O simbolismo dos números na Maçonaria – O Um

O primeiro versículo do Capítulo 1, do Génesis, diz:

Gen. I, 1 – “No princípio Deus criou os céus e a Terra”.

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Isto significa que a CAUSA sem CAUSA (Deus) se manifesta agora, tornando-se, através da Sua criação (o céu e a terra), compreensível, palpável e capaz de ser entendido como uma forma real da qual advirão todas as outras formas. Simbolicamente, o Espaço Absoluto (o Absoluto imanifestado) é representado por um círculo branco (ZERO) traçado sobre um fundo inteiramente negro. A primeira manifestação da CAUSA sem CAUSA, cujo Espírito, segundo a descrição bíblica, “pairava” sobre (ou dentro) daquele Espaço Absoluto (que era o mesmo Deus ainda imanifestado) é simbolicamente representada por um “ponto” (YOD), situado no centro do circulo (ZERO).

Assim, entende-se como o ZERO antecedeu ao UM: Ambos são um só e mesmo Deus, porém o primeiro (ZERO) está no seu aspecto imanifestado, enquanto que o segundo (UM) se apresenta em plena manifestação em virtude do Pathos da Vontade Divina. Ele (o UM) é a UNIDADE na Sua actividade criadora manifestada pelo número UM, Raio de Luz Cósmica emanado do ZERO para, com ele, formarem todos os outros números!

É importante atentar-se aqui para a existência de duas situações perfeitamente definidas: antes do PRINCÍPIO e no PRINCÍPIO. A Bíblia fixa, com muita precisão, estas situações quando declara, textualmente: “No princípio…”. Temos, pois, de considerar, a partir de agora, não um tempo indefinido, incompreensível, incompreendido, sem qualquer ponto de balizamento, mas há, a partir de então, uma definição precisa, um marco inicial de tempo que nos informa quanto se iniciou a formação de todas as coisas, ou seja, no PRINCÍPIO, quando então o UM surgiu no centro do círculo (ZERO)

Diz o Ritual do Aprendiz:

“O número UM, a unidade, é o primeiro dos números mas, a unidade só existe pelos outros números. Todos os sistemas religiosos orientais começaram por um ser “primitivo”. Conquanto esta abstracção não tenha, positivamente, uma existência real, tem contudo um lado positivo, que o torna susceptível de uma existência definida: é o que os antigos dominavam de “Pathos”, isto é, o desejo ou a acção de sair do “absoluto”, a fim de entrar no real – considerado por nós concreto”.

Há que se fazer um reparo neste texto quando ele diz que a Abstracção, ou seja o Deus imanifestado (ZERO), teve um “Pathos” de sair do Absoluto (ZERO) para entrar no Real, como sendo a representação do número UM. O reparo é no que se refere à época em que a Abstracção sentiu este “Pathos”, que não ficou esclarecida no texto para indicar que o “Pathos” se deu antes do PRINCÍPIO e, só depois deste PRINCÍPIO é que a UNIDADE se manifestou. É importante fixar-se este PRINCÍPIO, porque ele é o marco inicial da transição da abstracção para a realidade, do imaterial para o material, do espiritual para o físico!

A manifestação do Absoluto deu-se como um raio descido verticalmente do centro do circulo (ZERO) para formar o UM, do qual então todas as outras grandezas se originaram. Isto é o que se chama de Involução, quando o transcendente desce do Plano Espiritual para se tornar real no Plano Material. Atingida a parte mais baixa desta Involução – o reino mineral – o Sopro Divino preside e conduz todas as actividades da matéria que, a partir daí, começa a elevar-se para estágios menos materializados – vegetal, animal, humano – até voltar, ascendendo sempre, ao Plano Espiritual para novamente se integrar no Absoluto. A este movimento ascendente é que se domina de Evolução.

Não só a Mitologia, mas também a Bíblia estão cheias de exemplos destas descensões e ascensões: Lúcifer “cai” dos céus, Adão “cai” no Paraíso; Prometheu “desce” do Olimpo e o próprio Senhor Jesus “desce” do céu. Todos eles, mais cedo ou mais tarde, “sobem” novamente para junto de Deus!

Estas “quedas” e “ascensões” são, simbolicamente, representadas pela interacção dos números ZERO e UM.

O Espaço Absoluto (ZERO) precede a Divindade manifestada (UM), que é a manifestação da VONTADE DIVINA, a UNIDADE. Esta precedência é representada pelo número simbólico – 01 –, onde o ZERO, o Espaço Absoluto (o Deus imanifestado) se coloca à esquerda do UM, a UNIDADE DIVINA, a manifestação de Deus. O UM é o “Pai”, todo poderoso, Criador do Universo, que se manifesta para dar, com o Seu Sopro Divino, Vida e Movimento às coisas materiais. O ZERO colocado à esquerda do UM significa a Involução, a descensão, a queda do imaterial sobre o material comunicando-lhe a chama da Vida, permitindo-lhe o Movimento nas várias manipulações de matéria nos três reinos da natureza. É o Espírito de Deus manifestando-se no mineral, no vegetal, no animal, involuindo dos páramos do infinito, da imaterialidade do Absoluto, para o campo da matéria densa !

Como ficou dito a Involução faz-se até a forma mais densa – o mineral – e aí, o Espírito de Deus, a chama da Vida, trabalha, compõe, combina, reage quimicamente, manifesta-se às vezes por fenómenos de radioactividade, para evoluir aos poucos em formas cada vez menos densas, através dos indivíduos dos reinos vegetal, animal e humano, onde explode em forma mais puras, e em estágios materiais mais subtis, de inteligência, alma, espírito, numa ascensão constante até se colocar “à direita do Pai”, isto é, o Espaço Absoluto onde se travaram todas as refregas da Involução e da Evolução, e que se coloca, agora, à direita do UM! É o 10, número cabalístico de transcendental importância que reflecte todos os estágios da Perfeição Absoluta, adquirida, através de todas as fases involutivas e evolutivas, isto é, através de todos os números!

Tal é a Vida, o Mundo e o simbolismo do número UM. De tudo o que foi dito conclui-se que a UNIDADE é imaterial, infinita e incognoscível. O UM é a unidade de tudo. Isto posto, compreende-se que tudo foi elaborado e realizado sob os influxos da UNIDADE ABSOLUTA. Ela é quem rege a mecânica de toda a fenomenologia. Ela é, então a Lei Divina!

É por isto que o Ritual afirma que:

A Unidade só é compreendida por efeito do número DOIS; sem este, ela torna-se idêntica ao Todo, isto é, identifica-se com o próprio número”.

Isto conduz-nos ao raciocínio de que a UNIDADE, compreendendo os dois aspectos do Criador – imanifestado e manifestado – só se torna compreensível quando o segundo aspecto se realiza e, esta realização dá lugar ao aparecimento da matéria, presidida pelo número DOIS. Sem tal manifestação, a UNIDADE “torna-se idêntica ao Todo”.

É necessário ficar bem claro que o ZERO simboliza o Pai imanifestado e que gera o UM, o Filho, aspecto manifestado do mesmo Pai. O número simbólico desta geração é complexo porque exige uma interpelação e valores entre o ZERO e o UM, cuja compreensão está ainda fora do alcance do Aprendiz.

A UNIDADE é o Reino de Deus dentro de nós mesmos, ou seja a Sua Lei, que é interiormente pressentida por nós, e que actua manifestando-se naquilo a que nós acostumámos a chamar de CONSCIÊNCIA. Por isso não há que se “aprender” a UNIDADE, mas, antes “senti-la” através das várias apresentações dos nossos actos e dela temos ciência pelo julgamento interior em cada um de nós vulgarmente conhecido como “a voz da consciência”!

A dispersão das nossas actividades tende a afastar-nos da UNIDADE e a ela só poderemos retornar exercitando um Pensamento concentrado, animado por uma sincera Devoção, esclarecido por uma sólida Sabedoria e executado através de boas e puras Ações. Estes são os caminhos que nos conduzirão novamente à UNIDADE!

Boanerges B. Castro

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