O Iluminismo, a Revolução e a Maçonaria

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O Iluminismo, um movimento filosófico do século XVIII, promoveu o uso da razão como ferramenta principal para entender e transformar a sociedade. Os seus pensadores acreditavam que a humanidade poderia alcançar o progresso ao se libertar da ignorância, dos dogmas religiosos e das tradições insustentáveis diante da razão.

As suas ideias eram baseadas na racionalidade, na liberdade de pensamento e na valorização do conhecimento científico. Rejeitavam a superstição e buscavam reformular a sociedade com base em princípios racionais, promovendo valores como a liberdade individual, a tolerância religiosa e a igualdade perante a lei.

Naquela ocasião, filósofos como John Locke (1632–1704) defendia o empirismo e a ideia dos direitos naturais do homem: vida, liberdade e propriedade; Montesquieu (1689–1755) propunha a separação dos poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) como base para um governo equilibrado; Voltaire (1694–1778) criticava o fanatismo religioso e defendeu a liberdade de expressão; Rousseau (1712–1778) desenvolvia a teoria do contrato social, defendendo a soberania popular; e Diderot (1713–1784) e d’Alembert (1717–1783) organizaram a Enciclopédia, obra fundamental para a difusão do pensamento iluminista.

Os fundamentos do Iluminismo podem ser resumidos em alguns pontos que acabaram por influenciar profundamente a sociedade ocidental. São eles:

  • Razão como guia principal – Os iluministas acreditavam que a razão era a chave para o progresso da humanidade. A verdade não deveria ser imposta pela tradição ou pela religião, mas descoberta por meio da análise crítica e do pensamento racional;
  • Libertação da ignorância e da superstição – O conhecimento deveria ser acessível a todos, e a educação era vista como um instrumento fundamental para combater a ignorância e o obscurantismo religioso;
  • Questionamento da autoridade – O Iluminismo desafiou a autoridade absoluta da monarquia e da Igreja, defendendo que o poder deveria vir do povo e que os governos deveriam ser baseados na razão e na justiça;
  • Direitos naturais e individuais – Os pensadores iluministas sustentavam que todos os homens nascem com direitos inalienáveis, como liberdade, igualdade e propriedade. Este conceito influenciou documentos como a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789);
  • Liberdade de pensamento e expressão – A liberdade de crença, de imprensa e de expressão eram pilares do Iluminismo, sendo defendidas por filósofos como Voltaire, que criticava a censura e o fanatismo;
  • Separação entre Igreja e Estado – Os iluministas propunham um Estado laico, onde as decisões políticas fossem tomadas sem interferência religiosa, garantindo maior liberdade de consciência e tolerância religiosa;
  • Progresso e crença na ciência – A ciência era vista como um motor para o avanço da sociedade. O método científico, baseado na observação e experimentação, deveria substituir explicações supersticiosas e dogmáticas;
  • Contrato social e soberania popular – Jean-Jacques Rousseau formulou a ideia de que o poder legítimo de um governo deveria ser baseado na vontade do povo, estabelecendo um contrato entre governantes e governados. Isso influenciou directamente as revoluções democráticas;
  • Igualdade perante a lei – Os iluministas defendiam que todos os cidadãos deveriam ser tratados de forma igual perante a lei, sem privilégios para a nobreza ou o clero, o que confrontava o sistema feudal e o absolutismo.

Estes fundamentos moldaram o pensamento moderno e tiveram um impacto profundo nas revoluções políticas, sociais e científicas dos séculos seguintes.

Os iluministas defendiam que as tradições deveriam ser questionadas e reformuladas sempre que não se alinhassem à razão e ao progresso. Isso levou a mudanças significativas em áreas como a educação, com incentivo à universalização do ensino e à ênfase na ciência, a economia, com o surgimento do liberalismo económico, com Adam Smith (1723–1790) e a sua defesa do livre mercado, e os Direitos Humanos, com posicionamentos e discussões sobre igualdade, liberdade e justiça social.

O pensamento iluminista moldou o mundo moderno, dando origem a conceitos como a Democracia representativa e direitos humanos, o Estado laico e liberdade de crença, e o Método Científico como base do conhecimento.

Revolução Francesa (1789-1799)

O Iluminismo fez a Revolução Francesa (não o contrário). O movimento iluminista forneceu a base intelectual que inspirou os revolucionários a questionar o absolutismo, a desigualdade social e o domínio da Igreja sobre o Estado. As ideias de liberdade, igualdade e soberania popular foram amplamente debatidas antes da Revolução e serviram como fundamento para as suas acções.

O Iluminismo, fornecendo a base intelectual de inspiração contra o absolutismo,  influenciou a Revolução Francesa quando Montesquieu propôs a separação dos poderes para evitar o despotismo e enaltecendo a soberania do povo; quando Rousseau defendeu que o governo deveria ser baseado na vontade geral, pela igualdade e direitos individuais; através das ideias de Voltaire e outros pensadores que criticaram privilégios da nobreza e do clero; e pela racionalidade e progresso, promovendo o uso da razão para reformar as instituições políticas e sociais.

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, emanada pela Revolução Francesa foi a concretização das ideias iluministas, reflectindo directamente os seus princípios, garantindo liberdade, igualdade e propriedade. No entanto, deve-se ter em conta que a Revolução tomou rumos radicais, conhecido como o Período do Terror, que não estavam alinhados com o ideal original do Iluminismo.

Muitos filósofos iluministas eram deístas, ou seja, acreditavam num Deus criador, mas que não interfere no mundo nem dita regras através de religiões. Para eles, a razão e a ciência eram os melhores instrumentos para compreender o universo, e não a revelação religiosa.

Por exemplo, Voltaire que, apesar de criticar a Igreja, dizia

“Se Deus não existisse, seria necessário inventá-lo”

John Locke, que defendia a tolerância religiosa, mas via Deus como fundamento da moralidade, e Rousseau que falava de uma “religião natural”, sem dogmas ou rituais.

Os iluministas não rejeitavam Deus, mas criticavam a intolerância, o fanatismo e o abuso de poder das igrejas. Voltaire, por exemplo, atacava a perseguição religiosa e a Inquisição com o seu lema “Esmagai a infame”, referindo-se à hipocrisia e a violência da Igreja do seu tempo.

Embora menos comuns, havia iluministas ateus e materialistas, como Denis Diderot, que argumentava que a matéria e a natureza explicam tudo, sem necessidade de Deus, e o Barão d’Holbach (1723–1789), que afirmava que a religião era um produto da ignorância humana.

Maçonaria

No ambiente do Iluminismo, a Maçonaria foi institucionalizada a partir de 1717, em Londres, expandindo-se em seguida, pela Europa e pelo mundo.

A Maçonaria Especulativa, formalmente institucionalizada em 24 de Junho daquele ano, com a fundação da Grande Loja de Londres e Westminster, é considerada a primeira Grande Loja Maçónica do mundo. Este evento marcou a transição da Maçonaria Operativa, ligada aos antigos pedreiros construtores, para a Maçonaria Especulativa, focada no aprimoramento moral, intelectual e filosófico dos seus membros.

A Maçonaria e o Iluminismo cresceram paralelamente no século XVIII, compartilhando muitos ideais, como:

  • Racionalidade e conhecimento – A Maçonaria incentiva o estudo e o debate, promovendo a busca pelo aprimoramento humano;
  • Liberdade de pensamento – Assim como o Iluminismo, a Maçonaria defende que cada indivíduo deve pensar por si mesmo, sem imposições dogmáticas;
  • Fraternidade universal – O lema maçónico “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” influenciou a Revolução Francesa e reflecte os princípios iluministas;
  • Separação entre Igreja e Estado – A Maçonaria promove a liberdade religiosa e defende que o governo deve ser laico.

A Maçonaria Especulativa ajudou a preservar e disseminar os valores iluministas e o seu ambiente intelectual, tornando-se um espaço de debate e aprendizagem, onde grandes pensadores e líderes puderam se reunir sem o controle da Igreja ou da monarquia, e promovendo uma rápida expansão pelo mundo e o seu impacto na história continua até hoje.

Giovanni Angius, M. I. – 33º REAA, ARLS Orvalho do Hérmon nº 21 – Grande Loja Maçónica do Estado do Espírito Santo – Brasil

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4 thoughts on “O Iluminismo, a Revolução e a Maçonaria”

  1. Vincenzo Felice

    La Massoneria, con il suo richiamo al “sapere aude kantiano”, ha incarnato una delle forze più vive dell’Illuminismo: la fiducia nella ragione, nella libertà di pensiero e nella dignità dell’uomo che si emancipa da superstizioni e dogmi. Il massone è chiamato a pensare con la propria testa, a cercare la verità senza paura, a usare la conoscenza come strumento di liberazione.
    Non a caso, molti dei protagonisti dell’Illuminismo hanno espresso idee che risuonano con l’ideale massonico. Voltaire, pur polemico verso la Chiesa, affermava che “se Dio non esistesse, bisognerebbe inventarlo”, riconoscendo nella religione una funzione etica e sociale. John Locke sosteneva la tolleranza religiosa come fondamento della convivenza civile, pur vedendo in Dio il garante ultimo della moralità. Rousseau, invece, parlava di una “religione naturale” fatta di interiorità e libertà, senza dogmi o rituali, capace di unire gli uomini al di là delle confessioni.
    In queste posizioni diverse ma complementari si ritrova l’anima dell’Illuminismo e della Massoneria: un terreno comune dove ragione e spiritualità, critica e fede, si intrecciano per promuovere una società più giusta, tollerante e consapevole.
    John Locke e Immanuel Kant rappresentano due pilastri della riflessione illuministica, ma su piani differenti. Locke, padre del liberalismo, parte dall’esperienza: per lui la conoscenza nasce dai sensi e dall’osservazione, e la società deve fondarsi su libertà, tolleranza e contratto tra individui. Il suo pensiero è profondamente legato all’idea di un Dio garante della legge morale e naturale: senza un fondamento trascendente, la convivenza civile rischierebbe di vacillare.
    Kant, qualche decennio più tardi, porta questo discorso oltre. Con il celebre “sapere aude” — abbi il coraggio di servirti della tua propria ragione — definisce il cuore dell’Illuminismo. Per lui, la libertà autentica non si riduce a un fatto politico o religioso, ma è la capacità dell’uomo di darsi da sé la legge morale, l’autonomia della ragione. Dio non è più un presupposto necessario, ma un postulato della ragione pratica: una possibilità che sostiene l’agire etico, non la condizione per pensare o vivere in società.
    In questa tensione tra Locke e Kant emerge un passaggio cruciale: dal riconoscere in Dio il garante esterno dell’ordine morale, al riconoscere nell’uomo stesso, attraverso la ragione, il principio della propria dignità e responsabilità. È proprio qui che la Massoneria trova un terreno fertile, perché invita a un cammino interiore che unisce la ricerca razionale con un senso spirituale, non imposto dall’alto ma conquistato liberamente.
    Locke e Kant, pur partendo da prospettive diverse, convergono su un punto che diventa centrale anche nella visione massonica: la dignità dell’uomo libero.
    John Locke, con la sua teoria dei diritti naturali e della tolleranza religiosa, getta le basi della libertà civile. Per lui, ogni individuo possiede diritti inalienabili — vita, libertà, proprietà — che nessun potere può violare. Questo principio anticipa uno dei cardini della Massoneria: la difesa della libertà personale e della convivenza pacifica tra uomini di fedi e culture diverse. Locke, tuttavia, lega ancora la moralità a Dio, visto come garante ultimo della giustizia e dell’ordine naturale.
    Immanuel Kant, invece, porta questo discorso su un piano più radicale. Con il suo “sapere aude”, afferma che l’uomo deve emanciparsi dall’autorità esterna e usare la propria ragione come guida. La moralità non dipende più da un fondamento religioso, ma dall’autonomia della coscienza: l’uomo è libero quando obbedisce alla legge morale che egli stesso riconosce come universale. Questa idea è strettamente affine alla visione massonica, dove il massone è chiamato a lavorare su se stesso, a “squadrarsi” interiormente, per diventare un uomo libero e giusto, capace di agire non per imposizione, ma per convinzione interiore.
    Il ponte tra Locke e Kant rispecchia anche il cammino massonico:
    • dalla libertà esterna garantita dai diritti e dalla tolleranza (Locke),
    • alla libertà interiore conquistata attraverso la ragione e la moralità autonoma (Kant).
    In questo senso, i tre principi della Massoneria — Libertà, Uguaglianza, Fratellanza — trovano una solida radice:
    • la Libertà come diritto naturale e come autonomia della coscienza,
    • l’Uguaglianza come riconoscimento universale della dignità umana,
    • la Fratellanza come legame che unisce uomini diversi al di là di dogmi e confessioni.
    La Massoneria, dunque, si fa eco sia del liberalismo di Locke sia del razionalismo etico di Kant, fondendo la ricerca di una società giusta con il perfezionamento morale dell’individuo.
    Vincenzo Felice 33°90°95° Venerabile Maestro del Rito Mitzraim e Memphis Oriente di Lecce /Italia

  2. Gilbert Ronald Lopes Florêncio

    Sr. Gestor deste site.
    Por que meu comentário estava devidamente identificado e foi academicamente respeitoso.
    Após ser submetido a análise de moderação, não foi publicado? Por quê? Censura por aqui?

    MM Gilbert Florêncio

    1. António Jorge

      Bom dia,
      Todos os comentários que são colocados nesta página são previamente visualizados.
      Sim, fazemos CENSURA a comentários que não tenham nada a ver com o assunto, que sejam ofensivos ou que sejam SPAM.
      Caso não esteja de acordo, há certamente outras páginas onde pode colocar os seus comentários.
      Cumprimentos
      Antonio Jorge

  3. GILBERT FLORENCIO

    Sempre que alguém discorre sobre o Iluminismo, assim o faz abordando apenas e tão somente o aspecto supostamente alvissareiro, situando os enciclopedistas, especialmente Voltaire, como grandes inteligências virtuosas. Ocorre, contudo, que a dualidade expressa pelo pavimento mosaico também se aplica ao Iluminismo. Há dois lados nessa moeda; nem tudo são flores e as rosas também têm espinhos.
    Portanto, é preciso, também, que, em algum momento, alguém traga à baila o lado nefasto do Iluminismo e as canalhices e despotismos desses filósofos como, por exemplo, Voltaire, que foi mais romancista que filósofo, já que seus textos têm diminuta relevância filosófica, como nos dá conta as principais obras de História da Filosofia.
    E o que dizer da Revolução Francesa, que, na sua fase derradeira, tornou-se o mal que, no início, pretendia combater; uma Revolução Iluminista que guilhotinou Lavoisier, o pai da Química moderna e autor da célebre frase “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.
    Em síntese, espero que nos artigos vindouros os irmãos tragam os fatos por inteiro e não apenas pela metade.

    M.M. Gilbert Florêncio – BARLS Conquista e Integração n. 8 (GOE-MT).
    No mundo profano, sou bacharel e mestre em Filosofia pela UFMT.

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