O Relatório Draghi é uma peça chave para a tomada de decisão sobre a metodologia a seguir para a diminuição da burocracia e dos entraves ao nosso crescimento e à nossa competitividade.
Se é uma verdade indesmentível que a Maçonaria não pode, nem deve, imiscuir-se ou sequer manifestar-se publicamente no que respeita à política partidária, podemos e devemos fomentar o debate em torno de melhores políticas públicas, em prol de uma sociedade mais equitativa, mais justa e mais fraterna.
Foi nesse sentido que a Maçonaria Regular promoveu muito recentemente em Lisboa um debate, aberto a todos os interessados, sobre o designado Relatório Draghi e o seu impacto em especial para o nosso país, mas obviamente também para a Europa.
Figuras como o Governador do Banco de Portugal, Mário Centeno (através de uma declaração vídeo), o Bastonário da Ordem dos Economistas, António Mendonça, o Presidente do Instituto Benjamin Franklin, António Rebelo de Sousa, a ex-deputada europeia Margarida Marques, o ex-presidente da CGD e do MillenniumBcp, Carlos Santos Ferreira e o ex-Presidente do IEFP, Mário Caldeira Dias, desenvolveram – perante uma sala do Grémio Literário repleta – uma série de apresentações promovida pela Academia Maçónica e em torno desse mesmo tema.
Para a Maçonaria Regular, o Relatório Draghi é, em essência, uma chamada à ação. Ele evidencia o que não foi feito ao nível da União Europeia, mostrando o percurso que deve ser prosseguido, o mais rapidamente possível, se queremos recuperar o tempo perdido. Na sequência disso mesmo, e após a apresentação do relatório, a Comissão Europeia lançou a ‘Bússola para a Competitividade’, visando apontar o caminho para uma Europa inovadora e economicamente forte. Sendo que os obstáculos a esse caminho, tal como os passos inevitáveis para o percorrer, foram precisamente a razão de ser do mencionado debate.
Não tenhamos dúvidas: A Europa encontra-se numa encruzilhada histórica. O que conseguirmos ou não fazer agora, em conjunto, como europeus, determinará o futuro de um projeto assente, como dizia o seu fundador Jacques Delors, “Numa concorrência que estimula, numa cooperação que fortalece e numa solidariedade que unifica“.
Nesse mesmo sentido, o Relatório Draghi é uma peça chave para a tomada de decisão sobre a metodologia a seguir para a diminuição da burocracia e dos entraves ao nosso crescimento e à nossa competitividade, face à China, aos Estados Unidos e aos designados BRICS, com a Índia à cabeça.
Na qualidade de Grão-Mestre da Maçonaria Regular, cumpre-me prosseguir os desígnios para os quais fui eleito e que incluem o reforço, junto da sociedade civil, da perceção adequada do papel da Maçonaria em geral, e da Maçonaria Regular em particular, destacando os nossos valores e princípios.
Entre eles, inclui-se sem dúvida o valor da cidadania, encarado pelos maçons como um pilar fundamental da construção de uma sociedade melhor, para a qual contribuímos, quer através do nosso trabalho maçónico, quer das nossas iniciativas em prol de múltiplas entidades de cariz social e humanitário. Iniciativas essas sempre assentes num outro valor indissociável, que é o da solidariedade.
Nas suas vidas profissionais, os milhares de irmãos que fraternalmente se juntam na Maçonaria Regular possuem um imenso know-how, que se encontra repartido pelas diferentes áreas de conhecimento e de atividade. Essa reunião de saberes, orientada para a partilha e a formação é, aliás, o pressuposto por detrás da Academia Maçónica.
Pretendemos e iremos continuar a fomentar, ao longo deste ano, debates e conferências – abertas e participadas – sobre os grandes temas que nos afetam, a maçons e a não maçons, como Portugueses, como Europeus e como Cidadãos. Homens livres que, acima de tudo, assim desejam permanecer.
Paulo Rola – Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal /GLRP
Fonte

- A Maçonaria de portas abertas
- Comunicação do Grão-Mestre Paulo Rola por ocasião do Equinócio da Primavera – 2025
- Os Grão-Mestres da Grande Loja Legal de Portugal / GLRP
- Fernando Teixeira, O meu Pai… O meu Grão-Mestre
- Consagração da GLRP – 29/06/1991 – discurso de Fernando Teixeira

