamente para “engrossar” as suas fileiras, assumindo o assassínio do seu carácter histórico e doutrinário original. Seria esse o “grande problema” da Maçonaria Histórica e especulativa de mais de 300 anos de existência para a sua futurologia? Ou estariam os problemas resididos, no seu cerne, intrinsecamente nos valores éticos do próprio homem (ou mulher, nesse caso em específico)? E partindo do pressuposto que a Maçonaria fosse somente feminina? Estariam as mulheres “blindadas” dessa crise de valores, vivendo e compartilhando a mesma sociedade que os homens? E quanto às “Maçonarias homoafetivas”? Este articulista não poderia discutir ou divagar por questões tão óbvias, por estar tratando-se aqui sob um ponto de vista filosófico e histórico da Maçonaria e o seu futuro, reflectindo e pensando um futuro da Maçonaria Histórica, (dentro dos géneros biológicos do ser humano: masculino e feminino), sem considerar relevância à orientação sexual de cada indivíduo.

As Novas Tecnologias

Estar “preso” a anacronismos instrumentais (e até mesmo litúrgicos estanques), em virtude de um “apego” inexplicável, ilógico, e distorcido do conceito de tradicional e histórico, é fadar-se ao atraso, à inexequibilidade optimizada dos trabalhos ritualísticos e dos Ritos. As novas tecnologias auxiliam-nos e auxiliarão, inevitavelmente, assim como um dia o foi a imprensa de Gutenberg. Encontra-se, pois, aí, uma causa de distanciamento ou perda de motivação e sentimento de pertencimento de grande parte dos maçons, sobretudo das novas gerações, que vivenciam a falta, inadequação, ou não uso das novas tecnologias, ou a das “antigas” gerações que acreditam que o uso de tecnologias “descobrirá” a Maçonaria dos seus sigilos. É preciso avançar! E neste sentido, como mundo informatizado, é possível facilmente observar os usos das novas tecnologias, a bem da Maçonaria, sem, contudo, quebrar arcanos maçónicos, S. T e P., onde excelentes novas tecnologias são utilizadas em sítios electrónicos, acessíveis na internet, pelas Potências e inúmeras Lojas Maçónicas, bastando observar a GLUI – A Grande Loja Unida da Inglaterra [3] ou no Brasil, por exemplo, o GOB – Grande Oriente do Brasil [4].

As Relações da Maçonaria com a Sociedade

As relações da Maçonaria com a sociedade, nos seus segmentos públicos e privados são duplamente carentes: carente por haver a necessidade, desses segmentos, da colaboração activa da Maçonaria, e também carente por a Maçonaria precisar desse melhor contacto (quando é realizado), para aprimorar os seus objectivos e auxiliar a mesma sociedade. Neste sentido, a sociedade parece encontrar-se “cega” de luz, mesmo que momentaneamente, para o potencial de auxílio da Maçonaria.

Generalizando-se, poder-se-ia dizer que a Maçonaria se olvida de que ela própria (Maçonaria) é reflexo da sociedade e de que contém na sua honrosa Membresia parte da mesma sociedade, de que é uma luz reflexa da sociedade e para a sociedade. E é exactamente por isso que a Maçonaria sofre abalos, tremores, sucessos, avanços ou terremotos, surgidos ou causados pela conjuntura da própria sociedade. O êxito ou a ferida encontra-se na sociedade, nos seus grupos sociais, na sua educação e saber; na sua Ética. Como esperar que a Maçonaria não tenha ou encontre, no futuro próximo, dificuldades em recrutar e manter homens nas suas Lojas, havendo tanta crise de valores na sociedade? Como esperar contribuições, doações e acções filantrópicas numa sociedade permeada de ignorância, egoísmos e futilidades? Enquanto a Arte Real assume uma missão muito difícil: trabalhar inflexivelmente (e como deve ser), valores morais e éticos, desbastando a P. B. e aperfeiçoando o homem, isso só será possível com uma maior inserção e relacionamento conscientizadores da Maçonaria, de modo actuante, nos diversos segmentos ou grupos sociais das redes pública e privada. Acredita-se que somente com uma práxis conscientizadora promover-se-á um melhor futuro para a Maçonaria. A Maçonaria Regular Universal é ética, imorredoura, e não um “ente bigbrotheriano”.

Alexandre Fortes, 33º – CIM 285969 – ARLS Cícero Veloso n° 4543 – GOB-PI

Notas

[1] https://www.freemason.pt/maconaria-do-passado-rumo-ao-futuro/

[2] https://www.ebiografia.com/socrates/

[3] https://www-ugle-org-uk.translate.goog/?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt-BR&_x_tr_pto=sc

[4] https://www.gob.org.br/

Referências

 

 


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1 thought on “A Maçonaria Regular Universal é imorredoura e não “bigbrotheriana””

  1. José Fava

    Continuo a torcer-me todo com a palavra Regular, por confronto com a palavra Irregular. Acredito, isso sim, na Maçonaria Universal, “em que todos os Homens serão iguais” de Schiller.
    Não posso, não podemos, aceitar diferenças, baseadas em fenómenos históricos ou de domínio do Mundo, por esta ou aquela obediência. Os princípios são os mesmos, as religiões e políticas são diferentes, mas a Tolerância que nos une, deve sobrepor-se a quaisquer outros fenómenos.
    Pretos, Brancos, Ocidentais ou Orientais, de qualquer etnia ou género, estamos todos unidos pela raiz comum e pelas ideias da Fraternidade e da Liberdade.

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