Prancha Circular
A todas as RR∴ LLoj∴ e RR∴ TTriang∴ da Obediencia do Grande Oriente Lusitano Unido Supremo Conselho da Maçonaria Portugueza, envia o Cons∴ da Ord∴
CC∴ e RR∴ II∴
Ao actual Cons∴ da Ord∴ incumbe o dever de executar as deliberações da Gr∴ Loj∴ Symb∴, adoptadas sob indicações e propostas que o Cons∴ da Ord∴ transacto consignou no seu relatorio de 1898.
Uma d’essas propostas é a reunião de urna conferencia maç∴ afim, principalmente, de ahi se concertarem os meios a pôr em pratica para uma larga expansão da nossa Aug∴ Ord∴, que possa corresponder a uma verdadeira mobilisação de forças, sem o que, difficil nos será intentar commettimentos que affirmem o poder da nossa instituição.
Alguma cousa se tem já conseguido, ultimamente, no alargamento da influencia maç∴ por meio de ttriang∴ e novas ooff∴; mas tudo isso é pouco para o muito que ha a fazer n’um paiz despovoado, em differentes e largas regiões, de nucleos maç∴.
Nao devem as LLoj∴ e ttriang∴ tudo confiar do poder central, que tantas vezes se sente assoberbado com questões de varias ordens a que tem de attender; antes o devem auxiliar com as suas luzes, iniciativas e trabalhos nas localidades, que correspondam ao nosso programma de liberdade e progresso.
Suggerida e approvada a ideia da conferencia, que não é mais do que um meio de todos nos approximarmos no fraternal intuito de nos abraçarmos e definirmos um plano a executar, que não deixará de ser sanccionado pelo parlamento maç∴-, a Gr∴ Loj∴ Symb∴ -, o Cons∴ da Ord∴ tem a honra de vos enviar o programma de trabalhos, onde encontrareis materia e indicações que traduzem propostas e pensamentos registados no citado relatório de 1898, as quaes mereceram approvação d’aquella Subl∴ Cam∴.
Assim, além da parte principal, aquella que instantemente se impõe e recommenda ao nosso estudo, porque, sem exercito não se dão batalhas – a expansão maç∴ -, terá a conferencia de se occupar dos meios práticos de combate contra a política ultramontana e instituições reaccionarias; – como deveremos influir no mundo prof∴ para estabelecermos, no paiz, o nosso programma de Liberdade e Progresso; – e, como questão concomitante, não poderemos deixar fora do nosso estudo a não menos importante questão dos recursos materiaes indispensáveis. Por isso, na 3.a sessão da conferencia, apreciaremos a proposta da creação de uma Caixa de Propaganda, e uma outra questão de interesse intimo da maç∴ portugueza: – a Caixa de Solidariedade Maç∴
Além d’outras, todas estas questões foram indicadas pelo Cons∴ que nos antecedeu no citado relatorio, e approvadas na ultima sessão legislativa.
De muitos mais assumptos a conferencia se poderia occupar, mas não caberia isso no tempo, e eminentes são as questões propostas para nos retirarmos satisfeitos com o nosso trabalho se as resolvermos convenientemente.
O Cons∴ da Ord∴ desejaria que os delegados á conferencia estudassem, sob o ponto de vista pratico principalmente, as propostas que recommenda á vossa anályse e dedicação pela Ord∴, apresentando na conferencia, ou enviando, previamente, ao Cons∴, se assim o entenderem, quaesquer alvitres que facilitem a solução dos problemas que, por agora, deveriamos resolver.
Não poderemos, na conferencia, em quatro sessões, realisadas em dois dias, alargar-nos em discursos que podem lançar luz nos debates, mas que também podem comprometter a parte pratica das questões indicadas, que é o que nos deve agora interessar; por isso, o Cons∴ toma a deliberação de, desde já, vos apresentar os seus pontos de vista, que são também, alguns, indicações e ideias de ooff∴ e ttriang∴ que já dos assumptos se teem occupado.
Expansão Mac∴
Esta parte, de todas a mais importante, deve interessar sobremaneira, e n’ella podem influir, beneficamente, todos os mmaç∴ por suas iniciativas, e todas as LLoj∴ e ttriang∴ por diligencias collectivas.
Um Ir∴ Mest∴, ou mais graduado, em qualquer localidade onde consiga reunir tres cidadãos honrados, discretos, liberaes e amigos da patria, poderá constituir um triang∴, novo foco de actividade maç∴, recebendo para isso as necessárias auctorisações. Dentro da lei, esse triang∴, poderá transformar-se em Loj∴, e ahi teremos um forte núcleo de acção e expansão da Ord∴
Facilmente se resolverá o culminante problema da expansão maçónica se todas as LLoj∴ e ttriang∴ se reunirem, desde já, afim de verem onde os seus oobr∴ têm influencia, ou contam com elementos para ahi constituírem triang∴ não podendo ser off∴
Apurado o que poderão realisar, deve o delegado á conferencia apresentar-se com as suas propostas para constituição de triang∴, afim de, sem demora, se passar a respectiva carta de poderes.
N’esta questão pouco teremos que discutir, o trabalho é, principalmente, das LLoj∴ e ttriang∴, e com o maior interesse vol-o recommendamos.
Dispondo nós de exercito bem mobilisado e convenientemente disciplinado, immediatamente se impõe a segunda questão∴
Meios de combater o ultramontanismo e a reacção.
N’esta parte deveriamos indicai’ e resolver os meios de immediata execução, deixando outros, por sua natureza mais difficeis e complexos, para estudos e resoluções ulteriores.
Por agora conviria começar pela escola e pela educação das creanças, procurando conseguir a reforma do ensino primario, e desviar as gerações que chegam da influencia dos jesuitas.
Como? Não é facil a resposta sob o regimen em que vivemos, mas deveremos assentar n’alguma cousa.
Comecemos por proteger as escolas laicas, e por estabelecer activa propaganda contra as congreganistas.
Aos professores das escolas nossas protegidas daremos todo o apoio e protecção: para os alumnos d’essas escolas estabeleceremos uma cantina que forneça refeições aos mais pobres; demos também, quanto possível, livros, papel, tintas, até roupas e calçado, aos que não frequentem a aula por pobreza, e curemos da sua saude, facilitando assistência medica ás creanças cujos paes a reclamem.
E pouco, mas é um começo de trabalhos práticos, talvez facil.
Reunidas algumas escolas, nossas protegidas, poderemos federal-as – Federação das Escolas Laicas de Ensino Livre – e, de accordo com os seus professores, adoptaremos novos programmas e novos compêndios, que correspondam aos progressos da pedagogia e ao ensino liberal e civico.
Da Federação das escolas laicas, que poderia começar, sem grande difficuldade, em Lisboa e Porto, poderiamos tentar a Liga da Educação Nacional, cujo projecto foi já elaborado pela Academia de Estudos Livres, sob a influencia da R∴ Loj∴ Fiat Lux.
Suggere aqui a necessidade de recursos materiaes. O Cons∴, no desejo de facilitar estudos e orientar o povo maç∴ nos assumptos levados á conferencia, continua expondo, a largos traços, alguns meios que julga realisaveis.
O programma da Conferencia que temos a honra de vos enviar, indica a creação de uma Caixa de Propaganda e de uma Caixa de Solidariedade Mac∴
Como base para a Caixa de Propaganda poderiamos adoptar novas fontes de receita por meio de quotas voluntárias; sobre inic∴; ou quaesquer outras verbas que no orçamento annual se devessem applicar a esse fim.
Mas a protecção ás creanças, que ahi fica indicada, e que tanta despeza reclama?
Indicaremos o seguinte meio de realisar receitas:
Á Caixa de Propaganda deveriamos ligar uma nova instituição que julgamos do mais largo alcance, e a que daríamos o nome de – O Vintém das Escolas.
O Vintém das Escolas – seria uma associação dos liberaes e democratas que quizessem contribuir com 20 réis por mez para a grande obra da reforma do ensino, e protecção ás creanças que frequentassem as escolas laicas.
Essa associação depende de meditação e estudo que a conferencia poderá lazer; estamos, porém, convencidos de que se todas as LLoj∴ e ttriang∴ quiserem – com verdadeiro querer – o Vintém das Escolas, poderá vir a ser, em breve praso, uma instituição nacional regeneradora e util, e do mais elevado interesse patriótico.
Essa associação não poderia deixar de ser lançada no mundo prof∴ pela maç∴, devendo escolher-se a séde e preparando as coisas para que, ao primeiro appello, todos correspondessem com a sua adhesão e com todo o auxilio e enthusiasmo.
Dignae-vos dispensar a vossa attenção para esse alvitre, e começae por auxiliar a ideia, apresentando as vossas esclarecidas apreciações.
A Caixa de Solidariedade Maç∴
A maç∴ franceza tem uma instituição d’esse caracter, e um grupo da maç∴, ao norte do paiz, projectou estabelecer uma associação idêntica quando esteve fóra da obediência do Gr∴ Or∴ Lus∴ Unido.
Para esta organisação teremos de contar com os próprios sacrifícios, visto que se trata de uma associação de previdência para o povo maç∴, e de protecção e auxilio ás viuvas e filhos menores dos maçons.
Além da quota pessoal que venha a estabelecer-se, entende o Cons∴ que os serviços de beneficencia deveriam passar para a Caixa de Solidariedade Maç∴, recolhendo ahi todas as quotas de beneficencia que teem sido recolhidas no Gr∴ Thesouro, accrescentadas com metade do producto do tronco de beneficencia das LLoj∴ e ttriang∴.
Para este assumpto, que é de geral interesse, talvez se devesse nomear uma commissão de representantes das LLoj∴ do Porto, a que o Cons∴ juntaria um dos seus membros para auxiliar os seus trabalhos.
Elaborado o projecto poderia ser apresentado á primeira sessão legislativa.
∞ ∞ ∞
O ultimo ponto, que se refere aos meios de que poderemos dispôr para estabelecer, no paiz, o imperio das nossas doutrinas, depende da influencia e da força da maç∴ portugueza.
Ha que actuar na política por meio de uma forte propaganda liberal e acção cívica. Ha que promover reuniões publicas e particulares – e n’ellas influir – onde se concertem os meios de arrancar ao poderio da política ultramontana a debilitada sociedade portugueza. Ha que apoiar todas as iniciativas liberaes e democráticas, que tendam ao restabelecimento do cumprimento das leis, e imponham o respeito pelos direitos e liberdades individuaes e collectivas. Ha que bater em todos os reductos, principalmente das estações officiaes, os agentes da reacção que em tudo e em quasi todos vão dominando. Teremos que disputar eleições, desde as de juntas de parochia ás de deputados, porque é esse um dever de todo o cidadão. Teremos que nos amestrar com a arma do suffragio, começando por não deixarmos de nos inscrever nos recenseamentos eleitoraes, e inscrevendo n’elles os nossos amigos e adherentes. E, quando, decididamente, podermos pezar na balança dos negocios públicos, não deveremos perder de vista, entre outras, as reformas que foram indicadas no relatorio do Cons∴ da Ord∴ de 1898, a fl. 18.
Para estes assumptos de política maç∴, a que não devemos fugir, conviria estabelecer um comité especial de vigilancia e acção.
Finalmente, o local onde se deve realisar a conferencia, no Porto, ser-vos-ha opportunamente annunciado. Dignae-vos ponderar o que temos a honra de vos indicar, e juntae ás nossas as indicações que o vosso alto espirito vos suggerir.
Acceitae o abraço fraternal pelo numero myst∴ de tr∴ e que o S∴ A∴ do U∴ vos aj∴ e ill∴
Lisboa, 15 de Fevereiro de 1900 (e∴ v∴)
O Pres∴ do Cons∴ da Ord∴
Marius 30∴
O Enc∴ das rel∴ internas∴
Victor Hugo 30∴
O Gr∴ Secr∴ Ger∴ da Ord∴
Solon 30∴
∞ ∞ ∞
Programma da primeira conferencia da maçonaria portuguesa, a qual se deverá realisar no Porto nos dias 21 e 22 de Março de 1900
Programma
A conferencia realisará quatro sessões em dois dias – 21 e 22 de Março de 1900.
1ª Sessão
No dia 21 a conferencia reúne pelas 11 horas da manhã no local prèviamente indicado.
Presidencia do Sap∴ Gr∴ Mestr∴, ou, na sua falta, qeem elle indicar.
Secretarios os PP. . e RR∴ Ilr∴ Secr∴ do Sup∴ Cons∴ do Gr∴ 33∴, e Secr∴ do Sob∴ Gr∴ Cap∴ de CC∴ RR∴ CC∴
Ordem dos traballios
I – Por parte do Cons. da Ord∴ será apresentado o quad∴ dos representantes das ooff∴ e ttriang∴, cujos poderes tenham sido verificados na,Gr∴ Secret∴
II – Discurso da presidencia, terminando por declarar abertos os trabalhos da primeira conferencia da maçonaria portugueza.
Primeira questão:
Meios práticos de expansão maç∴, sob a acção immediata das LLoj∴ e ttriang∴ da obediencia.
2ª Sessão
A 2.a sessão reune na noite de 21 de março.
Presidencia do Cons∴ da Ord∴
Secr∴ o Gr∴ Secr∴ Ger∴, ou outro qualquer membro do Cons∴
Depois de lida e approvada a acta da sessão anterior entra-se na ordem de trabalhos pela seguinte fórma:
Segunda questão:
Meios práticos de combate a adoptar contra a política ultramontana e instituições reaccionarias.
Com que recursos deveremos contar para tal fim ?
3ª Sessão
Reune no dia 22 de Março pelas 11 horas da manhã.
Presidencia do Cons∴ da Ord∴
Secr∴ o Gr∴ Secr∴ Ger∴ qualquer outro membro do Cons∴
Lida e approvada a acta da sessão anterior os trabalhos continuarão pela seguinte fórma:
Discussão dos seguintes pontos:
- Deveremos organisar um fundo especial de propaganda? – (Caixa de propaganda maç∴)
- Deveremos organisar um fundo de previdencia que venha a servir de protecção e amparo aos IIr∴ inutilisados para o trabalho, ás suas viuvas e aos seus filhos menores? – (Caixa de solidariedade maç∴)
- Indicações de meios práticos, e determinação dos recursos com que poderemos contar para a realisação dos pensamentos que ficam indicados.
4ª Sessão
Reune na noite de 22 de Março.
Presidencia do Gr∴ Vice-presidente da Gr∴ Loj∴,
Secr∴ o Gr∴ Secr∴ Ger∴, ou qualquer outro membro do Cons∴
Depois de lida e approvada a acta da sessão anterior seguem os trabalhos:
- Por que meios deve a maç∴ portugueza influir no mundo prof∴ para estabelecer no paiz o imperio do seu programma de: Liberdade e Progresso?
- Concede-se a palavra a bem da ord∴ em geral, e da maç∴ portugueza em especial.
- Discurso de encerramento de trabalhos que terminarão pela cad∴ maç∴, e transmissão da palav∴ de semest∴
N. B. – A este programma junta-se uma circular do Cons∴ da Ord∴ para a qual se chama a attenção das ooff∴ e ttriang∴
…

- A Convenção de Baltimore de 1843 – Aquela que mudou a cara da Maçonaria
- Acordo entre a Grand Lodge of England (Moderns) e quatro lojas de Portugal – 1802
- História da Maçonaria X – 1841 a 1860
- Para a história do ritual maçónico em Portugal no Século XIX (1820 -1869)
- Regulamento Especial de Justiça Maçónica do Grande Oriente Lusitano Unido – 1898


Muito grandioso v