Onde D. Pedro I teria sido iniciado na Maçonaria?

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D. Pedro I do Brasil & D. Pedro IV de Portugal
D. Pedro I do Brasil & D. Pedro IV de Portugal

Em sabendo-se que D. Pedro (Pedro I do Brasil & Pedro IV de Portugal, * Queluz, Portugal, 12 de Outubro de 1798 + Queluz, Portugal, 24 de Setembro de 1834), apelidado de “o Libertador” e “o Rei Soldado”, foi o primeiro Imperador do Brasil como Pedro I, de 1822 até à sua abdicação em 1831, e também Rei de Portugal e Algarves como Pedro IV, entre Março e Maio de 1826. Foi iniciado na Arte Real em 2 de Agosto de 1822, com 24 anos incompletos, na A∴R∴L∴S∴ Comércio e Artes n° 0001, Loja Primaz do GOB, hoje localizada na Rua do Lavradio, 97 – Centro – CEP: 20.230-070 – RJ-RJ, e que a mesma Augusta Loja teve outros endereços anteriormente, todos no Rio de Janeiro, antes de se estabelecer na Rua do Lavradio, como por exemplo, em 1815, na casa de João José Vahia, à rua Pedreira da Glória, onde a Loja Comércio e Artes foi fundada, segundo o site oficial da Loja; depois, reerguida a 24 de Junho de 1821, com o título de “Comércio e Artes na Idade d’Ouro”; sob os auspícios do Grande Oriente de Portugal, na Rua do Fogo (actual Rua dos Andradas), entre a Rua das Violas (actual Teófilo Otoni) e Rua Estreita de São Joaquim (actual Marechal Floriano), inicialmente, no Rito Adonhiramita (razão dos pseudónimos heróicos dados aos Irmãos integrantes) e, logo posteriormente, no Rito Francês, ou Moderno, por influência da Maçonaria francesa, sendo o Rito oficial do Grande Oriente do Brasil àquela época até 1974.

Esta mesma loja, a Comércio e Artes n° 0001, viria a ser proibida de funcionar, assim como todas as outras lojas e entidades que funcionassem secretamente, em virtude da expedição do Alvará datado de 30 de Março de 1818, que suspendia todos os seus trabalhos.  A partir daí essas instituições passaram a ser perseguidas e fechadas pela polícia imperial, pois as mesmas haviam passado a funcionar mais secretamente ainda. Em virtude desses factos esta loja deixou de funcionar regularmente. Porém, foi novamente instalada em 24 de Junho de 1821, ainda, na casa do Capitão de Mar e Guerra José Domingues de Ataíde Moncorvo. Residência que ficava à Rua do Fogo esquina com a Rua das Violas, no Rio de Janeiro.

Segundo o site oficial da A∴R∴L∴S∴ Comércio e Artes, “as Lojas Comercio e Artes, União e Tranquilidade e Esperança de Niterói funcionavam nesta época na Rua Conde d’Eu (depois rua do Conde, actual Mem de Sá), pois o terreno, onde se localiza hoje o Palácio Maçónico do Lavradio, foi comprado em 1836,  pelo actor português Vítor Porfínio de Borjas, e em outras fontes grafado Victor Porfírio de Borja, para nele construir o teatro da sua companhia; teatro, que abriria as portas para competir com o Teatro João Caetano, na Praça Tiradentes. Por falta de dinheiro, ele não conseguiu concluir o projecto, e o prédio acabou sendo vendido. Na década de 1840, várias lojas maçónicas fluminenses se juntaram e resolveram formar uma companhia, a Companhia Glória do Lavradio, para financiar a compra do imóvel, que acabou sofrendo adaptações para abrigar os templos da sociedade maçónica (Restauração revela pinturas antigas no Palácio Maçónico).

É preciso sempre ter em lembrança, quando da leitura desta peça, que D. Pedro I morreu em Queluz, Portugal, em 24 de Setembro de 1834, portanto seis anos antes da aquisição do imóvel do Lavradio – logo, o Irmão Guatimozim nunca chegou a conhecer ou pisar no referido Palácio Maçónico do Lavradio, a não ser, talvez, em espírito, para aqueles que assim acreditam.

Já em “O Rio que o Rio não vê”, acrescenta-se a informação de que: “não conseguindo terminar a obra por falta de recursos, em 1840 a massa inacabada foi adquirida com recursos próprios pelos irmãos Joaquim José Pereira Faro e Luís Queiroz Monteiro Regadas, que em seguida criaram a Sociedade Glória do Lavradio, cedendo o prédio às Lojas Maçónicas. Até este momento, o Palácio encontrava-se sendo erguido, ainda como um futuro teatro, sendo então adaptado ao novo projecto de tornar-se o maior centro de Lojas Maçónicas do RJ e do Brasil. ”.

Somente em Junho de 1842, com a inauguração do Palácio Maçónico, as lojas que fundaram o Grande Oriente do Brasil, dentre outras, passaram a funcionar na Rua do Lavradio, nº 97, mesmo período em que ocorreu a instalação do GOB neste mesmo prédio.

Para simples efeito informativo, as Lojas passaram a ocupar o prédio do Lavradio, mas somente depois de ter se fixado por vários endereços: Rua Nova do Conde, Rua do Lavradio (em outra casa, no começo da rua), Rua Nova do Ouvidor, Rua de São José e Rua dos Ciganos.

Diante dos factos narrados, expomos abaixo uma “linha do tempo”, onde podemos afirmar com toda certeza de que: “D. Pedro I nunca entrou no Palácio do Lavradio seja para iniciar ou para assistir qualquer outro tipo de reunião. ”.

Faz-se necessário transcrever brevíssimo trecho da história da A∴R∴L∴S∴ Comércio e Artes n° 0001, constante no seu sítio electrónico oficial, (abrem-se aspas): “é oportuno registrar o trecho da Acta publicada nas páginas 23 e 24 do livro “Casos de Maçonaria”, do Irmão Pedro Henrique Lopes Casals e nas páginas 116 e 117 do livro “História Geral da Maçonaria”, do Irmão Nicola Aslan:

“Aos vinte e cinco dias do segundo mês do ano da V:. L:. de 5822” – já aqui usando um calendário maçónico (Quarta-feira, 15/05/1822 da E V sob a presidência do Ir GRACCO – Cap. João Mendes Viana), o Ir DIDEROT (Joaquim Gonçalves Ledo) propôs “nomear uma Comissão de sete membros, destinada a redigir a Constituição Brasílica Maçónica, para reger o Gr Or e Maç Brasiliense” – este é o primeiro registro da intenção de se fundar a nova Obediência. Dava assim mais um passo no cumprimento das promessas feitas ao seu irmão Custódio, na carta já mencionada de 1808, em que dizia “…irei organizar no Brasil a primeira Loja que será o centro da propaganda liberal do Brasil.

Na mesma sessão, ele ainda propôs “se decorarem as CCol∴ com GGr∴ maiores e darem-se estes por comunicação”, o que pode ser uma indicação da mudança pretendida do Rito Adonhiramita para o Francês ou Moderno, que será, como veremos, o rito adoptado pelo Grande Oriente Brasílico (que Ledo chamou aqui de “Brasiliense”), e onde o grau dado “por comunicação” significa a dispensa de uma cerimónia ritualística específica, talvez pelo desconhecimento ou falta dos rituais necessários, o que é mais plausível.” (Fecham-se aspas).

Após intensas buscas, sobre a Iniciação de D. Pedro, a muitas fontes como revistas maçónicas, internet, livros, a única informação que ainda se encontrava era a de que “D. Pedro foi iniciado na A∴R∴L∴S∴ Comércio e Artes”, mas das fontes pesquisadas por este modesto pedreiro especulativo, a enorme maioria não mencionava em que endereço, realmente ocorreu esta Iniciação do Irmão Guatimozim. Então, perguntava-se-me:  onde foi o primeiro endereço ou o local, ou, ainda, se não foi o primeiro, onde D. Pedro (ainda Príncipe Regente), foi iniciado às Colunas da Sublime Ordem?

Verificou-se, como por uma convergência de buscas, um achado muito interessante: fotos de ruínas e de casarios antigos (muitos actualmente já demolidos), no antigo Rio de Janeiro, com pequena história dos seus proprietários e mudanças urbanas da capital carioca em: Revista Kosmos, ano 2, número 4, Abril de 1905, no endereço electrónico: (http://memoria.bn.br/pdf/146420/per146420_1905_00004.pdf), em que se avistou além de uma foto antiga em especial, o seguinte trecho, (abrem-se aspas):

A casa de Paulo Fernandes
A casa de Paulo Fernandes
Trecho da Rua Frei Caneca (demolido)
Trecho da Rua Frei Caneca (demolido)

“Em seguida à casa de Paulo Fernandes, e na continuação da antiga Rua do Conde (lado par), nota o observador um sobrado com cinco janelas de peitoril. É também um prédio histórico. Ali funcionou o Grande Oriente do Brasil até à sua dissolução por ordem de Dom Pedro I, (conforme trecho da Rua Frei Caneca, demolido).

Instaladas em 24 de Junho de 1821, na casa do oficial de marinha José Domingues Moncorvo, à Rua do Fogo, as três lojas maçónicas – Comércio e Artes, União e Tranquilidade e Esperança de Niterói, conheceu-se em breve ser pequeno o local para as reuniões dos associados, constituídos pela melhor gente da época ou antes por todos os patriotas, seculares e eclesiásticos, que trabalhavam pela Independência do Brasil. Aboletou-se então a maçonaria no prédio da Rua do Conde. Nessa casa iniciar-se-ia Maçom o Príncipe Dom Pedro, na sessão de 2 de Agosto de 1822, recebendo o pseudónimo de Guatimozim, (homenagem ao imperador Sol, Guatimozim, último imperador Asteca, morto em 1522) e no dia 5 elevado ao grau de mestre por proposta do 1° Vigilante Joaquim Gonçalves Ledo, sendo depois colocado no alto cargo de Grão-Mestre.”. (Fecham-se aspas) (Fonte: Revista Kosmo, Ano 2, Número 4, Abril de 1905).

Em Comentários Históricos sobre o Livro de Ouro da Maçonaria Brasileira, de Hercule Spoladore, da Loja de Pesquisas Maçónicas “Brasil”, Londrina, em subtítulo “Resumo das Reuniões do Grande Oriente Brasílico”, cita que “O Grande Oriente Brasiliano estava instalado juntamente com as suas três lojas num sobrado situado na Rua do Conde, nº 4, depois Conde D’Eu e hoje Frei Caneca.”. O Livro de Ouro da Maçonaria Brasileira é uma colecção de dezanove actas contidas num livro próprio o Grande Oriente Brasílico, Brasiliano ou Brasiliense, conforme vêm grafado às vezes com um destes três nomes, desde a sua fundação em 17/06/1822 até a última datada de 11/10/1822, quando daí a alguns dias D.  Pedro I mandou o Grande Oriente suspender os seus trabalhos.

O fechamento do Grande Oriente do Brasil, Brasílico (ou Brasiliano) se deu em 25 de Outubro de 1822 e reinstalado a 23 de Novembro de 1831. (https://bibliot3ca.wordpress.com/pequena-historia-da-maconaria-no-brasil-william-almeida-de-carvalho/)

Quem foram as personagens proprietárias destes prédios citados?

José Domingos de Athayde Moncorvo

Adoptou o nome heróico de Alcebíades, era Capitão de Mar e Guerra, ocupou o cargo de Secretário da Loja União e Tranquilidade, membro da loja União e Tranquilidade. Em Maçons fundadores do Grande Oriente Brazílico, Rio de Janeiro, 1822..

Paulo Fernandes Viana, Barão de São Simão

(Rio de Janeiro, 1758 — Rio de Janeiro, 1 de Maio de 1824) foi um magistrado brasileiro, membro da Ordem de Cristo, conselheiro do Paço de Lisboa. Formado em direito pela Universidade de Coimbra, acompanhou a comitiva do príncipe regente Dom João na transferência da corte para o Brasil em 1808, diante da ameaça das forças militares do Imperador Napoleão Bonaparte que invadiam Portugal.

Foi designado pelo príncipe regente em 10 de Maio daquele ano para o cargo de intendente-geral de Polícia da Corte e do Estado do Brasil, com funções equivalentes ao que seria hoje a soma de um prefeito com um secretário de Segurança Pública, conforme Laurentino Gomes, em “1808 – Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007, p.219, citado em (https://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Fernandes_Viana).

Alexandre Fortes, 33º – CIM 285969 – ARLS Cícero Veloso n° 4543 – GOB-PI

Referências

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