Máximas do Marquês de Maricá sobre a virtude

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Mariano José Pereira da Fonseca, Marquês de Maricá (1773 - Rio de Janeiro - 1848 - Rio de Janeiro), virtude
Mariano José Pereira da Fonseca, Marquês de Maricá (1773 – Rio de Janeiro – 1848 – Rio de Janeiro)

Quem foi

Político, matemático, filósofo. No Rio de Janeiro, frequentou a Sociedade Científica e Literária. D. Pedro I fê-lo ministro da Fazenda (1823), visconde (1824) e marquês (1826), nomeando-o ainda para o Senado, na Câmara Vitalícia (1826). Na Literatura, o Marquês tornou-se famoso com o livro Máximas, pensamentos e reflexões, publicado em 1839.

As máximas

Dentre todas as 4188 virtuosas máximas do Marquês de Maricá, presentes na sua obra Máximas, pensamentos e reflexões, destacamos aqui somente os aforismos que vislumbram a palavra “VIRTUDE(S)”:

18 – Nobre e ilustrada é a ambição que tem por objecto a sabedoria e a virtude.

66 – A virtude resistindo se reforça.

73 – Os bens que a virtude não dá ou não preserva são de pouca duração.

76 – A virtude é comunicável, mas o vício contagioso.

200 – É necessário que nos habilitemos, para ser felizes: a felicidade sensual exige poucas habilitações; mas a moral, intelectual e religiosa, reclama um prolongado tirocínio de saber, experiência e virtudes.

201 – Podemos reunir todas as virtudes, mas não acumular todos os vícios.

206 – A virtude é uma guerra perene connosco por amor de nós.

247 – As virtudes se harmonizam, os vícios discordam sempre entre si.

249 – Em matérias e opiniões políticas os crimes de um tempo são algumas vezes virtudes em outro.

284 – Em geral o temor ou medo, e não a virtude, mantêm a ordem entre os homens.

303 – As virtudes são económicas, mas os vícios dispendiosos.

389 – A beneficência da vaidade é algumas vezes mais profusa que a da virtude.

466 – Somos bem-fazentes mais vezes por vaidade que por virtude.

480 – Uma revolução feliz justifica maiores crimes e os eleva à categoria de virtudes.

482 – A virtude é o maior e mais eficaz preservativo dos males da vida humana.

509 – A civilidade é uma impostura indispensável, quando os homens não têm as virtudes que ela afecta, mas os vícios que dissimula.

584 – As virtudes são racionais, os vícios sensualistas.

611 – A inocência sem virtude corresponde ao idiotismo.

631 – Os velhacos são tais por ignorantes: desconhecem que a melhor política é a probidade e o meio mais eficaz e seguro de ser felizes, a virtude.

678 – Há certos passatempos e prazeres ilícitos, que censuramos nos outros, mais por inveja do que por virtude.

699 – Quando não podemos gozar a satisfação da vingança, perdoamos as ofensas para merecer ao menos os louvores da virtude.

701 – Perdoamos mais vezes aos nossos inimigos por fraqueza, que por virtude.

714 – Há rasgos de virtude que provocam lágrimas de admiração; esta é tanto maior, quanto supomos maiores os esforços, e sacrifícios que custaram às pessoas que os produziram.

749 – A virtude nos diviniza, o vício nos embrutece.

754 – A afectação da virtude custa mais que o seu exercício.

789 – Nunca erramos o caminho da felicidade, quando nos guiamos pelo itinerário da virtude.

802 – A virtude remoça os velhos, o vício envelhece os moços.

819 – O sono melhor da vida a inocência o dorme, ou a virtude.

852 – A virtude é agridoce, mas o vício doce-amargo.

875 – A virtude resplandece na adversidade, como o incenso recende sobre as brasas.

885 – Todas as virtudes são restrições, todos os vícios, ampliações da liberdade.

891 – Os homens definem e classificam as virtudes, as mulheres as praticam.

904 – A virtude ofendida se desagrava perdoando.

913 – A. virtude aromatiza e purifica o ar, os vícios o corrompem.

950 – Quando madrugamos e passamos o dia com a virtude, anoitecemos sem remorsos e dormimos sem pesadelos.

977 – Nunca os povos sofrem tanto como quando se fala mais em liberdade e menos em virtude e obediência.

999 – Nas campanhas da vida humana, a virtude é a nossa melhor aliada.

1007 – Não procures a felicidade onde a virtude não tem culto.

1011 – A honra anuncia virtudes, as honras nem sempre as supõem.

1036 – O princípio das democracias não é a virtude, mas o ciúme ou a inveja: desejando cada um ser rei, todos se opõem e não consentem que o haja.

1042 – Há vícios contrários e opostos, mas não virtudes adversas e incompatíveis.

1044 – Quando se faz da traição virtude, ela vegeta em toda parte, e sufoca a lealdade.

1048 – A bandeira da virtude, nas suas campanhas, tem por legenda: — Resistência e Abstinência.

1066 – A virtude é uma escravidão voluntária e racional.

1093 – As sociedades humanas deixam de existir ou se dissolvem quando os vícios e crimes sobrepujam as virtudes.

1124 – As armas invencíveis da virtude são resistência às tentações e abstinência dos prazeres proibidos.

1142 – Não tem permanência a virtude que não provém da inteligência.

1184 – O sexo encarregado de criar e pensar os inocentes é como devia ser, por instinto e natureza, o mais terno, paciente e virtuoso: Deus confiou a inocência da virtude.

1185 – O progresso nos vícios é tão rápido como é lento nas virtudes; o vício é deleitação, a virtude, abstinência.

1196 – A virtude é feliz na sua desgraça, o vício infeliz na sua ventura.

1261 – Condenamos irreflectidamente nos moços a vergonha e acanhamento que os defendem de muitos males e perigos, suprindo de algum modo a razão e a virtude que ainda recentes não os podem dirigir e resguardar.

1274 – A felicidade sensual consiste na saúde, a moral na virtude, a intelectual no estudo da natureza e a religiosa no amor e temor de Deus.

1276 – Este mundo é um vasto e complicado labirinto em que o homem se perde e desatina, se a virtude o não dirige e acompanha.

1285 – A fortuna sem virtudes é mais desastrosa que a desgraça.

1410 – A genuína virtude não é austera nem sobranceira, mas alegre, amena e jovial.

1456 – Nada conserva e resguarda tanto a saúde como a virtude.

1463 – A beneficência nos confere a virtude magnética de atrair os homens e fazê-los contribuir e interessar-se na nossa felicidade.

1522 – As virtudes enriquecem, os vícios empobrecem os homens.

1555 – A austeridade connosco é virtude, com os outros pode ser tirania, injustiça ou imprudência.

1589 – Os vícios dão mais ocupação aos homens do que as virtudes; estas têm poucas necessidades; aqueles, inumeráveis.

1657 – A virtude nunca se maldiz, o vício e o crime, frequentemente.

1668 – Se pudéssemos convencer os homens desta grande verdade, que os bons ou maus pensamentos, palavras e obras têm o seu prémio ou castigo correspondente na ordem física e moral deste mundo, muitos bens resultariam para a felicidade individual e social de tão salutar convicção; a virtude seria amada e observada como um meio seguro e infalível de ser feliz, o vício e o crime detestados pelos seus efeitos terríveis de pena, dor, miséria e desgraça.

1678 – A paciência é virtude em poucos e fraqueza em muitos.

1690 – É planta frágil e sem duração a virtude, que não tem a sua raiz na religião.

1691 – A virtude consiste especialmente na resistência a nós mesmos.

1699 – Ser cultor da virtude é ter aliança com Deus.

1754 – A probidade abstém-se de fazer mal, a virtude pratica o bem.

1759 – Tudo é grande nos grandes homens: vícios, paixões e virtudes.

1805 – Os maus procuram alcançar por assalto e violência os bens que os bons esperam conseguir pelo trabalho, inteligência e virtudes.

1839 – Os homens são bons por natureza, nem podiam deixar de sê-lo, sendo destinados pelo Criador a viverem em sociedade, a qual só pode subsistir por amores e virtudes.

1877 – No grande mercado deste mundo os erros se vendem por verdades, e os vícios se inculcam por virtudes.

1880 – Na virtude é necessário perseverar para vencer e triunfar.

1906 – A virtude, se encurta a liberdade, alonga a felicidade.

1919 – A virtude não teme, o crime estremece a cada instante.

1982 – Acompanhai a virtude, e chegareis à felicidade.

2013 – Homens há que valem muito mais que a sua reputação; o seu silêncio, retiro, modéstia e reserva não deixam distinguir toda a extensão do seu merecimento, saber e virtudes.

2140 – É incalculável o grau de virtude a que os homens poderiam chegar se cressem em Deus e o amassem como a natureza o revela, e não como as opiniões humanas o representam.

2145 – Os homens recomendam e inculcam os seus vícios por virtudes: o avarento se diz económico, e o pródigo, liberal.

2158 – A virtude e lealdade se retiram quando o crime e traição alcançam prémios.

2185 – Ninguém se gaba de ter juízo ou virtude: todos sabem que cada qual presume o mesmo de si e não o acredita facilmente dos outros.

2252 – A virtude estudada é melhor observada.

2304 – Amores e virtudes são os elementos e princípios constituintes e conservadores das famílias, povos e nações.

2332 – Os talentos não valem as virtudes que os dispensam.

2338 – A prudência é virtude em poucos e fraqueza em muitos.

2415 – Os vícios antecipam a velhice, as virtudes a retardam.

2475 – Não basta recomendar aos homens a virtude em abstracto, é necessário exemplificá-la nos seus numerosos casos, para que reconheçam na prática os seus graves e salutares benefícios.

2481 – Onde a ciência, virtude e lealdade não têm admiradores, a sociedade é inválida e conquistada pelos néscios, velhacos e traidores.

2558 – O jogo da vida e eventos no género humano é (sic) tão admirável como misterioso; parecendo fortuito, está sujeito às leis de uma ordem maravilhosa, e coordenado de maneira que resulta do seu complexo, prémio à virtude, castigo ao vício e ao crime.

2560 – Os que melhor dissertam sobre a virtude não são ordinariamente os mais virtuosos.

2672 – As virtudes não têm o mesmo polimento dos vícios, mas uma certa rudeza natural que as constitui genuínas.

2676 – Somos fortes pela virtude, fracos e covardes pelos vícios e crimes.

2700 – Podemos tornar-nos menos passíveis neste mundo promovendo a nossa inteligência pelo estudo, ciência, experiência e virtudes, conhecendo melhor a natureza dos males e as suas fontes, e podendo consequentemente preveni-los, removê-los, neutralizá-los e transformá-los em bens.

2726 – Um homem reputado de saber, juízo e virtude, dá sujeição à muita gente.

2889 – A riqueza material é de difícil transporte neste mundo e impossível para os outros; a ciência e virtude, identificadas com a nossa alma, podem percorrer a imensidade do espaço sem trabalho nem despesa com a sua condução.

2891 – Os moços não são nem podem ser sábios, não têm suficiente ciência, experiência, virtude e amor de Deus para serem qualificados tais.

2954 – É fácil recomendar a virtude no seu abstracto, mas dificílimo conhecê-la e observá-la no seu concreto.

2971 – Não podemos imaginar um mundo sem males, nem criaturas vivas impassíveis: faltando o motivo de acção e movimento espontâneo não haveria liberdade nem escolha, virtude nem mérito, nem ofício, emprego ou modo de vida que os ocupasse a inércia dos corpos inorgânicos seria a sua sorte e estado habitual.

3003 – Virtude é observância e satisfação do que devemos a Deus, aos homens e a nós mesmos.

3061 – A virtude é um vocábulo abstracto que os homens geralmente não entendem, nem compreendem, se não é especificamente exemplificado.

3066 – Sem inteligência, trabalho, virtudes domésticas e civis, não se alcança a riqueza, ou se herde em pouco tempo.

3086 – Os homens de juízo, virtude, sabedoria e santidade, são os menos livres, ou os que menos usam e abusam de liberdade.

3134 – As noções do infinito, eternidade e intensidade, da imortalidade da alma e de uma vida futura com as transcendentes da infinita sabedoria, poder e bondade de Deus, autor e Criador de tudo, provam demonstrativamente que a nossa vida não se limita à curta existência neste mundo, mas que terá de prolongar-se pela eternidade com variados corpos em inumeráveis mundos, crescendo a nossa inteligência progressivamente em ciência, virtude, amor, gratidão e admiração de Deus, e consequentemente numa bem-aventurança tal que não é possível qualificar nem compreender. A inteligência humana é muito superior e transcendente à vida animal e temporária deste mundo terreal, e portanto nos anuncia altos e sublimes destinos depois dele em muitos outros subsequentes e inumeráveis.

3206 – Melhoramos em virtude quando pioramos em saúde.

3227 – Os vícios dão mais ocupação e que fazer aos homens do que as virtudes; estas são modestas e económicas, aqueles, dispendiosos.

3255 – Os vícios igualam as condições, as virtudes as distinguem.

3279 – A civilidade requinta nos que professam menos virtudes, porque as supre ou inculca.

3368 – A virtude é habitual nos homens, o crime, excepcional.

3424 – É o mal que dá origem à moral; não haveria sem ele crimes, vícios nem virtudes.

3488 – A virtude é tão vulgar que não dá celebridade; elevada à santidade, confere veneração.

3536 – O verdadeiro heroísmo é a virtude que o confere, e não os vícios, crimes e paixões.

3538 – A virtude e sabedoria têm uma certa rudeza exterior que, encobrindo a sua amenidade e benevolência interna, não previne em seu favor e aliena a muitos que as não conhecem.

3560 – A virtude acompanhada da fortuna é menos difícil e mais respeitada.

3582 – A rosa ainda em botão não deleita a vista nem perfuma os ares; mas aberta e expensa com a sua beleza majestosa, contenta os olhos, o olfacto e faz a glória da natureza; assim o homem adulto e maduro pela ciência e virtudes honra a humanidade pelos primores do seu entendimento, indústria e talentos.

3809 – A civilidade é tanto mais importante numa nação quanto esta é menos ilustrada e moral: é necessário simular virtudes onde as não há ou deixaram de existir.

3913 – As virtudes embalsamam o ar, os vícios o corrompem.

3953 – Velhos há cujo procedimento honesto é menos devido à virtude que à impotência.

3969 – Há vícios que se contrapõem; as virtudes sempre se ajustam. O incompreensível é indefinível: tal é Deus!

4016 – Pode a virtude ser perseguida, mas nunca desprezada.

4027 – Quantas vezes os vícios contribuem para alimentar a virtude, dando exercício ao trabalho de homens probos que os não têm!

4036 – Fazer da pobreza virtude é hostilizar a riqueza, que ministra à caridade os recursos do que carece.

4154 – Os vícios encurtam a vida, as virtudes a prolongam.

4174 – A virtude tem alguma coisa rude e agreste que a faz desagradável sem o polimento e verniz que lhe dá a civilidade.

Alexandre L. Fortes, MI – CIM 285969 – A.R.L.S. Ir. Cícero Veloso N° 4.543 – GOB-PI – GOB

Fontes

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