Mudar ou desaparecer – o dilema da Maçonaria

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Existe, actualmente, uma crise na nossa Fraternidade? Se sim, como posso ajudar? Na história conhecida da Maçonaria, pelo menos desde que se vem contando os Maçons, o número de membros na nossa Fraternidade sempre oscilou, subindo e descendo.

Mas, à medida que o número de membros começou a declinar, surgiu um problema jamais enfrentado.

Mais ou menos no meio do século XX, uma Loja na Austrália estava lidando com o mesmo, ou pelo menos um problema similar de declínio de membros e interesse.

Eles perceberam que a razão pela qual o número de membros estava declinando era que os seus próprios membros não entendiam o que a Maçonaria realmente era; que como resultado, a Loja tinha sido transformada em algo completamente diferente do que pretendia ser; e, que os membros e possíveis membros eram apáticos sobre essa organização chamada Maçonaria.

Eles notaram que a ênfase tinha mudado de companheirismo, estudo filosófico e desenvolvimento espiritual para discussões superficiais sobre tópicos mundanos.

Eles insistiram que se a Fraternidade retornasse ao que eles acreditavam que uma vez fora, os homens, tanto membros quanto não-membros, seriam atraídos, e o problema se resolveria por si mesmo.

Eles insistiram que os homens eram atraídos por coisas que eles consideravam valiosas e que os membros da Loja deveriam ser retratados como sendo de imenso valor a fim de atrair homens que se beneficiariam do crescimento intelectual e espiritual que a Fraternidade oferece.

Colocando a sua teoria em prática, criaram uma Loja com ênfase nas discussões intelectuais da filosofia e história maçónicas, eliminando assim muitas oportunidades de desviarem do objectivo.

Por todos os lugares, havia muitos maçons que não estavam realmente felizes com o que estava acontecendo nas suas Lojas.

Quando finalmente conseguiam tornar-se membros da Fraternidade, ficavam desiludidos.

Quando viram o que os maçons realmente faziam nas suas reuniões, ficaram muito desapontados.

Eles tinham esperado cerimónias majestosas e impressionantes; discussões profundas de assuntos que os desafiariam mentalmente; e a oportunidade de aprender sobre grandes mistérios aos quais, de outra forma, não teriam tido acesso.

Muitos destes jovens maçons tinham grande respeito pela Fraternidade antes de apresentarem petições e pelos homens que conheciam como Maçons, mas faltava alguma coisa.

Em vez disso, viam cerimónias que poderiam ou deveriam ter sido mais impressionantes, lidas num livro por um membro da Loja que lia mal e não entendia algumas das palavras, muito menos o significado dos rituais.

Eles viam homens assumindo obrigações solenes de fazer todo o tipo de coisas elevadas e, em seguida, prontamente se comportando como se não tivessem feito aquilo.

Quando eles perguntavam “porquê?” sobre partes das cerimónias ou dos rituais, eles eram instruídos a memorizar correctamente as palavras, pois ninguém sabia “por que” eles diziam e “o que” faziam.

Eles perguntavam-se: “Em que eu me meti? Não há algum lugar melhor onde eu quero gastar o meu tempo?

Muitos destes homens afastaram-se da Fraternidade, perdidos e desiludidos.

Alguns, no entanto, tiraram um tempo para aprender o ritual, ler a literatura, pensar sobre “o que” a Maçonaria deveria ser e decidiram que isso precisava retornar à Instituição que eles percebiam uma vez ter sido.

A partir daí, esta Loja Australiana passou a ter uma lista de espera de homens querendo se tornar membros.

Eles aprenderam a ser mais exigentes com os seus membros e discutir assuntos mais esotéricos e filosóficos, além de enfatizarem a excelência na experiência iniciática transmitida.

Eles se enquadraram no guarda-chuva que alguns chamam de “Restauração Maçónica” e organizaram-se para promover esses ideais.

Estaremos vivenciando, em pleno século XXI, situação semelhante à vivenciada por aquela Loja na Austrália?

Se sim, o que poderei fazer?

Tradução de José Filardo

(Extraído do texto DIFERENÇAS FILOSÓFICAS MAÇÓNICAS NO SÉCULO XXI de Sir Knight John L. Palmer)

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5 thoughts on “Mudar ou desaparecer – o dilema da Maçonaria”

  1. Marcelo Alkmim Ferreira de Pádua

    Hoje, mais do que nunca, precisamos ouvir nossos interlocutores ou melhor auscultar o que dizem nossos Irmãos. Nossa pressa e falta de paciência em ouvir as opiniões dos Irmãos, nos leva a conversas ou discussões inúteis. Como debater opiniões se não as escutamos?? E como vamos emitir opinião sobre algo que não estamos auscultando?? O poeta já dizia que hoje ele gostaria de participar de um curso de escutatória, já que temos curso de oratória etc., mas escutar pouco sabemos. Portanto, para o meu crescimento, se alguém souber de um curso de escutatória, me informem, por gentileza, porque serei o primeiro inscrito. Muito grato e um TFA a cada um.

  2. Rui de Almeida Valente

    Muito bom e oportuno o presente trabalho objetivando uma melhor compreensão dos princípios filosóficos que inspiram nossa nobre Ordem. Convém também recordar e analisar os afazeres cotidianos que muitas vezes nos impedem ou atrapalham os normais caminhos de poder e realmente querer uma frequência mais adequada chamada de hábitos pessoais na solução de compromissos às nossas reuniões.Reflexões devem sempre existir entre os Irmãos. Vamos lá nos entender melhor sempre.! TFA.

  3. Marcos Renato de Oliveira

    Muito bom ver que a maçonaria percebe quando precisa de melhorias e faz as mudanças necessárias. Isso é algo que a torna conservadora e atual ao mesmo. Algo que realmente estimula meu interesse por tal fraternidade. Parabéns a todos que buscam sempre a correção e o crescimento de si mesmos. Parabéns a maçonaria

  4. Marcelo Alkmin Ferreira de Pádua

    Este é um dilema de todos nestes dias atuais. Aprendermos a respeitar os outros Irmãos. E isto começa por nós mesmos. Cada um de nós, temos um volume de aprendizado enorme, mas não temos a paciência de tolerar o tempo dos outros. Se tivéssemos a compreensão de que cada um tem um tempo para se apresentar etc., se compreendêssemos o Eclesiastes, livro que teria sido escrito por Salomão, entenderíamos que até o “pai da sabedoria” se rendeu à vaidade, só recuperando a consciência dessa perda já na velhice, mas mesmo assim se redimiu e foi um grande Rei. Acho que devemos identificar nossa sucumbência e procurarmos nos redimir e, aí, nesta descoberta reside o principal papel que a Maçonaria deve desempenhar.

    1. Luã Vitor Oliveira

      Olá tudo bem me chama luã Vitor gostaria de fazer parte dessa grandiosa irmandade por sinto que posso mudar de vida e ajudar meus irmãos

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