O ritual é importante

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A Grande Loja Unida de Inglaterra aprovou uma resolução em 1964, que permite uma variação no ritual referente aos juramentos nos três graus. A forma de funcionar das penalidades em si permanece inalterado. A variação permissiva destina-se a remover as objecções morais que alguns Irmãos tinham à inclusão das penalidades nos juramentos.

Ao anunciar a alteração, a Grande Loja explicou que reteve as penalidades, não apenas porque se opõe a qualquer mudança considerável no ritual, mas principalmente porque o simbolismo de algumas partes subsequentes do ritual derivam das cláusulas penais. Elas são importantes como uma introdução a actos rituais posteriores. Elas são essenciais como elementos históricos da lenda de Hiram, e não como retribuições literais às quais um candidato dá assentimento.

A variação, no entanto, é opcional. As lojas consagradas decidem, cada uma por si, se devem fazer a mudança no ritual ou não. Uma vez que uma decisão é tomada, ela deve ser respeitada sem um renascimento da discussão por um período de tempo razoável, por exemplo, pelo menos cinco anos.

Os maçons norte-americanos também estarão interessados em saber que a Grande Loja de Inglaterra rejeitou uma emenda à resolução, que remeteria este assunto para uma comissão a ser nomeada pela “Board of General Purpose”. O Conselho não tem responsabilidade por questões de Ritual Maçónico.

De facto, as lojas foram instruídas a não remeter questões sobre esta alteração permissiva para a “Board of General Purpose”. Elas têm que decidir estas questões de acordo com a prática aceite da Maçonaria Inglesa, ou seja, que uma loja deve decidir por si mesma qual a forma de ritual que pretende adoptar. As lojas consagradas não só desfrutam de uma considerável liberdade; elas também aceitam e executam uma séria responsabilidade em assuntos ritualísticos.

Enquanto algumas Grandes Lojas Americanas podem julgar questionável tal liberdade em escolher a forma de ritual que uma Loja pode adoptar, os Comités para Informação ou Instrução acharão úteis as sugestões que a Grande Loja de Inglaterra fez para suas lojas constitutivas relativamente ao esclarecimento dos candidatos sobre os juramentos e as penalidades.

Não pode haver qualquer objecção a um padrinho em explicar numa faze inicial a um candidato a Maçom que as cerimónias maçónicas envolvem uma obrigação ou juramento, que contém uma cláusula penal. É igualmente razoável explicar que partes subsequentes da cerimónia vêem o seu simbolismo derivado dessas mesmas cláusulas penais, que são, portanto, mais importantes como uma introdução a elas do que num sentido literal.

Também é sugerido que os métodos alternativos de apresentar as cláusulas penais sejam explicados ao candidato e o método da loja seja enfatizado. O candidato deve ter permissão para decidir por si mesmo se a prática da loja é aceitável para ele. Se não for, ele deve ser aconselhado a retirar sua candidatura. Isso é realmente colocar as cartas na mesa, mas não se pode deixar de admirar um esclarecimento tão franco da prática maçónica em benefício do candidato. Isto enfatiza o facto de que o ritual é a ferramenta fundamental na educação e instrução maçónicas.

O que um Irmão aprende com o trabalho ritualístico na loja é a primeira e geralmente a impressão determinante que a Maçonaria faz sobre ele. Ou ele gosta do que vê ou descobre que a fraternidade não lhe oferece o que ele esperava.

Por essa razão, o ritual deve ser considerado o instrumento básico para a educação maçónica. Assim sendo, cada interpretação deve ser o melhor que os oficiais podem representar. Pode-se depender que o ritual faça o trabalho, se o candidato possuir as qualificações necessárias para a iniciação maçónica.

Uma das grandes necessidades do nosso tempo não é uma ênfase renovada nos aspectos técnicos de um bom trabalho ritual, apesar da importância que isso têm. Essa é a responsabilidade dos oficiais da Loja, bem como do “Grand Lecturer” e das Lojas de Instrução. A grande necessidade é para uma compreensão do significado do ritual maçónico.

Grande parte da insatisfação com a influência e imagem da Maçonaria vêm de uma má interpretação do seu propósito fundamental e da razão de existência. Os ensinamentos do ritual foram perdidos na procura de uma prosperidade maçónica, que tinha pouco a ver com as aspirações universais de uma fraternidade mundial. É difícil de acreditar que um membro compreendeu o significado da Maçonaria quando sugere que a Fraternidade precisa de centros de juventude, piscinas e um clube de campo com um campo de golfe de 18 buracos para manter e atrair novos membros.

Em contraste, a Grande Loja de Inglaterra está a sugerir que os candidatos sejam informados da natureza dos juramentos maçónicos e das cláusulas penais que os acompanham, para que possam decidir por si mesmos se desejam empreender certos compromissos solenes. Se não, eles são aconselhados a retirar as suas propostas de admissão.

Isso está a colocar a ênfase no significado real da iniciação maçónica: a aceitação por parte de um indivíduo de um certo percurso de instrução moral (as actividades ritualísticas dos graus) e o seu compromisso de moldar a sua vida de acordo com esse ensinamento.

Toda a sociedade privada ou grupo, desde o clã até ao pequeno clube de bridge, tende a desenvolver nos seus membros certas atitudes e sentimentos que são característicos da psicologia de grupos. Algumas dessas reacções são conscientemente estimuladas, algumas são inconscientes e desenvolvem-se a partir das actividades da organização. Os homens que procuram poder político aprenderam a usar o espírito de grupo para promover os seus planos. Por exemplo, muitas das pessoas que que estenderam as mãos diante de Jesus e gritaram “Hosana” quando ele entrou em Jerusalém, estavam a gritar “Crucifiquem-no!” menos de uma semana mais tarde.

Muitos homens que testemunharam os três graus da maçonaria e prometeram mudar a sua vida (não a de outra pessoa) por meio da amizade, moralidade e amor fraterno, não vêm nenhuma incongruência em exigir que outros Irmãos se unam a ele em seus preconceitos políticos ou em denunciar o individualismo maçónico. Provavelmente haverá sempre aqueles que procuram usar a Maçonaria como uma ferramenta para uma actividade em massa pela manipulação do espírito de grupo.

No entanto, enquanto os rituais dos graus maçónicos for exemplificado responsavelmente a aspirantes qualificados para a Luz Maçónica, as tendências prejudiciais de tal manipulação serão mantidas em xeque. A acção de massa, particularmente o fanatismo frenético de uma multidão, não se pode desenvolver e crescer onde o valor do indivíduo é valorizado e onde o compromisso individual para com os ideais do grupo é constantemente mantido em mente.

Cada organização procura desenvolver nos seus membros um sentimento de distinção de exclusividade com base nos seus objectivos e metas. A Maçonaria não é excepção. Até dentro de si própria, a Fraternidade desenvolveu ritos especiais e ordens para dar um significado distintivo às actividades daqueles membros que procuram aumentar a sua compreensão do propósito e das actividades da sociedade.

O que realmente dá à Maçonaria a distinção, as suas características “exclusivas”, é o ritual, o pilar mais importante na edificação da tradição maçónica. O seu significado fundamental, é portanto, de extrema importância, especialmente para o candidato no momento em que participa do ritual de iniciação. Todo o peticionário deve entender, quando bate na porta da loja, que está prestes a participar profundamente em si mesmo, num acto de fé e coragem, já que se permite a si mesmo ser conduzido por um caminho cujo fim ele ainda não consegue ver.

Ao mesmo tempo, os oficiais da loja devem reconhecer claramente a responsabilidade que estão a assumir ao conduzir o iniciado ao longo do novo caminho que ele está a seguir com confiantemente. Na Maçonaria, esse caminho leva através do ritual e da instrução maçónica tradicional à luz, a luz da compreensão de que um homem moral pode alcançar um plano superior de auto-realização na sociedade maior da humanidade.

Iniciação significa literalmente um começo. A iniciação maçónica tenta ensinar a um homem a necessidade de um novo começo, de uma nova direcção para os seus impulsos morais e espirituais. O ritual é o veículo pelo qual esta instrução é transmitida.

O bom trabalho ritual, é assim, aquele que convence o candidato de que ele voluntariamente embarcou num novo caminho e que a aventura é sua e apenas sua para seguir. Todos os seus compromissos foram feitos nesse espírito e contexto. Mais tarde, aprenderá a adequar o seu progresso individual à vida da Fraternidade como um todo. Esse é o significado das expressões ritualísticas referentes ao polimento da pedra bruta, para melhor adequá-la ao uso da construção.

Mas se uma pedra bruta é para ser trabalhada para uma aplicação específica no templo ainda inacabado da fraternidade, é preciso ter uma ideia da sua forma futura, um projecto, a fim de ajustá-la com precisão. O ritual maçónico, portanto, é mais do que um curso de instrução em preceitos morais. É o caminho para o iniciado, apropriadamente instruído, seguir em busca do significado da vida, especialmente da sua própria. O ritual leva à luz, que pode revelar o conhecimento “que foi perdido”, do relacionamento do homem com o Grande Arquitecto do Universo.

A loja fez bem o ritual se fizer o iniciado ter a coragem de seguir esse caminho em busca de mais luz sobre o seu dever e destino nesta vida misteriosa. O ritual é uma ponte pela qual o maçom individual pode partir numa jornada com os seus irmãos, para ser um homem no sentido mais completo dessa palavra.

Todo o grupo ou sociedade também procura dar aos seus membros uma sensação de parentesco ou afinidade. Neste respeito, responde a uma necessidade humana fundamental e a Maçonaria não é excepção.

No entanto, muitos maçons parecem duvidar da natureza do cimento que une os irmãos num vínculo de fraternidade, independentemente das circunstâncias da sua educação, vocação e prosperidade. É por isso que há tantos planos e projectos propostos para “virar a maré” de um número cada vez menor de obreiros e de pouca frequência.

Assim como os estudantes especulativos uma vez acreditaram que, pela alquimia, podiam encontrar “a pedra filosofal” e assim corrigir os males da humanidade; também sempre houve maçons que acreditavam que a Fraternidade poderia melhorar-se a si mesma e ao mundo por meio de programas sectários, políticos ou de propaganda modernos. Hoje, até o tão elogiado conceito de tolerância está a se tornar num dogma. Há até mesmo alguns maçons que eliminariam ou modificariam seriamente o ritual para torná-lo mais “moderno”, mais “útil”.

O que é que realmente mantém os maçons juntos? Apenas um conceito, a ideia de irmandade. Não a irmandade de gémeos idênticos, mas a irmandade vital e pulsante de indivíduos diferentes que se admiram mutuamente principalmente por serem diferentes, mas que tentam fortalecer em cada um algumas aspirações comuns para a Luz do Amor Fraternal, do Alívio e da Verdade.

Essa loja fez bem os seus trabalhos ritualísticos, o que deu aos seus iniciados a habilidade de misturar esse tipo de cimento especulativo; pois com esse tipo de compreensão dos reais objectivos e propósitos da Fraternidade, um Irmão realizará os seus trabalhos maçónicos com orgulho e com alegria, tendo entendido desde o início da sua iniciação que as únicas penalidades reais que ele pode sofrer são as perda de auto-estima e a desaprovação dos seus irmãos.

Texto traduzido por N. Melo. Autor desconhecido

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