O ritual dos mistérios

Introdução

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Entramos na Instituição Maçónica e somos conduzidos através de estágios consecutivos de aprendizagem. Do Aprendiz silencioso e observador ao Mestre especulativo e instrutor são várias idas e vindas em difíceis viagens simbólicas. Como a entendemos, a Maçonaria por simbólica orienta-se, evidentemente, por símbolos.

Neste sentido a imagem que a tudo reproduz deve ser compreendida como um símbolo, não há dúvidas. E enquanto símbolo reproduz, em verdade, a aparência das coisas exigindo um aprofundar do seu estudo.

Para este estudo, é imprescindível a presença da sensação humana, da sensibilidade, obrigando-nos a distinguir resultados individualizados uma vez que os nossos equipamentos de medição do sensível não são homogéneos e dependem de vários outros factores ligados aos nossos legados pessoais e influencias externas.

Podemos crer que, de uma maneira geral, a imagem chega-nos como resultado de certa capacidade de observação, da nossa sensibilidade.

É através da imagem que alimentamos o pensamento e através do pensamento que acedemos ao denominado conhecimento e trabalhamos a nossa percepção, memória, sensações, reflexões, intuições e capacidades.

A visão iniciática

Para a Maçonaria o poder dos homens é a força da terra e é preciso ir à terra reflectir, dispor do que se pensa ter, do que sempre se pensou ter, do que se pensou poder ter. E esta é a primeira lição que a Maçonaria nos faculta no primeiro dia das nossas vidas quando nos impõe reflectir e intuir no ermo do nosso pensar.

Não são vãs as primeiras visões que nos concede a Maçonaria e nem os avisos sobre a efemeridade das coisas que nos cercam já que, compreendendo-as, guardamo-las sem qualquer esforço por todas as novas idades que iremos alcançar.

Aprendemos que é preciso conciliar ciência e fé, sabedoria e credo para que possamos conhecer os nossos poderes e fazer brotar das entranhas da terra a nova vida.

É-nos dito, também num primeiro momento, que se como homens sabemos sem crer de nada nos prestará a razão, no entanto, acabamos por perceber que se cremos sem saber nem a razão nos prestará.

Vemos que no principio do homem não há em si bem ou mal: há apenas o homem que desperta como nova consciência e, então, em dado momento, abastecido com o entendimento de dados externos que não lhe pertencem, ou melhor, não lhe pertenciam, crê que começa a “pensar”.

Se recebeu bom “combustível” arderá sem fazer “fumo”, mas se recebeu todo o resto daquele de que pretendeu às cegas abastecer-se, irá produzir somente o que pode produzir: o mal!

Este ou aquele homem são recebidos pela Maçonaria trazendo consigo a desilusão ou a confiança em si mesmo e, ao despertar da primeira reflexão intuitiva, ambos, serão outra pessoa e precisarão aprender a ver para compreender os seus deveres para consigo mesmo, para com a Maçonaria e para com Deus.

Para recuperar o tempo perdido, normalmente pela perda de foco entre a necessidade e o desejo, deve agora calar-se e aprender a pensar para falar.

Assim, sem fala começam pela postura silenciosa a observar para pensar construindo pessoalmente a grande chave do templo interior num árduo processo de investigação da verdade, de despojar dos desejos que nos aprisionam unicamente à matéria física pela armadilha do prazer.

Pretende-se uma volta à terra de forma triunfal, de pé, renascido, rasgando o véu que cobre a realidade, livre de todo o preconceito que nos impedia de ultrapassar os umbrais do templo e que, até então, nos impedia de ver que toda a gloria sobre a terra é passageira e quão infelizes são aqueles que expondo-se única e grosseiramente ao calor da fé, se queimam, reduzindo-se a um monte de cinzas.

Enfim, para se ser verdadeiramente Maçon é preciso reflectir e meditar diariamente, ano após ano, séria e profundamente, sobre os segredos e mistérios que são relevantes quando nos tornarmos Iniciados.

Na verdade, a Iniciação não nos traz sabedoria, nem nos abre as portas para um estado superior porque aqueles que pretenderem buscar o conhecimento e o acesso para a sabedoria obrigam-se primeiramente a buscar respostas interiores através das abandonadas reflexão e intuição.

É preciso despertar a consciência adormecida e compreender os deveres do homem para com os seus templos interiores para poder progredir aos estados superiores porque a primeira visão da verdade é fruto da iniciação pessoal de cada um de nós.

Vê-se, assim, que a Maçonaria se empenha unicamente pela causa maior de libertação dos homens pelos homens e pela felicidade humana prosseguindo em aumentar a tolerância e o respeito pelo direito da liberdade de consciência.

Não impõe a Maçonaria limites à livre investigação da verdade desde o limiar de libertação de cada consciência, porque se assim não o fosse estaria impondo a cada outro ser a angustia de se expressar pelo que ouviu ou leu e não pelo que extrai do seu mais recôndito interior segundo o seu sagrado direito de ser livre e consciente das suas acções segundo a sua capacidade de percepção.

A moral maçónica, adoptada como sistema de difusão sistemática de ensinamentos consiste, como dito, tão somente em mistérios, segredos e alegorias que nos são revelados directamente pela compreensão a partir da livre investigação da verdade.

Conclusões

A importância maior da compreensão da imagem e consequentemente do seu simbolismo representativo está no facto de que a compreensão plena de uma ideia, de uma palavra ou de um grupo de ideias ou palavras sempre será precedida de uma compreensão anterior de todos os símbolos referentes a esta ideia ou a esta palavra através da imagem.

Por isto toda imagem deve ser compreendida a fundo porque, diante da diversidade a que esta acometida a compreensão da imagem podemos afiançar que nós fazemos o nosso mundo com as realidades que acreditamos existir.

Assim, vivemos em dois mundos: um que de facto dá origem a todas as aparências e outro, o nosso que está sempre a modificar-se e a corrigir-se nas suas percepções e juízos à medida que melhor percebemos as aparências.

É assim a imagem uma chave que nos liga a estes dois mundos. Um mundo que devemos perceber, sentir, compreender e outro que resulta dessa relação subjectiva.

Num destes mundos, de onde nos vêm as imagens, sabemos que existe uma imagem primeira, que denominamos de espontânea.

Chama-se assim, espontânea uma existência que se determina por ela mesma existir.

É a imagem primeira! Pode-se determinar que existir espontaneamente é existir para si e por si.

Deste modo, uma única realidade merece assim o nome de espontânea: Deus!

Para nós, homens, esta existência espontânea inexiste fisicamente e a única realidade humana a que se aplica essa espontaneidade é a consciência uma vez que a única maneira de existir de uma consciência é ter consciência de que existe por si só.

Porém, uma consciência age unicamente em si própria. Não tem existência externa.

Connosco, ocorre coisa semelhante: só temos consciência de que existimos á medida que nos conhecemos em condição de decifrar, compreender e perceber que existimos como consciência de existir.

Finalizando, a imagem é então, consciência de alguma coisa decorrente de uma ou mais acções desenvolvidas com o fim de gerar conhecimento e em ultima análise percepção.

Reflictamos,

Luiz da Silva Muzi

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