A maçonaria vista de fora – vista de dentro

vista

Hoje comecei por pensar escrever simplesmente sobre “A maçonaria vista de fora”, mas nesse caso versaria sobre o que quem está de fora vê da Maçonaria. Vi então que não era o que pretendia. Pretendo antes mostrar um pouco do que, quem está dentro, vê quem, de fora, tenta espreitar para dentro.

Há muita coisa disponível na Internet, em Livrarias, alfarrabistas, bibliotecas, enfim… um pouco por todo o lado. Quando me comecei a interessar pela maçonaria não me coibi de perguntar a quem tinha paciência para me responder. Ao mesmo tempo, comecei a comprar livros, a procurar filmes e videos, e a ler outros sites. Muito do que sobre Maçonaria se lê na Internet é de duvidosa qualidade, mas eu lá ia – ou assim acreditava – conseguindo separar o trigo do joio. A certa altura, quando contei, muito orgulhoso – creio que ao José Ruah – que estava a ler “The Meaning of Masonry“, de Walter Leslie Wilmshurst, ele respondeu-me com certa secura algo como “Eu não perderia tempo a ler coisas que não entendesse, ou que eventualmente só estaria capacitado a compreender depois de ter uma década ou mais de maçonaria – mas força, mal não há-de fazer. Mas é um bocado árido“.

Na altura achei que ele era parvo, e que a leitura me abriria os horizontes, já que tudo pareciam apostado em “fazer caixinha”. De facto, li muita coisa, mas aquela miscelânea de referências esotéricas trocava-me as voltas como naqueles livros que, de tantas personagens terem, nos obrigam a escrever uma lista de “Quem-é-quem”, para não nos perdermos na história… Ia lendo coisas, ia memorizando significados e, por vezes, ia tendo aqui e ali alguns vislumbres das razões por detrás de tudo aquilo…

Foi um bom entretém, mas pouco mais que isso. Afinal, tive que esperar largos meses até que “se dignassem” iniciar-me… Curiosamente, depois de ser iniciado, os livros começaram a ganhar pó, os que se encontravam a meio foram fechados e arrumados, para só, muito esporadicamente, os vir a abrir com fins precisos, para logo os fechar de novo. Idem para os videos, filmes, blogues e afins – com exceção do “A-Partir-Pedra”, que continuei a frequentar, mais discretamente, mas sem nunca deixar de ser leitor assíduo.

Agora, já de dentro, vejo o quanto é curiosa a vista de dentro de quem quer ver para dentro, o esforço que faz quem quer perceber o que lá se passa, e usa livros e videos como forma de iluminação. Em primeiro lugar, são poucos os que ultrapassam a análise dos símbolos, ou do fito pela benemerência. Para não falar nos paparazzi – em português: cuscovilheiros – que apenas querem saber quem está, de que modo nos ocultam coisas, e que maquinações engendram.

Acabei por dar alguma razão ao Zé Ruah: o que eu estava a fazer era algo como estudar muito bem as regras do futebol, as várias táticas, toda a teoria sobre o Desporto-Rei, no sentido de me tornar um novo Cristiano Ronaldo – mas sem nunca tocar uma bola, quanto mais treinar em equipa. Por isso, quando vejo alguém assim, entusiasmado com a Maçonaria, a ler muito, a pesquisar mais, não posso deixar de pensar que é tempo, em certa medida, perdido. Que se queira, depois de se ser aceite numa equipa, e de se aprender as passagens de bola básicas, e de fazer exercícios que até nem tenham – aparentemente – nada que ver com futebol, e de se apurar a técnica até onde esta pode ser apurada só com o instinto – então aí sim, pegar nuns livros e ler umas coisas pode fazer a diferença. Agora começar por aí…

Mas para quem o fez, deixo algumas palavras de encorajamento de Henry David Thoreau: “If you have built castles in the air …that is where they should be. now put the foundations under them“. (Se construiste castelos no ar… estão onde devem estar. Agora põe as fundações sob eles.)

Paulo M.

Publicado no Blog “A partir pedra” em 30 de Janeiro de 2011

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One thought on “A maçonaria vista de fora – vista de dentro

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    É exato! Levei 20 anos para ser iniciado, porque era considerado comunista pelo meu “humanismo militante” que confundiu uns “bodes sem capim”. Quando fui iniciado, já dava lições, tendo lido Mestres como Bouvher, Catellani, E Revistas como “Prumo” e a “Trilha” paea as qauis escrevi aerigos e me tornei convidado a proferir palestras em Lojas e, especialmente, em lojas reunidas, dentro e fora do meu Oriente. Da minha turma de iniciandos, só dois alcançaram o Grau 33, subtendo-se a viagens por vários Orientes Estaduais e aré a Capital do Brasil. Percorri todos os graus filosóficos e os ministrei até o 32 para IIR:. de vários Orientes.Minha biblioteca Maçônica causa inveja. Além de ter assistindo vídeos e filmes. Não perco e distribuo, diariamente, estes matavilhosos artigos, após os ler calmamen cebando um bom chimarrão. TFA:. Adauto 33:. Fui deputado estadual e Federal pela minha Loja Mãe.ARLS LUZ e VERDADE, O:. Joinville; SCatarina, Br:.

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