A Vida, na sua sapiência, ensina-nos que para tudo deverá haver uma sequência lógica nos acontecimentos, um lugar adequado para as realizações, uma posição definida nos empreendimentos, atitudes compatíveis com a qualidade e capacidade das pessoas, uma procura constante da verdade, do progresso e do desenvolvimento, uma completa harmonia entre todos os seres.
Estas considerações, bastante especificadas, de uma forma geral, não poderão ser desprezadas, se é que queiramos atingir os nossos ideais, realizar os nossos sonhos, alcançar os nossos objectivos e vencer os desafios que se nos são apresentados todos os momentos, em todas as oportunidades.
Ensina-nos, ainda, que sem estas directrizes sempre haverá desencontro de informações, conflito de gerações, desentendimentos bem formalizados, atrito entre pontos de vista de pessoas diferentes, difícil resolução dos problemas, e mais, que o uso da razão não se fará prevalecer e a verdade não será respeitada.
No mundo profano, as leis, decretos, actos institucionais, são sempre maleáveis, permitindo interpretações diversificadas que, quase sempre, servem – ou se prestam – para atender interesses particulares, pouco levando em consideração os anseios colectivos e o bem estar comunitário. Têm, de facto, aspectos unilaterais. Ainda: as normas de vida, posturas comportamentais, de forma promíscua, estão voltados à degradação da ordem e da moral.
Sabemos que as agremiações políticas, embasadas em ideologias que contrastam de uma para outra, quase nunca se colocam à disposição da sociedade. Que as religiões, professando dogmas e conceitos diferentes, permitem que haja, normalmente, uma debandada periódica dos seus rebanhos, que partem em busca do que é mais cómodo, mais interessante ou mais lucrativo – material ou espiritualmente -, gerando, com isso, a proliferação de seitas, congregações e ramificações religiosas e doutrinárias.
Entendemos que as entidades de classe sempre estiveram voltadas, unicamente, aos interesses dos seus filiados, defendendo com todas as forças, os objectivos propostos nos seus estatutos e traçados pelas suas directorias, distanciando-se de outras organizações, resultando na mais completa inexistência do congraça- mento.
Já no “Mundo Maçónico”, tudo é bem diferente – ou deveria ser “bem diferente”. Os princípios estabelecidos pela Ordem terão de ser a bandeira da luta verdadeira pela defesa dos direitos, das metas e dos ideais sempre voltados ao bem comum. Na Maçonaria não poderá haver meias verdades nem dúbias interpretações. O espírito de unidade e de fraternidade, que deverá existir entre os Irmãos, não permitirá que a solidariedade seja enfraquecida e menosprezada, divorciada do seu verdadeiro e inquestionável altruísmo.
A Iniciação nos Augustos Mistérios jamais poderá ser esquecida e, cada vez mais, o Maçom arraigar-se-á às directrizes que emanam da sua filosofia, sem meios termos ou falso juízo, sem fantasias ou divagações.
Em Maçonaria, muito mais que uma simples inscrição ou registro de membro associativo, deverá existir um compromisso sério, e sólido, que direccione o Maçom pelos caminhos e veredas que o leve ao aperfeiçoamento moral, intelectual, cultural e espiritual. As suas luvas, aventais, fitas, insígnias ou paramentos não poderão, nunca, ser desonrados.
Faltar aos compromissos assumidos, quebrar os juramentos prestados, desviar-se dos Landmarks, profanar os Templos, esconder-se atrás de uma filosofia hipócrita e mentirosa, é cometer crime dos mais desprezíveis, cujas consequências arrastar-se-ão com o Maçom, pelo resto dos seus dias. Dificilmente ele desvencilhar-se-á dos remorsos e do drama de consciência que carregará nos seus ombros.
Viver a vida Maçónica, na sua plenitude, não é tarefa das mais fáceis. Sempre existirão obstáculos e desafios a ser vencidos.
Praticar a Maçonaria, na mais ampla concepção do termo, é um objectivo que o Maçom deverá perseguir, sem medo e sem esmoreci- mentos. A prática deste princípio, com certeza, resultará na maior unidade dos irmãos, no fortalecimento da Loja e na desejada coesão da sociedade Maçónica.
Fazer o possível é questão, apenas, de vontade. A luta maior deverá ser em torno da superação das coisas, aparentemente, impossíveis – aquelas que nos desafiam e precisam ser realizadas.
E necessário, contudo, uma aceitação, uma força de vontade rígida, um posicionamento determinado, uma conduta ilibada. Estas virtudes poderão ajudar o Homem da Arte real a firmar-se na sua caminhada, como um defensor perpétuo dos ideais e princípios Maçónicos.
A busca de uma formação moral, espiritual e cultural, deverá ser uma constante na vida daquele que, sendo livre e de bons costumes, por vontade própria, se prontificou a seguir a estrada dos Sublimes Mistérios da Ordem, criando, assim, um “mundo” especial.
Este é o “o Nosso mundo … o Mundo Maçónico”. Ele pertence-nos e dá-nos o direito de (à) Igualdade, de (à) Liberdade e de (à) Fraternidade.
Mas é um “Mundo” que não poderá ficar restrito ao meio maçónico em que vivemos. O fundamental é que ele seja ampliado e alcance dimensões cada vez maiores e mais sólidas e que tenha o seu espargi- mento por todas as camadas sociais.-Objectivos que deverão ser atingidos.
Nele encontraremos os subsídios essenciais à prática de uma vida dentro dos ditames da justiça, da lealdade e das virtudes.
José Vicente Daniel – Loja “Theodórica”nº 154 – Grande Oriente de Minas Gerais

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