O bicentenário do Rito da Emulação

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Queria ter falado disto na segunda-feira passada, que foi o verdadeiro 200º aniversário, mas de qualquer modo vou registar a ocasião marcante do início da Emulation Lodge of Improvement, a 2 de Outubro de 1823, desta forma.

A Emulação é um ritual maçónico segundo a Constituição Inglesa da Maçonaria. A Grande Loja Unida de Inglaterra não tem um ritual oficial; existem, se bem entendi, cerca de oitenta rituais encontrados em lojas UGLE em todo o mundo, mas dizem-me que praticamente todos eles são variações do de Emulação.

O que é Emulação?

Eu diria que a Emulação foi a componente ritual da união da Grande Loja de Inglaterra (os “Modernos” de 1717) e da Grande Loja Segundo as Antigas Instituições (os “Antigos” de 1751). A fusão das grandes lojas em 1813 envolveu muito mais do que apenas a questão de quem ficaria no comando. Questões de ritual, paramentos e muito mais exigiam uma reunião de mentes. Para discutir o aspecto ritual, vou recorrer a Brent Morris e Art de Hoyos, que co-escreveram a Introdução a The Perfect Ceremonies of Craft Masonry and The Holy Royal Arch, publicada pelo Masonic Book Club em 2021.

Os dois antigos rivais tinham variações rituais e, durante os dois anos seguintes, uma Loja de Reconciliação foi reunida para criar uma nova forma de ritual aceitável para todos. Eles não criaram um “ritual autorizado” que deveria ser aplicado em toda a Constituição inglesa, mas sim uma forma satisfatória de ritual. As Lojas seriam livres para incluir variações, desde que o essencial fosse incluído…

Em 1823, a Emulation Lodge of Improvement foi fundada apenas para Mestres Maçons. Vários dos seus membros tinham pertencido às Lojas de Instrução de Burlington e Perseverance. A Burlington começou a trabalhar em 1810 sob a Grande Loja dos Modernos, enquanto a Perseverance começou em 1818 sob a Grande Loja Unida. Como Colin Dyer observou, ‘Entre os fundadores [da Loja de Emulação] havia alguns que eram ritualistas muito capazes e que tinham uma grande experiência e conhecimento no trabalho das novas formas de acordo com o sistema da Grande Loja dos “Grand Stewards”. Os fundadores estavam quase igualmente divididos em membros entre as antigas grandes lojas rivais.

Peter William Gilkes (1765-1833)
Peter William Gilkes (1765-1833)

Peter William Gilkes (1765-1833) juntou-se à Emulation Lodge of Improvement em 1825. Foi iniciado aos vinte e um anos na Loja British Lodge nº 4, uma loja dos Modernos, em 1786, e tornou-se um instrutor proeminente do ritual maçónico. Embora não fosse membro da Loja da Reconciliação, visitou-a cerca de dez vezes. Era conhecido pela sua estrita adesão à exactidão verbal, que continua a ser uma característica das lojas que utilizam o trabalho de Emulação. Não se sabe exactamente quando a loja adoptou o seu trabalho particular, para além das palestras, mas podemos reduzi-lo a um período de cinco anos. Em 1830 a loja enviou uma petição, ou “Memorial”, ao Grão-Mestre, o Duque de Sussex, solicitando um mandado especial para continuar a sua prática, e algures entre essa altura [e] cerca de 1835, formalizou o seu trabalho ritual. A primeira notícia sobre o trabalho da Emulação apareceu num artigo no The Freemasons Quarterly Review (1836):

Por volta do ano de 1823, vários Irmãos consideraram que as palestras maçónicas não eram realizadas nas Lojas segundo um sistema suficientemente regulamentado, e que se aqueles cujas realizações como maçons de trabalho os colocavam como uma autoridade proeminente se reunissem e trabalhassem de forma eficiente, poderiam ser o meio de efectuar muitas melhorias. Assim, reuniram-se, cremos que em Wardour Street, de acordo com um aviso geral nos jornais públicos, cujo anúncio criou uma sensação considerável na Ordem. Alguns membros da Loja dos “Grand Stewards”, até então a única autoridade para um sistema reconhecido, sentiram que era necessário observar os procedimentos. Alguns Grandes Oficiais, com o Irmão E. Harper, o Grande Secretário, também compareceram. As várias cadeiras, desde o Venerável Mestre até ao Guarda Externo, estavam todas preenchidas com os maçons mais práticos e experientes da época; e temos a autoridade de um Grande Oficial para afirmar que nunca houve uma ilustração tão perfeita das cerimónias e palestras jamais manifestadas. Os visitantes separaram-se, muito satisfeitos; e entre eles, o lamentado Peter Gilkes, que aprovou tanto os procedimentos, que, cerca de doze meses depois, entrou para a Loja, e apoiou-a até à altura da sua morte.

Foi provavelmente em 1836 que a primeira versão de um “ritual de emulação” foi impressa, aparecendo sob o título, The Whole of the Lodge Ceremonies, and Lectures in Craft Masonry; as taught by the late P. Gilkes. Embora a não se saiba quem fez a impressão, o impressor pode ter sido George Claret (1783-1850), um conhecido ritualista e conhecido de Gilkes. Esta obra foi o primeiro ritual inglês em texto simples pós-União, impresso como um aide-mémoire fraternal e não como uma exposição pública.

Estou a começar a divagar, mas deixem-me terminar com algumas palavras do meu exemplar de Emulação, uma segunda edição bem usada de 1970 que comprei há muito tempo ao Yasha.

O nome Emulation Working vem da Emulation Lodge of Improvement, cujo comité é o guardião deste ritual específico…. A Emulation Lodge of Improvement para Mestres Maçons reuniu-se pela primeira vez a 2 de Outubro de 1823. A Loja foi formada apenas para Mestres Maçons, e trabalhou, nos seus primeiros anos, apenas as palestras maçónicas. No entanto, por volta de 1830, de acordo com a prática geral, as cerimónias também estavam a ser ensaiadas – sempre com considerável atenção à exactidão, para que nenhuma alteração pudesse inadvertidamente tornar-se prática. A Emulation Lodge of Improvement tem-se reunido ininterruptamente desde esses dias, logo após o estabelecimento das cerimónias pela Grande Loja em 1816, com o propósito de demonstrar inalterado, tanto quanto tem sido humanamente possível, o Ritual de Emulação de acordo com o método original. Desde Junho de 1965, as variações permitidas pela Resolução da Grande Loja de Dezembro de 1964, com as consequentes alterações, têm também sido periodicamente demonstradas.

Nada disto tem a ver com o ritual das lojas dos Estados Unidos. As nossas práticas começaram nos anos 1700 e evoluíram pelos seus próprios caminhos até ao que temos hoje, com todas as suas diferenças de estado para estado. A emulação é perfeitamente compreensível aos olhos e ouvidos americanos; a maior diferença, diria eu, é a ausência das nossas palestras Prestonianas da era do Iluminismo. E eles têm Ferramentas de Trabalho que nós não temos. Se não estou enganado, a Emulação pode ser encontrada na América, em certas lojas que aderem aos modelos de Conceito Observante ou Europeu. Penso que a Loja Vitruvian nº 767, em Indianápolis, a utiliza. Há muitos anos, quando Marco se tornou Venerável Mestre da Loja St. John’s nº 1 em Manhattan, foi instalado por um Conselho de Mestres Instalados do estilo Emulação. Precisou de uma dispensa para o efeito.

A Emulation Lodge of Improvement ainda existe e, de facto, organizou uma celebração de aniversário na passada sexta-feira à noite. (Tentei juntar-me ao seu grupo privado no Facebook na semana passada, mas não consegui passar no teste de perguntas!) Se estiver interessado, pode comprar livros de rituais da Lewis Masonic aqui.

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

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