A pedra bruta que sou!

pedra bruta

Tudo tem um princípio, mesmo que longínquo e tudo terá um fim.

Nasço para mais uma existência, com o propósito de Ser ascendendo à luz mas que para isso tem que crescer em liberdade, fraternidade e igualdade.

Percebendo um caminho que aceitei como meu para atingir tal propósito, preparo-me cada dia, faço-me acompanhar das ferramentas que o Ser trouxe comigo.

No malhete encontro a vontade que habita em mim, o cinzel guia-me, mas tantas vezes a vontade passa força demais ao cinzel que não está preparado e tantas outras pensa o cinzel estar no caminho certo e falta-lhe a força da vontade.

Esta busca quase insana do perfeito, da atitude certa, da palavra certa, acompanha a condição de Companheiro e entrega-me ao Ego, que tento combater. Vejo-me, revejo-me e reinvento-me nos meus irmãos.

Paro e circunspecto pesquiso e procuro o compasso certo que por vezes deixo no fundo do saco. Esta procura interior encontra muitos outros auxílios, esqueço-me do que ia fazer, procuro ser justo, a rectidão que procuro para agir traz-me o esquadro, o prumo que em mim encontro faz- me não ter pressa e aprofunda o que observo, mas a precisão que acho querer transforma-me numa régua. Quantas vezes pareço aos outros arrogante, porque certo do que digo me esqueço do nível que em mim habita e sabe que conhecimento transmitido não é conhecimento adquirido e que tudo tem um tempo e um espaço.

E de repente tal alavanca chega nova força que me trás de volta e tudo recomeça, certo que a cada dia nego a pedra bruta que sou, mas renego torná-la cúbica formatada porque os tempos são outros e serei sempre uma pedra que procura a força, a beleza e a sabedoria do meu, do nosso templo.

Dou-me conta do três e vejo-me numa viagem num túnel volto-me para trás, vejo o passado, se olho para o lado encontro em cada instante o presente mas procuro a luz no fundo do túnel que me ofusca porque intensa me apresenta um futuro incerto mutável, mas sem medo do futuro vivo o presente.

No tripé apoio a lente que me faz ver um mundo que procuro melhorar, contando estórias ficcionadas mas vividas, que são parte de mim, habitam em mim, mas que não esquecem o que me rodeia.

Nascemos, vivemos e morremos e tudo isso faz parte desta trilogia, existência física onde o que importa é o espírito que está sempre comigo. Tudo, nada e o certo…, a verdade, a verdade do outro, a minha verdade, assolam o meu Ser, porque vivem da percepção certa do mundo que escolhi como Ser experienciar.

Tudo que nos une é sempre mais do que aquilo que nos separa, sendo uma evidência cientifica, vivida em experiência ou porque somos o único ser capaz de experiências por interposta pessoa, olho o outro, aprendo com ele interajo e desapego-me porque cada um tem o seu caminho.

Assim como o que está em baixo é igual ao que está em cima, também o bem e o mal são uma e a mesma coisa diferindo de grau e do olhar que o acompanha.

Um dia disseram-me és Maçon porque os teus irmãos te reconhecem como tal, serei portanto Maçon enquanto me reconheçam como tal. Esta percepção duma realidade comum faz-me crescer em humildade e faço progressos vencendo as minhas paixões, submetendo a minha vontade e vou assim moldando a pedra bruta que sou e que um dia encontrará o seu lugar num puzzle onde todos cabemos, precisando só de encontrar o seu espaço certo, onde o tempo é a única coordenada que não controlamos, mas é a única que nos dá a sensação de caminho, porque só se caminha caminhando e só o tempo nos obriga a isso.

Quando me acho mais, paro… e por isso regrido.

Quando me vejo menos avanço!!! e quando sou permaneço, mas poucas vezes sou, o tempo avança e tudo que era deixa de o ser.

Biologicamente nascemos ácidos, morremos alcalinos, o oxigénio que na dose certa nos mantém, também nos oxida e tudo isto me faz relativizar, pôr em perspectiva e assim aceito o outro, os outros.

Os tempos que correm, lembram-nos como é importante olharmos para dentro. Em introspecção, e humildade, obriga-nos a olhar o outro como de alguém de quem precisamos, faz-nos partilhar o abraço o beijo na dose certa, na comunhão não do físico mas do espiritual, levam-nos à procura do sexto sentido a que não estamos habituados mas habita em nós.

Mas o que vejo é informação desinformada, opinião egocêntrica, autista e por isso infundada, que nego, que me traz raiva que tento controlar.

O consenso irrita-me porque irreal, anseio a critica construtiva despida de egocentrismo que me ajuda a crescer.

Leio, releio e acrescento sempre mais qualquer coisa, a insatisfação assim me obriga. Fecho o que nunca está fechado porque quero avançar mas sou sempre impelido a revisitar.

Sou uma pedra bruta, mas serei pedra polida quando o tempo e espaço certos na medida certa me quiserem, porque o puzzle espera por mim, espera por ti, para sermos um em sabedoria, beleza e força.

Disse.

Mas em autocrítica, deste trabalho, que me visitou disse…, é pouco porque pressupõe um ponto final e não é disso que preciso.

Disse Venerável Mestre… e assim entrego-me ao vosso escrutínio, ao vosso exame minucioso e atento porque é sempre disso que preciso porque só assim caminho e moldo a tal pedra bruta que me disponho a polir e porque fica sempre tanto por dizer.

Agora sim…

Disse VENERÁVEL MESTRE.

Rifolsen – R∴ L∴ D. Fernando II, nº 118 (GLLP/GLRP)

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